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Curioso Felino 2🌻
🌲Veja apenas a arvore🌲
1809 palavras • 10279 caracteres • ⏱ 7 min 14 s

🌲Veja apenas a arvore🌲

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E mais uma vez, eu estava cavalgando com o Zorro numa floresta, mas não a floresta das fadas, mas sim uma das vastas florestas de “reserva natural” que tinha dentro do Reino Sapien, e eu estava passeando com o Davi, ênfase no “passeando”, por que eu estava testando algo que, pra muitos parecia bem simples, mas pra mim, era um divisor de águas. 


Eu estava cavalgando de forma bem tranquila e lenta, não apressando o passo do Zorro, ou “andar rapidinho” como pessoas gostavam de falar, e até agora, ficava impressionado como isso parecia acalmar tanto a agitação no meu coração, eu não falei isso pra ninguém ainda, era algo que eu queria aproveitar mais tempo antes de contar a alguém.


O Davi estava me acompanhando na floresta, e como ele havia falado, ele não era mais uma máscara, mas era claro que ele não era uma cópia do Brutus, eu via uma elegância estranha no Davi, agora ele deixou o cabelo crescer, e penteou ele até deixar ele lambido, além de que ele estava com um ar nobre que eu normalmente odiaria em alguém, mas sendo o Davi, eu deixava passar.


Ele não se importou de nós estarmos cavalgando por aí ao invés de estarmos lutando, como nos velhos tempos, mas ele parecia até gostar daquilo do que lutar.


Davi: eu gosto desse seu lado mais pacífico


Antônio: eu também, mas vou admitir, eu sinto muita falta dos duelos doidos que agente tinha


Davi: agente pode ter um duelo como aqueles agora


Antônio: ah não, eu tô guardando pra um evento muito especial no Reino das fadas, eu quero estar na minha melhor forma pra espancar todo mundo que eu ver


Davi: uuuuuh, agora eu fiquei curioso, aonde você vai?


Antônio: no território do clã dos Hipteras


Davi: eeeeee


Antonio: são as fadas venenosas. Eles vão ter um grande festival chamado “carnaval envenenado” que é quando os 100 maiores guerreiros do clã, sem contar os líderes, são colocados numa arena, junto de 100 convidados sortudos, e eles se degladeiam e canibalizam até que apenas um sobre de pé.


O Davi, que estava com um rosto tranquilo a alguns minutos atrás, começou a usar frio e fazer um rosto de medo.


Davi: eu realmente não consigo te entender às vezes mano


Antônio: relaxa mano, tem momentos que nem eu mesmo me entendo


Davi: mas me fala, o que estamos fazendo aqui?


Antônio: acredita que eu não sei? Eu queria passar um tempinho com você, no lugar do Brutus


Davi: você? Quer passar um tempo comigo? Quem te subornou?


Antônio: ninguém, só pensei que tava dando muita atenção ao Brutus e nada pra você, você também é o meu amigo


Davi: é, mas tá na cara que o Brutus é o seu melhor amigo


Antônio: você só tá reclamando ou quer chegar a algum lugar?


Davi: só reclamando…e tentando puxar papo…e também pensando se agente devia fazer alguma atividade dentro do parque.


E quando o Davi falou isso, parei de prestar atenção momentaneamente nele pra prestar atenção numa árvore, o Davi notou e me chamou, mas não respondi ele, então ele começou a ver a árvore comigo também, ele não sabia o que eu tava fazendo, mas ainda tentou me entender, nós dois começamos a olhar a árvore por um bom tempo, até que o Davi finalmente perguntou.


Davi: o que agente tá vendo exatamente?


Antônio: uma árvore, e apenas uma árvore, e não uma floresta


Davi: como é?


Antônio: eu ouvi um provérbio interessante recentemente, “se você enxerga apenas a folha, não consegue ver a árvore, e se você só consegue ver a árvore, não vai ver a floresta inteira”


Davi: oh


Antônio: mas eu tô pensando como esse provérbio está errado, fazendo parecer que ter uma visão limitada é ruim em todos os sentidos, sendo que tem momentos em que ver a floresta inteira é ruim, e às vezes a situação se resolve melhor quando você se concentra apenas numa única folhinha numa árvore em específico


Davi: concordo, e eu ainda colocaria algo além, em uma única árvore, existem muitas folhas diferentes, e…se nós observarmos uma folha de cada vez, nós poderíamos até diser que ver muitas folhas ao mesmo tempo é como criar um quebra cabeça, milhares de quebra cabeças diferentes, usando a mesma árvore e as mesmas folhas, e isso é apenas uma das possibilidades


Antônio: isso só pensando em uma única árvore, e eles pensam como “ver a floresta inteira” é algo bem incrível, mas eu sou um cara teimoso, eu gosto de observar com detalhes uma ou duas árvores, testando cada uma das “combinações” de folhas que existem, e depois disso tudo, eu junto as árvores de pouco em pouco, até criar minha própria floresta, ao invés de apenas gostar da floresta dos outros.


Eu falei aquilo esperando uma resposta do Davi, mas o sapien estava pensando bastante em silêncio, até parecer encontrar um resultado não muito bom com o que ele já tava pensando.


Davi: mas essas combinações podem ser ruins, afinal, os racistas, os machistas, os loucos, os narcisistas, cada um deles passou por esse processo e encontraram uma combinação que criou as árvores e as florestas deles…e não dá apenas para dizer “a árvore dele tá errada” por que quem pode dizer que a combinação de folhas de uma árvore está errada? Que critérios podem ser ditos para mostrar que “essa combinação está errada”?


Antônio: acho que tudo se deve ao fato de perspectiva


Davi: perspectiva?


Antônio: se pensarmos em questão de certo e errado em geral, nós podemos realmente pensar, dizer e raciocinar que é impossível considerar qual árvore tem combinações erradas e quais não são…maaaaaaaaas, se diminuirmos a perspectiva, diminuirmos ainda mais a “floresta” e voltarmos apenas para a árvore, nós podemos considerar apenas 3 elementos, (levanta dedo) a nossa opinião pessoal, (levanta outro dedo) a opinião das pessoas que nos importamos, (levanta mais um dedo) e o quanto aquela combinação de folhas é contra o que acreditamos. Essas 3 coisas podem dizer pra nós se a combinação de folhas e até de árvores de uma pessoa é ruim, mas apenas pra nós


Davi: mas pensar apenas no que nós achamos certo não é ser meio egoísta?


Antônio: ah Davi, andar tanto tempo no reino dos Gigantes não te ensinou nada? “Humanos são egoístas” e além de tudo, não é apenas uma luta de árvores, é simples dizer que, aquele com o tronco mais podre vai cair primeiro, se encontrarmos alguém que tem uma árvore com folhas que não gostamos nós apenas esperamos, não nos envolvendo nem um pouco com aquela pessoa, pensando apenas em fortalecer nossas próprias árvores, por que afinal, se a nossa árvore precisa estar firme e forte, antes de nós pensarmos em comparar elas com a árvore de outras pessoas, principalmente com as árvores que não estão sozinhas, e que se apoiam em árvores antigas, árvores que, apesar de terem coisas que nós não gostamos, são tão antigas, velhas, e fincadas no solo que não dá pra vencê-las sozinho, não ainda.


O Davi não falou nada, era claro que ele tava pensando bastante no que eu acabei de falar, até que ele falou de novo também.


Davi: nesse caso, um outro jeito de entender a “floresta” seria ter a nossa própria árvore coberta por árvores de muitas pessoas, tanto antigas quanto novas, enquanto a nossa árvore protege e é protegida pelas árvores em volta


Antônio: interessante, acha que isso que o cara que criou essa frase quis dizer?


Davi: tenho certeza que ele quis dizer que “se você só focar nas coisas pequenas, não vai conseguir focar nas coisas grandes”


Antônio: bom, então aqui a minha reflexão reversa, se eu não olhar a folha, como eu poderei achar os vermes a destruindo?


Eu nem pensei muito quando falei aquilo, foi algo tirado na ora mesmo, mas quando eu comecei, eu não parei.


Antonio: como eu poderia entender que uma floresta inteira está tomada por pragas se eu olhar elas de tão longe, e como eu conseguiria saber se uma árvore está morta, ou infestada de parasitas se ver elas de tão longe? Não, para você analisar, crescer, e cuidar de suas dores, você não pode olhar uma floresta inteira, você tem que olhar de perto, analisar as folhas, e mexer com cuidado nos galhos, porque apenas árvores saudáveis conseguem realmente fazer parte da floresta.


Falei aquilo enquanto fazia carinho na árvore.


Davi: acha que dá pra fazer uma metáfora com uma árvore cortada?


Antônio: cortada não, mas derrubada sim, acho que uma árvore derrubada deve significar que aquele que escolheu aquela árvore não aguentou o peso da própria ideologia e a própria árvore cedeu e foi destruída pelo peso das próprias crenças…


Eu fiquei triste quando falei aquilo, enquanto ainda fazia carinho na árvore.


Antônio: é sempre uma tristeza quando uma árvore cai, seja eu concordando com ela ou não…mais alguma ideia?


Mas então, o Davi parou de falar e começou a me olhar de forma estranha.


Davi: olha cachinhos, você liga se agente falar sobre outra coisa?


Antônio: como assim?


Davi: ah, é que desde que agente se reencontrou agente só falou de filosofia, e por mais que eu ame muito isso, agente poderia falar de outra coisa, algo diferente?


Antônio: eu não ligo, quer falar sobre o que?


Davi: sei lá, qualquer coisa


Antônio: eu te dou o controle pra decidir, na fala, o que você quer conversar?


Eu não fiz aquilo pra zoar ele, eu realmente tava interessado em saber que tipo de coisa o grande Sapien iria me falar, mas vi que ele estava com vergonha demais pra falar, como se qualquer conversa que ele pensasse fosse boba demais pra ele.


Antônio: não precisa se segurar, sabe que pode me contar qualquer coisa, não é?


Se ele não sabia, agora ele sabia, ele me olhou, com o rosto já vermelho, e falou.


Davi: você quer observar pássaros comigo?


Antônio: agora?


Davi: sim agora.


Eu estava esperando muitas coisas, mas com certeza não era aquilo. Não liguei de ir com ele para observar pássaros, e eu pensei já que eu ia me divertir muito com aquilo, hini.


O passeio foi legal, e apesar de eu não entender por completo o passatempo, era bem legal que observar pássaros tinha duas coisas que eu gostava muito em pescar, ficar num lugar silencioso, não fazer muito barulho e animais fofinhos. Claro que agente não comia os pássaros, mas observá-los era muito legal também, e sorrindo, fiquei feliz com o que eu vi naquele dia.


Antônio: eu não sabia que você tinha esse lado Davi


Davi: bom, eu não tive muitas chances de mostrá-lo


Antônio: touché.


E pro resto do dia, eu fiquei ali, conversando com o Davi, gostando desse novo lado dele, enquanto pensava se tinha mais alguém que eu fiquei sem falar muito tempo.


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