Eu fiquei sabendo que a Dandara era uma grande fanática por vassouras, e como um bom namoado, e com sorte, futuro marido. Eu tinha procurado pra saber quem fazia as vassouras mais lindas de todo o mundo, e quando descobri onde era, e quem eram, fiquei impressionado em saber que eles estavam tão longe assim.
Mas o que mais me impressionou mesmo foi como a Danada parecia estar até empolgada pra ir lá, mesmo sendo tão longe assim, e quando vi mais de perto a vassoura que ela tinha, eu entendi o porque, o lugar que iríamos visitar era pertencente a uma espécie bem diferente e habitante do mar branco, mas algo me dizia que a Dandara não teria problemas em ir pro mar banco sem precisar da escada.
E no fim, eu estava certo, com exceção das pequenas vezes que precisei orientá-la, não parecia que tinha muita coisa a impedindo, quando ela viu o “teto” do mar branco, ela parecia bem mais empolgada do que com medo, ela riu com tudo enquanto acertamos o teto e passamos por tudo.
A parte mais impressionante pra mim era como eu levei 5 segundos pra fazer aquilo, bom, era isso, acho que eu já tinha chegado a um nível de velocidade onde levar menos de 1 minuto pra chegar no mar branco não era mais algo impossível, e eu estava muito empolgado com isso. Então, enquanto eu lia o mapa, e tinha certeza de onde eu deveria ir, a Banda chamou minha atenção.
Dandara: então, vai demorar muito pra chegarmos lá?
Antônio: se formos na velocidade máxima, devemos chegar lá em 10 minutos, mas só se você for boa em curvas
Dandara: com quem você acha que tá falando? Eu não sou uma amadora, (alisia o próprio corpo) eu sou a rainha das curvas
Antonio: bom (guarda o mapa) nesse caso, me segue.
Vassouras eram realmente impressionantes, mas eu tinha muito mais experiência viajando pelo mar branco, então na frente da Dandara, eu consegui fazer muitas curvas, e diferente das imagens no mar azul, no mar branco, depois de alcançar uma certa velocidade, as águas brancas ficam transparentes na parte de cima, a ponto de parece que a Dandara estava a milhares de metros de altura no céu, e eu estava cavalgando no próprio ar com o Zorro.
Aquilo era muito maneiro e a própria Dandara também gostava muito daquilo, a ponto de nem termos dado conta que levou quase 30 minutos para o lugar que eu prometi levar ela, mas pelo rosto que a Dandara fez quando chegamos, ela não parecia nem um pouco mal com isso, ela até parecia decepcionada pelo quão rápido o nosso passeio foi, haha, mas quando ela viu o que estava ao nosso redor, ela mal acreditou no que viu.
Nós tínhamos chegado numa cidade peculiar, que os prédios, as ruas, tudo parecia ser feito por grandes emaranhados de nuvens. Uma cidade que possuía uma energia diferente de tudo que eu e a Dandara já vimos, não era uma energia vindo da lógica através do cérebro como a magia, nem uma energia vindo das emoções de forma pura como a aura, era algo sujo, com imperfeições, mas em suas imperfeições, se tornava único.
Uma energia que fez possível os ciclopes, os ogros e os trolls serem considerados humanos primeiro que muitas outras espécies, uma energia que os fez sobreviver por tanto tempo, mesmo num mundo duro e hostil, e uma energia que os permitiu criar coisas tão lindas que eles eram os maiores vendedores e as 3 raças mais ricas de todo o mundo (sim, mais que os vampiros e os elfos).
O Chi. Uma energia verde que além do interior das pessoas, também estava bem no fundo da terra, pois a terra guarda memórias, e as três raças eram as mais proficientes nessa arte.
Dandara não sabia onde estávamos, mas depois de ver os grandes guerreiros de um único olho, só um pouco menores do quqe os gigantes e falando na língua deles. Ela entendeu rapidinho
Dandara: são, grandes, Ciclopes.
E ela apenas falou aquilo, e mesmo não entendendo o por que, ela olhou em volta, vendo como tudo ao redor parecia tão bem feito, enquanto nós andávamos, víamos com mais detalhes cada uma das coisas ali, os prédios, as ruas, as armas, as armaduras, os transportes, qualquer coisa considerada “artificial” criada por mãos humanas, naquele território era tão linda que sequer parecia ser real.
Eu mesmo tinha pesquisado sobre o lugar, mas até eu tive que parar pra olhar o lugar. Eu vi como em vários lugares, tinham ótimas varinhas, grandes armas brancas de ferro sólido, mantos com tecidos tão resistentes como armaduras, e armaduras que eram mais resistentes do que muitos prédios. Tudo naquele lugar era tão lindo que era possível se perder apenas olhando as lojas. Os produtos dali eram tão bem feitos que os vendedores nem mesmo exclamavam seus produtos, eles apenas esperavam em silêncio, pois eles acreditavam que as pessoas certas iriam saber algo de qualidade de verdade. A Dandara até chegou a comprar brincos de jóias pretas que ficaram muito boas nela.
Dandara: eu nunca conseguiria imaginar que algo sem vida poderia…ter tanta vida…você consegue entender o que eu digo?
Antonio: tente elaborar um pouco mais.
Então a Dandara parou de falar, tava na cara que ela não tava pronta pra essa resposta, ela ficou olhando a peça por um bom tempo, tentando procurar as palavras certas, até falar.
Dandara: e algo muito maior do que uma simples lâmina, ou uma simples varinha, eu consigo ver todo o trabalho ancestral por trás dela, e quase como se toda a história tivesse refinado cada uma dessas peças, a ponto dela criar algo que alguém com olhos tão infantis e despreparados como os meus é incapaz de compreender totalmente
Antônio: não se preocupe, estamos indo pra um lugar que você com certeza vai conseguir entender melhor o que está acontecendo
Então, chegamos no lugar onde eu queria levá-la, a grande feira de vassouras dos ciclopes, e quando chegamos lá, eu mesmo fiquei emocionado, era uma feira com vassouras apenas exalando uma grande quantidade de magia, tudo ali era tão brilhante, tão novo e tão poderoso que mesmo sendo um leigo em assunto de vassouras, eu entendia o quanto aquele lugar era especial.
Eu fiquei tanto tempo apenas olhando o lugar, que eu fiquei sem olhar para a Dandara por alguns segundos, e quando a olhei novamente, eu vi que ela tinha desmaiado, eu tentei ver se ela estava bem, mas quando fui ver o pulso dela, vi que ela tinha tido um infarto, nossa, ela ficou tão impressionada assim?
Mas antes que eu entrasse em pânico, um ciclope usando feitiço de encolhimento chegou até mim, e usou um feitiço de raios para reanimar a garota, ela respirou bem fundo, colocou a mão em cima do peito, tentando entender se aquilo realmente aconteceu ou não, mas no fim ela levantou, com os olhos brilhantes, como uma criança numa loja de doces, e correu pra dentro do grande evento.
Eu mesmo fiquei impressionado de existirem tantas vassouras ali, eu vi como a minha garota tava feliz em olhar tantas vassouras e trocar tantas ideias contra tantos ciclopes, eu gostava como a maioria dos carpinteiros e vassouras pareciam caras legais, eu amava em ver ela subindo em vassouras e sentindo a potência delas.
Ela até me chamou pra algumas vassouras, e wow, eu realmente senti um poder absurdo delas, aquelas vassouras eram além e especiais, elas eram únicas, um tipo de vassouras que criavam instantaneamente uma conexão de poder, magia e sincronização que me levou décadas pra conseguir com o Zorro, apesar disso não ser o bastante pra eu desfazer a minha conexão com o Zorro, foi o bastante pra eu entender porque muitas pessoas preferiam as vassouras aos cavalos.
E no meio de toda aquela feira de vassouras, vi a garota tirando muitas fotos mentais.
Antonio: hehe, se continua tirando tantas fotos assim e vc vai ficar cega do olho esquerdo.
Ela achou que eu estava brincando, mas depois que ela tirou uma grande quantidade de fotos, ela realmente ficou cega do olho esquerdo, mas antes dela entrar em pânico, eu a acalmei.
Antonio: tudo bem, fica calma, ele vai voltar ao normal logo.
E com isso, eu consegui acalmá-la, então, continuamos na feira até chegarmos num ponto onde tinham muitas modelos tirando fotos em cima das vassouras, essas modelos eram consideradas absurdamente lindas, mas eu não conseguia sentir nada por nenhuma delas, não sabia se era questão de gosto, ou se tinha apenas algo errado comigo, mas quando eu olhei pros outros rapazes, e vi como eles estavam babando pelas modelos, me perguntei se eu era o estranho ali.
Dandara: o que foi Melzinho?
Antônio: é que, tipo, eu não acho aquelas moças bonitas.
A Dandara então finalmente notou as modelos ali, como se ela estivesse às ignorando de propósito, então, o grande brilho e a empolgação que ela tava demonstrando a um tempo atrás pareceu diminuir muito, muito mesmo.
Dandara: e qual o problema nisso?
Antonio: eu sou estranho por causa disso?
Dandara: humpf (dá de ombros) normal, todo mundo tem seu gosto, o meu irmão diz que ele prefere muito as vendedoras de lojinhas do que essas modelos de revista
Antonio: o seu irmão tem um gosto bem específico, mas como um sábio desconhecido disse uma vez: gosto nao se discute
Dandara: (bate punho gentilmente no peito) sábias palavras.
Então ela se aconchegou em mim e beijou minha bochecha.
Dandara: a propósito, eu prefiro você assim.
Eu não sabia muito bem o que aquilo queria dizer, mas mesmo assim eu continuei a acompanhando no meio da convenção, e ali, fadas, gigantes, anjos, vampiros, toda a raça existente tava por lá, era até impressionante que tinha tantos ali.
Antonio: haha, esses buscadores do caminho são realmente incríveis.
E enquanto a Dandara ainda admirava as vassouras, ela entendeu o que eu quis dizer.
Dandara: ah, então você sabe sobre eles?
Antonio: eu sou um grande fã da Criadora, então é, eu sei um pouco sobre eles
Dandara: se eu fosse uma gigante, provavelmente eu iria desejar ser uma pensadora do caminho, e mais simples pra mim, ficar raciocinando e pensando dia após dia apenas sobe tudo, para tentar chegar a conclusão certa, com comida e água à vontade, parece o paraíso pra mim
Antônio: mas o caminho do viajante é bem importante também, isso não parece incrível por si só? gigantes que entenderam como eles devem viajar e experimentar tudo em todo o mundo que a Criadora os providenciou antes de tentarem sequer imaginar como ela deve ser, explorar tudo e a todos, parece um sonho pra mim.
Os buscadores do caminho se dividiram em dois grupos, os grandes monges, que ficavam em templos separados de todos, meditando e apenas raciocinando cada lógica e lei que eles estudaram durante muito tempo para tentarem compreender o que a “Criadora”, o ser supremo que todos os gigantes acreditam ser uma criatura incapaz de ser entendida por padrões humanos, que, como o próprio nome sugere, “Criou” a tudo e a todos ali, realmente seja.
Enquanto os monges meditam, muitos deles acreditavam que eles não podiam compreender a Criadora sem antes compreender a sua criação, então eles partiam para fora do seu reino e tentavam experimentar tudo que o mundo lhes tinha a oferecer, tanto os prazeres e amores quanto as dores e as pragas, os viajantes eram loucos que desejavam entender o significado de cada coisa que a Criadora criou na pele, não importa o quão difícil ou doloroso fosse.
E enquanto ainda viamos as vassouras, a Dandara soltou.
Dandara: muitos se confundem com os gigantes, pensam que a “Criadora” é a deusa deles, mas não é isso, não é?
Ela falou aquilo enquanto me olhava com um rosto cheio e expectativa, já esperando que eu soubesse o que falar na hoa.
Antônio: é, ela não é uma deusa, ela é maior que isso, “Deus” e a forma que os humanos pensaram para descrever algo que não possui lógica, e por mais absurdo que pareça, a Criadora é a criação da própria lógica…não, melhor ainda, ela e a própria lógica, quando se entende isso, dá pra perceber na cara que ela não e uma existência que pode ser definida por palavras simples como “Deusa”
Dandara: correto.
E enquanto nós continuávamos conversando e admirando as vassouras, nós acabamos nos cansando do evento, e decidimos ir pra casa, mas a Ruiva estava bem mais calma do que o normal, então agente demorou bem mais pra irmos para a velocidade máxima.
Dandara: que estranho, por que eu nunca ouvi falar do Chi?
Antônio: ele não é uma arte muito conhecida, principalmente por que ela é a mais difícil de se aprender “sem querer”, ela é algo que você só pode conseguir tendo a ideia clara que você quer fazer isso, não é como a magia, que você consegue fazer feitiços básicos depois de estudar muito um assunto específico, ou a aura, que pode ser criada depois de exercícios brutos super pesados ou liberado sentimentos super intensos, não, o Chi é bem mais complicado que isso
Dandara: e como você sabe disso?
Antonio: eu encontrei um mestre do Chi em uma das minhas viagens, um carinha simpático, na verdade, foi ele que me contou sobre esse evento
Dona: jura? nossa, acho que terei que agradecê-lo depois
Antonio: quem sabe, não faço ideia de onde ele possa estar agora
Dandara: tenho certeza que você ia encontrá-lo outro dia
Antonio: e, assim eu espero.
E depois de nos aproveitarmos um pouco mais daquele momento calminho, e recuperarmos bastante nossa bateria emocional, eu subi novamente no Zorro, coloquei minha força e energia no máximo e corri com toda a velocidade na frente, e a Dandara entendeu minha dica e começou a correr bastante também.

