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Curioso Felino 2🌻
🏇Um novo amigo🏇
2101 palavras • 11621 caracteres • ⏱ 8 min 24 s

🏇Um novo amigo🏇

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No dia seguinte, eu tive uma ida bem tranquila até o curral de cavalos junto da minha mãe, nossa, aquele lugar tava igualzinho da época que eu era um moleque, o mesmo acabamento de madeira desgastado, a mesma placa novinha em folha, e o mesmo dono barbudo com um sorriso simpático que eu conhecia muito bem.


Vendedor: ah, Toninho, a quanto tempo, não sabia que tinha voltado pro reino, quando voltou?


Antônio: tem uns dois dias na verdade, vim dar um cavalo de qualidade pra minha mãe


Vendedor: ah Lady Carvalho, vocês tem um cavalo em específico?


Mãe: não, mas não se preocupe, meu filho vai ajudar


Antônio: tem certeza?


Mãe: claro, afinal, você que é o especialista em cavalos.


E quando entramos, existia muitos cavalos ali, alguns eram ferozes e selvagens, outros eram bem calmos e mansinhos, outros eram imponentes e poderosos, mas bem atrás, existia um cavalinho, deprimido, fraco e bem velhinho, e quando nos aproximamos, a minha mãe tocou no cavalo velhinho e o animal pareceu ressuscitar, levantou a cabeça e olhou pra minha mãe como se tivesse achado sua alma gêmea.


Mãe: qual é o nome dele?


Vendedor: bom, ele não tem nome, ele foi resgatado de uma expedição de bandidos, ele era do chefe dos bandidos, mas como dá pra ver, o pobrezinho não era tratado direito, estamos tentando ajudá-lo, mas ninguém está disposto a pegar um cavalo traumatizado e meio morto.


A minha mãe não tirou os olhos do cavalinho, e assim como ela fazia comigo várias vezes, ela fez carinho no cavalinho, e ele pareceu se acalmar muito com o movimento da minha mãe.


Mãe: quanto ele custa?


Vendedor: normalmente no estado que ele está, eu o venderia pra você por 100 cobres, mas como seu filho é um cliente muito valioso pra mim, você pode leva-lo de graça.


100 cobres? A ferradura pra cavalos como aquele seriam mais caras que o próprio cavalo, tanto que até a minha mãe desconfiou daquele peço, e olha que ela não sabia nada de cavalos.


Mãe: qual a pegadinha?


Vendedor: eu acabei de falar, o coitado é um cavalo traumatizado e meio morto, você vai gastar mais pra manter esse cavalo vivo pelos primeiros meses do que apenas comprar um já saudável.


A minha mãe pareceu ficar duvidosa, mas no momento de dúvida, ela olhou pra mim em busca de orientação, e quando ela me viu, eu me aproximei dela bem devagar, e quando me viu, o cavalinho doente ficou com medo e se afastou.


Mãe: o que acha filho?


Antônio: é, vai ser difícil, mas sinto que você tá disposta a passar por essa dificuldade.


Eu olhei para o cavalinho, e mesmo com medo, ele parecia ainda confiar na minha mãe, então continuei.


Antônio: ele é o cavalo certo.


E o vendedor pareceu muito feliz quando eu falei aquilo, então a minha mãe falou.


Mãe: vou levá-lo


Vendedor: tá bom, cuide dele por sua conta e risco.


O Vendedor, conseguiu tirar o cavalo do curral por ainda conhecê-lo bem, mas ele ainda parecia bem assustado quando eu fiquei perto dele, mas era normal, quando minha mãe o segurou, comecei a orienta-la.


Antônio: vamos levá-lo por um lugar mais tranquilo, vai ser o melhor pra ele, e para nós.


É, porque a última coisa que queríamos era deixá-lo nervoso a ponto dele ficar descontrolado e atropelar um monte de pessoas, mas eu não falei aquela última parte em voz alta.


Minha mãe aceitou tudo sem problema, e pra orientar minha mãe, eu caminhei com ela, segurando o Zorro pela correia e levando ele com ela.


Antônio: você já pensou em um nome?


Mãe: eu pensei em…café.


Quando ela falou aquilo, o Zorro relinchou, um relincho demorado, como se ele estivesse rindo, e eu não o culpava, por que eu ri também.


Antônio: café?


Mãe: é, por que? Não gostou?


Antônio: ah, não faz diferença pra mim, o cavalo é seu, pode chamar até ele de princesa Isabely se quiser, podem te espancar por isso, mas você pode


Mãe: não fala uma blasfêmia dessas


Antônio: calma calma, é só uma piada.


E continuamos conversando assim até chegarmos em casa, agente guiou os cavalos para a lateral da nossa mansão e colocamos ele no curral, o Zorro tava tranquilo lá dentro, aquele lugar ja era a casa dele a muito tempo, mas o Café tava definitivamente assustado ainda, bom, era normal ele se sentir um pouco intimidado pelo Tornado estar lá também, mas antes de fechar a porta, falei pros dois.


Antônio: olha rapazes, escutem bem, cuidem do café, ele passou por muita coisa, então, façam ele se sentir em casa.


Eu ouvi dizer que, depois de absorver magia, aura ou chi o suficiente, os cavalos ganhavam uma espécie de inteligência, mas eu não sabia em que extensão ainda, bom, o Zorro me ouviu e pareceu ter confirmado que ouviu o que eu disse, enquanto o Tornado só começou a fazer carinho no ainda apavorado Café, mas nessa eu não sabia se foi por minha causa que ele fez isso. E quando nos afastamos, minha mãe perguntou.


Mãe: e agora?


Antônio: só espere, ainda tá cedo, deixa ele se adaptar um pouco as coisas


Mãe: jura? Que coisas


Antônio: bom, eu falei que você teria que ter paciência


Mãe: e você falou que eu aguentaria


Antônio: é, por que você tem muito mais paciência que eu


Mãe: verdade, anda, vamos fazer outra coisa.


Os próximos dias foram bem parados, o Café deixava apenas a minha mãe chegar perto dele nos primeiros dias só comendo e bebendo quando ela mesma entregava as vasilhas, mas isso não durou muito, eu andava lá com cuidado dia após dia, as vezes só ficando ali, lendo um livro perto do Café, eu não esperava que ele se abrisse pra mim de cara, mas só de ficar ali e não fazer nada, eu queria que ele entendesse que eu não queria machucá-lo. 


Isso tudo enquanto eu tambem ia lá pra escovar o zorro, dar comida e água pra ele também, e com o tempo, o pequeno cavalinho começou a confiar em mim, ainda era difícil pra ele me deixar tocar nele, mas apesar de estar tremendo, ele ainda deixava eu fazer carinho nele, mas agente levou muito tempo e muitos remédios para deixa-lo melhor.


O vendedor não estava brincando, o dinheiro que nós gastamos pra deixar o Café vivo era o bastante para comprar um cavalo puro sangue, mas a minha mãe não parecia ligar pra isso, ela parecia até mais alegre e feliz sempre que o Café parecia ficar melhor.


E num desses dias, quando eu pensei que o Café estava pronto pra aguentar o peso da minha mãe (e não, não que minha mãe era pesada, mas por que o cavalinho estava tão fraco que ele não ia aguentar se qualquer um sentasse em cima dele) fui chama-la pra fazer a primeira trilha dela com o Café, mas depois de procurar no castelo inteiro, eu não a achei, mas não precisei pensar muito pra achar o lugar certo, ela já estava no curral, já escovando o cabelo do Café, e olha só, nada que alguns remédios, um pouco de amor e muito carinho não resolvesse, ele estava poderoso, como um verdadeiro corcel agora, e isso levou quanto tempo? 3 meses?


Antônio: nossa, parece até que ele rejuvenesceu


Mãe: é porque agente cuidou muito bem dele


Antônio: relaxa mãe, ele não é apenas uma bonequinha viva e super cara, você vai poder monta-lo agora se quiser


Mãe: jura? Ele tá pronto?


Antônio: ele tá mais do que pronto, pelo que eu tô vendo, o carinha tá até ansioso pra ter a primeira volta com a sua mestra.


Minha mãe então olhou bem devagar pra ele de novo, vendo como ele parecia bem empolgado pra correr mesmo.


Eu ajudei ela a subir em cima do Café, graças a deus, nós já tínhamos comprado uma cela pra ele. E com muita calma, eu mostrei pra ela como controlar um cavalo, as guias para onde ela deveria puxar o cavalo e ainda mais, quando saímos de casa, fiz questão de levar minha mãe na prática pra um parque de cavalos, um público, que ironicamente era bem vazio, a maioria das pessoas ali eram crianças ou adolescentes tentando aprender a subir em cavalos. Ninguém ligou quando a minha mãe apareceu ali e não sabia cavalgar, ela era apenas mais uma na multidão.


E depois de bastante tempo, eu comecei a orientar minha mãe, quais caminhos ela deveria seguir, quais comandos ela deveria dar, e claramente aquilo não seria algo que ela iria aprender em um dia, mas tava tudo bem, esse tipo de coisa quase ninguém conseguia de primeira.


Nós ficamos meses praticando, ela levou muito tempo, muito tempo mesmo para conseguir ficar acima do Café sem cair ou fazer movimentos errados.


Mas apesar de todos os problemas, era claro que o que ela mais precisava do café estava bem ali: conexão. Muitos diziam que humanizar muito animais era ruim, mesmo assim, era necessário o mínimo de confiança com o animal que você estava em cima, ela confiava no Café, e o Café confiava nela, e com esse tipo de conexão, mesmo com todos os tombos, e com os problemas, a minha mãe apenas riu e tentou de novo, até o ponto em que passear com o cavalo ficou tão facil quanto respirar e expirar. 


Eu fiquei tão orgulhoso dela que não hora eu fui até ela apenas para gritar.


Antônio: ISSO ISSO ISSO, VOCÊ FOI INCRÍVEL, VOCÊ DEVIA TER VISTO VOCE MESMA, VOCE TAVA INCRÍVEL (tosse) bom, vamos lá, deixa eu te mostrar coisas um pouco mais avançadas


Mãe: não precisa


Antônio: ah, não precisa? Mas mãe eu…


Mãe: consegue cavalgar no céu, cavalgar pela água, e correr milhares de quilômetros em segundos, eu sei, mas eu também sei que eu e o Café não temos mais a juventude pra fazer isso, já estamos bem só com o que você nos ensinou.


Eu olhei pra baixo, um pouco triste, mas entendendo a situação, e vendo como o Café parecia concordar com a minha mãe, eu apenas balancei devagar minha cabeça e falei.


Antônio: se vocês não queriam pegar nenhum feitiço pesado era só dizer


Mãe: tá bom, nós não queremos pegar as coisas pesadas, nós não iríamos usar de qualquer jeito, a nossa rotina não precisa das técnicas doidas que você aprendeu


Antônio: pffff, pior que é mesmo, acho que a sua maior aventura foi quando aquele grupo doido de bandidos atacou a lojinha que agente tava


Mãe: eu nunca fiquei tão poderosa em toda a minha vida, não fazia ideia que eu conseguia demolir um prédio naquela hora


Antônio: ah, mas também, você teve ajuda.


O que agente falava era sobre um evento estranho, onde eu e algumas outras crianças estávamos no centro de mercadores, eu não me lembrava da maior parte do que aconteceu, mas pelo que eu lembro, um grupo de bandidos tentou pegar a mim e várias outras crianças de refém, mas o que eles não esperavam era que a minha mãe, e as mães das outras crianças tivessem um instinto de proteção tão grande que elas destruíram os bandidos, o deixando a beira da morte, e um dos feitiços, o da minha mãe pra ser exato, chegou a derrubar um prédio inteiro, e apesar dos relatos que eu li daquele incidente, ainda era doido pra mim como minha mãe fez algo tão incrível naquele dia a ponto dela ganhou um quadro de um pintor anônimo. O quadro da Amazona acima de uma pilha de bandidos que estava pendurado na nossa casa até o dia de hoje.


Antônio: aquele dia foi bem doido


Mãe: doido demais


Antônio: quer ir pra casa?


Mãe: sim.


Então, comigo acima do Zorro e minha mãe acima do Café, nos cavalgamos devagar, como se os cavalos estivessem em uma caminhada, e a calmaria e passividade que eu senti naquele momento era tanta que eu mesmo precisei de um tempo para senti-la completamente.


Antônio: (respira fundo e solta) que maravilha


Mãe: viu filho, não preciso de técnicas super doidas pra aproveitar uma cavalgada.


Quando ela falou isso, eu olhei pra baixo, pra ver como o Café estava, e apesar dele ter literalmente se rejuvenescido, a ponto dele parecer apenas um cavalo bem machucado e maltratado agora, tava bem claro que os dias de correr no limite dele, acabaram.


Antônio: na verdade, agora que eu tô olhando direito, acho que ele não aguentaria das técnicas direito mesmo


Mãe: viu, eu falei que teria um problema, vamos, temos coisas pra fazer.


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