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A passagem de uma vida🌻3
😴🫠o concurso de sono🫠😴
2641 palavras • 14430 caracteres • ⏱ 10 min 34 s

😴🫠o concurso de sono🫠😴

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Talvez algo tivesse realmente mudado em mim nesse relacionamento, por que eu estava cavalgando de novo com o Zorro dentro do território, pra eu participar de um evento junto com os rapazes, não chamei a Dandara por que ela disse que tinha combinado com as garotas de ir pra outro lugar, o que eu aceitei de boas.


Eu expliquei tintim por tintim pro pessoal o tipo de evento que nós estávamos indo, e eles ficaram absurdamente empolgados pela ideia, sendo que o evento deveria causar o total oposto neles.


Então, agente chegou em uma grande barraca de circo feita de cobertores, e antes do evento começar, eu vi que muita gente tava cansada, o que era normal, já que eram quase 6 da manhã, mas não tinha acabado, não ainda.


Eu me inscrevi no evento, junto com os rapazes, e uma vez lá dentro, eu vi algo que me fez já agradecer a mim mesmo de entrar no evento, um banquete de café da manhã, com todos os tipos de coisas que dá pra se imaginar, tinha pão, pãezinhos, ovos, bolos, tinha bolo de chocolate, tinha 17 tipos diferentes de achocolatados, e 13 tipos diferentes de café, tinha chá, frutas, torta, manteiga, requeijão, presunto, queijo. Era como um banquete de ceia, só que pro café da manhã. 


O Davi até foi ressuscitado depois de ficar quase como um zumbi por acordar tão cedo, ele apenas não conseguiu ser mais rápido que o Jay, que se arremessou na comida como um animal selvagem, e o João chegou até a chorar quando viu a comida, eu era a favor de homens chorarem, mas eu pensei que ele chorar por ver um prato de comida tão bonito já era exagero, talvez eu fosse um hipócrita, mas não liguei pra isso e apenas fui comer os pratos que eu tinha mais certeza que me apagariam de vez depois da comida. 


Tomei o achocolatado mais pesado do lugar, comi um pão com tudo que o café da manhã pode dar direito dentro, e me enchi de todo o tipo de biscoito recheado que existia. Quando terminei, eu tava tão cheio que até me perguntei se eu iria chegar a almoçar, provavelmente sim, mas apenas por considerar isso, apenas mostrou o quanto eu comi.


E depois que todo mundo devorou a comida, o evento principal começou, bom, pelo menos depois de todo mundo quase estar parecendo um zumbi depois de comer tanto e dormir tão cedo. O Sapien guia do evento olhou pra nós, com uma voz tão suave que fez quase todo mundo dormir de pé bem ali.


Sapien: (sussurro) sejam bem vindos a competição anual do sono, vocês já devem saber as regras do evento, mas é sempre bom lembrar aos novatos. As cortinas atrás de mim criam uma grande sala com quadriliches o suficiente pra todos aqui


Antônio: (sussurro) a cama de cima é minha


Sapien: (sussurro) as regras são simples, cada um de vocês irá dormir o máximo que conseguirem, e quem dormir sem mexer um músculo por mais tempo, ganha o primeiro lugar, e o prêmio é…


E no meio da fala dele, o Sapien estalou os dedos e mostrou uma cama absurdamente linda, com lençol, colchão e travesseiro, tudinho.


Sapien: (sussurro) esse conjunto de cama adaptativo que pode mudar para a preferência do dono, muitos campeões afirmam que ter um desses é como ser abraçado por um anjo todas as noites


Participante1: como alguém que já abraçou um anjo de verdade, posso dizer que isso é verdade.


Todo mundo acordou um pouco rindo daquela piada ruim, enquanto eu apenas olhei para o prêmio principal, os outros prêmios deveriam ser partes do conjunto, e os outros deveriam ser dinheiro, mas não importa, qualquer coisa que eu ganhasse nessa competição seria lucro, eu apenas queria experimentar um pouco esse evento doido que minha mãe participou.


Eu pensei tudo isso enquanto as cortinas eram abertas e a sala, que parecia muito o interior de uma lona de circo, gigantesca e imensa, pensando que devia ter algo bem interessante naquele lugar.


Antônio: ok, vão, escolham os beliches.


Todo mundo correu para as camas com uma grande velocidade, e eu apenas voei com tudo para o beliche mais alto, eu tinha certeza que não teria esse problema ali, mas não queria arriscar que alguém em cima de mim poderia molhar a cama, ah não, era arriscado demais pra mim, tanto que todos os meus amigos correram, apenas pensando o mesmo que eu.


Ha, mas assim que os primeiros começaram a dormir, pensei que tudo seria inútil de qualquer jeito, pois pelo que parece, quando alguém dormia, a cama começava a flutuar no meio daquela grande sala onde os beliches estavam, todo mundo tava voando, e enquanto eu via cada cama flutuando pra cima, e finalmente percebendo a pequena melodia de canção de ninar que todo o lugar criava, eu senti como se minha consciência estivesse sendo roubada pelo sono, e o mais doido era que eu estava entregando de bom grado pra ele.


Eu não sei quanto tempo eu dormi, eu não me lembrava da maioria dos meus sonhos. Mas aquele sonho parecia bem mais forte que os outros, um sonho que eu tinha constantemente, o sonho onde eu era um grande lixeiro em um mundo pós apocalíptico, onde eu estava sozinho, limpando todo o lixo de pessoas que abandonaram aquela terra, e eu continuava limpando e limpando a cada dia, até que eu acabei morrendo por ser enterrado pelo próprio lixo.


Bom, aquela foi a última vez que eu sonhei assim, mas agora, eu estava em um sonho igual aquele, e ao mesmo tempo diferente, que era que eu não estava mais sozinho, eu ainda estava nas mesmas pilhas onde eu fui enterrado na última vez, e eu acordei depois de um monte de pessoas me desenterraram lá de dentro, e eu não me surpreendi quando vi que as pessoas que me salvaram do lixo que me soterrou eram o Pedro e a Kauane, o engraçado ou estranho seria se não tivessem sido eles.


Quando sai do buraco, vinque o mundo pós apocalíptico, que eu sonhei por tanto tempo, havia mudado, primeiro, ele não estava mais abandonado, tinha muita gente ali tirando o lixo junto comigo, o céu amarelo eterno que nunca parecia ficar dia ou noite agora mostrava um grande céu azul e um sol lindo que eu nem lembro se cheguei a ver naquele alguma vez.


E depois de ser limpo e me darem roupas novas, todas as pessoas que eu ajudei ao longo do caminho, minha mãe, o Brutus, o Davi, a Dandara, a Saytus. E até gente que eu não tinha tanta intimidade, como o Midas ou os milhares de aventureiros que eu havia ajudado, além também de todas as pessoas que eu ajudei com meus golens ou que eu construí golens pra elas. Todo mundo tava ali, me ajudando a limpar todo o lixo dentro da cidade.


Eu sorri enquanto eu colocava a mão na massa, entendendo devagar como cada um dos lixos era diferente, se eu deveria queimá-lo, se eu deveria reciclá-lo, se eu deveria derrete-lo. 


No fim, cada uma dessas coisas ficou tão comum, que a grande montanha de lixo que eu tinha tanto problema pra lidar antes, desapareceu de forma simples, e não importa quanto lixo fosse jogado, agora eu conseguia lidar com ele, eu conseguia impedir que o meu mundo fosse tomado por lixo de novo, e eu sentia a cada novo amanhã, e a cada respiração pura de ar que no fim, todo o esforço que eu fiz no caminho quando estava sozinho valeu a pena no fim. 


Ainda dentro do sonho, me sentei numa cadeira e me espreguicei todo, fechando os olhos bem devagar enquanto fechava os olhos, pensando que eu tinha feito um bom trabalho.


Então eu abri os olhos, e vi que meus amigos estavam me esperando, e vendo ao redor como eu era o único que flutuava, eu tentei me levantar, mas eu estava com fome, e meus ossos estalaram de novo, mas era um estalo tão grande que eu me sentia como uma máquina enferrujada que precisava de óleo.


Depois de me esticar bastante, e me sentir como um plástico bolha sendo estourado, eu ouvi o apresentador falando.


Sapien: 3 dias e 10 horas, muito bem campeão, mas você ainda está longe de superar o recorde de 12 dias e 20 horas do campeão de 1863


Antônio: (sonolento) eu dormi por 3 dias?


Sapien: e 10 horas, quer levar seu prêmio agora? Ou quer que nossa equipe entregue a sua casa depois?


Antônio: acho que prefiro vocês entregarem.


Eu não tava com a cabeça pra falar, na verdades eu não tava com a cabeça pra nada, sentia que eu ainda estava dormindo, enquanto o meu corpo tinha certeza que ainda estava dormindo, eu saí da cama, mas meus amigos tiveram que me segurar pra eu não acabar caindo no chão. Eles me apoiaram no ombro deles, e me levaram pra comer um hambúrguer.


Eu não tava com força pra falar, então eu apenas aceitei, e depois de beber água, e depois de sentir que eu tava mais acordado que o normal, eu perguntei pro pessoal.


Antônio: então, o que vocês sonharam?


Davi: eu quase tive pesadelos 5 vezes, mas os guias do evento impediram isso falando comigo, pelo jeito dá pra impedir pesadelos se você tiver experiência com isso


Jay: eu sonhei que eu tava cavalgando com meu cavalinho em uma estrada infinita


Antônio: nossa, que tédio, e você João


João: não quero falar disso.


O João não falou em voz alta, mas pela cara vermelha dele, era óbvio que ele tinha tido um sonho bem intenso, então não queria entrar mais fundo na ferida e envergonhá-lo ainda mais.


João: e você Tony? O que você sonhou?


Antônio: ah, eu só tive a continuação de um sonho que eu tinha quando era criança


Davi: o sonho era sobre o que?


Antônio: bom, no sonho original eu era um zelador que tinha que limpar sozinho um planeta pós apocalíptico que foi abandonado por todos, e eu fazia isso no sonho porque, eu sentia que o mundo ia ficar melhor de viver se eu fizesse isso…


Eu tava me sentindo desconfortável por algum motivo, mas não parei de falar.


Antônio: e eu sempre acabava o sonho da mesma maneira, sendo enterrado por uma pilha de lixo, sendo sufocado e sentindo o fedor do lixo na grande escuridão, sempre acordando depois de 1 minuto inteiro de tortura.


Os rapazes estavam com rostos estranhos, não entendendo totalmente o que eu disse, mas percebendo que o que eu falei não era algo pra ser levado de forma simples.


Davi: e você sonhou com isso de novo?


Antônio: ah não, o meu sonho dessa vez continuou a partir dali na verdade


Davi: continuou?


Antônio: é, eu meio que acordei no meio do lixo, com uma versão do Pedro e da minha Psicomaga daquele mundo de sonhos doidos me ajudando a sair do lixo, e o mundo pós apocalíptico que eu tava antes, hehe, tinha ficado bem melhor desde que eu fui enterrado, mais bem cuidado, mais vivo, tinha plantas crescendo lá, eu nunca vi nenhuma planta crescendo ali quando eu era criança, mas dessa vez eu nem sei se vou ter esse sonho de novo, mas pra mim tá bom, porque apesar de ainda ter muito lixo, no sonho muitas pessoas me ajudaram a limpar, amigos, e colegas e muito mais, então acho que vou ficar bem mesmo não tendo aquele sonho de novo.


Eu olhei pro copo de refrigerante que eu tinha pedido por mais algum tempinho, apenas pensando na felicidade que foi sentir tudo aquilo outra vez, foi uma felicidade tremenda mesmo, até que o Jay perguntou.


Jay: quando foi a última vez que você sonhou com aquilo?


Eu fiquei um tempo sem responder, porque eu não me lembrava muito bem, mas quando me lembrei, me senti um pouco assustado com a resposta que já tava na ponta da minha língua.


Antônio: quando eu tinha 14 anos…um ano antes de eu ter o meu surto…depois disso, só tive ele hoje.


O pessoal ficou bem quieto, de novo, e o Jay continuou.


Jay: nossa, não acha que deve ter um motivo pra você sonhar de novo um mesmo sonho de 16 anos atrás?


Antonio: tenho certeza que deve ter um motivo…que é que esse mundo destruído é a minha cabeça, e o lixo, era uma metáfora pra minha sombra, as coisas que eu guardei. Eu tava numa terra morta, sozinho, tentando o máximo limpar minhas partes ruins, mas era muito pra eu fazer sozinho…e esse sonho que eu tive, era para me lembrar que eu não tava sozinho, não mais, e o mundo apocalíptico que era minha cabeça antes, está melhor, não completamente bem, mas melhor, e contanto que eu não acumulei muito lixo, minha mente não vai virar um apocalipse de novo.


E mais uma vez, todo mundo olhou pra mim, muito preocupado, o olhar de pena de cada um deles, era algo que deveria me dar raiva, mas eu apenas ficava feliz que eu tava cercado de tantas pessoas que ligavam tanto pra mim.


Davi: é, vou cuidar do meu lixo também


Jay: e eu do meu


João: e eu do meu


Antônio: aos lixeiros


Todos: AOS LIXEIROS.


Eu brindei com todos de uma vez, e na hora, eu pensei no nome perfeito para o nosso time de boliche, os rapazes provavelmente iriam me matar se não gostassem, mas eu estava preparado para aguentar as consequências, afinal, aquilo que significava ser um capitão, não é? 


Vendo meu sorriso maligno, o Davi deu um sorriso maligno também e falou.


Davi: nossa, aquela ruiva tá realmente te ensinando todo tipo de coisa


Antônio: é normal, não acha, depois do tanto que eu ensinei pra ela.


Rindo, nós dois achamos bem legal todo aquele papo, e agora bem mais acordados depois de tudo que fizemos, agente tentou não pensar nas consequências de ficarmos dormindo por dias.


Quando eu fui pra casa, eu já esperava que a Dandara estivesse acordada, mesmo que ela demorasse pra acordar, já era quase meio dia, e como eu esperava, a ruiva estava ali, no sofá, lendo um livro que eu não conseguia ler a capa. Bom, eu não tava fazendo nada suspeito, então eu decidi dar bom dia pra ela, então eu vi que ela foi a uma espécie de canto de boxe com as amigas, bom, isso eu esperava, por causa dos roxos na cara dela.


Antônio: que cicatrizes são essas?


Dandara: onde você estava?


Nós falamos ao mesmo tempo, e eu não falei nada, esperando ela falar primeiro.


Dandara: a Kali me convenceu a entrar num ringue de um campeonato de boxe amador, ah, e não se preocupa com esses machucados, a outra mina ficou bem pior


Antônio: você deve ter quebrado o queixo dela


Dandara: e a perna também.


E eu e ela rimos como dois vilões enquanto eu só imaginava a cena da ruiva, com o cabelo solto apenas espancando uma mulher desavisada, que não sabia o quanto de raiva acumulada a minha esposa guardava.


Dandara: agora é a sua vez


Antônio: tá bom, olha, eu tava na competição anual de dormir, e eu fui o campeão


Dandara: sério? E o que você ganhou?


Antônio: te mostro depois, agora vamos, temos muito o que fazer


Dandara: pode ir na frente, eu vou ler um pouco mais


Antônio: você que sabe.


E andando pra por em dia todo o tempo que eu perdi dormindo naquela competição, deixei a minha esposa ali, lendo, percebendo antes dela sair do meu campo de visão o quanto ela tava rindo, cara, ser casado era um máximo, e considerando o lugar que eu reservei pra nós dois, seria incrível levá-la pra lá também.


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