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Curioso Felino 2🌻
😁o segredo para amar😁
3471 palavras • 19695 caracteres • ⏱ 13 min 53 s

😁o segredo para amar😁

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AVISO, CAPITULO GRANDE, QUASE 3500 PALAVRAS


Acho que aquele era o ano em que eu pedia desculpas e passava mais tempo com as pessoas que eu negligenciei, hoje mesmo eu estava indo para o reino dos gigantes, ou simplesmente o “templo dos gigantes” junto da Dandara, por que eu sentia que não passei tempo o suficiente com ela nesses últimos dois anos que tive longe dela. Então pra compensar isso, eu decidi levar ela junto comigo para o reino e ter uma outra palestra, como nos velhos tempos.


Nós estávamos vinculados de novo, enquanto subimos devagar nas escadas.


Antônio: cara, quanto tempo já se passou? Foi um ano ou dois? Eu já nem sei mais


Dandara: você ficou viajando por quase 3 anos querido, eu tô quase me formando já


Antônio: você já tá se formando? Nossa, eu fiquei avoado mesmo desde que eu me formei


Dandara: humpf, normal, me avisaram que pessoas ficavam avadas demais quando se formavam, a minha formatura deve acontecer daqui a alguns meses, então por favor, pelo menos apareça lá


Antônio: eu juro que eu vou.


Nem em um milhão de anos que eu estava mentindo, eu provavelmente teria que refazer algumas pesquisas e talvez até sacrificar algumas coisas, mas eu iria ver minha garota se formando.


Dandara: me fala, que palestra nós vamos ver hoje?


Antônio: uma palestra que eu acho que nós já fazemos inconscientemente, mas é algo que eu quero ter certeza que não deixaremos de fazer.


Uuuuuh, a ruiva ficou interessada, e em segundos, chegamos no templo dos gigantes. Aquilo era peculiar, eu já tinha visitado muitos mundos, conhecido muitas pessoas e já comido pratos que muitos nunca ouviram falar, e mesmo assim, aquele lugar sempre parecia único, tranquilo, calmo e imaculável. Um lugar que eu visitaria mesmo depois de rodar por todo o mundo, um lugar que, mesmo depois de eu ter visitado tantas vezes, ainda parecia tão novo quanto da primeira vez que eu fui ali.


Enquanto eu andava no meio daquele território, tão tranquilo e cheio como sempre, comecei a pensar como, até as pessoas daquele território eram diferente, ninguém ali falava alto ou fazia qualquer barulho alto o bastante pra eu precisar ligar meu feitiço de música, aquele lugar era tão, mas tão passifico que eu não conseguia acreditar nisso às vezes.


E com esses pensamentos, continuei andando entre as pessoas e as palestras, enquanto via que, do seu próprio jeito, a Dandara parecia estar tendo os mesmos pensamentos do que eu, e sem muito problema, eu encontrei o palestrante que eu queria.


Gigante: o que é mais importante em um relacionamento? Alguém pode me dizer isso?


Aluno1: amor


Aluno2: respeito


Aluno3: confiança


Aluno4: dinheiro


Gigante: todos são ótimos motivos, mas eu não estou pedindo pra vocês escolherem um e descartarem por completo os outros. Estou pedindo pra vocês pensarem todos os pilares de um relacionamento e escolham um que, entre todos, deveria se destacar.


Muitos alunos ficaram com muita dúvida do que responder, e de forma simultânea, eu e a Dandara levantamos a mão. 


Gigante: sim, vocês dois aí atrás.


A Dandara me olhou, como se pedisse minha permissão, e eu apenas fiz um gesto com a mão que significava “vá em frente” então ela continuou.


Dandara: respeito.


Antônio: isso aí, algo que eu entendia por que apesar de eu amar ela, muito, eu sempre tentei respeitá-la antes de amá-la, sempre entendê-la como uma pessoa antes de uma namorada ou futura esposa, meus sentimentos tentaram inverter isso muitas vezes, mas apesar de eu não entender o que eu sentia, eu sempre dei muita ênfase no pensamento “ela é uma pessoa, uma pessoa que precisa de ajuda, não se esqueça disso” e pela resposta dela, eu sabia que ela tinha algo parecido a dizer.


Gigante: e por que você diz ser respeito?


Dandara: por que o amor, é falho, ele cega as pessoas, antigamente, eu tinha amor por pessoas que nunca ligaram pra mim, e ironicamente, esse amor quase me fez perder pra sempre meus sentimentos, e a única coisa que me fez realmente sair desse ciclo foi o respeito, eu tive sorte, mas eu consegui um amigo muito bom, um amigo que eu joguei meu amor nele, mas ele o rejeitou, mas não por que ele não me amava, era por que ele me amava tanto que ele não queria ser cegado pelas próprias emoções, ele me respeitava, e me ajudou a pegar o meu direito de sentir coisas sozinha, claro que ele me ajudou, muito, mas ele sempre deixou claro que era eu que precisava me ajudar, não ser ajudada pelos outros…enquanto ainda éramos estranhos, ele me respeitou mais do que qualquer pessoa que eu já tinha conhecido até aquele ponto


Gigante: ele deve ser alguém incrível


Dandara: ele é, mas não é apenas por causa dele que eu falo isso, ele é uma parte gigantesca disso, mas também tinha a ver com meus amigos que eu consegui com ele


Gigante: jura?


Dandara: sim, muitas vezes, desde que meus olhos foram abertos, eu me encontrei muito com estranhos, estranhos que estavam beeeeeeeeem longe de me amarem, mas eu confio mais neles hoje do que qualquer pessoa que eu já conheci na minha vida inteira, e sabe por que? Por que mesmo quando éramos completos estranhos, eles me respeitavam, eles me respeitaram antes de qualquer outra coisa, e isso não pode ser medido por amor


Gigante: e poderia me dizer o por que?


Dandara: porque o amor…ele machuca, o amor é cego, o amor é imprevisível, e o amor é sempre acompanhado de um grande ódio e/ou um grande ciúme. E essa é apenas a versão resumida, se eu contasse os casos de amor obsessivo, ou amor impossível, ou o amor de só um lado que nunca existiu, ficaríamos aqui o dia todo e ainda não chegaríamos na metade dos amores ruins, os amores puros, aqueles que não tem nenhuma ajuda da lógica, que acabam bem, são casos raros…


E naquela simples frase, eu vi os olhos de Dandara escurecendo, era um olhar vazio, um olhar carregado de medo, dor e terror, juntos. Não sabia se tinha um nome pra aquilo, mas era sinistro.


Dandara: mais raros que diamante para falar a verdade, então de confiança, respeito, amor e dinheiro, o amor poderia ser o último a ser pego, por que os outros, eles podem começar em algo beeeeeeeeem alto, e tudo acabaria bem, mas se o amor está alto bem do início enquanto os outros estão baixos, as coisas poderiam ficar muuuuuuuuoto feias.


O Gigante olhou com um sorriso orgulhoso pra Dandara, enquanto ele batia as mãos e falava.


Gigante: jovem, qual o seu nome?


Dandara: Dandara, Dandara Rodrigues


Gigante: bom, como a senhorita Rodrigues falou, relacionamentos, muito além dos relacionamentos amorosos, não podem ser guiados por um simples amor. Vocês devem estar bem acostumados a ler e ver histórias onde uma pessoa está prestes a enganar outra, mas no meio do caminho, ela muda de ideia, muitos confundem esses momentos com o amor finalmente florescendo, mas não é assim. Pois assim como tem muitas histórias onde ladrões e heróis se amam, o ladrão muitas vezes foge e engana o herói, mesmo que o ame. Então não, quando os traidores não trazem grandes histórias, livros e peças, não é por amor, é por respeito. O respeito é o mais importante em um relacionamento, pois se você não respeita uma pessoa, não importa o quanto a ame, você comete erros tão idiotas que o amor será usado como uma gasolina em meio às chamas ao invés de um apagador


Aluno2: e como o respeito é demonstrado num amor?


Gigante: bom, a maneira mais simples de entender é não mentir, nunca trair e sempre ouvir a opinião de seu companheiro. Mas é muito além disso, por que a senhorita Dandara esqueceu de falar uma coisa que muitos casais impulsivos que se casaram cedo, ou até os casais mais tranquilos, mas que não tem orientações certas acabam passando, o fim do amor.


Iiiiiiiih, chegou o momento, o que eu já tinha pensado depois de ver muitas histórias de amor trágico que acabaram tão mal quanto possível. Todos estavam bem ligados no que o Gigante tinha falado até aquele ponto, mas parecia que só agora eles estavam completamente atentos, de alguma maneira.


Aluno3: co-co-como assim, “término do amor?” 


Gigante: (estala língua 3 vezes) vocês jovens são tão ingênuos. Se vocês entrarem em um relacionamento, vocês precisam entender que um dia, o amor intenso que vocês sentem irá acabar, muitos jovens não pensam nisso, e criam histórias horríveis, histórias que ficam imortalizadas na história pra sempre, mas ninguém parece às entender de verdade.


Não fazia ideia se ele estava se referindo a Romeu e Julieta, mas se estava, todos os alunos notaram.


Gigante: e quando o amor acabar, o que resta?


Aluno1: respeito


Aluno2: confiança


Aluno3: dinheiro


Aluno4: e as vezes nem o dinheiro sobra


Aluno5: espera espera, mas em que situação o amor acaba?


Gigante: ele sempre acaba, porque, por mais que muitos sentimentos levem anos pra se esvaziar, eles sempre são limitados, finitos, com linhas de chegada. E não importa o que você faça, ele sempre acaba


Aluno6: não tem nada mesmo que agente poca fazer?


Gigante: até tem, mas estamos nos precipitando, como eu ia dizendo, é por isso que você nunca deve usar um sentimento puro em sua relação, por que quando ele acabar, o pilar de seu relacionamento desabara, e nas tentativas de reconstruir esse pilar, você vai destruir seu amante e a si mesmo.


Hum Hum, isso tudo foi algo que eu já pensei quando eu senti todos aqueles sentimentos intensos pela Dandara, não com aquelas palavras, é claro, mas ainda eram bem intensos de seu próprio jeito. A forma como meu amor iria acabar, e como eu iria machucar ela por isso, então eu sempre tentei usar a lógica, sempre tentei a enxergar como alguém, sempre tentei deixar tudo ser o pilar do meu relacionamento com ela, tudo menos o amor, por que o amor era a coisa mais imprevisível de um relacionamento, só amor não bastava, nunca bastava, tinha órfãos, divorciados, patricidas, infanticidas e muitos outros que podiam comprovar ainda mais minha tese.


Enquanto para muitos alunos ali, aquilo era algo tão absurdo que eles estavam sentindo pela primeira vez o que era amor de verdade, e não era a versão romantizada, clichê e totalmente irreal que foi contada pra eles por tanto tempo, ou que eles entenderam errado as mensagens que eles ouviram até aquele momento de todo o tipo de mídia e pessoas que eles já conheceram, mas eu e a Dandara estávamos apenas olhando pro a gigante, sabendo bem que aquilo não acabou.


Gigante: mas apesar de tudo, o amor acabar não significa que você deve desistir de seu relacionamento, por que isso só significa que o amor que vocês já tinham acabou, e agora vocês devem criar um amor novo, ou reinventar o amor antigo, pra ele nunca acabar de forma crítica. Muitos casais fazem coisas novas, ou tentam se reconectar com novas atividades, coisas para renovar seu amor, coisas para eles se lembrarem do por que ficaram juntos por tanto tempo, ou coisas que os fazem entender por que eles continuavam juntos mesmo passando por tantos problemas.


Interessante, muito interessante, eu já tinha pensado bastante sobre isso, mas não de forma tão profunda como aquilo.


Aluno3: mas e se o amor não reacender?


Gigante: então vocês tentam mais


Aluno3: apenas isso?


Gigante: não, vocês também precisam entender quando parar, quando continuar junto só está machucando você e sua parceira, e se separarem…mas não traindo, como muitos tipos fazem, por que trair é uma covardia, uma covardia por não conseguir admitir seus sentimentos e preferir ferir uma pessoa do que admitir que não a ama mais…você precisa se separar antes de começar de novo com outra pessoa.


Os alunos estavam boquiabertos, muitos tinham a ideia moral boa de que “trair é errado” mas pra muitos ali, o que eles sabiam era apenas um senso comum “ah, é claro que trair é errado” mas o que o Gigante, um sábio pra eles, falou, abriu das cabeças, “trair não era apenas errado, era covarde também” e aquele simples título a mais da traição, iria acompanhar aqueles alunos, e talvez até a mim mesmo por um grande tempo, um grande tempo mesmo, e no fim, o Gigante terminou.


Gigante: terminar um relacionamento, é o maior tipo de coragem que uma pessoa pode ter, pois admitir a uma pessoa que no pior dos casos, você não possui mais nenhum amor por ela, é um ataque, um ataque que causa uma ferida profunda em quem ainda ama ou ainda acredita no relacionamento, mas eu garanto a todos vocês meus caros ouvintes, é melhor ter um relacionamento terminado 1000 vezes cara a cara do que ser traído uma única vez. Por que as feridas do término, por mais que doam, elas serão feridas de frente, e poderão ser tratadas sem problemas, mas as traições, elas criam uma ferida nas costas, e todos os guerreiros aqui presentes devem saber o quão difícil é cuidar de uma ferida nas costas sozinho.


Naquele ponto eu não sabia se ele estava sendo figurativo ou literal, mas não importava, porque eu apenas fechei os olhos, e absorvi com cuidado o que ele falou, respirei fundo, e todos à minha volta estavam em silêncio, absorvendo aquela informação de seu próprio jeito. 


Eu fiquei daquela forma, até eu sentir a mão de Dandara segurando a minha, mas ela não me pediu pra ir embora, ela apenas me segurou pra ter certeza que eu ainda estava lá, e considerando o lugar em que estávamos, era totalmente entendível ela estar assim.


Quando entendemos tintim por tintim o que o Gigante disse, nós nos levantamos com o olhar tão contemplativos que decidimos apenas andar pelo território, até encontrarmos um banquinho de pedra, e apenas observar o lugar enquanto tudo parecia acontecer na nossa frente pessoas andando sem fazer som nas peras, palestrantes falando por todo o lado, e monges mais antigos fazendo “testes intensos” em outro canto, enquanto não conseguimos entender nada, pelo quão doida a nossa cabeça estava.


Dandara: Antônio, me fala a verdade…o seu respeito sempre ganhou do seu amor, né?


Antônio: com toda certeza


Dandara: hehe eu levei um tempo, mas depois do que eu ouvi o Gigante falar, acho que eu aprendi a te respeitar antes de te amar


Antônio: por que diz isso?


Dandara: porque antes, eu te via como meu salvador, um anjo na terra, uma pessoa intocável, um herói invencível…hehe mas você fez questão de desfazer as mentiras…hahahaha…desde aquela época, eu achava você bem engraçado, eu tenho certeza que se qualquer príncipe fosse chamado de anjo, ele aceitaria esse elogio sem pensar duas vezes


Antônio: eu rejeitei esse título por que eu sabia as consequências de ter ele, se eu realmente deixasse você pensar e se apaixonar por mim por esse pensamento, eu nunca poderia relaxar perto de você, eu apenas estaria tentando parecer maneiro é legal pra você, um herói perfeito, um Deus, e eu não queria ter essa relação, não com você, então eu fiz o possível pra você não me ver daquela forma


Dandara: eu não sei como, mas por você se rebaixar tanto sempre que eu te exaltava me fez entender que você era uma pessoa, igual a mim, só que com mais sorte, óbvio


Antônio: hehe eu fiquei com medo de eu me rebaixar tanto que você não ia me levar a sério


Dandara: ah, você não se rebaixou tanto assim…mas até que foi bom você não ter deixado eu ter feito aquilo com você…


Antônio: e por que?


Dandara: porque de pouco em pouco, eu comecei a ver você como uma pessoa, ver você não como alguém superior a mim como eu fazia com meus pais, comecei a te ver como um cara que eu podia rir, chorar, gritar e falar minhas maiores inseguranças e você conseguiria me entender…e você poderia fazer isso comigo


Antônio: lembra daquela vez em que eu desabei em lágrimas em cima de você?


Dandara: ah é…aquele foi um dia beeeeeem divisor de água pra mim


Antônio: por que?


Dandara: porque foi naquele momento que eu tinha que decidir, se você era um Deus e ficava muito decepcionada por você ter me mostrado essa fraqueza sua, ou se eu entendia que você era uma pessoa, e te confortava por você ter feito o mesmo por mim.


Eu sorri tranquilo enquanto relaxava no banco e ficava um pouco mais despreocupado


Antônio: e nos dois sabemos o que você escolheu naquele dia, né?


Dandara: é, acho que foi ali que meu respeito por você se tornou o mais sólido possível…mas e você? Você lembra de algum ponto onde o seu respeito por mim se formou por completo


Antônio: bom, não, eu sempre tive um pouco de respeito por você Dandara, por que desde que eu te vi pela primeira vez, eu sentia que nós éramos iguais, que você passava por coisas como eu


Dandara: mesmo tendo um pai bem mais calmo e tranquilo que o meu


Antônio: é…mas isso não desfaz meu argumento…quando eu te vi pela primeira vez, eu senti uma ligação, como se você fosse igual a mim, e no fim, acho que foi aí que minha curiosidade por você apareceu


Dandara: bom, o fato que você fez o possível e o impossível pra ter certeza de que eu tava confortável quando agente começou a namorar mostra que você sempre me respeitou bem mais do que me amou…


Então a Dandara parou de falar, e começou olhar pro “nada” como se tivesse percebido algo muuuuuuuito revelador, até que começou a rir de forma bem espalhafatosa.


Dandara: nunca pensei que iria ficar feliz sabendo que alguém me respeita mais do que me ama…isso me faz pensar, o que mais vai mudar em mim se eu continuar tão perto de você?


Antônio: isso eu não tenho a resposta


Dandara: sei que é meio do nada, mas me responde então, o que seria liberdade pra você?


Existiam muito, quase incontáveis tipos de liberdade, mas pelo olhar da Dandara, eu entendia de que “liberdade” ela estava falando.


Antônio: o poder de olhar as pessoas que guardam e protegem você, e não sentir a necessidade de esconder nada. O poder de falar a coisa mais astuta do mundo que você já fez, e ainda receber o benefício da dúvida de “você deve ter tido um motivo”...e principalmente, estar em um lugar que te deixe feliz…pra mim, isso significa liberdade.


A Dandara me olhou com um sorriso apaixonado e demorado, ela se aconchegou no meu ombro, e eu me inclinei pra ficar aconchegado nela também.


Dandara: então eu já sou livre, e você?


Antônio: pra essa liberdade sim, mas eu ainda estou buscando as outras


Dandara: quais?


Antônio: liberdade financeira, liberdade emocional e liberdade de expressão. Esses são os principais que eu consigo pensar agora


Dandara: esses são bons.


Eu não sabia quanto tempo agente só ficou ali, sentado, agente talvez até tenha cochilado, só sei que quando acordamos, já estava de noite.


Antônio: nossa, oi, a madame quer que eu a leve pra casa?


Mas a Dandara não respondeu, ela provavelmente estava em um sonho muito bom, não tentei a acordar, apenas a peguei no colo e a levei pra casa. Eu fui parado por alguns guardas no meio do caminho, porque por mais romântico que isso parecesse, um homem adulto carregando uma mulher dormindo pela cidade era algo bem suspeito, mas com uma simples conversa, eu fui liberado e até consegui uma carona dos guardas pra casa dela, eu bati na porta 3 vezes, e o pai dela atendeu. Ele só me deu um sorriso tranquilo e falou.


Pai: quer ajuda ?


Antônio: não, não precisa.


Eu entrei sem problemas na casa, a mãe e o irmão dela estavam tranquilos, mesmo que tivessem me seguido até o quarto. Mas eu só coloquei ela na cama com muito cuidado, e tentei dar um beijo na bochecha, mas ela me segurou pela nuca e me deu um beijo na boca. Normalmente eu teria gostado daquilo, mas foi tão do nada, mas tão do nada que eu dei um salto pra trás, como se eu tivesse levado um choque.


Ela tava rindo, mas tava pronta pra pedir desculpas se tivesse passado do limite, e apesar de eu estar bem irritado, não tava a ponto de brigar com ela.


Dandara: hihihi, eu fiz você pular


Antônio: há quanto tempo você tá acordada?


Dandara: desde que você entrou em casa, o passeio foi tão bom, podemos fazer isso de novo?


Antônio: é claro, apenas relaxa agora, tá bom.


E me despedindo da Dandara, pensava como eu ia me encontrar com outra pessoa que eu negligenciei bastante amanhã.


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