Quando cheguei em casa, depois de um dia de trabalho bem pesado, fui ao quarto da minha mãe, ela falou que eu podia entrar, e quando entrei no quarto dela, vi que o lugar tava igualzinho como da última vez que eu estava lá, enquanto ela escrevia uma carta, ela terminou a carta apenas assinando, e depois me deu atenção.
Mãe: oi filho, o que foi?
Antônio: sei que é em cima da hora, mas agente pode ir naquele jardim botânico que você falou amanhã?
Mãe: booooom, amanhã eu tenho que conhecer algumas pessoas, mas acho que agente pode ir lá quando você chegar do trabalho
Antônio: ótimo, vou estar ansioso pra isso.
E depois de mais um dia, um dia que eu tirei para descansar um pouco, bem no fim do dia, eu me arrumei, colocando uma bermuda cheia de bolsos e uma blusa bem confortável, vi que minha mãe usava uma calça boca de sino, uma blusa fina e um casaco de zíper.
Antônio: não sei de onde vem todo esse seu frio mãe
Mãe: eu também queria saber as vezes.
E depois, nós nos preparamos, e fomos pro jardim da rainha. Às vezes eu me impressionava que a família real era tão disposta assim a receber os outros, mas no final, acho que foi isso que fez o reino durar por tanto tempo.
Eu subi no Zorro, enquanto minha mãe subiu na garupa, ela nunca teve um cavalo só dela, e não estava confiante no novo cavalo dela pra ir andando tanto com ele sozinho, eu não podia deixar isso acontecer. Então, depois de falar bastante com a minha mãe, convenci ela a ir até o cavalo dela, era um jovem corcel, que não estava feliz de ter uma dona, e só olhando eu sabia que isso não ia dar certo.
Antônio: sério, quem pegou esse cavalo?
Mãe: foi seu pai.
Minha raiva subiu po teto de forma instantânea, e como eu tava fora, e não tinha teto pra eu bater-la, era apenas uma amostra de toda a doideira que a minha cabeça tava na hoa, mas de novo, eu a dilui, haaaaa, eu tinha o perdoado, mas vendo coisas como essa, me fazia pensar que seria mais fácil eu não falar com ele, no fim, acho que meus sentimentos com meu pai eram bem mais complicados pra eu simplesmente o perdoar.
Enquanto ajudava minha mãe a subir no Zorro, eu fiquei fora, apenas olhando ela e flutuando do seu lado.
Mãe: tem certeza que não quer cavalgar?
Antônio: tenho, eu tenho magia o bastante pra voar sozinho por horas, e eu quero que você saiba como é andar com um cavalo de verdade
Mãe: tá dizendo que aquele cavalo não era de verdade?
Antônio: aquele cavalo não queria ser seu dono, ele não quer ser dono de ninguém, ele é muito jovem, e tem energia demais pra você conseguir controlá-lo, você precisa de um cavalo mais velho e mais calminho, um cavalo desses, sem ofensas, mas ele vai te arremessar num poço na primeira oportunidade
Mãe: não me ofendi, em concordo com você…
Minha mãe demorou pra voltar a falar, então ela pegou as correias do Zorro, sentindo uma leveza e tranquilidade que eu sempre amava ver nela.
Mãe: é, parece diferente dele de várias formas
Antônio: você deu um nome a ele?
Mãe: não
Antônio: ótimo, porque vamos devolvê-lo
Mãe: não tem nada que podemos fazer?
Antônio: não, aquele cavalo é perigoso demais pra você, e o simples fato do meu pai ter dado aquele cavalo pra você é uma vergonha como cavaleiro, e como apreciador de cavalos também.
Ironicamente, não tinha raiva na minha voz, apenas indignação, elas pareciam iguais, mas não eram, não conseguia entrar na minha cabeça que meu pai foi negligente o bastante pra dar um cavalo daqueles pra minha mãe, era muito ilógico, muito “não o “ele” que eu conhecia”...mas depois de pensar bastante, eu cheguei a conclusão do porque o tratamento era tão diferente, o Pai que me comprou o Zorro era o “Pai” e quanto quem comprou quelé cavalo pra minha mãe era o “Marido”...aquele cavalo podia ter matado minha mãe, ela podia ter morrido…
A raiva apareceu de novo, e dessa vez ela ficou. Eu não falaria com meu pai tão cedo. Minha mãe não queria que eu sentisse raiva dele pelas coisas que ele fez por mim, mas vendo como ele trata ela, a pessoa mais importante de toda a minha vida, que ficou do meu lado quando ninguém ficou, que acreditou na minha maldição quando nem eu mesmo acreditava, e que me confortou mais do que ninguém no meu mais profundo desespero, na minha “pior fase”. Eu não conseguia conter o ódio, mas eu não iria me vingar dele…mas…eu tinha que fazer algo com aquele ódio, por que era nítido que minha raiva por meu pai estava se acumulando, se eu não fizesse nada, algo muito ruim poderia acontecer, mas, o que eu faço?
Em meio a essas indagações, nos chegamos no grande jardim botânico da Rainha, que era basicamente um palácio feito de vidro, era tão grande que, agora que eu notei, conseguia ver o palácio lá do topo das escadas dos gigantes, eu sempre me perguntei o que era o pontinho brilhante que eu sempre via quando olhava o chão, e com exceção de alguns guardas que vasculharam os visitantes para impedir que alguém suspeito entrasse, tudo parecia calmo e tranquilo.
Depois de pagarmos a entrada, nos entramos sem problema nenhum, a minha mãe ficou impressionada com a quantidade de plantas diferentes, de cada lugar diferente, e graças a todas as minhas viagens, eu entendia bem o quão impressionante cada planta daquela área era, as plantas eram divididas na parte térrea, que eram as plantas do ma branco, o segundo andar com plantas do mar branco, e o porão, com as plantas do mar vermelho.
Eu sabia que a Rainha era a segunda mais forte do reino, ficando apenas atrás do rei em magia, mas era absurdo pra mim que era a possível alguém copiar artificialmente de forma tão perfeita os biomas tão diversos do continente, mesmo no mar azul, existiam biomas secos, mas ricos em mana, biomas congelantes que ainda eram secos em mana, tinham plantas que podiam só crescer no meio da lama, mas que tinham que ser tiradas de lá e depois postas em água, e ainda tinham outras grandes árvores que cresciam ao contrário e que precizavam ser regadas jogando a água nas raízes em cima.
E ainda tinha os casos que as plantas precizavam de adubo especial, como plantas que cresciam através do sangue, ou plantas carnívoras, ou plantas contraditórias, que engoliam animais, tiravam todos os parasitas dela, e depois copiam o animal pra fora…eu gostava bastante dessa variação, por que sim, existiam plantas na selva que se alimentavam de coisas como cabelos, excrementos, unhas, e outras necessidades modernas que alguns lugares pagavam pra tratar, não era um trabalho perfeito, mas pra alguém que estaria sobrevivendo na selva seria mais que o bastante.
Mas a mais engraçada pra mim eram as plantas de vendas, que eram plantas que comiam metais (na maioria das vezes ouro, mas elas aceitavam qualquer tipo de metal) e depois de conseguirem metal o bastante e de receberem cócegas o bastante, elas davam uma fruta especial pra quem lhes deu.
Fomos permitidos interagir com algumas plantas, e a árvore de vendas da Rainha era uma que dava frutas que pareciam bolos, e apesar delas serem bem gostosas, entendi o que a Saytus quis dizer, apesar dela ser gostosa, não era a mesma coisa do que um bolo Sapien.
Mãe: nossa, a Criadora é incrível mesmo né?
Antônio: agora fala algo que eu não sei?
Mãe: aaaaanh, como a Rainha conseguiu colocar tantas plantas diferentes no mesmo lugar?
Antônio: exatamente, isso eu não sei dizer.
E não sabia dizer mesmo, porque eu não conseguia compreender, os biomas ali eram tão diferentes um do outro que até um leigo como eu entendia que aquilo não era do nível de um diretor, era algo além.
Esse tipo de conhecimento não é de alguém que estuda a magia mas alguém que vive ela, um tipo de conhecimento onde a vida inteira de uma pessoa é um estudo constante, com bastante dedicação. E pensar que o Rei é ainda mais forte que isso, coisas como essa me fazem entender porque ele manda no continente inteiro, mesmo que não seja pela força, era impressionante.
Antônio: esse lugar é incrível
Mãe: e olha que ainda estamos no primeiro andar, vem, vamos ver os outros.
Nós subimos até o sótão, havia grandes árvores capazes de criar músicas que eu conhecia muito bem, mas também existiam peculiares árvores que pareciam balões, grandes moitas que ao invés de espinhos, tinham molas imensas, outras plantas que se disfarçavam de predadores absurdamente imensos para escapar de predadores, e até plantas com venenos poderosos o bastante para matar, suprimir magia, destruir o núcleo de mana, apagar a memória.
Não sabia se ela fez de propósito, mas cada planta venenosa ali tinha sua planta curativa do lado dela, caso algum desavisado doido e idiota não soubesse ler, por que é, não tinha guias dentro da estufa, nas existiam muitas placas que diziam quando uma planta era perigosa, e não ironicamente, aquelas plantas eram bem mais frequentes na parte do mar branco que a parte do mar azul.
Tinham algumas pessoas que realmente não levavam os avisos a sério e tentavam tocar nas plantas venenosas, mas sempre que uma pessoa chegava perto de encostar nelas, uma planta protetora aparecia e dava um tapa na mão das pessoas. Era uma planta árida, que deixava a pele da pessoa irritante no lugar onde ela bateu e pra completar, a planta fazia um monólogo de mais de 30 minutos em gritos para a pessoa não fazer aquilo de novo, e sempre que a pessoa tentava interromper a planta ela dava outro tapa nele, até ele virar um coitado com dor, coçando e chorando no chão, era uma pena ver alguém chegar nesse estado, mas não foi por falta de aviso que ele ficou assim.
Mãe: tem gente que sempre tá disposta a pagar pra ver
Antônio: Infelizmente.
Nós continuamos andando, existiam 3 placas naquela estufa, as verdes, que era permitido que agente tocasse nas coisas, sem precisar de nenhuma planta aparecer para nós avisar. A maioria dessas plantas eram ingredientes para poções, plantas “normais” que apenas eram pra comida, e outras eram as plantas peculiares que se alimentavam de coisas estranhas, como nossas unhas e cabelo.
As amarelas, que invocavam outra planta protetora, mas ela apenas avisava pra nós os pontos perigosos que nós devíamos evitar da planta, e se não ouvissem e chegassem perto de tocar nos pontos perigosos, a doida planta da placa vermelha apareceria, mas a repreensão dela seria bem mais fraca e mais tranquila que a da placa vermelha. A maioria dessas plantas eram plantas carnívoras, que prendiam, sedavam, atraiam e absorviam os animais em volta delas, o que deixavam mais perigoso de provocar a planta sem motivo.
Antônio: ah, esse lugar é muito lindo
Mãe: e perigoso
Antônio: existem poucas coisas lindas que não são perigosas nesse mundo, mamãe, a própria Rainha teve que ir para lugares ultra perigosos pra conseguir essas plantas (cheira flor) mas eu garanto que o lugar deveria ser lindo pra ela, ao invés de assustador
Mãe: como os lugares que você visitou?
Antônio: é, como os lugares que eu visitei.
Eu pensei bastante tempo se eu deveria ir lá pra baixo, e ver as plantas do mar vermelho, mas depois de pensar por muito tempo, eu desci para o subsolo, onde as plantas do mar vermelho, o mar bem abaixo da terra oca, um mar feito totalmente de magma, estavam.
E como eu pensei, o lugar estava quente igual a um forno, fazendo eu ativar os feitiços de frio nas minhas roupas pro máximo, assim como minha mãe. Mas o mais imprecionante, era como todas as plantas ali tinham placas vermelhas, e diferente da parte de cima, ninguém ali era corajoso ou burro o bastante para tentar tocar as plantas, não por que respeitavam as placas, mas por que as plantas ali realmente pareciam perigosas.
Só de relance, eu vi três plantas ali que tinham facas no lugar de folhas, outras que tinham bombas no lugar de frutas crescendo, outras que pareciam crescer apenas abaixo da lava, e tinham principalmente as peculiares árvores feitas de ferro, aço, pedra e cristal puro, era engraçado como árvores que, apesar da aparência, pareciam tão normais, e que até tinham a placa amarela, não estavam na entrada, mas depois que entramos mais fundo na estufa, e chegamos na árvore de pedra, fomos atendidos por uma plantinha samambaia amarela.
Samambaia: aviso, os frutos da árvore são mais duros e muito mais pesados do que parecem, usem feitiços de diminuição de peso para pegá-las, e se comerem uma inteira, estejam preparados para não comerem pelo resto do dia.
Eita, eu não queria comer algo se eu ia ficar cheio nesse nível, mas a minha mãe parecia não ligar pra isso e pegou uma das frutas com sua magia, mas ela calculou mal a força e a maçã quase caiu, e eu tive que ajudá-la, nossa, era mais pesada do que parecia mesmo, só segurando nela parecia ter 100 quilos, mas esse tipo de pessoa não era nada pra mim, então eu encostei no ombro dela e falei.
Antônio: tá tudo bem, pode parar mamãe.
Então ela parou de usar o feitiço, e enquanto tentava não pensar o quão trágico era eu não ter sentido diferença da ajuda dela ou não, eu levei a maçã de pedra até ela, e me impressionei vendo que ela conseguiu segurar, com certa dificuldade, mas conseguiu.
Eu não tive pressa, deixei a minha Mãe comer a maçã com muita calma, e o som da mordida e das mastigadas foi algo digno de uma pedra sendo esmigalhado em pedacinhos.
Antônio: qual é o gosto?
Mãe: tem gosto de maçã do amor
Antônio: sério?
Mãe: é, mas é uma maçã do amor do modelo “chocolate super amargo”
Antônio: seu favorito, ainda bem.
Sorrindo, minha mãe terminou de comer a maçã, e depois ela bateu na barriga algumas vezes, satisfeita.
Mãe: wow, caiu como um tijolo
Antônio: então vamos continuar?
Mãe: sim.
Eu e minha mãe ficamos ali, passeando pela estufa por mais um tempinho, até que nos demos por satisfeitos e decidimos sair.
Mãe: como eu senti saudade disso
Antônio: imagino, mas aí, quando vai tá pronta pra eu comprar um cavalo pra você?
Mãe: você só precisa me levar no lugar, eu quero escolher o cavalo, e comprá-lo com meu próprio dinheiro
Antônio: eu só ia pagar, não ia escolher o cavalo pra você
Mãe: sério? Bom, nesse caso acho que eu aceito.
Dinheiro não era problema pra mim, não mais, e tendo uma ideia simples do que a minha Mãe iria escolher, não ia ser problema mesmo que eu ainda estivesse com pouco dinheiro.
Antônio: amanhã será um dia incrível.

