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Curioso Felino 2🌻
🤯Não estamos sozinhos🤯
2517 palavras • 14745 caracteres • ⏱ 10 min 04 s

🤯Não estamos sozinhos🤯

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Andamos na floresta só por alguns minutinhos, mas já nos encontramos com as aberrações que guardavam aquela floresta, quimeras de polvos que flutuavam no céu e que tinham cobras no lugar de tentáculos, cogumelos vivos que se misturavam entre os cogumelos parados e tentavam nos abocanhar, água contaminada com milhares de insetos aquáticos que comiam por dentro qualquer coisa que eles viam até deixar apenas a pele e o pelo, até leões que conseguiam rugir tão forte que eles derrubavam milhares de cogumelos em um único rugido. Nós enfrentamos todo tipo de animal doido, mas como tínhamos levado suplementos pra viagem, estávamos tranquilos.


Dandara: Antônio,você sabe que eu amo surpresas, eu amo mesmo, MAS POR FAVOR, ME DIZ PRA ONDE ESTAMOS INDO, e por que ir de cavalo e vassoura? Não seria mais rápido com uma carruagem?


Antônio: temos trabalho amanhã, lembra? Com o Zorro e a sua speed podemos levar só meia hora pra ir e voltar, as carruagens provavelmente iam levar horas pra chegarmos no lugar certo, acredite, foi a melhor escolha


Dandara: sua bunda não tá doendo?


Antônio: a sua tá?


Dandara: não, o cabo da minha vassoura é acolchoado


Antônio: a minha sela tem coisa parecida, mas eu também já tô acostumado com esse tipo de desconforto


Dandara: agente tá pelo menos chegando?


Antônio: claro, estamos, quase…eeeeeeeeeeeeeeee, chegamos.


Depois que eu falei isso, mandei o Zorro ir pra frente, e chegamos a um lugar bem interessante, que tinha um perímetro feito de sangue, um pouco preto e mantido por vários postes, com estacas e o crânio de algum animal sem sorte que tentou ultrapassar o círculo. A Dandara ficou com medo na mesma hora, mas eu a acalmei.


Dandara: Melzinho, você tem certeza que esse lugar é seguro?


Antônio: absoluta, não se preocupe, esses avisos não são pra nós.


Apesar da confiança que eu transparecia, eu estava morrendo de medo também, eu sabia que aquela barreira apenas empurrava os indesejados dali, eu também sabia que a espécie dentro da barreira, apesar de ser isolada, não era contra receber visitantes, eu não tava correndo risco de vida, o pior que podia acontecer era a barreira me empurrar e aí eu só ia ter que dar meia volta, e teria que pensar em outro lugar especial pra levar minha namorada. Não havia risco de morte.


Quando dei meus primeiros passos dentro da barreira, pro meu alívio, ela não me empurrou, na verdade, a barreira era tão bem feita que como eu era desejado ali, nem parecia que tinha uma barreira ali. Depois, muito receosa no primeiro passo, a Dandara entrou, ficando feliz e animada em ver que ela passou sem problema.


Dandara: ahn, tinha uma barreira mesmo? Por que eu nem senti ela


Antônio: isso pra você ver o quanto esse povo é avançado.


E enquanto falávamos isso, vimos um touro com uma cabeça de broca que funcionava de verdade tentando passar pela barreira, mas aí, um feitiço absurdamente poderoso se ativou, tentando gentilmente empurrar o touro pra trás, o feitiço durou por 10 minutos, e nós dois estávamos impressionados demais em ver o poder do grande touro pra percebermos o tempo passando, tudo que nós conseguimos notar foi quando o touro começou a parar quando se completou 20 minutos, mas ao mesmo tempo, o feitiço foi muito rápido, era um feitiço de fogo, eu tinha quase certeza, mas então, em um segundo, o touro estava lá, mas em um tempo menor que uma piscada, o touro tinha sumido, evaporado por completo no ar.


Nós dois ficamos chocados, olhando o ponto onde o “indesejado” estava a momentos atrás, não acreditando que uma magia assim pudesse existir, pelo menos não no nosso tempo de vida.


Dandara: acho que estou começando a entender por que você queria que eu me formasse primeiro


Antônio: eu realmente queria te preparar pra muita coisa, mas eu admito, eu também não esperava isso


???: até Alaric, o mais sábio dos Sapiens, se surpreendeu ao vir aqui pela primeira vez, então eu não me surpreenderia tanto se fossem vocês.


A Dandara ficou assustada e já se preparou para atacar, mas eu a segurei a tempo.


Antônio: calma ruiva, isso não será necessário.


Ela estava com medo, medo do desconhecido, mas vendo minha calmaria, uma calmaria que ela percebeu na hora que não era pra acalmar ela, mas que eu realmente não achava o homem da voz perigoso, ela abaixou a mão.


Então, nos viramos lentamente, encarando o nosso guia, eu tinha uma ideia de como ele seria, então não fiquei tão surpreso, mas a cara de espanto que a Dandara fez foi tão grande que a mandíbula dela caiu no chão, literalmente, hahahaha, eu amava esses efeitos cômicos que a magia tinha, nunca ia me cansar deles.


O nosso anfitrião era um elfo, ou seja, ele tinha um manto branco que parecia muito com a roupa de um enfermeiro estilo medieval, e com um corpo semitransparente e branco ao mesmo tempo, ele tinha veias vermelhas, azuis e verdes por todo o corpo. 


O rosto dele era a única parte totalmente branca dele, junto de olhos amarelos, e um cabelo ondulado que parecia plástico rasgado em várias partes que também parecia estar embaixo da água, junto de seu próprio corpo. (Sim, mesmo tendo braços e pernas, ele flutuava com magia, sem nem precisar de asas como as fadas). 


Ele parecia bastante como um híbrido de uma água-viva com um Sapien normal, mas eu sabia muito bem que não era isso. E ele ficou ali, esperando nós nos apresentarmos.


Antônio: saudações, eu sou Antônio, e essa é minha acompanhante e parceira, Dandara, estamos aqui para visitar seu reino


Guia: jura? Que alegria, é sempre interessante quando um Sapien nos visita, venham, por aqui.


Então, nos estranhamos bastante no reino dele, e diferente do que esperávamos, eles não dormiam em casas, eles pareciam dormir em grandes laboratórios, estufas com plantas raras, currais com animais raros, usados para ingredientes, observatórios para olhar as estrelas. Cada lugar era tão complexo e bem desenvolvido, que o cogumelo, que deveria ter sido a base do laboratório pessoal, nem parecia mais um cogumelo, e parecia mais um grande prédio que estava vivo (porque sim, árvores e cogumelos estão vivos). 


Eu estava impressionado, mas eu nem chegava perto da impressão de Dandara, a última vez que eu vi ela com aquela cara, foi quando eu mostrei a ela o reino dos gigantes pela primeira vez, os sentimentos acumulados estavam literalmente fazendo ela ficar com os olhos brilhantes de felicidade.


Dandara: eu sinto que morri e fui pro paraíso


Guia: hmhmhm, eles sempre falam isso, (se vira) tem algum lugar em específico que desejam visitar?


Antônio: sim, gostaríamos de ver o curral dos animais primeiro


Guia: excelente escolha.


Eu tirei muitas fotos mentais do lugar, e vendo aquilo, a Dandara ficou curiosa.


Dandara: o que você tá fazendo?


Antônio: tirando fotos mágicas, quer que eu te ensine?


Dandara: sim


Antônio: relaxa, é bem mais simples do que parece, o que você quer tirar foto primeiro?


Dandara: aquilo.


Ela disse, apontando pra um laboratório de estufa lindíssimo.


Antônio: ok, tá bom, feche um de seus olhos e concentre uma grande quantidade de magia nele.


E ela fez isso, deixando seu olho totalmente azul.


Antônio: ótimo, agora, pisca.


E ela piscou, e depois gritou de medo.


Dandara: AHHHHHHHH, QUEIMOU MINHA RETINA!


Antônio: não queimou não, só tá grudado no seu olho, pense apenas em empurrar ele pra cima, pra dentro da sua cabeça.


Não tinha como saber se ela fez o que eu disse, mas vendo como ela tinha ficado mais calma, eu continuei.


Antônio: ótimo, agora, coloque seu cajado em sua cabeça, pense na foto que tirou, e depois afaste devagar o cajado.


Ela fez exatamente o que eu falei, tirando uma imagem idêntica a que ela viu com seu olho, uma bem feita pra um novato.


Dandara: eita, que incrível


Antônio: sei disso.


Enquanto entravamos na porta do primeiro curral, ela falou.


Dandara: com quem você aprendeu isso?


Antônio: um colega turista me ensinou em uma das viagens, você pode encontrar todo tipo de gente legal se saber procurar no lugar certo.


E com uma risadinha alegre, nós dois entramos na estufa, e eu me impressionei com o que vi, eu sabia que aquele lugar era especial, mas eu não esperava aquilo. 


Tinha um monte de outros visitantes, e na frente de nós, tinha um curral com todo tipo de animal ultra raro, um cervo com chifres de diamante puro, uma fênix com o tamanho de um ptedoraptil, um basilisco(atrás de um vidro especial pra gente não ser afetado pelo olhar dele), um elefante angelical, um raio vivo, um Kraken, um unicórnio, mas todos os meus sentidos foram levados pra um pássaro em específico. 


Um pássaro em forma de corvo, com uma coloração tripla, azul, preto e branco, de seis asas, cada par com uma cor diferente, tudo junto com os olhos pretos, que refletiam uma inteligência além de humana. Eu não aguentei e apontei pra eles dando um grito de alegria, eu quase cantei de alegria, mas eu me controlei, para o bem da minha dignidade.


Dandara: ANTÔNIO, O QUE FOI?


Antônio: aquele pássaro…é o viajante de mundos.


A Dandara então ficou em silêncio por alguns segundos, olhando aquilo, ela não entendia o que eu falei, não totalmente, mas ela não precisava entender perfeitamente. Ela sabia muito bem que eu não perdia a cabeça assim, e o simples nome “viajante de mundos” dava uma ideia bem clara do quão especial aquele pássaro era.


Dandara: então, o que ele faz? Ele consegue viajar para outros continentes?


Antônio: não, ele consegue viajar para outros planetas, um pequeno presente da nossa tão boa Criadora.


A Dandara, novamente ficou chocada, mas dessa vez, ela gritou, gritou muito alto.


Dandara: COMO É QUE É!? A CRIADORA FEZ ESSE PÁSSARO? POR QUE VOCÊ NÃO ME CONTOU!?


Antônio: eu te conto, se você parar de gritar


Dandara: tá bom, agora me conta


Antônio: bom, em poucas palavras, nós não estamos sozinhos no universo, mas estamos muito longe dos nossos vizinhos planetários, têm planetas por aí que são idênticos a nós, e muitos que são totalmente diferentes, mas a Criadora queria que nós conseguíssemos nos conhecer de certa forma, então, ela criou um ritual para as suas criações, agora, toda semana, na meia noite de domingo, uma montanha de livros é despejada em um ponto específicos de um lugar que a Criadora acha digno de receber seus livros, e para nossa alegria, nosso reino e todo nosso continente são ótimos lugares pra isso.


Os olhos de Dandara estavam arregalados, ela não conseguia falar eram muitas emoções para serem postas em palavras, até que ela conseguiu dizer.


Dandara: nossa, é muito difícil assimilar tudo isso


Antonio: e olha que eu nem terminei, muitos desses mundos são bons e conseguem viver, mas muitos desses mundos eles são destruídos, pela incompetência das criações da Criadora…


Eu falei aquilo, mas parei no meio do caminho, me lembrando “daquela história” a história “baseada em uma história real” que me fez finalmente conhecer a Criadora.


Antônio: muitos dos mundos destruídos, eles são transformados em livros, detalhando parte por parte uma história sinistra que até uma criança de 8 anos conseguiria entender sem problemas, a Criadora faz isso com a esperança que os outros planetas consigam aprender com os erros de seus irmãos planetários destruídos.


E agora, a Dandara estava sem palavras, o cérebro dela estava explodindo com pensamentos, ideias, e falas que ela não conseguia organizar direito pra falar comigo. Tenho certeza que se ela tivesse arrancado o cérebro fora, colocado ele num liquidificador até ele virar suco e jogasse o suco de cérebro na cabeça de novo, a cabeça dela ainda ia doer menos do que com a expansão de conhecimento, vida e noção de mundo em geral que eu estava jogando nela. E para pelo menos se manter sã e não desmaiar, algo que parecia cada vez mais uma certeza, ela falou.


Dandara: euuuuuuu, não sabia que você acreditava na Criadora


Antônio: ué? Você nunca me perguntou, não é esse tipo de coisa que você fala de forma normal numa conversa “ah oi Dandara, olha, eu acredito na Criadora e eu sei bastante sobre de onde vem os livros “baseados em uma história real” e você?”.


E com um olhar meio constrangido, a Dandara respondeu.


Dandara: sem ofensas melzinho, mas eu vejo muito você começando uma conversa assim comigo


Antônio: sério? Acho que tenho que ser mais aberto ainda com você então


Dandara: Eu adoraria isso.


Então agente chegou mais perto do curral, agente teve os guias nos ajudando, era estranho eu conseguir tocar em animais tão especiais assim, na maioria dos registros, dizia se apenas que a única certeza de ver metade desses animais seria aqueles em posse com os elfos, e todos aqueles selvagens, eles seriam tão legais ou tão escorregadios que eu provavelmente veria eles de escanteio, e quando olhasse com atenção, veria que eles teriam sumido, isso era o quão raro cada uma dessas coisas eram, fazer carinho nelas, e escova-las foi bem legal, eu pude até cortar o chifre de um unicórnio (porque pelo que parece, os chifres de unicórnio cresciam até ele ficar com dor, então ele tinha que ser cortado, ou destruído por um rival amoroso de tempos em tempos), eu aprendi muitas coisas sobre como pegar itens mágicos de um animal sem machucá-lo, técnicas que deveriam ter sido potencializada aos longos dos séculos deles vivos.


Dandara: tô amando esse lugar


Antônio: é, pena que só temos mais uma parada antes de voltarmos, mas não se preocupe, nós voltarmos aqui na primeira oportunidade que tivermos


Dandara: ué, não podemos vir aqui amanhã?


Antônio: infelizmente não, eu combinei de ir com a Saytus pra um lugar especial no mar branco


Dandara: (suspiro) tá bom, vai, vamos só continuar o passeio.


Então, agente continuou cuidando e fazendo carinho nos animais, até que vi no meu relógio que tinha quer rápido pra acabar chegando ao lugar que tava planejando ir.


Antônio: eita, olha a hora, vem Dará, temos que ir


Dandara: (suspiro triste) tá bom, tchau tchau amiguinhos.


E se despedindo dos animais, da mesma forma que se despediria dos próprios filhos, ela ficou perto de mim de novo, bem ao lado do guia.


Guia: haha, vocês devem ter vidas limpas, não é normal os animais ficarem tão confortáveis perto de estranhos


Antônio: animais como esses são mais inteligentes que muita gente, eles devem perceber quando alguém não é tão bem intencionado assim


Guia: você se surpreenderia com quantas pessoas nós já expulsamos por conta desses animais, alguns elfos até falam que eles são nossa segunda linha de defesa


Antônio: nesse caso, ficou feliz de ter passado do segundo teste


Guia: ah, senhor Antônio, isso não foi um teste, não viram o quanto estavam se divertindo?


Antônio: bom, nesse caso, você poderia me levar a uma casa hospitalar?


Guia: sim, sem problemas, siga-me.


E sem nenhum problema, seguimos ele, a Dandara parecia ter pegado pelo menos parcialmente o motivo de termos feito aquilo, mas eu sabia o motivo inteiro. 


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