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A passagem de uma vida🌻3
🥰🥳🙂‍↕️mudou tudo, ao mesmo tempo nada🙂‍↕️🥳🥰
1756 palavras • 9859 caracteres • ⏱ 7 min 01 s

🥰🥳🙂‍↕️mudou tudo, ao mesmo tempo nada🙂‍↕️🥳🥰

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Hoje, eu acordei no meu quarto, ficando um pouco surpreso que ele estava diferente, mesmo ficando no castelo da minha família, eu tinha me mudado pra um quarto mais “apropriado”, pra a minha nova posição, mas eu não tinha me acostumado por completo aquele lugar. 


As paredes pintadas de azul, o feitio de frio que deixava todo o ar geladinho, e o inconfundível cheio de papel dos meus cadernos em uma estantezinha ajudaram, mas claramente apenas aquilo só serviu pra me acalmar, não acostumar, mas eu estava disposto a jogar o jogo longo, era questão de tempo até eu ficar tranquilo de novo, então não pensei muito nisso.


Olhando em volta, vi meus quadros na parede, meu quadro do 2+2=4 continuava lá, meus posteres do Alaric ainda estavam ali e alguns cavalinhos e outros bonecos que eu tinha na infância, mas agora eu deixava em uma prateleira em exposição numa prateleira, também estavam lá. E minha cabeceira, minha cama, meu armadio. Tudo que era meu estava no devido lugar, o problema para a minha cabeça mal acostumada era o resto.


Além das minhas coisas, tinham vários posteres de Mahara, a exploradora, também agora tinham algumas bonecas de pano fofinhas em alguns cantos, além de algumas estatuazinhas de madeira em pontos espalhados, e pra completar também tinham roupas extras no meu armário, travesseiros e edredons extras na minha cama, e papéis, cadernos e penas diferentes na minha cabeceira.


Mesmo com a ajuda de todo mundo pra ajudar minha mente a se adaptar, ela não tinha se adaptado totalmente a essa nova “fase” da minha vida, bom, que pena pa ela, por que não importa o quão difícil fosse ou o quanto aquilo doesse minha cabeça, eu não iria desistir daquilo. 


Voltando meu foco pra minha cama, vendo alguns travesseiros em formato de coração, eu puxei os lençóis, revelando algo que eu descreveria como uma deusa grega em um sono profundo de hibernação, com um sono tão passifco que parecia até que ela estava no lugar mais seguro do mundo, bem diferente e todos os momentos em que eu já a encontrei quando agente se conheceu. Eu fiz carinho na cabeça dela, e ela sorriu enquanto abria os olhos, ainda bem sonolenta.


Antônio: bom dia querida


Dandara: AHHHHHHHH, não me dá bom dia ainda, eu vou dormir mais.


Ri da “piadinha” boba que ela fez, já tinha passado 2 meses desde o nosso casamento, mas ainda era difícil pra mim me acostumar com essas “regras novas” da nossa relação, depois de tanto tempo, depois de me segurar tanto e depois de deixar espaço pra ela se entender sem acabar me aproveitando dela, nós dois estávamos finalmente casados. E não éramos virgens também, mas isso era o mais básico.


Eu mexi nela de brincadeira e ela se mexeu um pouquinho, e ela deu um gemido de sono.


Dandara: mais 5 minutos por favor


Antônio: sempre que você fala isso você dorme pelo menos mais uma hora


Dandara: Melzinho, deixa eu dormir um pouco mais


Antônio: tá bom, mas eu vou usar o quarto pra algumas coisas, então se prepare


Dandara: relaxa, vai se divertir.


Eu sempre soube que um casamento iria me mudar de alguma forma, mas eu nunca pensei que seria desse jeito, do tipo, de eu ficar tão tranquilo que eu fiquei esses dois meses inteiros apenas em casa, tentando entender por completo todas as coisas e regras que a nossa nova relação tinha.


Eu saí do quarto, não me importando muito em ser barulhento, sei que a ruiva não ligava pra isso. Enquanto eu caminhava pelos corredores da casa, vi novamente o quadro do vovô, e apesar de ainda estar triste por ele, eu aínda conseguia ficar feliz, por que no fim, eu consegui, pra honrar o legado dele, eu iria viver tudo o que ele não viveu, se ele realmente foi como eu, então eu iria honrar tudo que eu tinha certeza que ele sofreu.


Eu demorei bem mais do que o normal pra chegar na cozinha, eu tinha começado a andar mais devagar, eu sempre andei devagar, mas agora era como se eu propositalmente estivesse demorando pra chegar onde eu queria. 


Quando eu cheguei até a mesa, pensei como, pela primeira vez, eu tava tomando café da manhã, minha família, que vivia no castelo comigo ainda estava dormindo, eu era o doido que acordava cedo, mas eu ainda comi, eu nem lembrava da última vez que eu tomei café da manhã, o que aquilo deveria significar?


No meio dessas minhas indagações, Pedro, meu irmão, apareceu, ele estava dando um sorriso que muita gente tem me dado ultimamente, um sorriso que dizia “sei o que vocês estão fazendo” mesmo que não fosse um mistério muito grande o que agente tava fazendo.


Pedro: então, como é a vida de casado?


Antônio: você esperou 2 meses pra me perguntar isso


Pedro: por que eu queria que você se adaptasse


Antônio: pergunta depois, eu não me adaptei ainda


Pedro: Antônio.


Ah, aquele tom de voz, aquele tom de voz que me fazia respondê-lo sempre, não por que ele era severo, mas por que ele era um tom tão engraçado que me fazia rir sempre que ele fazia isso, então eu falei de forma calma


Antônio: é…tranquilo, mais tranquilo que eu pensei…claro, agente teve que passar por coisas, coisas como, o normal, conversar, se adaptar com a rotina um do outro, nada muito fora do normal


Pedro: só isso?


Hummm, ele sabia, ele sabia o que eu estava guardando, e a parte irônica era que eu não queria esconder dele nem um pouco.


Antônio: não, eu me sinto mais calmo, calmo a ponto de que….eu não quero mais viajar, pelo menos por um tempo


Pedro: você vagou por todo o continente e por tudo acima dele a quilômetros de distância, o que mudou?


Antônio: a Dandara…ela me acalma, desde que eu me casei, apesar das brigas, eu me sinto completo, completo de uma forma que eu não preciso mais ficar viajando pra milhares de lugares diferentes, apenas para me empolgar…e talvez eu queira ficar perto da garota que eu amo, e que eu não preciso ficar viajando tanto pra entender isso.


Então, o Pedro me deu um sorriso orgulhoso, enquanto ele pegava um pão e começava a comer também.


Pedro: cara, o casamento parece algo incrível


Antônio: isso por que eu e ela esperamos o momento certo


Pedro: é, eu entendo.


O Pedro ficou sem falar por alguns segundos, mas era óbvio que ele tava se preparando pra falar alguma coisa.


Pedro: Tony


Antônio: que foi?


Pedro: lembra daquela minha…pretendente que eu te falei aquele dia?


Antônio: eu lembro de você mencionar ela pelo nome, mas nunca entrar em muitos detalhes sobre a aparência e nem a personalidade dela, nem consigo imaginar como ela é


Pedro: bom, você não vai precisar bater sua cabeça com isso por muito mais tempo, por que eu vou leva-la pra cá, sei que não preciso pedir isso pra você, mas tenta se comportar


Antônio: qual é Pedro, eu não sou uma criança, é claro que vou querer saber tudo sobre a garota que enlaçou o coração do meu irmão mais velho, mas eu prometo não te envergonhar


Pedro: ah, Tony, você nunca me envergonharia, é que, você sabe, tem muita gente que não entende você de cara


Antônio: ela é uma dessas pessoas?


Pedro: o que? Não, não é…mas é melhor você tomar cuidado, nós dois sabemos que ser muito intenso com desconhecidos normalmente acaba mal.


Aquela simples lembrança me lembrou de todos os “amigos” que eu já tive ao longo do caminho, amigos que eu já acreditei que estariam comigo até o fim, mas que me abandonaram, me criticaram e tentaram me encaixar na caixinha do “normal” assim que eu deixei um pouco mais dos meus super sentidos saírem assim que agente ficou mais íntimo, eu entendia o que o Pedro queria dizer, “tinham pessoas que diziam ser tolerantes, mas elas não entendem de verdade o que é conviver com um Singular”. Respirando fundo, eu me preparei um pouco melhor para a possível visita da pretendente do meu irmão, agora ficando quase neutro com a visita dela.


Antônio: ok, eu tô pronto


Pedro: sabe que eu faço isso pra te proteger


Antônio: e isso consegue me irritar ainda mais, você sabe disso.


O clima entre nós dois estava ficando pesado, pra suavizar o clima, eu dei um sorriso maligno que eu tinha certeza que eu aprendi com a Dandara e falei.


Antônio: então o meu casamento despertou alguma espécie de interesse em você?


Pedro: pode se dizer que sim, é um pouco vergonhoso eu, o patriarca, me casar depois que meu irmão mais novo, boatos estão circulando por aí, então eu tenho que agir logo


Antônio: nem precisa entrar em detalhes, eu não quero saber sobre esses joguinhos políticos que você está envolvido


Pedro: sério? Eu sinto que você iria se sair muito bem nesse mundo


Antônio: você tá realmente falando isso pra alguém que não sabe mentir?


Pedro: você sabe mentir Antônio, você só não gosta.


A casualidade que ele falou aquilo me surpreendeu.


Antônio: é sério?


Pedro: é.


Hummmmm, de alguma forma, aquela afirmação do Pedro me calou, e eu decidi apenas voltar pro quarto, e enquanto eu calmamente voltava pro meu quarto, eu ouvi o Pedro falando.


Pedro: sabe Antônio, por mais que eu saiba que você tem seus momentos, ainda tenho dias que tenho duvidas se você realmente é um Singular


Antônio: jura? Bom, isso significa que o tratamento tá funcionando, afinal, é pra isso que eu uso esse colar pra início de conversa.


Falei aquilo enquanto mostrava melhor o colar de girassóis que agora eu deixava no meu pescoço de forma natural.


Antônio: para ninguém esquecer que, não importa o quão bom eu fiquei, minha maldição não vai sumir.


Eu não sei se falei isso do jeito errado, mas o Pedro me olhou aquilo com muita tristeza, talvez ele tivesse triste, pensando que eu talvez tivesse saudades de sentir o mundo de forma normal, mas ele não precisava se preocupar com isso, não podia ter saudade de algo que eu nunca tive.


E vendo como o clima, antes de eu ir embora, tava bem mais pesado, de novo, era a vez dele de diminuir o peso do clima.


Pedro: tentem não ter um filho primeiro que eu também.


A minha tensão diminuiu de forma tão rápida que nem eu acreditei no quão bem eu fiquei depois.


Antônio: relaxa Pedro, eu tenho certeza que isso não vai acontecer.


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