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A passagem de uma vida🌻3
😔😶‍🌫️😁De Herói pra Monstro😔😶‍🌫️😁
1977 palavras • 11221 caracteres • ⏱ 7 min 54 s

😔😶‍🌫️😁De Herói pra Monstro😔😶‍🌫️😁

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O terceiro livro, não me lembrava em detalhes o que acontecia no terceiro, mas eu estava pronto pra ser surpreendido com qualquer coisa que fosse mostrada pra mim. E o livro começou e forma bem interessante, mostrando com o Herói sequer se lembrava do próprio nome, ele era um animal enjaulado, incapaz de sair de onde estava, saindo apenas para fazer atrocidades em nome do império, onde ele passava, o caos reinava, a ponto dele receber um novo nome das pessoas que o temiam e o odiavam ao mesmo tempo, “cuidado, lá vem o Armagedom”. Armagedom, sim, esse parecia um nome bem melhor do que o antigo nome dele, Heroi, ele não era um Herói, ele era o próprio Armagedom.


E o mais irônico era que, ele amava bem mas se o Armagedom de que ser o herói, porque enquanto estava lá fora, suas partes mais feias estavam a mostra, ele era livre, mas mesmo enjaulado, generais novos, pessoas que  odiavam, pessoas que o admiravam, ele era visitado por todo o tipo de gente, de alguma forma, mesmo enjaulado, ele tinha mais voz preso do que livre. E em uma dessas visitas, o general antigo, que ele ajudou a se tornar imperador, foi visitá-lo, e apesar de não se sentir mais humano, ele conseguia falar de forma muito boa.


Armagedom: então, você vai começar mais uma de suas seções de xingamentos? preciso me carregar pra próxima cidade devastada


Imperador: eu só estou confuso, eu odeio você, odeio tudo que você é, odeio a sua voz, odeio seu poder, e odeio todo o sangue que você derramou,  eu odeio tudo, e mesmo assim, eu sinto como nós somos amigos, de alguma forma, muitos dizem que eu iria te matar agora que nós quase dominamos tudo por aqui, mas eu não quero fazer isso, você entende o por que?


Armagedom: bom, eu apenas entendo que não é mais pra me punir


Imperador: que estranho não é?


E com esses sentimentos estranhos, o novo imperador manteve o Armagedom vivo, até que ele propositalmente parou de manter ele preso em uma jaula, e logo, ele ganhou um lugar especial da cidade, livre, pra ser assim como ele queria, e logo, ele começou a ser cultuado, como um Deus cruel e implacável que acabava com qualquer inimigo que o império tivesse. 


E o Armagedom estava feliz, como um monstro, ele era mais feliz e completo e uma forma que ele sequer conseguia se imaginar como um Herói.


Então, começou, nas últimas páginas do livro, foi descrito com o maior cuidado do mundo como cada um dos reinos sobreviventes mandou Heróis de todas as formas de tamanho pra destruir o Armagedom, mas ele conhecia todos os segredos deles, e era bem pior do que uma derrota, colocando os próprios aliados contra eles mesmos, colocar os heróis odiarem seus próprios interesses românticos, fazer o “poder da amizade” de cada herói parecer uma piada. E ele fez algo que nenhum vilão já fez, matar os colegas do herói antes que ele conseguisse se fortalecer. Todos os erros que os antigos imperadores cometeram, que os antigos vilões cometeram, o Armagedom não cometeu, e os ditos “heróis” não passavam de crianças jogadas pra morte enquanto os poderosos “adultos” que deveriam protegê-las, tentaram fugir, mas o imperador capturou cada um deles VIVO.


E quando aqueles “adultos” irresponsáveis foram até o Armagedom, ele tinha uma surpresa especial pra eles, os heróis que eles mandaram para matá-lo, o Armagedom fez cada um deles se transformar em uma versão menor dele. E o engraçado era que o Armagedom nem precisou fazer muito, porque todos os heróis não passavam de versões diferentes do que ele mesmo passou, ele apenas teve que ajudá-los a liberar o poder mais cedo, e de forma que doía bem menos do que na sua vez.


A próxima cena foi algo horripilante pra qualquer um que não estivesse acostumado com gore, o livro descreveu em detalhes como cada um dos 50 monstros torturou os grandes sacerdotes, reis distantes e qualquer outro cara no controle que mandou eles pra morte.


Alguns tiveram seus órgãos comidos enquanto ainda estavam vivos, outros foram usados como brinquedos de crianças, e outros tiveram seus ossos arrancados pra fora de seu corpo um por um, todos sendo bombardeados constantemente com magia de cura para não morrerem muito fácil. 


As mortes eram brutais, mas eu amei cada uma delas, porque eu sabia perfeitamente bem o que cada uma daquelas crianças passou para chegar naquele ponto, bem feito pra eles.


E quando tudo foi dominado, os Heróis viraram variações menores do próprio Armagedom, e o imperador estava finalmente controlando todo o continente, tudo pareceu certo, tudo foi unificado em uma única bandeira, nada mais de guerra, ninguém mais iria lutar por terras, e não se precisava mais de Heróis, e numa época de paz através do puro medo, o Armagedom descansou, até se transformar em uma montanha com a quantidade de tempo que ele ficou deitado, porque pelo jeito, a Paz que eles causaram foi tão boa que levou bastante tempo pra algo absurdamente ruim acontecer, e quando, não só o Armagedom, mas os outros monstros viraram montanhas depois de tanto descanso, a última fala do Armagedom no final do livro, tirou meu fôlego.


Armagedom: ser uma pessoa era supervalorizado, eu nunca me senti mais vivo do que quando eu não precisava mais pensar em nada e deixar todos os meus sentimentos saírem e destruir tudo em meu caminho. O garotinho que estava dentro de mim se dissolveu no monstro, não sou humano, e tá tudo bem, esse monstro é realmente quem eu sou, eu miro minha destruição no lugar certo e depois só vou embora, e até precisarem de mim, irei hibernar.


E assim, o livro acabou, sem continuações, apenas um Herói que virou um monstro e desse monstro ele se transformou em um animal domesticado. Eu fechei o livro, fechei os olhos e absorvi aquela história com tudo.


Enquanto pensava naquele livro, me lembrei da primeira vez que eu li aquela história, eu lembro como eu era jovem e despreocupado, e tentei fugir de casa pra ver o mundo quando eu tinha apenas as 12 anos, não era nem por raiva ou por negligência, era por que eu queria muito mesmo ver o mundo, mesmo sendo taos jovem e descuidado.


Depois de fracassar na minha fuga, eu fui levado para o Rei, de forma engraçada, eu me lembrava até muito bem do quão descontraído ele era, não parecendo um rei, na verdade ele mal parecia um nobre. E do quão bagunçado o escritório dele era, parecia muito uma sala que uma pessoa que não tem um dia de pas e que se move a partir de café passa seus dias, ao invés de algo que um rei teria.


Eu lembro que eu tava com um pouco de medo da imprevisibilidade do que ele poderia fazer. Mas procurando os livros, o Rei falou.


Rei: há, você é realmente um animalzinho inconsequente


Antonio: animal?


Rei: sim, porque você não parece ter muito conhecimento, porque diferente da inteligência, o conhecimento é a capacidade de aprender, algo além do instinto, é algo que apesar de animais serem capazes, não são tão bom quanto nós


Antônio: hum, e você vai me transformar em um humano então?


Rei: não, porque eu acredito que você é capas de fazer isso sozinho.


Então, ele me entregou o livro, um dos primeiros livros sangrentos que eu já tinha visto, na época, eu pensei que aquele era um livro de feitiços, que poderia me transformar numa pessoa absurdamente poderosa, mas o que aquele livro me ensinou foi algo maior do que qualquer feitiço que ele pudesse me ensinar. E antes de eu sair, ele falou.


Rei: Antônio.


O rei sabia meu nome? Agora fiquei impressionado.


Rei: um homem inteligente aprende com os próprios erros, um homem mais inteligente aprende com os próprios erros


Antônio: aaaaanh, obrigado pelo conselho vossa alteza.


Foi a coisa mais gentil que eu pude pensar na época, mas quando li o livro pela primeira vez, eu entendi o que ele queria dizer. Apesar de eu não ser o garoto mais infantil do mundo, quando eu li aquela trilogia pela primeira vez, senti como se a inocência tivesse abandonado meu corpo. Foi lendo aquele livro que eu entendi que o mundo lá fora não era pra criança, e que por mais que eu quisesse sair agora, eu iria apenas acabar me matando no pior dos casos se eu fizesse isso. Eu parei de fugir e tentar sair do reino, meus pais ficaram aliviados por isso, mas não me pediram explicações do por que isso aconteceu. 


A jornada do herói até o ponto dele se tornar um monstro que apenas conseguia destruir coisas e voltar a dormir era algo que eu carreguei comigo por toda a minha vida, e de tempos em tempos, como hoje, eu ainda lia a história, pra nunca me esquecer do porque eu cheguei tão longe, eu não tinha permissão de esquecer.


Me lembrei perfeitamente da forma como eu havia procurado os outros dois livros da trilogia, e a forma como o medo colocado em mim naqueles livros me fez entender a guerra, suas consequências, e como eu não podia depender do poder da amizade, o poder da amizade era imprevisível, podendo funcionar ou não, mas o poder normal era simples e não podia dar errado…talvez tenha sido naquele momento também que eu virei um maníaco por estudos, mas eu não tinha provas o suficiente sobre isso. E apenas depois de um tempo gigantesco, um tempo gigantesco mesmo, a ponto de que eu entendi como o livro que o Rei me deu, era ironicamente um livro capaz de ser comprado em qualquer livraria, que eu entendi o que ele queria dizer com isso.


Antônio: “um homem sábio aprende com seus erros, um homem mais sábio aprende com os erros dos outros”.


Talvez naquele momento também foi o momento em que eu descobri a escada para o reino dos gigantes, o conhecimento ancestral, estudado pelos Psicomagos, e pelos gigantes anciões, guardados com muito cuidado naquela gigantesca fortaleza.


O Rei não tinha feito muita coisa comigo, eu apenas era uma criança problemática que fugia o tempo todo, e ele apenas teve uma conversa simples comigo e me entregou um livro totalmente comum, era doido pensar que aquelas duas ações me mudaram tanto. 


Quando olhei para a capa do terceiro livro, olhei a capa de cada um deles, vendo como a primeira capa era enganosa, a primeira era sobre um grande herói com uma capa amarela e levantando uma grande espada na direção da luz, mesmo com o aviso de idade pra maiores de 16 anos, o segundo era bem menos enganoso, que apenas mostrava a grande forma monstruosa do Armagedom em sua totalidade, mostrando a chacinas que aquele livro votaria logo de cara, e o último livro, era quase enganoso, com o monstro da capa do segundo descansando e sendo coberto de areia, poeira e pedra. Uma cena que apenas aparecia no final, e olhando aquilo, eu respirei fundo enquanto pensava em tudo que ainda estava para acontecer, até que eu senti algo me abraçando por trás, e apesar do arrepio pelo toque inesperado, eu fiquei calmo, como se a minha pele já soubesse de quem era aquele toque, e eu a abracei com cuidado, ainda um pouco afetado pelo ataque do nada.


Dandara: tá lendo o que?


Antônio: o livro mais importante da minha vida


Dandara: uuuuuh, posso ler?


Antônio: humpf, fica à vontade.


Eu sabia que a Ruiva ia aguentar sem muitos problemas pra lidar com as atrocidades daquele livro, mas ainda estava triste pela forma como aquele livro com certeza iria afetá-la de qualquer forma, mas tentei não pensar muito nisso enquanto eu pensava naquele lance que eu iria fazer depois, pensando no quanto aquilo seria legal.


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