Não sabia que iria me divertir tanto depois de ficar praticamente preso no meu reino por um mês, já que agora, eu tinha que fazer cada atendimento de forma presencial, e mesmo assim, consegui me divertir bastante, visitando muitas pessoas, e lendo muitos livros, alguns livros em específicos eram alguns que eu queria muito ler.
O primeiro que eu li era uma história muito interessante, que era sobre um grande monstro semi-desenvolvido, um monstro criado pelos próprios humanos, pela sua negligência, guerras, fomes, a ponto de uma criatura absurdamente assustadora começar a aparecer.
Algo interessante na história era que as 3 primeiras páginas se focaram muito mais e desenvolver o monstro do que outra coisa, desenvolver como ele era bem mais um animal irracional, apenas tentando sobreviver a todo o custo, a ponto de se alimentar de todo o mal e destruição que os humanos causaram, e como essa tentativa desesperada de sobreviver acabou saindo totalmente diferente do que ele esperava, pois chegou um momento em que o monstro não precisava mais comer, e se tornou tão forte que ele não podia ser morto nem por si mesmo.
Era assustador como a historia descrevia as tentativas do monstro de se matar, ele se atirou de mais de 100 metros de altura, nadou em um vulcão cheio de lava fervente e ate tentou se destruir com seu prorio poder, mas nada adiantou. E por que o monstro estava tentando tanto se matar? Porque o corpo dele teve que se adaptar tanto ao mal dos humanos, que agora ele se vivia em constante dor, ele estava com tanta dor que a pouca racionalidade do monstro se perdeu a ponto dele finalmente pensar em abandonar a própria casa.
Mas antes dele conseguir sair, ou melhor, antes dele se tornar forte o bastante pra sair, ele foi encontrado por um grupo de humanos, era interessante como o livro colocou gigantes, fadas, Sapiens e vampiros como humanos, enquanto eles se aproximavam cada vez mais do monstro, eu fiquei fascinado com as falas ditas quando o monstro viu aqueles humanos pela primeira vez.
Antonio: "eu estava acostumado a lutar com tudo e todos, era normal aqui, ser atacado, atacar de volta, vencer e comer. Mas aqueles estranhos animais não me atacaram, eles pareciam falar comigo, mas eu não os entendia".
E depois, o livro passou um bom tempo apenas falando como aqueles humanos cuidaram do monstro, destacando também o quanto o monstro tentou atacá-los várias vezes, e falhando. O livro destacou como foi um processo lento e doloroso para o monstro voltar a ser o que era, por que para tirar todo o mal que o monstro tinha se alimentado, foi necessária varios dias e várias dores que eram maiores do que o que o próprio monstro já estava acostumado, mas fiquei muito feliz vendo como o monstro, apesar de tudo, entendeu o que estava acontecendo.
Antonio: "eu pensei que eles estavam me torturando, cheguei a pensar os gritos de socorro que dei quando estava sozinho e tentando acabar com meu sofrimento foram escutados por demonios, mas não, aqueles animais seram anjos, por que depois de varias seções de tortura, a dor começou a diminuir, o que me deixou bem anciozo para os proximos dias de tortura, se isso significasse perder ainda mais dor."
E depois de muitos processos exaustivos onde o monstro começou a sentir cada vez menos dor, chegou a um ponto onde ele não sentiu mais dor nenhuma e decidiu dormir, então, o ponto de virada do livro começou, enquanto o monstro ainda dormia, ele foi sedado, amordaçado e levado por uma poderosa magia para um lugar bem distante da casa dele. Já pensei o pior, principalmente por que, segundo aquele livro, era melhor não confiar em nenhum humano.
Mas eu quebrei a cara quando vi que eles levaram o monstro para uma espécie de santuário de monstros, foi muito, mas muito fofinho quando eu vi o monstro acordando, desamarrado, vendo a porta aberta, e correndo para a liberdade, vendo como, aquele lugar era bem diferente de tudo o que o monstrinho já viu, era um lugar limpo, lindo, e que parecia concentrar toda a bondade, amor e caridade que os humanos poderiam presentear a alguém, e por mais que me deixasse um doce agridoce na boca como demorou para os "humanos bonzinhos" encontrarem o monstro, a ponto dele se tornar quase um desastre ambiental ambulante, as últimas palavras do capítulo 40 me deixaram intrigado.
figurante1: tadinho do monstrinho
Protagonista: não se preocupe, se tudo der certo, ele será o último.
Então, pelos próximos 20 capítulos, eu fui apresentado ao protagonista humano, e pelo jeito, todas as guerras que o monstro se alimentou foram causadas por doidos incompetentes que ele odiava, e o protagonista construiu uma fundação, criou grandes planos e construiu grandes armadilhas pra pegar um por um daqueles monstros verdadeiros.
Os últimos 5 capítulos fizeram questão de listar todos os nomes dos responsáveis e de todo o plano que o protagonista bolou apenas para terminar um capítulo falando com um parceiro dele.
Parceiro1: e aí, o que iremos fazer?
Protagonista: vamos fazer uma caça aos monstros.
E dessa forma, o primeiro livro terminou, mas eu não estava bem longe de estar satisfeito, então eu abri o segundo livro da duologia que eu comprei, e eu fiquei impressionado com o que li, eu vi traições logo no início, com o parceiro mais próximo do protagonista o traindo e muito do plano do protagonista foi destruído logo no início, ao mesmo tempo que ele conseguiu salvar o suficiente do próprio plano para não perder a moral, que coisa.
Apesar de todos agora saberem de seus planos, o Protagonista não desistiu, na verdade, isso só deixou ele ainda mais motivado, e depois de ter seus planos destruídos, o protagonista fez coisas muito absurdas, como beber veneno para conseguir enganar um poderoso, dar seu braço em um plano suicida pra matar mais um deles, e o ápice da loucura foi quando ele mandou um feitiço equivalente a um meteoro dentro de uma casa onde todos os grandes líderes inimigos, com ele incluso, estavam dentro.
Era interessantíssimo como, a cada morte, o Protagonista estava parecendo ficar cada vez menos humano e como ele não estava ligando nem um pouco para aquilo.
E o maior momento de virada foi quando cada um dos responsáveis foi morto, o que restou foi apenas disciplina, quando os próximos líderes chegaram e começaram a fazer besteiras tambem, o Protagonista tentou avisá-los, negociar com eles, mas obviamente não deu certo, porque eles tinham a mesma arrogância e ganância de seus antecedentes, então ele fez uma nova estratégia, que era não matar os líderes, mas sim colocar eles em uma execução pública, e torturar eles enquanto dizia detalhe por detalhe o que eles fizeram de errado e por que eles estavam sendo executados de forma tão cruel que os próprios seguidores do Protagonista começaram a ter medo e abandoná-lo.
Aquela altura, o livro deu ênfase trás de ênfase em mostrar como o protagonista não era mais humano, mas novamente, o Protagonista parecia não ligar pra isso, além de sua voz mudando, seus próprios pensamentos pareciam mostrar o quão sinistro ele estava
Antonio: "em algum momento, a dor de meus ferimentos parou de me incomodar, mas não era apenas isso, antes, eu precisava da ajuda das pessoas, e de influência de milhares de pessoas apenas para ficar na frente desses que se denominavam "humanos", enquanto pessoas que não tinham nada a ver com a história deles eram massacradas por motivo nenhum, então, se isso que significa ser humano, eu renego a humanidade, eu quero ser aquele que guiará os humanos ao caminho certo, e pelo jeito, eu não poderei fazer isso de formas normais".
Ele parou de pedir ajuda aos amigos, e começou a ficar mais sensível a luz do sol, se parecendo cada vez mais como um bicho papão para os gananciosos, a ponto de que eles começaram a se esconder, mas não serviu de nada, porque ate no canto mais longinquo do mundo, o Protagonista já estava os esperando lá.
Os amigos começaram a cuidar mais dos monstros, vendo como seu amigo estava se perdendo, muitos tentaram o ajudar, mas ele não queria ajuda, ele não queria mais voltar ao normal, ele sentia não ter mais esse direito.
E quando eu vi os capítulos finais, eu fiquei impressionado, porque tudo acabou bem, os monstros transformados pela guerra foram salvos, toda a fome e a guerra pelos poderosos, parou sobre profunda pressão, e os últimos capítulos, foram algo interessante que eram capítulos falando sobre a "metamorfose" do Protagonista, que depois de ficar tanto tempo nas sombras, acabou se tornando um com elas, sua carcaça de humano caiu no chão, e de dentro dela, saiu uma grande concentração de fumaça com olhos, e enquanto ele se fundia, se misturava, e se tornava um com a escuridão, a ponto de agora nenhuma maldade era aceita em qualquer lugar da terra, as últimas partes do livro era ditas pelo protagonistas.
Antonio: "eu não queria isso, mas se esse é o único caminho pela paz, eu estou disposto a ser o maior pesadelo que existiu, por que pra muitas pessoas, ser recompensado por fazer algo bom basta, mas como muitas pessoas apenas entendem quando são punidas por fazer algo ruim, eu me condenarei a ser a punição encarnada".
Nossa, esse ai era dos bons, não sabia dizer se esse ai era clichê, eu olhei na capa, pra ver se eu conseguia encontrar, eeeeeeee, a há, aqui está "baseado numa história real", cara, o mundo que eu vivia era um lugar muito sinistro, por que, se existia mesmo uma mísera possibilidade que essa história existisse, seja ela exagerada demais, ou suavizada demais, me deixava com medo, porque eu nunca, jamais queria me encontrar com esse Protagonista, mas levando em consideração o número de livros que eu já li que tinha o emblema "baseado em uma história real" que e eu nunca encontrei os protagonistas em nenhum lugar, pensei estar seguro, por enquanto, pelo menos, é claro, até não estar mais, mas isso e podia pensar depois.
Antonio: (respira fundo e solta) nunca vou me cansar disso, apesar de eu ter viajado pra muitos lugares incríveis, comido um monte de comidas estranhas, e encontrado lugares que vão ficar em minha memória para sempre, nunca irei me esquecer dessa sensação, de que é possível sim mergulhar em uma aventura sentado na sua cama, sem sair do quarto.
Falei isso com as luzes recém apagadas, bem mais pra mim mesmo, enquanto eu acariciava devagar os dois livros e depois colocava eles em um cantinho.
Antonio: obrigado por conterem meu espírito aventureiro por tanto tempo, e obrigado mais ainda por me acalmarem mesmo em meses presos em casa como esses, haha.
E depois de falar isso, me deitei na cama, prontinho pra dormir, porque olhando as janelas, eu vi que já tava de noite lá fora, e depois de tudo que eu já li, eu não tava com vontade de levantar, nem mesmo pra jantar.

