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A Casa Dos Guardiões
Capítulo 1: A Grande Família
1503 palavras • 8724 caracteres • ⏱ 6 min 01 s

Capítulo 1: A Grande Família

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Capítulo 1: A Grande Família


— Ouçam com atenção, crianças, é interessante.


 Oi, sou Anne West. Ajudei a manter a esperança viva com apenas 10 anos.

Ficou curioso e quer saber como isso aconteceu? Então continue lendo. Se você for como eu e preferir acreditar que é ficção, não te julgo; também acharia isso, e é até melhor para todos se continuar assim.


 Bom, vamos lá. Vou sentir um pouco de dificuldade para contar, e talvez você para entender, mas espero que tudo fique mais esclarecido com o tempo.


 Um detalhe: lembro-me de coisas não importantes o suficiente para citar para tais seres que devem ficar entre a gente. Como, por exemplo:


— Podemos sair agora, Abel? 


 Anabel, Bel ou Abel, como a chamamos, é minha irmã. Ela é trigêmea com Bela (Isabela) e Iza (Izaquiel). Mas sua aparência era diferente; claro, assim como quase todos da família, ela é ruiva, mas com o ruivo mais escuro que se possa imaginar... acho que esse tom se chama dark auburn — ah, sei lá, é a única com esse tom. Tem os olhos verdes, bem vivos. Ela ajudava mamãe com o trabalho doméstico.


— Hum, será que eles podem, mãe?

— Por favor! Os pequenos estão desenhando suas invenções malucas, vão ficar lá por horas — insisti.

— Ok, mas voltem a tempo do jantar — disse Abel, olhando para mamãe em tom de brincadeira.

— Obrigado, mãe — disse Felipe em nome de todos nós.


 Um segredinho: normalmente não confio nele para falar por mim, mas, no momento, pareceu uma boa ideia deixar.


— Tá certo. Charlie, vão e achem uma pedra bem preciosa para mim, meus exploradores favoritos!

— Confundiu de novo — sussurramos.


 Tem mais, porém, deixe-me contextualizar: Felipe, Charlie e eu somos trigêmeos. Eles eram idênticos na aparência, não na personalidade.


 Lindos, poderiam ser considerados minhas versões masculinas. Os cabelos cacheados e bem vermelhos naturalmente, com nossos olhos pretos... pretos como breu.


 Após dizer "tchau" para Abel e nossa mãe — Alice West, por casamento, com 38 anos, de quem herdamos os cachos, embora os olhos dela fossem verdes em um tom fosco —, saímos e já nos deparamos com a habitual floresta que víamos sempre que olhávamos pela janela ao acordar.


 Para ser sincera, não havia lugar para onde olhássemos que não víssemos a floresta, já que nossa mãe gostou da sugestão de nosso pai, Artur West.


 Ele é um homem de 39 anos, de ascendência inglesa, casado com sua melhor amiga de infância, Alice Campos. Dele herdamos o ruivo — ele diz que eram laranjas, mas agora estão lisos e quase loiros.


 Como pude esquecer? Seus olhos castanhos são seu charme para conseguir o tão amado abraço de urso da família.


 Nosso pai teve a ideia de construir uma casa de madeira no meio de uma floresta, porque dizia que crianças deveriam brincar ao ar livre.


 Então, deixou um quintal onde construiu um balanço para cada filho assim que completamos 7 anos. Os últimos foram feitos há um ano para os três caçulas: Maria, Gabriel e Miguel, que também são trigêmeos, de cabelos laranjas e ondulados. Os meninos têm olhos castanhos e a menina, Maria, tem olhos verdes, um mais escuro que o outro. Eles se divertem "quebrando" a casa, cada um com uma função que não entendo direito.


 Nós já estávamos acostumados com a mata, tanto que construímos uma casa na árvore em uma das primeiras árvores próximas, onde ficávamos para desestressar. De repente, lembrei que havíamos esquecido nossas AMDSR (Mochilas de Sobrevivência Rápida). Nessas mochilas guardávamos tudo o que achávamos que iríamos precisar futuramente, caso precisássemos sair rápido de casa: remédios, primeiros socorros, água, cobertas e outras coisas.


— Ana, eu peguei.

— Pegou?

— Sim.

— Quando?


 "Ana" foi um apelido que me deram; acho que é porque é mais fácil falar Ana do que Annie ou Anne. Eu, particularmente, não me incomodo.


— Você não notou?

— Não.

— Nunca achei que ouviria isso da nossa Ana.

— É, por essa eu não esperava — concordou Felipe com o irmão legal, Charlie (ou, para os íntimos, Carlinhos).


 Parece que eles notaram minha preocupação com o que estava acontecendo. Tipo, sei que coisas ruins acontecem o tempo todo, mas estava pior que o normal. A crise econômica na Europa, a morte daquela pessoa... é preocupante.


 Nunca fui de acreditar, mas parece que o fim do mundo vai ser mesmo em 2012. Enfim, eles não falaram nada sobre isso.


 Voltando à nossa conversa: dei um sorriso tímido, o que aparentemente eles gostaram.


— Foi uma ótima ideia criar isso, Charlie.

— Obrigado.


 Não fiquei surpresa por ele ter tido essa ideia; ele sempre foi o mais prevenido. Só não sei como eu não pensei nisso antes.


 Andamos por aí enquanto conversávamos sobre diversos assuntos: jogos, filmes e, para a alegria de Felipe, cavalos — algo que não sei por que ele adorava. O tio Sérgio até o ensinou a galopar e a cuidar deles um tempo atrás.


 Brincamos de espadachim, fingindo ser os Três Mosqueteiros, e fizemos nossa coisa favorita: procurar pedras.


 Procuramos tanto que finalmente achamos três pedras lindas, que pareciam ser quartzos de cores vivas: uma amarela, uma vermelha e uma verde. Pegamos as pedras com panos e as colocamos em uma sacola que Charlie trouxe.


— Vocês também estão sentindo que estamos sendo observados?

— Que é isso? Tá vendo e ouvindo coisas agora? — Embora não admitisse, essa era a maneira de Felipe me consolar. Eu aprecio isso.

— Vai ficar tudo certo, não deve ser nada — Charlie tentou acalmar. Vê se aprende a consolar alguém, Felipe!


 Quando chegamos, os trigêmeos menores já haviam preparado a janta, sob supervisão. Eles ajudam porque todos ajudamos em casa. Desde que mamãe ficou doente, Iza e Bela ajudam papai financeiramente, porque os remédios e o tratamento são caros e não conseguimos pelo SUS.


 Temos dinheiro para o resto, então ajudamos com quase todas as tarefas domésticas.


 Como eu disse antes, Iza, Abel e Bela são o trio mais velho, de 17 anos. Bela e Iza, mesmo sendo de sexos opostos, se parecem mais do que Abel e Bela.


 Os dois têm olhos azuis vivos e cabelos ruivos mais escuros que os meus, porém mais claros que os de Abel.


— Bééeééé! — gritou Bela atrás de mim, logo em seguida colocando as mãos nos meus ombros.

— Ai, Bela! Se eu tivesse um infarto e morresse, a culpa seria sua. Como se sentiria?

— Dramática! Não se pode nem mais brincar.

— Onde você se meteu?

— Que educação, Ana. Não que seja da sua conta, mas eu estava tomando banho.

— Não sabia que você fazia isso — murmurei.

— O que você falou? — perguntou ela, provocando.

— Então, já jantou?

— Não. Hoje decidi mudar um pouco e deixar o Iza tomar banho primeiro — falou, me dando um beijo na bochecha e enrolando os braços no meu pescoço.


 Ela se sentou empolgada em seu lugar no lado direito da mesa. Abraçou Charlie, que estava ao seu lado esquerdo; ele, como sempre, retribuiu o carinho. Esses dois são os mais carinhosos da família, junto com o papai. A diferença é que, no geral, Bela e meu pai gostam mais de abraços do que o Charlie.


— Maria, o que fizeram de janta hoje?

— Batatinha, arroz e carne — respondeu ela, dando um sorriso e sentando-se.


 Miguel ria da empolgação da irmã, mas quando percebeu o olhar dela de "continua rindo para você ver se eu não tenho coragem", parou quase imediatamente, o que fez todo mundo cair na gargalhada, até ele.


 Terminamos e fomos escovar os dentes para dormir. Iza e Bela caíram no sono após dizerem para os irmãos mais novos:


— Boa noite, meninos. Se precisarem, chamem.


 Só que, quando chegou nossa vez, eles perguntaram como a Abel tinha se virado com a mãe. Era uma pergunta que eles não faziam para todos os pequenos, mas para nós era rotina. Acho que queriam saber se ela estava falando a verdade e como se sentia, já que ela e o Felipe nunca admitiam quando precisavam de ajuda; achavam que precisavam ser fortes por nós.


— Mas...

— Silêncio.

— Voltando...


 Com toda a sinceridade, seriedade e sarcasmo existentes, Felipe responde:


— Se ela não estivesse bem, estaríamos indo para o pronto-socorro agora.


 Enquanto isso, Charlie colocou as pedras diretamente em nosso baú com o fundo forrado de trapos que nossa mãe nos deu. O baú era secreto até o Gabi, o Miguel e a Maria verem o Charlie guardando pedras nele. Não que importe, porque o que tem dentro continua sendo secreto.


 Quando Iza e Bela saíram correndo atrás de Bel, lembrei que as garrafas estavam vazias, mas era tarde demais para enchê-las, então deixei para amanhã.


 Agora sim... Espero que durma logo, Bela. Desejei isso porque sei a verdade: ela acorda até com uma pena caindo. Mal sabia eu que hoje não seria diferente.

 Tudo começou quando...


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