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A passagem de uma vida🌻3
🥰🙂‍↕️🤔o que é se casar?🤔🙂‍↕️🥰
1735 palavras • 9893 caracteres • ⏱ 6 min 56 s

🥰🙂‍↕️🤔o que é se casar?🤔🙂‍↕️🥰

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Andei calmamente pro meu quarto pensando no que o Pedro falou, apesar da intensidade do nosso amor, eu e ela estávamos tomando cuidado para não acabarmos com uma criança antes da hora, eu já tinha visto e ouvido falar de muitas histórias que terminam em tragédias por crianças antes da hora, mas era além disso, além do meu trabalho e o dela, além da liberdade que nós dois tínhamos juntos, e além dos grandes planos que prometi pra ela e pra todos os meus amigos, ia além de tudo isso. 


O que me motivava além de tudo isso…era apenas meu egoísmo de novo, o egoísmo de um marido que queria ficar o máximo de tempo possível com sua esposa antes de ter que dividi-la com o próprio filho, e ainda dividir o amor dele com a criança. 


Eu estava pronto pra amar meu filho como a coisa mais preciosa do mundo, mas quando entrei no quarto, e ainda vi a Dandara dormindo, pensei como, eu queria focar todo meu amor na mulher com quem eu me casei antes de dividir esse amor com uma criança, e a melhor parte era que a Dandara concordava comigo.


E uma vez no quarto de novo, após algum tempo admirando a visão linda da minha esposa sonolenta e eu a abracei com força e senti o calor dela. 


A garota riu, isso é algo que eu nunca faria antes, mas era como eu imaginei, eu não tinha apenas ficado mais calmo pra certas coisas, muitas coisas que antes pareciam ousadas demais pra mim, não apenas com ela, mas com todas as pessoas que eu conhecia em geral, agora pareciam tão naturais que eu até me assustava. 


Me fazia imaginar quantas coisas a mais eu mudei apenas com esse casamento, mas mesmo depois de dois meses, eu pensava que eu estava bem longe de entender todos esses limites novos que eu tinha.


E depois daquela saudação calorosa, me sentei na mesinha e comecei a ler, li por bastante tempo, ao mesmo tempo em que eu bati palmas e ativei o modelo de músicas do meu espelho, e depois eu me exercitei com alongamentos e outros exercícios básicos, que muitos deveriam conseguir fazer sem muitos problemas.


Cada parte dessa rotina ultra barulhenta que eu desenvolvi casado com a Dandara era algo que eu sentia ser incrível pela ruiva nunca ficar incomodada com isso, mesmo agora ela estava dormindo da forma mais pacífica do mundo bem no meu lado, sem nenhuma preocupação do mundo, pelo menos não uma que seu olhar poderia dizer que ela tinha.


Antônio: jura, como você aguenta?


Dandara: (voz sonolenta) já tô acostumada com seus barulhos.


Além de momentos como esse, agente também lia junto, as vezes agente combinava nossos passatempos, comigo lendo e ela criando músicas, íamos a shows, muito das coisas que agente fazia como namorados, mas agora como um casal, tudo junto com essas mudanças pequenas em nossas personalidades, também parecia que esses mesmos momentos que tínhamos como namorados, pareciam coisas novas, coisas totalmente diferentes agora que éramos um casal, mas era difícil eu explicar cada sensação em palavras, conseguindo apenas descrever como “tudo mudou, ao mesmo tempo que tudo continuou igual”, e cada uma dessas coisas me fazia pensar no que minha esposa mudou? Fiquei muito tempo pensando e tentando me entender antes de tentar entender o que ela estava passando, eu apenas consegui fazer isso sem ficar ruim da cabeça por que a ruiva estava fazendo a mesma coisa, e quando pensei nisso, vi que agente já estava se aprontando pra trabalhar, mas deveria ter um tempinho pra gente ter uma conversa de casal. Decidi perguntar algo pra ela.


Antônio: esposa


Dandara: oi marido?


Ainda dava muita felicidade falar isso, alguma hora ia perder a graça, mas por enquanto, eu iria aproveitar isso até ser estragado por falar muito.


Antônio: e aí? Você sentiu alguma diferença desde que agente se casou?


Dandara: sim, eu tô me sentindo mais, presente sabe, mesmo depois de tanto tempo eu sentia como se tivesse algo faltando, isso talvez tenha algo a ver com minha maldição do vazio, mas mesmo quando eu estava pelos meus momentos mais felizes do mundo, eu sentia que “falta algo” ou melhor “preciso terminar algo” e esse tipo de pensamento me fazia ficar com noites em claro, por que eu não tava conseguindo estar 100% em todos os lugares, mas agora, sinto que eu estou totalmente aqui, seja tomando um doce, ou vendo um filme, conversando com minhas amigas, não mais pensando no passado, no futuro ou nos cenários que meu próprio pessimismo inventou, e mesmo que eu ainda tenha esses pensamentos em mim, sinto que consigo ignorá-los melhor do que antes, o que você dizia naquela época “eu sei que eles estão lá, mas eu propositalmente decido ignorá-los”, não é mesmo?


Eu sorri, orgulhoso dela, mas também feliz, que eu não era o único sendo afetado por essa diferença que nossa relação nova, por mais que eu sinta que as mudanças estivessem apenas começando, e algo me dizia que a Dandara sabia disso também.


Dandara: e você?


Antônio: ah, bom, eu me sinto mais calmo, meu nervosismo, meu desejo de fazer todas as coisas com a maior velocidade, intensidade e alegria do mundo com uma pressa absurda, já pensando no futuro, antes de eu partir para a próxima coisa absurdamente alegre e empolgante que aconteceria no próprio lugar que eu iria visitar. Eu tinha tanta empolgação pra viajar por aí, pra conhecer cada lugar nesse mundo, mas agora eu sinto ter pisado no freio, toda a empolgação e pressa pra eu sentir e ver cada canto nesse mundo parece ter se acalmado, talvez ele aumente depois, mas por enquanto, eu apenas quero passar os meus dias com você, sem pensar no que acontece lá fora, apenas o que acontece do seu lado.


E depois de abrirmos nossos corações um pro outro, agente deu um beijinho de criança um no outro antes de cada um ir pro próprio trabalho, com aquela simples conversa, nós ficamos bem mais motivados pra trabalhar bem hoje.


Antônio: tenha um bom dia querida


Dandara: você também Melzinho.


O trabalho foi bem tranquilo, quando nós chegamos em casa, foi o mesmo de sempre, eu fiz metade das tarefas, e ela fez as outras metades. E depois que nós acabamos tudo, nós pensamos no que fazer depois disso, decidindo só tomar banho juntos. 


Depois de voltarmos pro quarto, agente deitou na nossa cama de casal e vimos um documentário sobre a natureza no meu espelho do meu quarto (fiquei feliz que eu pude compartilhar meu amor por documentários da natureza com mais alguém, muito mesmo). 


E depois de ver bastante tempo aquele episódio sobre um hipocampo tentando atravessar um lago que era o lar uma tartaruga aligator do tamanho de um navio pequeno, tendo que criar toda uma estratégia pra não ser pego no meio daquilo. O episódio tava bem interessante, mas no meio de tudo aquilo, decidi que tava finalmente pronto pra perguntar isso.


Antônio: Dandara


Dandara: oi?


Antônio: o que você acha que o casamento deveria ser? É só um voto? Ou tem algo mais sério pra isso?


Dandara: você esperou 2 meses pra me perguntar isso?


Antônio: pois é, pode me responder?


Ela ficou pensando um tempinho, no meio da nossa análise sobre como agente iria lidar com esse novo ponto da nossa vida, junto com essa minha própria jornada pra saber o que exatamente mudou na nossa relação, junto com as conversas mais literais que eu tive com a Dandara, eu não tive muito tempo pra ter pensamentos mais contemplativos assim.


E pelo jeito, nem a Dandara, por que ela ficou pensando um bom tempo, realmente tentando entender por completo e dar uma resposta completa para a pergunta que eu fiz, até que ela falou.


Dandara: bom, pelo que eu entendo, namorar é quase uma fase de testes, onde você testa se compartilhar tudo que você tem com a pessoa na sua frente vale realmente a pena ou não, e o casamento é basicamente uma confirmação de contrato, a linha de chegada.


E depois de falar isso, a Dandara ficou um pouco contemplativa, pensando no que ela mesma falou. Nós dois então voltamos a ver o documentário, que agora mostrava dois gansos atravessando o lago, e esses a tartaruga não tentou pegar.


E vendo aquilo, pensei um pouco para conseguir completar o que minha amada pensou naquele momento.


Antônio: casar é apenas a linha de chegada? Não, isso não parece certo, tem os divórcios agora, então, o que casar deveria ser exatamente?


Eu fiquei pensando, um bom tempo, até que eu falei.


Antônio: ah, os divórcios acontecem muitas vezes por que as pessoas falham no teste


Dandara: que teste?


Antônio: se casar não é a linha de chegada, bom, é a linha de chegada, mas apenas do namoro, por que ela também é a linha de partida para o casamento, o casamento é uma corrida por si só, mas ele é uma estrada bem mais traiçoeira do que a estrada do namoro, por isso que muitos divórcios acontecem, por que muitos casais não entendem que, diferente do namoro, onde até certo ponto, os dois tinham pistas de corrida individuais, pessoas casadas têm a mesma pista pra correr, e junto de muitos pontos que só é possível atravessar com a ajuda do parceiro


Dandara: jura? Dá um exemplo desse ponto


Antônio: hummmmmm, momentos de crise? Por exemplo, você precisa ser pelo menos um pouco vulnerável com seu cônjuge para conseguir dizer pra ele que tem algo errado com você


Dandara: humpf, tem muitas pessoas que jogam o parceiro no meio das armadilhas pra conseguir passar


Antônio: relaxa Dandara, não importa o quanto demore, pessoas assim sempre recebem o que merecem


Dandara: é, eu espero.


E depois de ficarmos mais aconchegados um no outro, vimos que uma segunda tartaruga, menor e mais jovem, foi até o lago da tartaruga que agente tava vendo até agora, era bem interessante ver como a tartaruga anciã estava se dando tão bem lutando contra uma tartaruga tão jovem.


Dandara: fico feliz que você seja meu parceiro de corrida


Antônio: e eu que você seja a minha.


E sorrindo, eu pensava que já tava chegando na hora, a hora em que tudo estava tranquilo de novo, agente quase dormiu, mas agente se manteve acordado pensando em como ainda tinha um jantar pra comparecer.


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