Em um dia bem “normal”, com pessoas normais, e num clima totalmente normal, eu estava passando pelos becos escuros, indo por ruas estreitas e entrando em lugares absurdamente escondidos. Tudo enquanto usava um manto que cobria todo meu corpo, junto com luvas pretas, botas pretas, e uma máscara que permitia apenas eu ver e enxergar, por que todo o meu rosto estava coberto totalmente.Andar por aquele lugar não foi nada fácil, mas ainda preferia passar todo aquele sufoco antes de deixar que alguém descobrisse o que eu estou fazendo, na verdade, eu andaria descalço em uma rua cheia de vidro quebrado antes de deixar que alguém me descobrisse. E a cereja no bolo era que eu ainda andei em círculos algumas vezes, pra garantir que se alguém estivesse me seguindo perdesse o interesse em mimE então, eu cheguei em um alçapão, ele não estava trancado, então eu só entrei lá, sem usar magia, eu nem mesmo queria que alguém visse meu cajado e sentisse que eu estava lá. E então, eu desci por 5 minutos inteiros naquela escada, e quando cheguei finalmente em um chão, olhei pra trás e avistei uma biblioteca bem grande, tipo, grande a ponto de ter o tamanho da minha antiga escola, cara, aquilo ia durar bem mais do que eu pensei. A minha voz pessimista estava falando ao máximo que aquilo era uma péssima ideia, que eu não devia estar fazendo isso e que eu devia apenas dar meia volta e fingir que eu nunca estive ali, mas sentia que não podia recuar, não agora.E então, eu entrei, e como eu esperei, aquela biblioteca tinha cheiro de velas perfumadas, menta e chocolate. Junto de uma quarta coisa que eu não queria me dar o problema de entender o que era. Eu não pedi a ajuda do bibliotecário, eu não queria sequer falar uma palavra até eu sair daquele lugar, com minha voz pessimista falando mais de 100 vezes como eu deveria fugir dali, agora.Mas eu a ignorei, e com uma vergonha grande a ponto de eu me afogar nela, eu peguei um livro daquela biblioteca “os pontos fracos mais básicos de uma maga, para iniciantes”. Isso aí, toda aquela biblioteca era dedicada a todos os magos que se dedicavam a estudar o tipo de coisas que a magia conseguia fazer com o corpo humano. Casais heteros, casais homoafetivos, casais poliafetivos, casais interraciais, até casais incestuosos, se você andasse tempo o bastante naquela biblioteca daria pra encontrar o que você está procurando, não importa o quão específica e degenerada ela fosse.E apesar de ter muita vergonha e estar naquela biblioteca e ler aquele livro, eu estava um pouco aliviado por ela existir, porque eu nunca conseguiria me perdoar se eu fizesse um erro na minha primeira noite com a Dandara, então se eu tivesse que me afogar na vergonha pra fazer as coisas certo, que assim fosse.E depois de ler as instruções pelo que no início pareceu uma eternidade, eu comecei a gostar do que eu lia, talvez fosse meu lado estudioso falando, mas era impressionante como o livro era bem detalhado, ele era detalhado e básico o bastante para até a pessoa mais burra do universo conseguir entender…bom, isso parecia o básico, tava literalmente escrito “para iniciantes” no título. E por algum tempo, eu consegui esquecer que eu tava numa biblioteca erótica e comecei a “estudar” o que eu pensei que a ruiva iria gostar sem ter mais muita vergonha, mas eu nunca tirei meu disfarce, nunca. E olha só, eu não era o único ali, tinha muitos outros magos e cavaleiros que queriam entender a grande magia do prazer por motivos diversos, a maioria usava capuz, mas tinham os corajosos que nem mesmo escondiam o rosto, esses ai não tinham nada pra se envergonhar, e em certo grau, eu os invejava de certa forma, mas eu consegui me acalmar e voltar para os meus “estudos”.E olha só, no meio dos livros de estudos, também tinham livros de história normais, bom, “normais” entre aspas, porque aqueles livros tinham cenas de intimidade bem mais detalhadas do que eu pensei que fosse possível. Eu nunca pensei que eu conseguiria saber como elfos, fadas, gigantes, ou qualquer outra raça conseguia ter essa intimidade com outras raças, então, com sentimentos bem confusos e diferentes em meu interior, comecei a ler essas histórias também, entendendo como eu tava conseguindo bastante material pra usar na ruiva…e eu rezava para a Criadora para aquilo não virar um costume, se eu aparecesse muito ali, alguém iria descobrir o que eu to fazendo, e se qualquer um descobrisse o que eu tava fazendo, eu iria enterrar minha cabeça na terra e não iria sair nem depois de 1 milhão de anos.Mas acho que a Criadora não me escutou, porque em um dos meus dias naquela biblioteca, uma voz que me deixaria leve e tranquilo em qualquer outro momento, fez meus ossos gelarem apenas em pensar que ela estava lá.Dandara: melzinho?Eu olhei pra trás, e achei meio doido como a Dandara estava tão disfarçada que não dava pra ver nenhum pedaço do corpo dela, o cabelo, a pele, os olhos, até as freiras que tem os rostos cobertos tinham um pouco mais de coisa mostrando que ela agora, mas de alguma forma, eu conseguia saber que era ela, e então, com um sorriso constrangedor na cara, eu falei.Antonio: isso, sou euDandara: o que ta fazendo aqui?Antonio: promete que não vai rir?Dandara: prometoAntonio: eu tava me preparando, sabe, não queria fazer besteira na nossa primeira noiteDandara: olha, que coincidência, eu também.E então, a Dandara me mostrou o livro que ela estava lendo, e quando eu li o título, eu fiquei com um aperto no coração que eu não sabia explicar direito o título era “feitiços de mordidas para energizar qualquer homem”...eu respirei fundo, tentando ficar calmo, mas as luzes rosas e o próprio cheiro da biblioteca não tava ajudando, e então, a Dandara levantou o dedo na direção da boca, e falou.Dandara: se você não contar a ninguém eu não contoAntonio: eu prometo não contar.Apesar da confiança exalando da garota, eu conseguia sentir a vergonha dela, e pela forma que ela se movia, sim, não importa qual de nós fosse pego, agente iria morrer de vergonha, seríamos o primeiro caso registrado que vergonha em excesso poderia matar alguém.Wow, então, depois de ler muitos livros mais íntimos, e depois de estudar todo o tipo de técnica, tanto com magia quanto sem magia, eu estava de certa forma orgulhoso de mim, porque não importa o que acontecesse na nossa primeira noite, eu sabia que eu tava preparado.Eu tinha certeza que eu tinha feito o melhor pra ninguém descobrir o que eu fiz, mas quando eu passei pelo meu irmão no corredor da minha casa, senti meu mundo inteiro desmoronar.Pedro: e aí, como foi na biblioteca de Graciele?Aquele era título da biblioteca que eu fui, eu nem respondi meu irmão, a vergonha que eu senti na hora tá tão grande que eu comecei a checar o chão, pra saber qual seria o melhor lugar pra enterrar minha cabeça, até que meu irmão me levantou e falou.Pedro: garoto, relaxa, eu só falei isso porque reconheci o cheiro do lugar.O cheiro? então de forma instintiva, eu comecei a cheirar minhas roupas, sentindo um arrepio ao ver que eu tava com o perfume daquela biblioteca, droga, droga.Pedro: não se preocupe, eu mesmo já visitei o lugar então reconheço o cheiro, (sussurra) é meio que uma regra não dita entre os homens que nunca se deve comentar sobre essa biblioteca em público, pra evitar constrangimentos, eu to falando isso em voz alta porque você não conhece entrelinhas.E então, eu olhei em volta de nós, ficando feliz e aliviado vendo como não tinha nenhuma pessoa viva perto de nós, e que como sempre, meu irmão salvou de uma enrascada colossal.Antonio: hmhm, quem criou esse irmão tão carinhoso e acolhedor?Pedro: foi a mamãe, óbvioAntônio: é, que mãezona.E de forma instintiva, eu abracei com bastante cuidado meu irmão, um abraço simples e com bastante força, e eu até ouvi ele respirando mais forte.Pedro: o cheiro daquela biblioteca é muito bomAntônio: é mesmo, haha.E agora, com minha reputação intacta, eu me senti tranquilo o suficiente para pelo menos tentar fazer a outra coisa que eu planejei fazer por tanto tempo.Mas no fim, decidi apenas esperar um pouco, apenas mais um pouquinho, ao mesmo tempo eu comecei a discutir um pouco sobre os livros que li com o Pedro.Antonio, voce nao acha interessante como, nenhum desses livros intimos o sexo é uma coisa só?Pedro: elaboreAntonio: trauma, dominação, terapia, conexão, tranquilidade, submissão, fragilidade, força, começo, fim…existem várias formas de interpretar várias cenas, atrás de cada cena erótica tem uma construção por trás que eu nunca teria imaginado antes de ler essas histórias, parece até surreal que algo tão, tão…Perior: sujo?Antonio: isso ai, é doido que algo tao “sujo” quanto o sexo podia ter tantoss significados diferentesPedro: bom, é sempre uma questão de quem tá envolvido né? E apesar de sim, existir muitas, muitas pessoas mesmo que apenas em sexo como em algo da carne, ela possui algo muito, mas muito mais profundo do que todas as pessoas pensam, de certa forma, nos demos um significado a mais, pra algo que todos os outros animais apenas enxergavam como reproução, nos encontramos um jeito de que algo biologico se tornasse algo quase artistico, cultural, e talvez até hereditário ao invés de algo resumido a pura biologia…E como acontecia às vezes quando agente conversava, ele ficou impressionado com o contexto da conversa que agente tava indo, mas não queria parar.Antônio: onde muitos vêem só filhos ou o prazer da carne, eu vejo…a vulnerabilidade, pelo menos quando é algo mais do que a simples dominaçãoPedro: vulnerabilidade?Antônio: pode ser estranho falar isso como alguém que nunca passou por isso e que só tem esperiencia com livros para adultos, mas para todos os livros sérios, que tratavam os seus assuntos de forma seria, eu conseguia ver que…na hora do sexo, quando era algo entre duas pessoas que se amavam, e que não era algo…forçado sabe…Meu irmão ficou com um pouco de nojo, porque, é, tinha esse tipo de livros na biblioteca também, e alguns eram muito bons em descrever detalhadamente como aquilo era horrível e traumatizante, pra qualquer um que procurasse aquele tipo de obra em específico, mas sem querer perder meu raciocínio, continuei falando.Antônio: era algo muito bonito, sabe, de forma consciente ou inconsciente, os dois entregavam tudo de si naquele ponto, não havia máscaras, não havia mais mentiras, não havia mais enganações, apenas dois corpos, suas mentes e duas almas que tentavam se aproximar o mais perto de serem um inteiro…Eu sorri quando falei aquilo, tendo certeza que eu e a Dandara iríamos ter algo muito parecido ou talvez até algo mais forte, em algum grau, nem eu conseguia acreditar no que eu tava dizendo, mas apesar das dúvidas em minha cabeça, eu estava tranquilo, isso até o Pedro me tirar do meu redemoinho de pensamentos e falar.Pedro: quando você fala desse jeito, nem parece que você tá falando de sacanagemAntônio: talvez eu não esteja.Uma risada grossa do meu irmão ressoou pelo lugar, até que ele colocou a mão dele em meu ombro e falou.Pedro: quando eu tiver um filho, vou te falar se sua teoria está certaAntônio: não precisa, não quero imaginar as coisas que você vai descrever pra mim, prefiro experienciar por conta própria.E ouvindo aquilo, meu irmão deu um sorriso maligno e falou.Pedro: aquela garota te corrompeuAntônio: é, quem sabe.E com uma risada bem tranquila, o Pedro saiu, me deixando lá, sozinho, com aquilo que agente discutiu…cara, eu tava muito animado pro que iria acontecer amanhã.

Curioso Felino 2🌻
😈🥵🤫a biblioteca secreta🤫🥵😈 +18
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