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Curioso Felino 2🌻
🤔coisas de homem🤔
1682 palavras • 9624 caracteres • ⏱ 6 min 44 s

🤔coisas de homem🤔

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No meio da minha constante batalha pra fazer a minha mãe conseguir cavalgar acima do Café, eu fiz muitas outras coisas, como, por exemplo, falar com o Jay, e como eu esperava, ele não me reconheceu, pelo menos não de cara, ele não me reconheceu mesmo depois de eu ter conversado com ele que nós éramos da mesma escola, mas depois de conferir algumas fotos antigas da escola, ele se lembrou pelo menos parcialmente quem eu era, e mesmo nem receoso, ele aceitou que agente se encontrasse, mas ele escolheu o lugar.


O ponto de encontro foi um restaurante, um restaurante que eu estava muito familiarizado, então não tive problema, quando eu cheguei lá, amarrei o Zorro em um canto e entrei, foi meio estranho entrar lá, por que eu tinha andado um pouco com a marra que eu ganhei depois de ficar tantas vezes na Árvore de Halloween, mas graças a Criadora, eu consegui voltar ao normal antes de chegar na recepcionista, por que eu tenho certeza que eu seria expulso se eu usasse a marra que eu sempre precisava adotar quando eu tava dentro da Árvore de Halloween.


Mas eu não fui até a recepção, eu olhei ao redor, tentando encontrar o Jay, me perguntando se ele teria mudado algo depois de tanto tempo, e depois de encontrá-lo, eu achei ele muito maneiro, ele tava usando um topete grande, uma calça preta, uma blusa preta com uma caveira em chamas por baixo de uma jaqueta de couro preto brilhante, um rosto todo aparado e com um cabelo estilo topete do século passado.


Antônio: e aí mano, já faz muito tempo


Jay: aaaaaaaaaah, agora eu me lembro de você, pelo que eu me lembro agente nunca falou muito


Antônio: pois é…quer pedir alguma coisa?


Jay: vai na frente.


Achei que iria ficar desconfortável ficar perto do Jay já que agente não se falava tanto, mas foi bem pelo contrário, parecia quase como se nada tivesse mudado, nós ainda conseguimos ficar sem falar muita coisa e ficarmos de boas com isso, a ponto que nós dois pedimos os nossos hambúrgueres, e nos sentamos.


Eu agora conseguia vencer do hambúrguer queda de braço sem problemas, enquanto o Jay nem se mexia quando o hambúrguer gancho de esquerda o acertou, ele sequer mexeu a cabeça, e nós comemos em silêncio, no meio de todas aquelas pessoas, eu aproveitei o sabor daquele hambúrguer, mantendo minha mente ocupada em tentar entender por que eu não tava incomodado com não falar nada.


Não ironicamente, aquela foi a menor quantidade de tempo que eu já falei desde, desde…acho que desde que eu fiz aquela viagem de mais de 4 dias, mas eu falava sozinho muitas vezes, então acho que não contava, e pensando nisso, eu fiquei disposto a me encontrar com o Jay muito mais vezes, a paz que eu tinha quando tava perto dele, uma paz de “eu não preciso falar nada, e mesmo o que eu quero falar, eu posso falar depois” era algo tão surreal que eu não podia perder isso.


Quando terminamos o hambúrguer, Jay falou.


Jay: aí, tá afim de ver um espelho gigante?


Antônio: é claro


Jay: quer ver o que?


Antônio: sei lá, “Respeito negado”?


Era um filme nos espelhos gigantes que apareceu recentemente de um livro recente que deveria ter vindo daqui do continente em algum lugar. Era a história simples de um curandeiro que era ridicularizado pelos grupos que ele fazia parte, mas ele sempre aproveitava os momentos de cura pra se vingar deles. E quando eu falei aquilo, o Jay riu de forma maligna pra mim e falou.


Jay: você é um cara sádico, acho que essa vai ser uma grande amizade, vem.


O espelho era algo muito especial, ele era mais caro que uma peça, por que, apesar das peças precisarem de figurinos, ensaios e muita, mais muita magia e aura pra ficar pronta, existiam certos tipos de performances que não eram possíveis dar certo em peças, principalmente para representar aqueles livros com magias mais complexas, ou desastres absurdos como a destruição do mundo, até daria pra fazer, mas daria pra entender rápido que era falso.


E pra momentos assim que os espelhos mágicos modelos gigantes existiam, eles tinham 30 metros de altura e 60 de largura, e eles conseguiram criar imagens ao invés de gravá-las, então, desde que uma equipe de magos fosse competente, era possível criar algo do completo nada através do espelho.


Nós andamos um pouco, até chegarmos em uma galeria com milhares de cadeiras, e num teto tão escuro e preto que parecia até ser de noite, depois de nós darmos dinheiro para o guarda, nós entramos de novo lá.


Apesar de ser bem caro entrar lá, o preço era justo o bastante para até os camponeses mais pobres conseguirem entrar se economizassem direito, sem precisar passar fome.


Quando encontramos o nosso lugar, nos sentamos e esperamos o filme começar e depois de alguns avisos de segurança, (com um em específico dizendo que, se alguém tocasse no espelho tinha uma chance 50/50 dele explodir, sem especificar se seria a pessoa ou o espelho que iria explodir), o filme começou.


Ele era assim como eu esperava, parece que o maior problema dessa vez foram os monstros, ursos com canhões de chamas nas costas, grandes dragões de modelo serpentes do que dispararam raios de plasma no chão, e djins que adoravam atrapalhar os aventureiros.


O curandeiro protagonista lidou com todo o tipo de gente, pessoas que não respeitavam sua profissão, pessoas que não respeitavam a posição dele, porque ele era um aventureiro de bronze, e pessoas que não o respeitavam por ser feio. 


Mas ele apenas aguentou tudo calado, até que chegava o ponto onde os grupos ficavam em problemas, foi divertido ver como ele se divertia aumentando a sensibilidade deles, fazendo os tanques sentirem mais dor, ou o quanto ele demorava muito mais pra curar os ferimentos, demorando pra curar os aliados, era engraçado quando o curandeiro se fazia de idiota, não se lembrando do feitiço de cura mais rápida, e apenas salvando os aventureiros quando estavam na beira da morte, ou quando ele “acidentalmente” usava o feitiço de “buff” errado e deixava a situaçao ainda pior do que antes, ou quando ele “acidentalmente” curava um inimigo sem querer e acabava deixando a luta ainda mais complicada. Claro, ele sabia bem quando podia brincar e quando o risco dos aventureiros morrerem era real, então ele nunca passava muito do limite.


Mas a alegria mesmo parecia ser no pós batalhas, onde ele demorava nos ferimentos pequenos enquanto o ferimento grave sangrava cada vez mais, e ele fazia questão de usar a cura mais dolorosa possível, onde os aventureiros gritavam de dor, a ponto de alguns preferirem continuar machucados a serem curados totalmente, isso até os corpos deles cederem pela seriedade dos ferimentos e terem que ser curados totalmente por ele.


O curandeiro também curava “errado” de propósito, apenas pra rasgar ou quebrar o ferimento de novo pra conseguir curá-lo do jeito certo na próxima vez, apenas para errar de novo e quebrar o osso de novo.


Muitos aventureiros ficaram muito irritados com ele, mas não podiam fazer nada, por que se eles contassem qualquer coisa, o curandeiro iria falar o que eles fizeram com ele, e depois o líder da guilda iria decidir quem estaria mais errado e isso calava as pessoas rapidinho.


Muitos tentaram o enganar, o dar pros monstros, e até o abandonar na masmorra, mas o curandeiro era esperto, ele não caia no papo de ninguém.


Mas no fim, as seções de tortura continuaram, até ele encontrar um grupo de aventureiros decente, um grupo que não o humilhava ou fazia buling com ele, era um grupo de novatos, mas com a boa vontade do curandeiro por eles serem legais fez eles aprenderem os truques rapidinho, 


E no fim, o grupo de valentões que sempre implicava com o curandeiro foram expulsos, por que o curandeiro falou pros líderes o buling que ele sofreu, os valentões tentaram se explicar, dizendo que o curandeiro curava eles errado e que os torturava, mas o mestre da guilda não acreditou nisso, por que o curandeiro tinha provas, tinha desculpas, e ele mesmo admitiu que fez o que os valentões falaram, mas que aquilo foi uma forma dele se defender, de se vingar do buling e de se manter seguro no meio de pessoas tão perigosas (o que não ironicamente, era verdade, já que foi apenas depois que os joguinhos de tortura dele começaram que ele parou de aparecer com ferimentos de seus “companheiros” na guilda). 


E no fim, o filme terminou com o curandeiro saindo em uma aventura com o seu novo grupo de amigos, como os mais novos membros de prata da guilda.


Saímos da sala do grande espelho logo depois, bem felizes com o que vimos.


Antônio: adorei o filme


Jay: eu também, espero que tenha parte dois


Antônio: com o pessoal que saiu daquela sala, eu tenho certeza que vai ter a parte dois, três, quatro, até chegar ao dez


Jay: não é pra tanto também, mas eu sinto que essa história merece uma continuação


Antônio: isso eu concordo com você.


E depois daquilo, não falamos mais nada, e apesar de tudo, ainda estava tentando entender todas essas regras que eu tinha nesse relacionamento que eu tinha com o Jay, mas eu tive muito tempo pra pensar disso quando agente se encontrou várias outras vezes, além dos filmes, nós também viajamos para fora do território pra olharmos a natureza, também íamos pra grandes shows de bardos e também fomos a muitos shows de corridas de cavalo. 


E no meio de tudo aquilo, eu entendi melhor que eu podia perguntar ao Jay tudo que eu quisesse, apesar da gente não falar muito, agente gostava da companhia um do outro, ele não precisava saber de toda a minha vida, e eu não precisava saber de toda a vida dele. 


Como meu pai falaria “nós apenas ficamos no mesmo lugar, juntos, fazendo, coisas de homem”. Pela primeira vez, sentia que estava entendendo o que aquilo deveria significar.


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