E andando dentro do reino das fadas de novo, fiquei feliz que a Saytus decidiu vir junto comigo, na verdade, ela parecia bem mais empolgada do que o normal.
Saytus: não sabia que você sabia sobre esse evento, tenho que admitir que você me pegou de surpresa
Antônio: eu tenho estudado todo tipo de evento de fadas por anos garota, não pense que está lidando com um amador aqui
Saytus: você vai de short ou de sunga? Eu tô com meu maiô por baixo da roupa
Antônio: eu vou de short, não sou ousado o bastante para tentar ir de sunga.
O que nós estávamos nos referindo era um evento especial, onde um rio bem fino dentro do clã das Hipteras era que por grandes propriedades mágicas, o grande rio deles começava a flutuar, mas não um flutuar simples, um flutuar que fazia parecer que era um grande cavalo-minhoca esperando pra ser domado, e a correntesa e fineza do Rio naqueles eventos era tanta que era possível cavalgar um de cada vez lá, e eu não iria perder aquele evento de feito nenhum.
Agente andou pouco tempo dentro do reino dos Hipteras, até vermos uma grande comoção em um ponto específico do território, repleto de fadas com grandes caudas envenenadas e com asas bem mais levadas pra velocidade do que o movimentos complexos, mas pro que tava acontecendo perto deles, aquilo era melhor mesmo.
Tinha uma imensa multidão ali, onde tinha varias fadas fazendo apostas, dessa vez, agente acabou se atrasando bastante, mas logo a frente, eu vi que o que eu tinha vindo era bem mais incrível do que eu pensei, eu apenas observei uma fada macho tentando se equilibrar no rio, que agora parecia uma grande minhoca voadora, ele segurou com suas 4 pernas o máximo que conseguiu, jogou seu corpo pra vários pontos diferentes usando as asas e ate tentou agarrar a água com as mãos, que pela cor que ela exalava, criou um lugar para ele segurar.
Era engraçado ver como a água tinha três modos, o verde, que era bem mais de equilíbrio, com o rio descendo, subindo, indo pra esquerda e pra direita, com a água até fazendo rédea para as fadas se segurarem neles. O modo amarelo, que a água parecia um pouco mais viva, com ela fazendo viradas bruscas, agindo bem mais como se fosse um monstro vivo e furioso do que uma água movida por magia. E o modo vermelho, onde a água parecia ter ganhado vida própria e estava mais determinada do que nunca a derrubar a pessoa em cima dela, e com exceção das pernas, nenhuma parte das pessoas conseguia tocar a água, pelas mãos podendo apenas tocar pra empurrar, não pra segurar.
Algumas fadas criaram um pequeno timer para saberem como cada pessoa estava indo, o maior tempo no modo verde foi 2 horas, o amarelo foi 1 hora e 40 minutos e o vermelho foi apenas de 1 hora.
Foi muito divertido ver tantas pessoas tentando se equilibrar na água e acabarem sendo arremessadas pra longe, eu já perdi a conta de quantos participantes eu peguei nos braços, e pela cara que as fadas faziam quando me olhavam, pensei que se fosse uma história de romance, talvez eu até conseguisse fazer um clima pintar entre as pessoas que eu salvava, mas felizmente, eu já tinha dona.
E depois de olhar aquela grande rio por tanto tempo, decidi finalmente entrar, por algum motivo, a impulsiva Saytus estava bem receosa de participar do evento especial do reino dela. E quando me aproximei, senti o quanto aquilo era estranho, sem camisa, e usando só os shorts de praia, vi o grande rio vivo se abaixar pra deixar eu subir, com ele também ficando vermelho assim que eu subi, e rindo, eu pensei que isso seria irado.
WOW, as coisas começaram de formas absurdas já, com a água tentando me jogar pra todas as direções, mas enquanto eu me apoiava na água com meu braço esquerdo e tentava me manter equilibrado balançando meu braço direito no ar, eu briguei com aquela água violenta, não ficando com medo, mesmo quando ele me levou pro ar bem alto, e me jogou da esquerda pra direita, e pra esquerda pra baixo, e nem quando ele despencou pra mim, e ao invés de jogar pra cima, ele foi para a esquerda de novo, tentando me arremessar no chão, e falhando de novo.
Eu estava molhado, com frio e com o coração a 1000 por hora, muitas fadas estavam impressionadas com o que eu tava fazendo, eu via muitas fadas confusas com o que eu fiz, muitas fadas veteranas que entenderam minha estratégia, e poucas fadas me repreendendo, como se eu estivesse fazendo algo errado.
O segredo para se equilibrar não estava nas pernas e nem nos braços, estava na cintura, quando a água se jogava pra alguma direção, era apenas jogar a cintura para o lado equivalente para o corpo ficar equilibrado e não cair. E se já parece difícil explicando, então apenas imagine fazer isso na prática, eu apenas conseguia fazer as coisas com facilidade por que eu passei anos cavalgando. Às vezes, sentia que eu nasci montado no Zorro, pelo quanto eu era ligado aquele lindo corcel.
Eu resisti bastante tempo, e a água ficou tão feroz que pensei que ela iria mudar de cor novamente, mas antes de isso acontecer, eu errei o tempo e fui arremessado pra longe pela água. Eu ia cair bem longe da multidão, ou pelo menos foi isso que eu pensei, por que quando olhei pra direita, vi a Saytus voando nos céus e me pegando no ar.
Ela caiu bastante antes de se estabilizar por causa da força que eu fui arremessado, mas não demorou muito tempo pra ela se estabilizar e me colocar no chão, apenas com a respiração um pouco ofegante.
Saytus: (arfa, arfa) ok, acho que eu entendi como é que faz
Antonio: quer que eu te dê algumas dicas:
Saytus: não, isso seria trapaça
Antonio: tenho certeza que não é
Saytus: sério? então acho que so nao quero ajuda
Antonio: justo, vai lá e arrebenta.
Levou um bom tempo pra eu conseguir ficar de pé, cavalgar na correnteza pegou mais de mim do que eu percebi de primeira, a ponto de eu desistir de ficar em pé e só me sentei no chão, vendo até onde a Saytus estava indo.
A fada esperou a água sair do verde pro amarelo, ela não era doida ainda pra tentar as correntezas vermelhas, e mesmo assim, ela foi chacoalhada e quase derrubada todas as vezes, e enquanto eu continuava sentado, vi como, apesar dela não ter a mesma fluidez que eu, ela entendeu meu jogo de cintura mesmo que de forma superficial.
E mesmo que o jogo de cintura dela ainda estivesse muito ruim, ela conseguiu se manter muito tempo apenas com suas 4 pernas e se apoiando nas partes mais sólidas da água com seus 4 braços, e considerando que ela estava na correnteza amarela ao invés da vermelha, ela resistiu por bastante tempo, tempo o bastante para eu me recuperar e conseguir ficar em pé novamente.
Ela fez um bom trabalho, mas com as pernas e as mãos dela usando tanta força apenas para mantê-la em cima da grande correnteza, a fada começou a se cansar rápido, ela fez o possível para se manter acordada, mas a cada segundo, era cada vez mais nítido o quanto ela tava se cansando e perdendo ainda mais força, até o ponto em que ela perdeu a força nas pernas e foi arremessada com muita violência pra baixo, esse credito eu podia pelo menos dar a correnteza, porque ela tinha jogado a fada bem na minha direção, e eu a peguei com a mesma casualidade que peguei todos os outros.
A garota tava bem cansada, a ponto de precisar que eu segurasse ela como uma princesa por algum tempo, eu achei por alguns segundos que ela tava me zoando para ficar no meu colo, mas não, depois de mais um tempinho, ela se recuperou e me pediu pra ficar no chão.
Fizemos nosso primeiro rodeio de agua, mas estávamos bem longe de estarmos satisfeitos, e esperando de novo, nós subimos novamente no rio, eu sempre busquei o vermelho, enquanto depois de passar muitas vezes no amarelo, a Saytus tentou o vermelho algumas vezes, a garota foi jogada no chão várias vezes, mas ela gostava do desafio, enquanto continuava recusando minha ajuda, não entendia bem o por que, mas respeitava de qualquer jeito.
Nós subimos na correnteza até ficarmos tontos e enjoados, e termos que comprar remédios especiais de um xamã vendedor ambulante ali perto (um xamã confiável, aprovado pelo barman da árvore de halloween), e continuamos lutando.
Quando o dia acabou, eu levei a Saytus para um pequeno hotel que tinha no clã Hipteras, e depois de uma noite tranquila que não se tinha nada a acrescentar, (eu não avancei nela e ela não avançou em mim), nós voltamos a cavalgar a grande correnteza, era um evento bem raro que durava por quase 4 dias.
E a cada dia, a água parecia ficar ainda mais feroz, poderosa e violenta, no primeiro dia, eu tinha conseguido ficar 1 hora inteira na água vermelha, no segundo dia, só 40 minutos, no terceiro, 20 minutos e no quarto, 10 minutos.
E a Saytus, que tava tentando a correnteza vermelha e brincando na amarela, foi empurrada de forma vergonhosa para a correnteza verde, e mesmo assim, ela ainda não queria a minha ajuda.
Antônio: tem certeza que não quer minha ajuda?
Saytus: tenho, alguém te explicou os segredos que fez voce durar tanto na correnteza?
Antônio: não, mas agora que eu sei os segredos, eu posso te ensinar, você não quer facilitar a sua jornada?
Saytus: eu agradeço Tony, mas sinto que essa é uma daquelas coisas que eu devo aprender sozinha, entende?
Antônio: é claro, eu entendo, sim, existem coisas que você só pode entender quando você descobre por conta própria, sem ninguém te falando o que aquilo deveria ser, boa sorte.
E assim, nós continuamos desafiando a correnteza, e com o passar dos dias, vimos que as fadas novatas diminuíram enquanto as fadas veteranas aumentavam, e logo, os timers começaram a mudar, mesmo com a correnteza muito mais forte, às fada começaram a durar quase 6 horas na correnteza verde, 4 horas na amarela, e 2 horas na vermelha.
E sabe qual é a coisa mais doida? É que aquelas fadas eram muito gente boa, mesmo só durante 10 minutos na correnteza vermelha, cada uma delas ficou do meu lado, me motivou e me falou que eu estava fazendo um excelente trabalho, e eu não vou mentir, ter pessoas tão legais vendo meu progresso enquanto eu dava cada passo, de alguma forma, me motivava a ficar cada vez melhor.
Além do fato de que eles deixavam eu tentar de novo depois de uma fada ao invés de respeitar a fila e esperar todo mundo ir antes de ir de novo, já que eu caia rápido. E a Saytus, que via aquilo e sentia na pele, estava bem feliz em ver que a sua espécie era tão gentil assim.
No fim do dia, consegui um novo recorde no último dia, com a correnteza mais violenta do que nunca, me deixando encharcado, com frio, e com tantas pancadas de água que eu sentia como aquilo seria minha última cavalgada, eu fiquei em cima dela por quase 20 minutos.
Quando desci da onda, eu deitei no chão e tomei um pouco das folhas especiais que compramos dos xamãs, mas ainda precisei de algum tempo para me recuperar de todos os impactos que eu passei, a Saytus, assim como eu, estava transbordando de cansaço, mas como fadas naturalmente se recuperavam rápido, ela já estava fisicamente pronta pra outra partida, mesmo que psicologicamente ela precisava de um descanso bem demorado.
Eu fiquei ali, deitado no chão, respirando fundo enquanto a Saytus me vigiava, eu devo ter ficado 40 minutos certinhos ali, eu sabia por que eu contei, e depois me levantei, e mesmo cansado, eu já estava bom o bastante pra ir embora.
Antonio: e ai, quer ir pra casa?
Saytus: eu já tive o bastante do evento
Antonio: eu também, vamos.
E nos apoiando um no outro, levei a Saytus para o senhor purpurina e subi no Zorro sem problemas, mas antes de partirmos, eu vi uma das fadas veteranas falando.
Fada veterana1: temos uns rostos novos aqui, to bem interessado no que eles farão no ano que vem
Fada veterana2: eu já tô me preparando pras disputas que conseguirei fazer com eles.
Uuuuuuuuuuh, tô bem na fita, mas apesar do quão alegre eu estava, eu tava com o rosto agridoce, porque além da dor normal que eu tava sentindo, a dor do cansaço, também tinha a dor na minha bunda, por ter cavalgando naquela água por tanto tempo, se a cela que tinha no Zorro nao fosse acolchoada nem ia saber o que eu faria, mas ainda estaba feliz.
Saytus: e aí, você gostou?
Antonio: ja to ansioso pro ano que vem
Saytus: então prepare-se, porque ano que vem vamos mirar nos veteranos
Antonio: vai ser um banquete pra nós.
E rindo como dois vilões planejando trucidar o herói, eu e Saytus fomos do reino das fadas rumo ao reino Sapien de novo, bem empolgados para as próximas coisas que iríamos fazer.

