Uma coisa interessante sobre conhecer tão bem sua esposa é que você sabe perfeitamente o que ela quer, a minha mãe e a mãe da Dandara já queriam fazer uma cerimonia completa, convidarem a família toda e gastarem milhares de moedas que poderiam facilmente ser usadas pra um camponês com milhoes em dividas no mercado negro conseguirem virar um duque com o nome mais limpo do mundo, mas a Dandara não queria nada disso, ela queria algo simples, algo que…eu conseguia entender perfeitamente.
Antônio: então, o que você tem pensado sobre isso?
Dandara: booooom, eu tava pensando em…fazer isso em uma igreja pequena, um lugar tranquilinho, com apenas os nossos melhores amigos e a nossa família…sabe, só o pessoal que importa, e não milhares de pessoas, olhando pra gente, dando sorrisos cheios de alegria…mas que podem fazer minha maldição do vazio distorcer elas em rostos de deboche
Antônio: e um lugar sem muitos gritos, sem muita luz, e sem muito…de tudo, um lugar onde eu não sinta que o que agente está fazendo é um evento do século, me fazendo sentir como se eu fosse um ator da minha própria vida ao invés de uma pessoa.
Depois de falarmos aquilo, nós dois olhamos pro “nada” por um tempo, e depois de alguns segundos, tivemos um arrepio na espinha.
É, seria um lugar calminho, com certeza.
???: nossa, vocês se merecem mesmo.
Nós dois demos um susto, porque aquela voz estava vindo da janela, pois Kali, uma das melhores amigas da Dandara, estava na janela com a sua vassoura, ouvindo agente conversando.
Dandara: SANTO DEUS KALI, QUER ME MATAR DO CORAÇAO?
Kali: vocês não nos falaram onde o evento ia ser, eu fui enviada como a espia, não devia ter ficado tão surpresa quando vocês só recusaram toda a ajuda da família e se esconderam no seu quarto Dan.
A Dandara parecia triste, uma tristeza que vinha de culpa, mas segurei a mão dela e falei.
Antônio: se é assim, fala pra todo mundo que vão ter poucos convidados, eeeeee, se eles insistirem muito, o casamento vai ser aqui, EM CASA mesmo, então diga pra eles nos deixarem em paz.
Sabendo bem que eu estava falando sério, a Kali foi embora, nos deixando sozinhos, e com carinho, beijei a mão da Dandara enquanto dizia.
Antônio: eu mal posso esperar pra quando o dia chegar.
Nós tínhamos combinado com todo mundo que agente não queria nada grande, mas com o toque das nossas mães, o evento ficou ainda bem especial.
A minha mãe conseguiu um terno confortável pra mim, a mãe da Dandara conseguiu um vestido de noiva para a garota (que eu não vi pra nao dar azar, é óbvio), elas nos ajudaram a escolher os convidados, que no fim foram só os nossos pais, nossos amigos mais próximos, e os nossos Psicomantes.
Podia parecer idiota, e doido, a ponto que nós dois pensávamos que eles não iriam aparecer pelo quanto eles trabalhavam, mas convidamos mesmo assim, e quando percebemos, o casamento que nós dois queríamos que não fosse muito grande acabou virando um evento tão lindo que nós dois não acreditamos nisso.
O pequeno templo que nós decidimos usar acabou virando um paraíso por dentro, cheio de flores, velinhas cheirosas e um monte de babados que transformaram o lugar.
Dandara: que doidera
Antônio: eu tô vendo mas não tô acreditando
Pedro: é o que eu digo, nada é mais assustador do que uma mãe, e a propósito, o que vocês estão fazendo aqui? Vocês vão acabar se atrasando pro próprio casamento, vão, vão.
E com o aviso do meu irmão, nós dois fomos empurrados para nós aprontarmos, eu tava me sentindo tão feliz, eu iria me casar, eu iria finalmente selar pra sempre o amor…que…eu sempre senti pela Ruiva…então, depois que eu coloquei o terno, o Pedro viu que tinha algo errado e foi até mim.
Pedro: Antônio, você tá legal?
Antônio: hehe…eu vou casar.
Eu apenas falei aquilo e depois perdi o controle das pernas, e felizmente, o Davi me segurou, fazia um tempo que eu não via o garoto, mas estava feliz que ele estava ali. Eles me colocaram na cadeira, e viram se eu estava bem.
Antônio: eu vou casar
Pedro: você quer que eu chame alguém?
Antônio: não (respira fundo) só me dê um minutinho, pra me adaptar por completo a ideia.
Depois de perceber completamente o que tava acontecendo, o que eu iria fazer e como essa escolha iria mudar minha vida pra sempre, e seria uma das maiores mudanças de toda a minha vida…eu fiquei nervoso, nervoso demais, era como se toda a minha maldição tivesse se ativado ao máximo assim que eu notei o que tava acontecendo, a minha visão ficou turva meu corpo pareceu ficar 10 vezes mais sensível em tudo…mas eu aguentei, eu respirei fundo, me permiti sentir tudo aquilo, eu não sabia o quanto aquilo iria durar, mas deixei aquilo acontecer, até que eu me acalmei, não completamente, mas o bastante pra eu conseguir ficar no altar e dizer “aceito”, pelo menos isso era o que eu esperava.
Eu estava mais nervoso do que eu pensei, quando eu cheguei até o altar, e andei até a minha posição, eu tava tão nervoso que eu sentia que podia ter uma explosão de nervosismo a qualquer momento,
Mas quando a Dandara chegou, me senti aliviado, o que deveria me fazer ser considerado sádico, por que ela parecia estar tão nervosa como eu, e a maldição do vazio, que ela tinha tanto medo de se manifestar quando agente tentasse algo grande, estava no máximo, assim como a minha, eeeeeee, ela parecia mais calma, mais calma em ver que não tinha tanta gente, nem tanta glamourosidade, tudo era simples e calminho, assim como o vestido dela, não tinha babados, não tinha muitos detalhes, era apenas um vestido de casamento branco, com poucos detalhes, me dando uma boa chance de olhar a beleza incrível que eu estava me casando, Ai Ai, isso, chegou…Então, com nós dois ali, o padre gigante(usando feitiço de encolhimento) começou a trocação dos votos.
Gigante: Estamos aqui reunidos para unificar para sempre o destino de dois grandes humanos. Me diga você, Antônio Carvalho, está disposto a compartilhar sua existência para sempre com ela, aceitar os sentimentos bons e ruins, aceitar os seus tempos de glória e os tempos de desespero, aceitar a maldição que ela carrega, seja ela manifestada ou não e aceitar a dificuldade que esse novo laço criara?
Eu nem deveria estar impressionados com isso, mas pra variar, eu consegui falar o que eu sentia sem pensar muito, como sempre que era algo envolvido com aquela garota.
Antônio: aceito
Gigante: agora você, Dandara Rodrigues, está disposta a compartilhar sua existência para sempre com ele, aceitar os sentimentos bons e ruins, aceitar os seus tempos de glória e os tempos de desespero, aceitar a maldição que ele carrega, seja ela manifestada ou não e aceitar a dificuldade que esse novo laço criara?
E com o sorriso mais vermelho, radiante e feliz que eu já vi a Dandara fazer (eu nunca vi ela sorrindo desse jeito) ela falou com muita alegria.
Dandara: ACEITO!
Gigante: então eu os declaro, marido e mulher, pode beijar a noiva.
E mesmo ali, mesmo no momento mais especial em nossa vida, não conseguimos ir muito longe além de um simples beijo de criança, só de lábios, mas aquilo não me importava, por que naquele momento, todo o nervosismo que eu tava sentindo na hora, desapareceu, eu tava me sentindo tão feliz, mas tão feliz que eu senti o meu corpo brilhando, e quando eu abri os olhos, vi que não era só eu, a Dandara tava brilhando também, hahahahah, depois do beijo, agente segurou as mãos e levantou elas juntas para nosso grupinho de convidados.
Todo mundo gritou de felicidade, e muita alegria, mas mesmo naquele lugar muito feliz eu tava nervoso pelo som que apenas eles estavam fazendo, me fazendo questionar como ficaria se eu…tivesse em um casório com tanta gente em volta, e mesmo não sendo igual ao meu, eu conseguia ver ao meu lado como a Dandara parecia estar passando por um nervosismo bem parecido.
Eu tava já amando ainda mais aquela garota, até que o Davi se aproximou de nós, com aquela coisa que eu pedi pra ele cuidar. Ele e o Brutus eram os únicos que eu podia confiar essa tarefa. E como se fosse a coisa mais básica do mundo, o Sapien carregava uma almofada com as alianças, sorrindo e se segurando pra não chorar.
Então, eu coloquei o anel de diamantes no dedo de Dandara, e assim que o anel foi colocado, ele se tornou uma luva preta, pintada permanentemente na pele dela, e sorrindo, agora ela pôs o meu anel em minha mão, e pela minha pele negra, a minha liga era branca, pra destacar melhor, então, mais aplausos aconteceram, hahahaha.
Depois disso, tivemos um grande banquete de pizzas num grande restaurante onde eu e a Dandara amávamos ir por causa do sossego do lugar, e depois nós fomos a uma pista de dança famosa pelas músicas eletrônicas.
Fomos pra muitos lugares naquela noite. Muitas vezes as pessoas tentaram me convencer que eu deveria tomar um pouco de álcool, já que aquela era uma noite muito especial, mas especificamente por ser uma noite tão especial assim, eu não queria estragar ela bebendo, eu queria estar lá em todo o tempo com minha esposa, eu gostava de pensar isso, mas falando deveria ficar bem melhor.
Antônio: então esposa, você gostou do casamento?
Dandara: é claro marido…viu o que eu falei? Tenho certeza que não conseguiríamos fazer isso se tivéssemos feito algo super caro e super espalhafatoso
Antônio: se fosse no lugar tradicional, é bem provável que eu fugisse da festa
Dandara: e eu iria atrás de você, te usando como desculpa pra escapar também
Antônio: e provavelmente o Brutus e a Kali nos encontrariam, e no meio do lugar absurdamente escuro, destruído e sujo que agente iria se esconder, aqueles dois iriam nos casar, não de forma oficial, mas seria tão lindo pra nós que nós iríamos aceitar aquilo de bom grato.
Pensamos nessa possibilidade de forma bem doce.
Dandara: por mais lindo que isso seja, aínda gosto do que fizemos, e eu amo aqueles dois, mas acho que o que agente passaria pra chegar nesse ponto…não valeria a pena.
Apenas imaginar o que agente teria que aguentar pra chegar nesse ponto foi o bastante para me fazer ficar bem nervoso, mas não precisávamos pensar nisso, nós não precisávamos pensar em mais nada, agente só precisava ficar ali, calminhos, um ao lado do outro. O pessoal foi lá procurar agente, mas quando nos viram, entenderam que já estava na hora de ir embora. E naquele momento, nós dois pareciamos saber o que iria acontecer agora.
Dandara: então…aonde agente vai passar nossa noite de núpcias?
Antonio: eu nunca achei que iria pra lá…mas vamos, sei o lugar perfeito.

