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Curioso Felino 2🌻
😌😘😨segredos😨😘😌 +18
1700 palavras • 9775 caracteres • ⏱ 6 min 48 s

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Quando chegamos no motel, tudo pareceu ficar real demais de novo, enquanto nós subíamos pelas escadas, e eu sentia como as paredes eram a prova de som (parecia algo básico num lugar daqueles, mas me aliviou ainda mais) até que nós chegamos no nosso quarto, era cheio e perfume, tinha cara que tinha sido limpo da visita dos últimos clientes na hora, e respirando fundo, senti o perfume das velas, e me sentindo mais calmo, mesmo que de forma bem leve.


Então nós dois sentamos na cama, ainda vestidos…eu achei que as coisas iriam ser mais simples, achei que depois do casamento tudo ia ficar mais facil…mas…não ficou, eu não sabia onde tocar, onde começar, todos os livros de “técnicas” que eu li até aquele momento…pareciam inúteis agora…ate que a Dandara se levantou e falou.


Dandara: ok, eu vou me arrumar…tentaaaaaaa…ficar mais confortável até eu chegar.


Dando uma risadinha, fiquei feliz com o que ela falou, me deixando pelo menos um pouquinho mais tranquilo, mas quando ela andou até o banheiro e fechou a porta, eu notei por que eu estava tão nervoso…eu estava sim nervoso por ver o corpo dela, mas sentindo as minhas cicatrices, as malditas cicatrizes daquele dia…me fez pensar se ela se assustaria com elas, provavelmente sim, mas eu estava disposto a deixa ela vê-las, então tirando meu terno e ficando apenas de calças, deixei minhas cicatrizes à mostra, e eu senti uma ardência, como se elas ainda estivessem abertas, mas elas estavam fechadas, isso eu tinha certeza.


Pelo que me falaram, o motivo daquelas cicatrizes não sumirem era por que os sentimentos negativos dentro delas eram tão fortes que eles anularam quase toda a cura possível, até aquele ponto da minha vida, eu nunca pensei que meu corpo ficaria num estado tão ruim, mas mesmo depois de tanto tempo, o que eu passei, o que eu senti, tudo ainda está aqui, em formato de cicatriz, e eu iria mostrar isso pra alguém além do Pedro, mas eu troquei votos com ela, eu não podia fraquejar, não agora. 


Minhas mãos tremiam, meu corpo inteiro tremia na verdade, eu não conseguia explica o por que, mas eu tinha muita, mas muita vergonha essas cicatrizes, eu não queria mostrar isso pra ninguém…mas era difícil esconder essas cicatrizes dela agora, eu estava suado, não não, ainda não era hora de suar, ainda…não…eu tava apavorado, como era possível isso? Eu consigo lutar batalhas até a morte e aquilo estava me apavorando.


Meu coração pareceu parar quando eu ouvi a porta abrindo, eu me virei pra olhar a Dandara, e ela estava radiante, com uma lingerie preta que, claramente ela não escolheu sozinha, de alguma forma eu sabia que não tinha forma ela ter conseguido aquela roupa sozinha. Não tinha muito a apresentar além do meu corpo apenas protegido com uma calça.


A Dandara ficou com os olhos arregalados, e cobriu a boca com as mãos, mas ela não estava olhando para os meus músculos, ou as outras partes mais “tradicionais” que deveriam receber esse olhar, ela estava olhando pras minhas cicatrizes, havia medo, pena e…um sentimento muito complexo para eu descrever em palavras fáceis, o “desejo de cuidar”, isso se tinha uma forma mais fácil de expressar isso. 


Ela se aproximou devagar de mim, e quando eu olhei pra ela, vi que eu estava assustado, um tipo de susto que me fazia pensar que iria atacá-la se eu fosse tocado de forma errada, a minha sensibilidade sensorial parecia ligada ao maximo, eu conseguia sentir o ar a minha volta e se eu apertasse a cama com mais força, talvez eu rasgasse os tecidos, e a Dandara parecia ter entendido isso, de alguma forma.


Como era possível isso? Agente tava tendo uma conversa, mas agente não tava falando nada, até que ela colocou os dedos de forma leve em uma das minhas cicatrises, cicatrices que, diferente de muitas coisas em mim, eu não me orgulhava nem um pouco, pois cada uma delas era o lembrete do que aconteceu comigo naquele dia. O toque dela era arrepiante, como se gelo estivesse sendo colocado no meu corpo.


Ela passou a mão na marca de perfuração no meu peito, uma tentativa inutil de me matar de um cavaleiro novato, depois ela passou para uma marca de foice em um dos meu ombros, menos letal, mas que de alguma foma, ainda conseguiu deixar uma cicatris, e depois ela foi ate os meus biceps, com varias marcas de corte das lutas proximas que tive com todos ali. 


Ate que ela voltou pro meu ombro, mas ela passou a mão em minhas costas, vendo como um grande corte de espada estava marcado em minhas costas, um corte tão profundo, que em alguns pontos, era até possivel sentir meus ossos encostando na ferida, não existe um dia que eu não me questione como eu sobrevivi a esse golpe, de todos que tentaram me matar naquele dia de loucura, aquele corte foi um dos mais proximos de conseguir.


Dandara: ah, ah, ah, que…ferimentos profundos, o que…exatamente te atacou?


Antonio: idiotas, idiotas que não entendiam o que eu tinha…mas não se preocupe, com exceção dessas cicatrizes, não existe nada que eu me lembre deles


Dandara: eeeeee…ainda, dói?


Antônio: é, dói sim, tem algumas dores que não vão embora, mas eu aprendi a lidar com elas, assim como você.


Então ela ficou feliz, olhando como eu…me abri pra ela, não sabia como, mas…senti que agente podia ir bem devagar, então…eu olhei o corpo da Dandara, finamente, e vi como…ela tinha muitas cicatrizes também, mas as dela, pareciam se disfarçar bem melhor que as minhas, eu vi as mãos calejadas dela, mãos calejadas de tanto treino forçado, olhos que já tiveram grandes olheiras, mas que agora estavam bem suaves, e seu corpo…


Nesse momento, eu vi algo que a lingerie tentou esconder, eram marcas, marcas de…roupas, aquelas roupas horríveis que ela usava antes…mas tinha mais, tinham, marcas de pregos…santo deus, tinham muitas, eu não sabia se podia tocar, mas a Dandara me deu a carta branca colocando a minha mão nas marcas, ela sentiu um arrepio quando fiz isso, mas ela não tirou minha mão dali, ela apenas ficou se adaptando, até que eu tirei minha mão.


Eu fiquei muito assustado no início, mas depois fiquei de certa forma mais calmo, as marcas e pregos, estavam todas em lugares não letais, aquilo com certeza não foi algo feito às pressas, enquanto passava minhas mãos nela, e via como o corpo dela parecia estar me aceitando, como se, bem no canto mais profundo de sua mente, ela pensasse que eu a trairia de alguma forma, ou que antes de tudo, ela iria acordar e perceber que tudo que agente viveu não passou de um sonho incrível.


Mas tava tudo bem, eu nunca a trairia e apesar do quão incrível tudo aquilo era, eu podia garantir a garota que nada daquilo era falso.


Antonio: nossa, e eu achando minhas marcas ruins


Dandara: você não faz ideia o que eu daria pra ter suas marcas


Antonio: agora voce ta subestimando meus ferimentos


Dandara: você pelo menos revidou, essas marcas…elas são a prova que seus sentimentos existiam, não importa o quanto tentaram calá-los…a minhas cicatrizes são apenas a prova de que…as minhas emoções não importam, e que eu consegui sufoca-las por completo com…isso.


Ela falou, apontando pras próprias cicatrizes, mas eu nem falei nada, apenas esperei ela continuar.


Dandara: essas cicatrizes…são a minha forma de ter sobrevivido naquele lugar por muito tempo, quando os poucos sentimentos que eu tinha tentavam se manifestar, eu usava…isso, para sentir dor e conseguir fazer a maior parte do meu dia sem muitos problemas…pode dizer que eu sou doida ou patética…mas essa dor… ela…


Antonio: fazia você se distrair?


A Dandara então olhou pra mim, mas não incrédula, mas feliz, como se ela soubesse bem que casou com a pessoa certa quando ouviu essa palavra de mim.


Antônio: que essa dor física te distrai da dor mental constante dentro de você? e que chegava a ser bom ter que focar em outra coisa além de sua própria mente?


A Dandara nem falou nada, ela só deu um sorriso diferente, eu comecei a ver vários rostos novos dela, aquele sorriso, ele era doce e travesso ao mesmo tempo, e com aquele sorriso, ela se aproximou de mim e me empurrou pra cama, e como duas crianças, nos rimos e rolamos na cama.


Dandara: haaaaa, agente realmente ganhou na loteria, eu sinto que, em todo esse mundo, não existe ninguém que consegue me entender como você


Antonio: eu tenho certeza que muita gente entende o que você sente…a diferença é que eu sabia como me aproximar de você.


E dando um gemido de raiva, ela me empurrou na cama e continuou.


Dandara: ah, pára com isso, não estraga o momento tentando se depreciar, não dessa vez


Antonio: ta bom, eu não vou.


Depois dela falar aquilo, nós estávamos bem mais relaxados, relaxados a ponto de não estarmos com muito…“calor” para finalmente fazer aquilo, até que a Dandara falou o que eu já estava sentindo.


Dandara: apesar do nervosismo, eu tava bem animada pro que agente ia fazer, mas sinceramente, depois de todo esse papo, eu meio que não to mais com vontade


Antonio: então…que tal agente só dormir? Agente é casado agora, vamos ter muitas chances além dessa.


E novamente, aquele sorriso apareceu, e me dando um beijo, ela falou.


Dandara: boa ideia, marido.


Desejando um pouco de contato pelo menos, eu abracei a Dandara, e ela apenas deixou, e com o sono chegando (é, nós realmente exageramos nas festanças) eu falei.


Antonio: boa noite, esposa


Dandara: boa noite, marido.


E sentindo o sono vindo, eu pensava como, pela primeira vez em…talvez eu nem lembrava direito, pela primeira vez desde que eu posso pensar direito, eu não queria mais nada, eu estava totalmente satisfeito, e sussurrando, mais pra mim mesmo, no meio do meu sono, eu falei.


Antonio: (sussurro) eu não quero mais nada.


Eu tinha quase certeza que a Dandara estava meio acordada e sorriu quando eu falei aquilo, mas não tinha como eu ter certeza, então apenas dormi, pensando como eu era sim, a pessoa mais sortuda de toda a terra.


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