Novamente no mundo das fadas, agora eu estava dentro de um dos rios do território, mais especificamente, em um barco em cima de um rio tranquilo junto da Dandara. Era engraçado eu não estar tão acostumado com os balanços, já fazia um bom tempo que eu não pescava com o Brutus, e com a facilidade de andar por aí com o Zorro, já tinha um bom tempo que eu não entrava em um barco.
Estamos no território do clã Mandea(as fadas estilo louva deus), era irônico até que um dos clãs que tinham menos machos por eles quase nunca conseguirem satisfazer suas parceiras para não serem comidos tinha o túnel do amor no território delas, mas talvez aquilo fosse alguma piada da criadora que eu não estava entendendo.
Continuamos no rio por um tempo, até vermos uma peculiar caverna vermelha em formato de coração, e a Dandara entendeu na hora onde nós estávamos.
Dandara: o túnel do amor, que original
Antonio: relaxa garota, esse não é um túnel do amor normal.
Quando entramos no túnel, algo peculiar aconteceu, as nossas memórias começaram a aparecer no túnel, eu gostei de relembrar de algumas coisas antigas que o túnel fortaleceu apenas para criar imagens, mas o túnel não apenas pegava as lembranças boas, ele criava as lembranças ruins também, como nos dias em que eu perdia o sono pensando na Dandara, antes de nos conhecemos de verdade, as vezes que eu enchi o saco dela porque ela tava querendo mudar algo que eu já tinha me acostumado, as vezes que ela ficava chateada comigo e eu não conseguia entender o por que, não por maldade, eu só não conseguia entender mesmo porque ela tava chateada.
Além de muitas brigas e gritos que nós tivemos, bom, "brigas" entre aspas, porque a maioria das brigas era apenas a Dandara gritando comigo, eu aguentei porque eu sabia que não era maldade, a maioria daquelas brigas foi depois dela ter saido da csa de reabilitaçao, quando ela conseguiu ter os próprios sentimentos de novo e estava aprendendo a controlá-los, em cada biga, era nítido que ela estava indo do 0 a 100% muito rápido, incapaz de controlar ou até entender por completo os sentimentos doidos dentro dela.
E de pouco em pouco, entendendo com cuidado onde ela errou em primeiro lugar, ela aprendeu ir de 0 a 90%, depois 0 a 80%, até finalmente ficar boa o bastante pra conseguir usar 1% de suas emoções, ou qualquer outra porcentagem que ela quisesse, não ficando com muita raiva atoa, apenas o necessário. E sabendo que muitas pessoas, inclusive eu às vezes, tinham dificuldade em ter esse nível de controle emocional, me fazia sentir muito orgulho dela.
Antonio: você fez um grande caminho até aqui
Dandara: você também.
E como um agradecimento por essas memórias tão bonitas, os coraçõezinhos desenhados que estavam no teto da caverna desceram em nossas mãos.
Antonio: relaxa, eles são apenas docinhos.
Eu comi meu coração, fiquei feliz em sentir o sabor de bala de morango deles, e Dandara parecia feliz, apesar de não estar impressionada com o gosto de morango.
Antonio: os sabores clássicos não da pra copiar
Dandara: é impressionante, como eles conseguem ser tão parecidos com o que nós temos?
Antonio: até onde eu sei, nós e que copiamos esse doce natural
Dandara: justo.
Então, as memórias da Dandara começaram, eu já estava esperando vê coisas bem sinistras, mas quando eu vi as memórias dela de mim, fiquei emocionado, enquanto a própria garota parecia tão envergonhada que quis se esconder no próprio cabelo.
Segundo aquelas lembranças, a Dandara vivia numa rotina que, em outras circunstâncias, seria a rotina dos sonhos pra mim, ela fazia apenas as mesmas coisas, sem parar, todo o santo dia, ela chegou a um ponto onde ela perdeu a noção de que dia da semana era especificamente, não sentindo e nem pensando nada além do que seus pais pediam para ela fazer.
Mas quando ela me viu pela primeira vez, tudo mudou, apenas me olhar, fez ela sentir uma dor no peito que fez ela "sentir", mas ela não estava acostumada a "sentir" qualquer coisa, então ela achou que eu era perigoso e pediu para eu evitá-la, e quando eu a evitei, ela se acalmou, pensando que tudo tinha voltado ao normal, mas não tinha, algo tinha mudado, e ela apenas percebia isso quando me via.
Mesmo involuntariamente, ela começou a aceitar esse "sentimento" que eu causava nela, até chegar no ponto em que eu falei diretamente com ela...olha quem diria, no momento que eu achei que ela estava brincando comigo, apenas dizendo meu nome completo, ela estava tão cheia de amor, alegria e outros sentimentos que ela não entendia que ela apenas podia dizer o meu nome, e eu nem inventei isso, era o que a lembrança me contava. Apenas pra tudo se transformar em raiva no momento que eu falei que ela iria se arrepender do que estava fazendo, ela tinha entendido de forma tão bem o que eu tinha falado que eu mesmo fiquei muito impressionado.
A maioria daquelas lembranças, eram coisas que eu já sabia através de análises e observações, ou por coisas que ela mesma me contou, mas saber dessas lembranças e ver elas na minha cara eram coisas completamente diferentes, o sentimento que eu tive vendo cada uma daquelas lembranças eram tão complexos que eu levei horas para entendê-los completamente.
A parte de Dandara demorou bem mais para ser terminada, mas quando ela acabou, o túnel ficou tão feliz com o que criou que nos deu um bolo em forma de coração. Naquela altura, eu não sabia se o túnel estava encantado ou se ele estava vivo de alguma forma, mas naquele momento, eu não tava ligando pra isso, e apenas levei a Dandara, que ainda estava encolhida de vergonha, pra perto de mim, e dei um beijinho na testa dela.
Antoni: eu te amo
Dandara: eu também te amo
Então comemos o bolo bem devagar, comigo finalmente notando o perfume peculiar daquele lugar, era um perfume bem normal, mas que ainda era muito bom. Então, chegamos em um ponto que deixou a Dandara bem confusa, o túnel do amor, que a garota pensou apenas se uma linha reta, fez uma curva pra esquerda beeeeeeem grande o que a deixou surpresa, mas apenas quando saímos por completo do túnel, que ela notou a outra parte do rio, nós saímos pela parte ainda vermelha, bonita, e inteira do túnel, mas a saída do outro lado era o mesmo túnel, com a mesma forma, com a diferença que o túnel estava partido ao meio e roxo.
Dandara: o que é aquilo?
Antonio: a saída dos casais quebrados, o túnel ele testa a integridade dos casais, ele pega as memórias do relacionamento, e se o casal nao aguenta o peso das memórias um do outro, então o túnel começa a se acinzentar, o rio fica mais agressivo e agitado, até o ponto onde eles deixam o túnel roxo...e sabe algo engraçado, mesmo depois do túnel ficar roxo, se o casal conseguir conversar e tentar resolver as coisas no diálogo, eles podem deixar o túnel vermelho e novo, mas na maioria das vezes, os casais fazem o túnel se partir ao meio, demonstrando simbolicamente a separação completa deles.
Agora que eu falei a minha pesquisa do lugar em voz alta, realmente fazia sentido o túnel estar ali, afinal, se você está disposto a ser devorado de forma literal pela sua parceira, você deve amá-la muito.
Dandara: e você nos colocou em um teste tão perigoso
Antonio: eu confiava no nosso amor, mudaria alguma coisa se você soubesse
Dandara: provavelmente não, (se aconchega) eu também confio no nosso amor, muito
Antonio: bom saber, porque esse é apenas o primeiro lugar
Dandara: hmhmhm, fico pensando em qual lugar doido você vai me levar na próxima
Antônio: você vai adorar.

