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Curioso Felino 2🌻
😶‍🌫️😷😡casos especiais😡😷😶‍🌫️
1846 palavras • 10555 caracteres • ⏱ 7 min 23 s

😶‍🌫️😷😡casos especiais😡😷😶‍🌫️

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E mais uma vez eu tava em uma grande viagem com meus amigos…mas agora eram amigos bem maís…próximos, o Brutus, a Dandara e a Saytus. Eu não sabia se existia algo entre melhor amigo e amigos normais, por que, eu tinha certeza que o Brutus era o meu melhor amigo do mundo todo, (isso sem contar o Pedro, mas família não contava) mas eu tinha certeza que eu não podia chamar as garotas de amigas normais.


Brutus: o que você tá pensando?


Antônio: ah, tô tentando entender o que a Saytus e a Dandara são pra mim


Dandara: ue? achei que eu fosse sua namorada


Antonio: e e, você é minha namorada e amiga, e a Saytus e apenas minha amiga


Saytus: totalmente de boa com isso, ta bom


Antônio: mas pra mim tá claro que vocês não são amigas normais, mas o Brutus e o meu melhor amigo, entaaaaaão, o que vocês são?


Saytus: aaaaah, não fala como uma criança


Antonio: o que você quer dizer com isso?


Saytus: adultos tem mais e um melhor amigo, apenas uma criança iria ter que decidir qual dos melhores amigos e o campeão, não pensa muito nisso


Antônio: é, faz sentido


Brutus: então, olha, eu entendo por que você trouxe a Dandara para cá, mas por que a Saytus


Saytus: o que? eu não posso participar disso porque não sou Singular? relaxa mano, eu não vou falar nada insensível.


Pro lugar que nós estávamos indo, eu tinha certeza que a Saytus não iria mesmo falar nada insensível, mas para pessoas com histórias de sua maldição como o Brutus e a Dandara, era bom mesmo ela deixar as coisas claras logo no início.


Então, quando nós chegamos no castelo do Rei, a Saytus se impressionou, o que era normal, por que a “casa” do Rei era basicamente uma pequena comunidade, o castelo dele era imenso, mas além do castelo, também tinha um grande jardim, grande o bastante pra ter uma pequena cidade onde os funcionários, e pessoas que criavam produtos ligado diretamente ao Rei (como as poções que muitos Singulares tomavam) moravam. 


Quando entramos pelo portão, mais uma vez eu vi, milhares de pessoas trabalhando, entrando, e saindo da casa, muitas empregadas e mordomos andando de um lado pro outro, mantendo o lugar limpo, trazendo papéis para todos os lados, levando ingredientes e poções concluídas para todo o lado, conversando através de espelhos com outras pessoas e muito mais.


E de repente, tudo ficou calmo, o caos que nós passamos ficou pra trás, e logo, estávamos frente a frente com a grande porta estilo cofre que uma vez todos já viram.


Dandara: eu nunca achei que veria o que tem atrás desse cofre


Antonio: por mais inumano que pareça, sinto que todos precisam ver o que tem atrás desse cofre, isso se quiserem entender o que acontece quando você ignora sua sombra, por que máscaras quebram, mas a sombra não.


Então, depois dos procedimentos padrões para garantir que nós e os pacientes estariam seguros, nós descemos. Eu já tinha visto aquelas paredes antes, mas pela cara que os três ali estavam fazendo, eles realmente não esperavam isso. Bom, aquele era o lugar digno de ser chamado de “A MAIOR CASA DE REABILITAÇÃO DO CONTINENTE”, então, é claro que o lugar seria acolhedor. 


O lugar era tão iluminado que não tinha nenhuma sombra que pudesse ser escondida; tudo era bem bonitinho e limpo, era tranquilo e fresco, em um frio que era confortável ao invés de desesperador; as paredes ali eram todas desenhadas de forma bonitinha, com desenhos que se encontraria em uma escolinha infantil, e tinha uma musiquinha tocando, uma pequena música tranquila que relaxava e acalmava o corpo.


Eles estavam nervosos, mesmo com a música tranquila, eles esperavam que o grande espaço tranquilo que eles estavam desaparecesse e alguma espécie de monstro pegassem eles na hora, como se tudo fosse apenas uma luz de um peixe pescador, tentando nos atrair para morte. Até a Saytus, que não era uma Singular (até onde eu sabia) estava com medo extremo.


Antônio: calma, relaxem, não vai acontecer nada com vocês


Dandara: você tem certeza disso?


Antônio: Dandara, eu já te enganei alguma vez?


Ela parecia com medo, mas ela segurou a minha mão e conseguiu se acalmar. O Brutus era mais durão, então tava tentando ficar calmo sozinho, tendo resultados bem fracos, enquanto a Saytus segurou minha outra mão, e agora eu tava com medo pelo que elas podiam fazer. Mas de certa forma, eu me sentia calmo vendo como o mesmo Cavaleiro que estava aqui na minha vez estava ali.


Cavaleiro: vocês estão bem?


Dandara: que tipo de pessoas são trazidas pra cá?


Cavaleiro: Singulares que são considerados “perigosos demais para ficarem até com outros Singulares” eles são analisados, considerados como pessoas que precisam de um tratamento particular, e maldições complicadas e emaranhadas demais para qualquer outro lugar dar um jeito. Ou pessoas que perderam toda a sua humanidade e se tornaram animais completos, e eles são trazidos aqui pra recuperar sua humanidade, e se não conseguirem, nós criamos uma nova pra eles, bem, depende do caso


Dandara: e o que você faz?


Cavaleiro: bom, além de ser o guia de pessoas como vocês, eu também sou chamado pra “ajudar” os Psicomantes quando um dos pacientes fica muito instável


Dandara: ah, sim, eu entendo.


A Dandara não deixou muito claro o que quis dizer com isso, mas o olhar dela já mostrava que ela provavelmente passou por coisas parecidas e que pessoas como o Cavaleiro ajudaram.


Dandara: os Singulares daqui, o quão diferentes eles são dos outros?


Cavaleiro: tirando a intensidade da maldição, não muita coisa, tem alguns que têm passados horríveis, e alguns que tinham a vida perfeita, mas acabaram ainda com maldições. Mas a maioria dos casos que terminam aqui são de pessoas que guardaram demais…até não sobrar mais nada além do que eles guardaram, aqui, veja você mesma.


Então, o cavaleiro abriu uma das janelas de portas, e lá…o senhor que eu vi outro dia ainda estava lá…pelo menos ele estava melhor, agora ele estava comendo por conta própria, mas olhar aquelas cena deixou todos de olhos arregalados.


O Brutus parecia analítico, não de forma insensível, ao invés de medo, ele apenas tentava entender, deslizando seus olhos focados em cada detalhe da sala, como um falcão procurando sua presa, de braços cruzados, e um rosto que se negava a mostrar qualquer expressão até entender completamente a situação dele, sem querer o Cavaleiro contaminadas suas ideias com o que já sabiam dele. E sua resolução foi triste, como a história que o Cavaleiro me falou naquele dia me falou.


O medo, a pena e a confusão. No rosto de Saytus eram tão fortes que ela quase foi afetada pelos efeitos dos sentimentos em magia da mana, mas aqueles 3 sentimentos eram tão diferentes um do outro que ao invés dela mudar, criar sinais ou deformar o rosto, ela apenas ficou normal. Até que ela terminou tudo com um olhar de pena, mas que acabou se transformando num grande mar de lágrimas, que eram um verdadeiro rio por baixo do chão (havia ralos instalados no chão, então tava na cara que isso era algo comum ali)


Saytus: pobrezinho


Brutus: não fale isso ainda, você não o conhece, ele pode ser um ladrão, um assassino, ou coisa pior


Cavaleiro: se ele fosse, ele teria sido executado e não sendo tratado aqui.


O Brutus não tava surpreso, mas ao mesmo assim, parecia aliviado com o que ouviu.


Cavaleiro: nós salvamos pessoas aqui, senhor Brutus, mas até nós sabemos quando uma vida não merece ser salva.


O Brutus parecia dividido, pensando como o que ele falou podia ser tanto bom quanto ruim, até chegar na conclusão que, se ele não pudesse confiar no cavaleiro, ele confiaria no Rei, sim, o mesmo Rei que, assim que o conheceu, lhe tratou com a delicadeza que achou que nunca seria tratado, e o mostrou como o amor que os pais lhe deram quando ele se “libertou” pela primeira vez não era fingimento, seus pais, eu, seus outros amigos, todos nós o amávamos tanto quanto o Davi. (Em alguns momentos até mais do que o Davi).


Brutus: amaldiçoados no vazio nesse estado são até comuns, mas conseguir aguentar até essa idade até enlouquecer mostra uma intensa resistência mental, o moço que sair daqui será um monstro


Cavaleiro: assim como a maioria dos pacientes, pode ser meio presunçoso falar isso, mas sinto que nossos pacientes entram aqui como crianças, e saem como adultos, às vezes me sinto um professor de uma creche bizarra de tão divertido que isso é, apesar dos problemas ruins que conseguimos com isso


Brutus: de alguma forma, eu entendo o que você diz.


Eu apenas olhei o Brutus, vendo o olhar de pura paz dele me deixando muito feliz, até que eu vi a Dandara, e ela estava com os olhos tão arregalados que parecia que eles iriam saltar pra fora, eu sabia o que era aquilo, conexão, empatia, o pensamento de “olha o que podia ter acontecido comigo”. Esse tipo de pensamento era perigoso no lugar e com a mente errada, mas eu confiava na Dandara, que ela iria fazer a coisa certa a se fazer.


Então, a Ruiva se aproximou devagar da porta, até conseguir olhar pra dentro dela o mais próximo que conseguia. (Pois pelo jeito não tinha regras contra isso).


Olhando com mais atenção, ela viu, a escuridão que engoliu aquele pobre senhor, uma escuridão que ele estava lutando não para destruir, ou esconder ainda mais, mas para cavar, e tentar recuperar as partes dele que já foram humanas, ele não voltaria inteiro, mas eu e Dandara víamos, que não importava ele não voltar normal, ele apenas voltar na seria um milagre. E mesmo que ele não conseguisse todas as suas partes, ele iria juntar as partes antigas com as novas, e delas ele iria criar algo novo, e muito mais forte do que quando entrou.


Então nós quatro vimos o que ele estava comendo, era apenas um prato de mingau, mas todo mundo parecia impressionado com aquela simples ação do homem que parecia uma assombração ou um zumbi muito bem cuidado.


Saytus: não sei se isso é uma coisa boa, mas eu tô impressionado que ele consegue comer sozinho


Cavaleiro: a alguns meses atrás ele sequer conseguia respirar por conta própria, esse rapaz teve um longo caminho até aqui, e ele não está nem na metade do caminho


Dandara: nenhum de nós está, mas começar deixa todo o resto mais simples…


Cavaleiro: ele vai ter um longo caminho quando sair do poço


Dandara: unhun, aí, você já se perguntou…pra onde nós devemos sair quando saímos do poço?


Cavaleiro: não, eu sempre gostei de usar as alegorias, e nunca pensei muito nelas, mas e você senhorita, o que pensou?


 A Dandara demorou pra falar, por estar feliz por encontrar alguém que pelo menos estava disposto a ouvir a alegoria doida dela, era sempre bom nós compartilharmos o que nós descobrimos com os outros, não importa o quão doido fosse.


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