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Curioso Felino 2🌻
🏇Irmãos de galope🏇
2686 palavras • 15234 caracteres • ⏱ 10 min 45 s

🏇Irmãos de galope🏇

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De certa forma, achava minha situação bem engraçada, por que mesmo depois de todo aquele papo super profundo e sério com a minha mãe, eu estava em outro canto do território Sapien, mais especificamente, eu estava em uma rua bem deserta, mas deserta de propósito, por que quando eu comecei a cavalgar pelos céus, de novo, eu vi como a minha competidora estava logo atrás de mim.


Noooooossa, eu mal conseguia reconhecer a garota, eu sabia que fadas podiam tocar de pele e ficar absurdamente diferentes, mas ela estava parecendo mais um monstro absurdamente inteligente do que um humano propriamente dito, e ela estava querendo sangue, e ao mesmo tempo, ela tinha a paciência de um predador, não revelando sua intenção assassina, e apenas analisando sua presa até o limite, e essa presa, sou eu.


E quando chegamos no ponto certo, fiquei feliz de, apesar da grande doideira que eu iria fazer, eu estava em mais um lugar que eu achava maneiro demais, e que depois das minhas aventuras para aprender a surfar, eu sentia que aquilo iria ser moleza.


Eu olhava na minha frente uma grande quantidade de ruas brancas, correntes de ar tão condensadas que até cavalos não muito experientes conseguiam andar ali, então pra alguém com um nível de controle como o meu e a Saytus, aquela estrada em meio ao céu era tão resistente quando uma de rocha sólida.


Quando chegamos no início da corrente, vimos o lugar a nossa frente, tinham meteoros caindo no meio daquela estrada, (meteoros tão frágeis que a atmosfera os destruiu antes de acertar o chão), existiam armadilhas de raios no meio de várias nuvens, tinha pontos de luz concentrada tão forte que facilmente se podia ficar sego com aquilo, e pra completar, existiam muitos peixes espadas bolhudos, que eram do mar branco. E diferente de todo o resto, os peixes espadas eram grandes caçadores, e eles não iam descansar até acabarem com todos nós.


Depois de observar aquilo, olhei a Saytus de novo, vendo como ela tava toda tranquila, como se aquilo não fosse nada, comparado a tudo que ela passou.


Antonio: ta pronta?


Saytus: to, quer fazer uma aposta?


Antônio: não, não sou bom com apostas


Saytus: relaxa cara, é uma aposta simples, o vencedor terá que comprar um bolo que o vencedor escolher 


Antonio: põe um limite de 30 pratas no pedido e negócio fechado.


A Saytus fez um rosto que dizia “droga, ele me pegou”, mas apertou minha mão mesmo assim, então, nós dois nos preparamos, fiz o Zorro raspar o chão de nuvens, olhar bem para aquela grande estrada gigantesca, e criei uma linha imaginária do melhor lugar pra passar, então, eu disparei junto dela.


E no primeiro disparo, ela tentou colidir comigo, ah, que ingênua, eu colidi junto com ela, e o impacto que eu causei nela foi tanto que ela por pouco não caiu pra fora das nuvens.


Antonio: achou mesmo que já estava no meu nível? Você precisa se esforçar mais pra me pegar.


E eu continuei correndo, a fada não tentou colidir comigo de novo, mas agente tinha problemas o suficiente apenas com os obstáculos, além dos grandes meteoros, que era preciso desviar em zigue-zague em curvas muito grandes, porque apesar de serem bem frágeis, eles eram quentes, quentes a ponto de eu sofrer queimaduras de primeiro grau apenas ficando perto deles, me forçando a quase deitar no chão de forma lateral com o Zorro de tanto que eu estava desviando. Ja a Saytus estava literalmente arrastando sua carapaça no chão para manter o senhor purpurina seguro, uuuuuuh, boa.


Apesar dos raios serem irritantes, eles eram os mais fáceis de evitar, era apenas criar uma barra de metal de prata, joga-lá em baixo do abismo longe dos grandes céus e deixar os raios segui-lo, fácil fácil. Enquanto a Saytus usou um de seus braços como um pára-raios, e o que me impressionou de verdade foi que o baço dela não foi destruído com todos os golpes, ele sequer parecia machucado na verdade, e como sempre, meu mestre criou mais um monstro.


Os peixes espadas foi quase como jogar basquete, por que nesse ponto era onde eu precisei confiar na força das minhas pernas e o equilíbrio que minha cintura podia ter e eu me equilibrei no Zorro sem os braços, e usei o meu cajado como um porrete pra bater nos peixes espada um, por, um, e depois de verem que eu não era um alvo fácil, eles desistiram. Enquanto a Saytus fez questão de agarrar cada peixe espada com seus 2 braços livres, e comê-los em menos de 5 segundos, pra conseguir agarrar e comer o próximo.


Antonio: AI, DEIXA UM POUCO PROS PREDADORES


Saytus: TA BOM.


Então chegamos nas luzes, algo que pegou nos dois desprevenidos, por que ela não era uma luz que concentrava um poder em um único ponto, mas sim uma luz que explodia num grande clarão sempre que alguém ficava perto, e nem eu e nem a Saytus percebemos a tempo.


 Eu fui pelo pelo clarão, e fiquei completamente cego, mas pelo menos meus ouvidos estavam funcionando, por que eu consegui ouvir a Saytus reclamando, gritando e até xingando, mas depois os gritos pararam, porque ela provavelmente tinha regenerado os olhos, mas eu não desisti, eu apenas me concentrei um pouco mais e me agarrei com força nas rédeas do Zorro.


O meu nobre corcel entendeu o que eu queria, e com muita concentração, eu comecei a sentir tudo através dos cascos dele, eu fui atingido por muitos meteoros, e por vários peixes espadas. E apesar do meu manto de mago me proteger, ainda doía, era como levar um soco bem dado do Davi ou do Brutus, mas naquela altura, aquele tipo de dano não era nada pra mim.


Eu levei muito tempo pra voltar a enxergar, e a Saytus chegou até a colidir comigo e quase me derrubar, mas eu me concentrei e voltei a me equilibrar, na segunda colizao ela tentou me empurrar pra longe da pista, mas na hora eu consegui me equilibrar de novo e com dois feitiços, eu consegui arrancar dois braços dela, e a desequilibrar também, mas eu não a empurrei pra fora, enquanto meus olhos quase voltavam, eu sentia que estava finalmente chegando onde eu queria.


Então, meus olhos voltaram ao normal, e vi que seria uma batalha apertada, ate nós dois seremos golpeados por uma tempestade de ventos esquisita, onde ventos poderosos a ponto de empurrar nossos cavalos pra trás, pra esquerda ou pra direita com uma facilidade tremenda, ficaram na nossa frente e começaram a nos pegar de todo tipo de ângulo.


Eu já sabia de cabo a rabo como me mover no meio desses ventos, não era muito diferente do que pegar uma onda do mar branco então eu mergulhei e fiquei inclinado o máximo possível e deixei o menor tipo de resistência aerodinâmica possível, conseguindo ate ficar ainda mais rápido do que antes dos ventos chegarem.


Eu olhei pra trás impressionado, vendo como a Saytus estava acompanhando e conseguindo uma boa aerodinâmica de todo o lugar, mas tinha uma clara diferença entre nós, porque enquanto eu fiquei mais rápido, ela claramente tinha diminuído de velocidade quando os ventos chegaram. 


E fiquei mais impressionado vendo como ela não se desesperou, ela manteve o ritmo, e nem olhou pra mim, é claro que ela ficou distante e terminou em um segundo lugar assim que a corrida terminou, mas algo em mim dizia que se ela tivesse perdido a calma e tentando lutar contra a corrente no nervosismo e na raiva, ela teria terminado muito mais atrás.


E quando paramos de correr, ela tava ofegante, e derrotada, ela falou.


Saytus: você realmente é o meu veterano (arfa)


Antonio: isso porque você não competiu com o Davi, sério, aquele garoto as vezes parece um centauro de tão bem que ele controla o ponei dele


Saytus: pera ai? ele tem um pônei?


Antonio: bom, é, com a altura dele, ele nao pode usar um cavalo normal


Saytus: (surpisa) que bolo você quer?


Antonio: nada demais, só o melhor bolo de chocolate que 30 reais podem pagar.


E de forma tranquila, a Saytus sorriu e com muito cuidado, nós cavalgamos até o chão de novo, e apesar de ter perdido e ter que pagar por sua aposta, a Saytus estava bem feliz.


Antonio: nunca vi alguém estar tão feliz depois de perder


Saytus: eu fiz um monte de coisas com o senhor purpurina que eu nem conseguia imaginar ser possível antes de conhecer o mestre, nos primeiros treinos, eu pensei que ele apenas estava me transformando numa pessoa absurdamente violenta…


Antonio: sei como é isso


Saytus: mas era o contrário, de certa forma, os treinos dele meio que fizeram todos os meus sentimentos reprimidos e impulsos guardados saírem para fora, impulsos esses que eu nem sabia que estavam ali, e a cada treino, eu comecei a treinar e controla cada um desses impulsos…não sei em qual extensão ainda, mas sinto que estou diferente, no bom sentido, sabe


Antônio: como não? eu senti isso na pele


Saytur: (risadinha) você definitivamente é o meu veterano


Antonio: fica tranquilo que, a partir daqui, só melhora.


Nós dois rimos, enquanto nos aproximávamos de uma das lojas de bolo e compramos uma fatia pra mim. Eu tava bem feliz com o bolo, mas então, eu olhei pra trás de Saytus, e vi que a Princesa Isabely estava atrás de nós, comendo bolo com a dama de companhia dela em uma mesa próxima, mas decidi não falar nada, hoje era o meu dia com a Saytus, e só nós dois.


Sayttus: como é que ta o bolo?


Antonio: quer um pedaço?


Saytus: não, quero ganhar o meu de forma justa, obrigada


Antonio: você que sabe.


Eu apenas aproveitei meu bolo enquanto a Saytus me olhava com um rosto de mais profundo ódio, e eu já vi esse rosto o bastante pra saber que ela provavelmente ia usar a raiva que estava sentindo agora para treinar depois, então, eu comecei a pensar no que ela falou, sobre os seus sentimentos mais antigos e mais reprimidos terem sido empurrados pra fora e depois controlados por ela, então comecei a indagar em voz alta.


Antonio: as artes marciais são uns dos pontos mais antigos da história, desde as antiguidades, as artes marciais, técnicas secretas, e pontos de meditação foram criados como forma de encontrar, isolar e controlar cada um dos instintos humanos, apesar de todas as faces possíveis nas artes marciais, a face de “controlar os próprios instintos animalescos com a lógica nos dada pelo Criador” é uma das faces mais antigas, e a segunda que mais aproxima jovens de seus ensinamentos


Saytus: a segunda?


Antonio: é, a primeira é querer ficar forte, mas se você chegou pela primeira e voce quer ficar forte, é inevitável que você acabe encontrando com a segunda, pelo menos se você quer ficar forte de verdade


Saytus: hummmm, interessante, e o que é ser forte pra você Antônio?


Antonio: apesar do quão abrangente a pergunta é, eu tenho uma boa resposta pra ela…controle, o controle pra acabar com seu oponente sem machucá-lo, o controle pra manter suas próprias emoções na linha, o controle pra não acabar em uma situação super difícil e complicada apenas por que você foi insultado por alguém, controle pra sabe quando você pode dar mais uma chance pra alguem, e quando voce devemos desistir e o controle para entender quando sua própria força não é o bastante e apenas aceitar a ajuda de alguém…pra mim, isso que significa ser forte.


A Saytus ficou algum tempo sem falar nada, analisando, absorvendo e pensando em todas as coisas que eu falei, fazendo um rosto contemplativo, e depois dando um sorriso bem tranquilinho enquanto dava uma risadinha curta.


Antonio: qual é a graça?


Saytus: (sussura) você realmente é o aluno dele


Antonio: o que?


Saytus: nada não, só tava pensando alto


Antono: ah tá, mas e você? o que é ser forte pra você?


Saytus: você promete que não vai rir?


Antonio: você riu no meu, então eu não posso prometer isso pra você


Saytus: Antonio!


Antonio: ta bom, eu prometo, vai, desembucha


Saytus: (respira fundo) então…pra mim, ser forte, é…ser gentil. Por que alguém que é fraco aqui (aponta pra própria cabeça) nunca conseguirá ser gentil com alguém, valentões são fracos também, por que apenas atacam aqueles que não conseguem se defender e normalmente vem em grupinhos. E as pessoas que traem os parceiros, não conseguindo manter um único relacionamento, manipulando, enganando e traindo pessoas, pensando que elas são incríveis e muito legais por “pegarem todas”, mas só mostra o quanto elas são fracas, por que elas sequer conseguem entregar seus corpos e seus corações para uma única pessoa. Eu poderia continuar dando exemplos pro resto do dia, mas você me entendeu. Uma pessoa com o corpo, a alma e uma mente forte, a ponto de não culpar ninguém pode ser considerada forte de verdade. Quem não é capaz de ser gentil, não pode ser forte


Antônio: interessante, e as pessoas que nunca encontraram a gentileza, e apenas copiam apenas a dor e crueldade dos pais, pois é apenas aquilo o que sabem?


Saytus: aí eles são apenas coitados, e tem desculpa, mas ter uma desculpa não é um motivo pra fazer alguma coisa, certo?


Antônio: certo


Saytus: e também, mesmo nesses lugares, existem pessoas que ainda conseguem ser gentis, mesmo não sabendo muito como ser gentil…e essas pessoas são as mais fortes que eu conheço.


Ahhhhh, é, eu não podia concordar mais, existia algo muito especial em alguém que conseguia ser gentil mesmo depois de ter sofrido de tudo, e pensando bem…


António: pessoas assim são mais raras do que diamantes, pois é preciso muita força de vontade, e muita dedicação pra não se tornar igual aos monstros que te criaram, e infelizmente, muitos não conseguem tal privilégio


Saytus: é realmente uma pena


Antônio: uma pena enorme.


Antes de continuarmos fazendo nossas coisas, eu olhei pra Saytus, muito sério.


Antônio: por que você achou que eu riria disso?


Saytus: nem todo mundo concorda com o que eu penso, alguns acham te fofinho e engraçado


Antônio: eu acho fofinho, mas não é engraçado, você tem uma forma muito gentil de ver o mundo, você deveria era se orgulhar disso.


E depois de ouvir aquilo, o rosto da Saytus ficou mais leve e tranquilo num bom sorriso então ela falou.


Saytus: haaaaa, tenho muita sorte de ter um amigo como você


Antonio: e, tem mesmo.


E enquanto riamos da minha piada ruim, continuamos comendo o bolo, eu fiz o máximo possível pra Saytus não notar que a Princesa do reino tava bem atrás de nós, eu não pensei que ela ligaria se agente notasse ela, mas eu não queria que ela começasse o próprio dia já com a cabeça ruim por causa de um fã, eu não sabia direito como a Saytus tava depois daquele treinamento intenso, então só tirei ela daí.


Saytus: os bolos desse lugar são incríveis


Antônio: vi que vocês tem algumas frutas lá no seu território que imitam o sabor e a tesoura de comidas humanas, vocês não tem frutas de bolo lá?


Saytus: ah, nós até temos mas, elas são meio sem graça, os bolos artificiais de sua raça tem mais gosto


Antônio: bom saber…agora eu tô curioso pra saber se a sua raça tem uma comida melhor que a nossa.


Sentindo-se desafiada, a Saytus deu um sorriso malandro de novo e falou pra mim


Saytus: nós temos sim, na próxima vez que você visitar o lugar eu te mostro


Antônio: que maravilha.


Eu tava todo tranquilo, todo feliz, pensando que aquela era a forma perfeita de terminar um dia perfeito. Quando cheguei em casa, meu irmão tava tranquilo depois de terminar os papéis do dia, minha mãe tava descansando e dormindo em um canto, e eu fui pro meu quarto só pra respirar um pouco sentado e então ir direto pro banho. Até que eu vi uma carta bem abaixo da minha porta, com uma imagem bem simples de entender gravada nela. DUELO.


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