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Curioso Felino 2🌻
😁O quinto lugar😁
1838 palavras • 10082 caracteres • ⏱ 7 min 21 s

😁O quinto lugar😁

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Portas se abriram, e novamente um monte de pessoas olharam pra mim, novamente eu estava na grande Árvore de Halloween, eles não olhavam pra mim, todos já me conheciam, dos funcionários até os clientes perigosos do lugar, mas a pessoa baixinha que vinha comigo já era outra história. 


O grande cavaleiro que veio comigo não sentiu medo, assim como eu, ele olhou sem medo, desafiando cada pessoa ali a encará-lo de volta, e o próprio poder dele, misturado com minha própria autoridade construída ali, fez o cavaleiro ser respeitado antes mesmo de chegar no balcão e quando chegamos lá, eu me sentei e pedi o de sempre.


Antônio: um delírio de verão por favor


Davi: e uma nevasca de cinzas pra mim.


O Barman concordou com a cabeça e se virou pra fazer as bebidas, não tinha álcool em nenhuma delas, tinham Singulares que gostavam da imprevisibilidade de misturar o álcool com as poções, mas se tem uma coisa que eu, e os rapazes (se referindo ao Davi e ao Brutus) concordamos, é que a própria Singularidade já era imprevisível o bastante pra não precisar jogar mais combustível no incêndio interno de nós dois. 


Mas nós não fomos ali pra beber, então nós bebemos tudo em um gole e fomos direto para a mesa de sinuca, vendo como aquela era uma versao unica que tinha 21 bolas ao invez de 9, doideira. Esperamos um pouco pra quando o pessoal jogando terminasse, bebendo mais 3 copos de nossas bebidas, e quando eles terminaram, nós entramos.


Depois de uma partida amistosa de pedra, papel, tesoura. Eu fui primeiro, e estava bem animado, depois de preparar meu taco e bater na bola primeiro, vi as bolas se espalhando por todo o lado, já mapeando mentalmente quais lugares seriam as armadilhas, os pontos bons, e quais bolas eu deveria acertar primeiro. 


Algo no som das bolas colidindo nas partes de madeira e em si mesmas várias vezes tinha uma sensação muito calmante em mim que eu não conseguia explicar.


Antônio: desculpa por não ter falado muito com você ultimamente, tem acontecido coisas muito doidas na minha vida ultimamente


Davi: não se preocupe Antônio, pra mim sempre ficou claro que eu era apenas um amigo pra você, enquanto o Brutus era seu melhor amigo 


Antônio: ser um amigo normal já é muita coisa, tem muita gente que não tem nem isso.


O Davi foi então na vez dele, ele olhou as bolas, e com uma única batida na bola branca, ele bateu na bola amarela, que bateu em uma roxa, e a roxa entrou no buraco, enquanto a bola branca continuou o caminho, e bateu na parede de madeira, bateu em uma preta e fez ela cair no buraco também, eita, uma diferença de dois pontos que tinha que recuperar rápido.


Davi: Antônio, o que eu sou pra você?


Bem no meio da minha vez, eu parei o movimento, só pra ter certeza do que eu ouvi. E quando confirmei pela cara dele com o meu olhar, falei.


Antônio: o você atual, ou o antigo você?


Davi: antigo eu?


Antônio: é…


Bati a bola branca enquanto terminava a frase, vendo ela bater na verde, fazendo ela cair sem problemas no buraco, só pra ela dar um toquinho na vermelha, com o toquinho não sendo o bastante pra sequer empurra-la.


Antônio: o antigo você, a máscara


Davi: eu era tão patético assim?


O Davi então se aproximou de mim com muita calma, enquanto se colocava na posição da bola que eu facilitava pra ele.


Antônio: sim, absurdamente patético, mas eu não te culpo, você devia ter passado por poucas e boas naquela época também.


E com essa frase, o Davi bateu a bola branca na vermelha, fazendo ela cair direto na caçamba, mas claro que o movimento não acabou aí, ao invez da bola branca cair no buraco também, ele conseguiu fazer a bola bater na barreira da madeira duas vezes, até ele alcançar a bola amarela e fazer ela cair no buraco também. 4 contra 1, precisava me recuperar rápido.


Davi: e você tá dizendo que eu não sou mais assim? Não, primeiro, me fala, o que eu era pra você exatamente? Por que você gosta tanto do Brutus ao invés de mim? E por que sempre que agente conversa, nada parece como o que você sente pelo Brutus? Eu sou tão insensível e indigno de sua amizade assim pra você?


E enquanto eu absorvia cada palavra do que ele falou, eu bati a bola na caçapa, matando dois coelhos com uma cajadada só, eu consegui jogar a bola rosa no buraco e ainda deixei ela num lugar péssimo, pro Davi ficar com problemas pra pegar, e até onde eu sabia, não tinha regras contra deixar a bola num lugar ruim de propósito.


Antônio: antes de qualquer coisa, eu só quero dizer que eu tô bem feliz por você ter me falado isso, porque agora eu sei que você não é mais como a máscara que eu conheci um dia


Davi: continua.


E enquanto ele se preparava pra bater, tentando achar um ângulo bom pra bater, e falhando, eu continuei.


Antônio: sei que vocês já devem ter percebido, mas o Brutus tem a personalidade reprimida da sua infância, a personalidade que eu fiz amizade, a personalidade que eu posso dizer sem medo algum que é o meu melhor amigo. É a simples verdade.


Na raiva, o Davi bateu a bola em um canto, fazendo ela errar várias bolas antes de parar em um lugar melhor. Ele respirou fundo e segurou a raiva, não pra jogar aquilo pro Brutus, mas pra entender por completo o que eu quis dizer com aquilo.


Davi: e o que eu sou? Você ainda não respondeu


Antônio: tudo ao seu tempo Davi, eeeeee, quando eu vi você de novo, eu percebi que algo estava diferente, mas não era algo como “ah, meu amigo mudou, mas tá tudo bem” não, você tinha ficado totalmente diferente, não apenas isso, mas, você era vazio, você era apenas ordem e obrigações, pro Brutus, eu sentia que podia dizer qualquer coisa, mas pra você…eu estava com medo, por que eu sentia que você me escondia tudo, tudo e ainda mais, essa era a impressão que é tinha de você.


A raiva do Davi então diminuiu, por que, não ironicamente, era assim que ele se via também, eu não menti, era a simples verdade.


Mas depois de eu bater o taco de novo, e acertar a bola azu, e depois a bola marrom, eu consegui colocar o jogo de volta na partida, se eu acertasse a última bola, eu iria conseguir.


Mas parando de me focar tanto no jogo, e pensando no que estava falando pro Davi, joguei minha atenção pro Davi de novo, me aproximei com uma grande casualidade dele e dei um soquinho de brincadeira no peito dele, o que ele reconheceu e ficou mais relaxado.


Antônio: mas você não é mais assim.


O Davi ficou surpreso em ouvir aquilo, não sabia o que ele esperava que eu falasse, mas tava na cara que não era aquilo. Agente chegou até a parar por completo de jogar.


Davi: como assim?


Antônio: é isso mesmo que você ouviu, você não é mais uma máscara, eu consigo ver isso, tanto nas coisas grandes quanto nas pequenas, mas sabe, você agora é alguém que eu posso dizer que é de verdade, você é alguém com os próprios pensamentos, sonhos, e com direito de ser a outra personalidade. E antigamente, quando eu te aturava apenas para poder ficar com o Brutus, que era meu amigo, agora eu posso te falar, eu tô feliz que você é o meu amigo, Davi.


Não sabia se agente ia continuar jogando, mas depois de olhar pro que parecia o nada por alguns segundos, o Davi se recompôs, e voltou a jogar, com uma carinha toda irritada.


Antônio: foi mal cara, mas ninguém pode substituir o Brutus


Davi: depois do que você falou, tô tentando não ficar irritado por não ser o seu melhor amigo, tô tentando apagar o incêndio da minha raiva jogando a água com o meu pensamento de que sou um dos seus melhores amigos, não o principal


Antônio: fica tranquilo cara, quinto lugar não é tão ruim assim


Davi: quinto? Mas que honra, hehe quem ocupa os outros 4 lugares?


Antônio: bom, eu, o Zorro, o Brutus, a Dandara, e voce.


Então o Davi com os olhos arregalados pelo que eu acabei de falar, bateu na bola de novo, derrubando 3 bolas ao mesmo tempo, estava quase perdendo por completo o jogo, a menos que fizesse um jogo perfeito agora.


Davi: entaaaaao, se nós considerarmos apenas pessoas de verdade, e não pensarmos que você seja o seu próprio melhor amigo, conta, nessas situações, eu sou seu terceiro melhor amigo?


Antônio: basicamente.


Então, o Davi pareceu se acalmar, como se a raiva que ele sentia a alguns segundos atrás de desfez com apenas o pensamento do que eu acabei de falar.


Antônio: você está se apressando demais, essa “sensação” que você falou que sente quando o Brutus tá no controle, é o tipo de coisa que você só consegue depois de pelo menos 10 anos de amizade, e se levarmos em conta apenas o tempo que o verdadeiro você apareceu, só tem menos de 4 anos que você ficou realmente bem, a nossa amizade é bem nova…então seja paciente, e logo essa sensação vai vir de você também.


Então continuamos o jogo, com o Davi pegando as últimas bolas, comigo já admitindo minha derrota, tanto fisicamente quanto psicologicamente, e com a calma que ele estava agora, sentia que ele tinha realmente entendido, o que deixava tudo ainda mais fácil pra mim.


Davi: valeu cara, você é um bom amigo


Antônio: obrigado.


E depois de nós pegarmos outras bebidas, e de eu conversar um pouco com o Barman, pra saber as novidades por todo o mundo. Agente foi embora em nossos corcéis.


Davi: cara, como você sabia que aquele Barman sabia todas aquelas coisas?


Antônio: aquele lugar é um ponto onde milhares de viajantes, que não apenas do reino das fadas, mas todos os pontos dentro e fora do nosso continente passam pra desabafar da situação ruim que estão ou que acabaram de escapar, se você saber perguntar de forma certa, você consegue até descobrir se um nobre suspeito é um traidor ou não


Davi: traidor do país ou traidor do parceiro?


Antônio: os dois


Davi: (assobio) então o cara é bom, talvez eu passe aqui depois


Antônio: eu esperaria mais umas 7 visitas beeeem separadas uma da outa, pra conseguir confiança e ter uma boa reputação antes de sair por aí perguntando coisas demais


Davi: claro claro, fica calmo Tony, eh não sou um novato


Antônio: só tô me preocupando, não era isso que você queria?


Davi: é, talvez…uhum, é, isso até que é legal mesmo.


E apenas sorrindo,o com aquela conversa simples, fui direto pra casa, comigo me separando do Davi assim que chegamos na muralha onde ele trabalhava.


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