Noooooossa, faz muito tempo que eu não pegava essa estrada, tanto no bom quanto no mal sentido. Cavalgar com o Zorro pra dentro do grande território das fadas parecia bem mais perigoso agora, todos os meus feitiços estavam ligados ao máximo, e o meu senso de perigo estava em potência máxima também, eu me assustei com cada barulho, cada sombra do lugar, eu cheguei até a matar um grilo que voou bem rápido perto de nós.
E a minha linda esposa, que estava bem do meu lado, não estava muito diferente também, ela estava amedrontada, e cada fibra do corpo dela gritava que ela estava preparada até para o pior tipo de emboscada da história.
E algo irônico nas nossas duas atitudes, é que isso fazia com que todo o animal que viesse até nós nos evitasse, e qualquer um que fosse corajoso o bastante pra ir até nós era reduzido a poeira antes de terminar o próprio ataque, nós conseguimos até matar dinossauros com esses ataques, eram golpes que usava ⅕ da nossa magia, mas ainda era muito assustador pra mim.
Era absurdo como eu, depois de todas as coisas que eu passei, apenas agora estava sentindo aquilo, o grande medo de morrer que pensei nunca sentir, era por causa dela? Era por causa do anel? Será que a calmaria que eu senti por tanto tempo, foi algo que apenas me transformou num covarde?
Não, não era isso, só tinha um motivo, mesmo amando minha família, não sentia aquilo como um sentimento forte o bastante pra temer pela minha vida, mas agora, aqui, com um anel no meu dedo, com minha parceira ao meu lado, e com um futuro ainda não vivido esperando a mim e a ela, o medo era um lembrete, um lembrete do futuro que eu não vivi e que não podia me permitir morrer até alcança-lo, e a minha linda esposa, parecendo estar em um turbilhão de pensamentos muito parecidos, sorriu pra mim e falou.
Dandara: faz tanto tempo desde a última vez que agente saiu, o que mudou agora?
Antônio: ah, é que esse evento é algo pra namorados, mas é algo muito especial pra casais também…olha, nós chegamos.
E quando a Ruiva olhou pra frente, ela viu uma árvore colossal sem folhas, mas acima dela estava uma imensa tigela que parecia conseguir abrigar milhões de pessoas. E na base da árvore, várias portas onde pessoas já estavam entrando, ele estava tão maravilhada que ela bateu as mãos uma na outra, dando um gritinho de alegria até me agarrar balançar de um lado pro outro, como se eu não soubesse o que tava acontecendo.
Dandara: ANTONIO, OLHA AQUILO, QUE ÁRVORE ENORME, ELA É MAIOR QUE TRÊS GIGANTES JUNTOS
Antônio: é, eu tô vendo.
Não poderia negar a empolgação da garota, por que aquela árvore era bem grande mesmo, tão grande que se ela fosse uns 10 metros mais alta, ele conseguiria tocar no mar branco.
Quando nos aproximamos de uma das entradas da árvore, uma moça simpática entregou um ovinho pra nós, a Dandara não entendeu o que aquele ovo deveria ser, mas eu pedi que ela segurasse ele com força, e não o deixasse cair.
Enquanto nós andávamos no meio da multidão, agradeci por ter milhares de monstrinhos devoradores de som nos corredores, fazendo os sons, como o caminhar das pessoas, os sussurros das outras, e até o som de algumas armaduras batendo uma na outra, quietinhos, as vezes eu considerava adotar um daqueles pra mim, mas eles eram tão difíceis de manter que na maioria das vezes eu desistia no meio do caminho.
Então, quando chegamos no topo, lá estava, o grande céu estrelado que, enquanto estávamos no reino Sapien, ele estava divino, mas tão perto assim do “teto” para o mar branco, fazia todo o céu estar escuro, como um grande mar numa noite sem estrelas.
Nenhum guia apareceu dessa vez, não era preciso, ali, se alguém estava lá, era porque o parceiro havia mostrado esse lugar pra ele, então, sorrindo, vi cada um deles começando o evento, logo, cada casal, sejam namorados ou até pessoas já casadas, começaram a colocar magia em seus ovos, então, chamando a atenção da Dandara, eu falei.
Antônio: vem querida, tá na hora.
Ela sorriu com um sorriso bem infantil e se aproximou, e segurando o ovo, a orientei em como segurar o ovo direito.
Dandara: amo quando você me chama de “querida”
Antônio: bom querida, escuta bem, eu quero que você coloque a sua magia no ovo junto comigo, é algo bem bonito irá sair dela, acredite em mim
Dandara: hihihihihi, esse é o evento? Apenas jogar magia em um ovinho? O que vai sair dele?
Antônio: vamos descobrir juntos.
E seguindo minhas orientações, a Dandara colocou uma grande quantidade de magia no ovo, e eu joguei a minha, quando nossas magias se colidem, era como dois rios se encontrando, mas diferente da colisão de mares em duelos, o mar quente e absurdamente agitado da Dandara se uniu com o gelado e ao mesmo tempo borbulhante mar que era a minha magia, e como um redemoinho, as nossas duas magias se combinaram, se misturando e ficando cada vez mais fortes, com uma complementando a outra, o amor que um sentia pelo outro era tão forte que até em nossa magia, a mistura era tão perfeita que o ovo conseguiu absorvê-la por completo, não causando nenhuma rachadura nele.
Então, olhando pra cima, eu vi a garota me olhando, com as córneas azuis agora transformada em coração, e imaginando que minhas coreanas deveriam estar do mesmo jeito agora, eu dei um beijo nela enquanto o ovo começou a brilhar em um azul muito bonito que fazia nos dois parecermos fantasmas da noite.
Depois do beijo, sentimos o ovo rachado, prestes a liberar algo muito bom, então, levantamos nosso ovo, junto com milhares de outros casais, então, nosso ovo liberou uma borboleta brilhante e linda, quase tão linda quanto o corvo dourado do ritual Sapien, ênfase no quase.
A nossa borboleta era vermelha no interior das asas, preta no exterior e irradiava um grande poder azul. Apesar de nós sabermos bem onde a nossa borboleta estava no começo, ela logo se perdeu na grande tempestade de outras borboletas, então, um grande espetáculo de luzes começou.
Cada borboleta voou, a ponto de criar várias imagens diferentes, as borboletas as vezes criavam imagens de parceiros cuidando de suas parceiras doentes, ou das parceiras cortando lenha enquanto o parceiro estava com a mão ruim(algo que eu achei bem maneiro por algum motivo), parceiros que caminhavam pela praia sem a menor preocupação do mundo, parceiros que colocavam a comida na boca um do outro.
Um show de luzes que deixou muitos casais felizes, e no grande espetáculo final, algumas borboletas ficaram fracas e desceram para os braços de seus donos. Tentei não julgar, não ter uma borboleta forte não significava que o amor deles estava perdido, só queria dizer que o amor deles precisava ser melhor cuidado, algo que com a pessoa certa, daria tudo bem.
E enquanto pensava nisso, vi a Dandara segurando minha mão, absurdamente feliz enquanto ela apontava pra nossa borboleta, ainda feliz, poderosa e cheia de vida, parecendo que nunca iria se desfazer. Ela era a peça importante de um grande show onde cada borboleta, em meio ao grande céu escuro da noite, criou um arco íris, mas especificamente, um arco íris em formato de coração.
Vendo aquilo, meus olhos ficaram tão grandes que a parte branca do meu olhos não dava mais pra ser vista, e minha mandíbula caiu. A Dandara pegou ela e pôs no lugar pra mim, mas era realmente lindo que algo assim realmente exista, eu ouvi aquilo dos livros, e confirmei o lugar com as pessoas que eu frequentava no bar, mas não importa quantas páginas eu lesse ou com quantas pessoas eu falasse, nada, literalmente nada ia sequer chegar perto da beleza que era o original.
Antônio: é como olhar o rosto da Criadora
Dandara: é um portal pra alma perfeita
Antônio: tenta não ficar muito corajosa e ir voando pra ele.
E em risadinhas, agente decidiu ficar quietinho, vendo como os devoradores de sons se aproximaram de nós, e o show acabou quando uma flecha também feita de borboletas apareceu, fincou a si mesma no coração, e entre o coração, começaram a aparecer um nome na direita e outro na esquerda.
Eu achei que, com o tanto de gente ali, aquilo ia durar uma eternidade, mas não, as borboletas se separaram, a ponto de 10 grupinhos serem criados, e depois de esperar apenas por 5 minutos, o meu nome e o nome da Dandara apareceram, eu fiz aquilo bem mais por instinto do que por vontade, mas quando o meu nome e o dela apareceu, eu tirei uma foto, eu tirei o momento perfeito onde o coração tava metade vermelho do meu lado e meu nome também vermelho enquanto o lado da Dandara tava azul, com o nome dela também azul.
Depois que vimos nossos nomes, a nossa linda borboletinha voou até nós, e então aconteceu algo que eu não sabia que existia no ritual, a grande borboleta se modificou, se transformou em metal, e depois se dividiu em dois colares diferentes, uma parte voou pro meu pescoço, a parte que tinha o formato de um coração partido e com a letra D entalhada nele enquanto a Dandara recebeu uma parte com a palavra A, encrustada nele, e ela sorriu pra mim, de forma doce, e sem malícia.
Antônio: hum, não deram os colares errados pra gente?
Dandara: eu não acho, meu coração sempre foi seu, e pelo que parece, o seu coração sempre foi meu, não to certa?
Antônio: é, você tem razão.
Agente achou que, por serem colares mágicos, algo iria acontecer se nós juntássemos eles, e olha quem diria, acontecia sim, o colar brilhava em um vermelho intenso quando eles ficavam juntos, mas até onde agente sabia, era apenas isso.
Dandara: será que eles fazem alguma outra coisa?
Antônio: sei lá, vamos descobrir no caminho.
Então, depois do pequeno show acabar e de nós recebermos nossos colares, descemos da árvore, e nos preparamos para voltar ao reino Sapien.
Eu estava tranquilo, e quando nos afastamos um pouco, já soube qual era o outro poder dos colares.
Antônio: olha, que legal, eles são magnéticos
Dandara: igual a atração que agente tem um pelo outro
Antônio: uau, essa aí foi horrível.
E dando uma gargalhada, fiquei meio que feliz vendo como, apesar de tudo, o grande medo que eu tava desde que eu cheguei, passou, ele ainda estava lá, mas agora que eu entendia quase que por completo de onde ele vinha, ele não me controlava, na verdade, eu me sentia até mais poderoso, tendo um desejo tão forte assim de criar um futuro tão incrível assim para a minha esposa.
Antônio: essa selva sempre foi tão perigosa assim?
Dandara: você também notou? É quase como se nossos olhos tivessem sido substituídos por olhos de filme de terror
Antônio: esse tipo de olhar deve se dissipar logo, então não pensa muito nisso
Dandara: vou confiar em você.
E enquanto andávamos cada vez mais perto um do outro, cada vez mais nos trocamos pra que essa sensação de medo iminente não se tornasse algo tão permanente assim.

