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Curioso Felino 2🌻
😘🥹🥰obrigado🥰🥹😘
2455 palavras • 13742 caracteres • ⏱ 9 min 49 s

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Quando cheguei na casa dela, bati na porta 4 vezes, e ela abriu a porta antes de eu chegar na quinta…nossa, cada vez que eu a via ela tava mais linda, agora ela tava com a pele bronzeada, o cabelo dela tava vermelho e brilhante como uma maçã vermelhinha e os olhos azuis dela estavam transbordando de amor. Junto do vestidinho azul simples que ela usava agora. 


Eu a abracei, e ela me abraçou de volta, não sei quanto tempo nós ficamos apenas ali, abraçados, sentindo o coração um do outro, até que agente se separou e olhamos um pro outro.


Dandara: isso é tão estranho


Antônio: por que?


Dandara: agente tem se visto tantas vezes esse ano, você fez tantas coisas comigo, mas sinto que é agora que eu sinto que você tá realmente aqui


Antônio: Antes você me via como um guia, ou um professor, não é?


Dandara: sim, essa é uma maneira de enxergar isso.


Ela se desvencilhou do meu braço e me levou pra dentro. Agente acabou em um ponto da casa dela onde tinha uma mesinha pequena pra servir chá. Era um chá peculiar, que tinha um gosto doce o bastante para parecer um suco, então eu o tomei sem muitos problemas.


Dandara: eu queria te contar bastante coisa, mas acho que já falei o bastante para muito tempo


Antônio: sinto que você devia falar mais


Dandara: por que?


Antônio: por que parece que você está descobrindo o mundo a sua maneira, cada um vê o mundo de um jeito diferente, e mesmo eu te ajudando naquele meu “modo professor” não queria infectar você com o meu conhecimento, pode ser estranho falar desse jeito, mas existem coisas que é melhor você aprender sozinha, do que com a ajuda de outras pessoas.


A Dandara ouviu aquilo, e me olhou por alguns segundos, antes de falar.


Dandara: às vezes, quando eu aprendo algo novo sobre mim, sobre uma filosofia que um filo-arcano desenvolveu a muito tempo atrás, eu sinto que eu estou reinventando a roda


Antônio: não, reinventar a roda já é muito exagerado. Você não está reinventando nada, na verdade, muitas vezes quando você descobre algo filosófico sobre si mesmo à sua maneira, você está inventando uma peça nova de um grande quebra cabeça. Rodas são algo simples, geral, usado pra mil e uma funções diferentes. E eu te garanto Dandara, o que nós passamos é tudo, menos reinventar a roda.


Sei ênfase no “nós” e a garota entendeu na hora o que eu tentei fazer. Sim, não era apenas ela que pensava isso, as vezes eu mesmo pensava que “ah, eu só descobri algo que alguém já descobriu em algum momento”, mas não era apenas a descoberta, era o sentimento, talvez eu tivesse ouvido a descoberta do outro sujeito e não entendido como ele me explicou. Eu não apenas descobri algo, eu descobri e moldei as minhas próprias palavras, eu entendi o conceito que muitos filo-arcanos tem muita dificuldade até pra ensinar, eu estava entrando em um turbilhão feliz de pensamentos, até que a Dandara chamou minha atenção, de novo.


Dandara: espera aí, não, naonaonaonaonao, eu não quero ficar perto desse Antônio hoje eu tá tive muito dele por um tempo


Antônio: “desse Antônio”? Existe mais de um de mim?


Dandara: sim, e eu quero o seu lado mais sensível agora, parecia que você queria me falar algo importante, mas você não conseguiu por que eu de novo, te perguntei algo e você entrou no modo professor, vai, me deixa saber o que você queria contar.


O olhar de Dandara, carregando curiosidade me deixou muito feliz, eu tinha muitos amigos, muitos dispostos a ouvir bem esse meu lado mais emotivo, mas mesmo agora, eu sentia que eu não podia contar aquilo pra mais ninguém, mas a Dandara, com certeza ela era uma exceção a esse pensamento.


Antônio: então, você sabe por que eu gosto tanto do escuro?


Dandara: não, você vai me contar?


Antônio: sim.


Nossa, ela ficou toda empolgada já e bateu as mãos juntas como uma criança, mas então ela ficou bem mais séria de repente, e falou.


Dandara: você quer ir pra um lugar mais escuro?


Antônio: não precisa, isso é algo que eu quero ver sua reação, e eu quero que você veja a minha.


Ficando ainda mais animada e curiosa pra saber o que eu queria falar, Dandara se afundou na cadeira, de forma tão relaxada que só faltava ela deslizar pra fora da cadeira.


Dandara: pode começar.


Então, eu senti uma grande energia passando pelo meu peito, pra minha garganta até a minha boca, como se todos os sentimentos que eu tive com meu irmão quando ele me achou, estivessem se aflorando, bem ali.


Antonio: Dandara, você já ouviu falar do caos que eu citei no centro de cavaleiros?


Dandara: o seu irmão me contou, mas me disse pra eu te perguntar os detalhes eu mesma


Antônio: ótimo, por que tem coisas que ate ele não poderia te explicar em detalhes, (tosse) vamos lá, eu nem sei por onde começar, bom, acho que posso começar dizendo como eu odiava aquele lugar, eu odiava com todas as minhas forças, cada teste ali era tão pesado, tão intenso e tão rápido que eu passava constantemente por ataques de pânico, eu desmaiei várias vezes, e muitos momentos eu pensei que eu ia morrer, eu acumulei aquilo por muito tempo, muito tempo mesmo, e o pior, era que ninguém, e eu digo ninguém mesmo, parecia ligar pro que eu tava passando, pensando que eu so tava querendo chamar atenção, como se a culpa fosse minha…culpa minha, que piada…eu não pedi pra ser assim…EU NÃO PEDI PRA NASCER ASSIM…


Parei de falar por um breve momento, apenas para ver o olhar preocupado de Dandara.


Dandara: oh, Antônio


Antonio: e o pior disso tudo, é que por muito tempo, mesmo naquela  minha pior fase, eu acreditei no que me falaram, que o que eu estava sentindo não era importante, que eu só tava fazendo birra e que eu só precisava “tentar mais”...(bufa de raiva) pensar nisso me deixa com raiva até hoje…(tosse) e por muitas noites, muitas noites mesmo, eu passei as noites em claro, tentando me acalmar e pensando no que eu fiz de errado, e por muito tempo, e uma pressão psicológica auto imposta, eu consegui ficar “normal” por algum tempo…bom, pelo menos até o rasgo acontecer


Dandara: rasgo? Como assim?


Antônio: eu criei uma pequena mania pra mim enquanto eu tava na divisão dos cavaleiros, que era simplesmente puxar a manga da minha camisa, e apesar daquilo não ter mudado minha rotina e nem os estresses e perrengues constantes que eu passava, puxar  minha manga podia me acalmar de forma quase inexplicável.


A Dandara não estava tendo opiniões, pelo menos ainda não, por enquanto ela estava apenas no modo de “espectadora”, apenas escutando, e não pensando em nada.


Antonio: até que, um dia, a manga rasgou, era uma coisa boba, que muitas pessoas nem iriam ligar ou sequer perceber…mas eu!? Pra mim aquilo foi a faísca que explodiu todos os sentimentos reprimidos que eu guardei por tantos anos de uma vez só. Eu enlouqueci, mas não perdi a consciência, como muitas pessoas pensam que acontece, eu estava perfeitamente são, quando liberei toda aquela raiva, e eu só conseguia pensar em três coisas, “eu odeio tudo”, “eu quero destruir tudo” e eu quero que os todos sofram”.


Então a Dandara saiu do modo “espectadora” e ficou completamente focada em mim, com olhos arregalados, e com medo por mim.


Antonio: os instrutores, os mecanismos de proteção da cidade, tudo tentou me parar, mas eu destruí tudo em minha onda de sentimentos, eu não parei até que toda a minha raiva acumulada ser esgotada por completo…e quando eu olhei em volta depois de ter conseguido isso, eu apenas vi caos, destruição, e tristeza, por que depois da raiva, apenas isso restou dentro de mim, uma tristeza profunda, eu não conseguia aceitar o que eu fiz, pensando que eu era um monstro, ou alguma espécie de aberração, por que foi isso que eu entendi depois de tantas repreensões então eu me escondi em um baú de frio, e rezei para que demorei eras pra alguém me achar.


A parte boa tava finalmente chegando, mas quando olhei pra garota, para ver como ela estava, vi que ela já estava chorando, chorando muito, e os olhos dela brilhavam de emoção com a história, e eu nem tinha chegado na parte absurda, mas ela não falou nada além de um.


Dandara: continua


Antonio: (tosse) segundo os registros, e o que a maioria das pessoas pensa é levou 3 horas pra me encontrarem, mas a verdade, é que o Pedro, meu irmão, me encontrou 20 minutos depois de ir me procurar…hehehe, ele me conhecia tão bem que sabia o ponto perfeito onde eu iria me esconder


Dandara: e o que ele fez?


Antonio: me deu espaço, ele fechou o baú de novo, e esperou mais 40 minutos, antes de perguntar se ele podia entrar pra falar comigo (sorrindo) mal sabia ele que eu teria deixado ele ficar lá comigo de primeira, mesmo não estando tão calmo, isso era o quanto eu estava confiando nele naquela hora.


Olhei a garota de novo, agora os olhos dela estavam brilhando, como se estivesse ouvindo o conto de um herói lendário ou algo do tipo. Ha, ela me dava muito crédito, o que eu tava falando não era nada além de um momento entre irmãos, não era algo tão único a ponto dela brilhar os olhos daquela forma como se tivesse ouvindo uma história lendária.


Antonio: quando ele entrou no baú, tava bem frio e escuro, ele não me fez perguntas, só ficou em silêncio ali comigo, eu não podia ver o rosto dele, e ele não podia ver o meu…as vezes fico me perguntando se ele tinha as próprias coisas pra resolver, a ponto dele se esconder no escuro comigo, mas eu nunca perguntei diretamente pra ele.


E pelo rosto de Dandara, ela parecia saber a resposta daquela pergunta, mas decidiu não dizer nada.


Antonio: eu pensei que meu surto tivesse gastado todos os meus sentimentos reprimidos, mas ele apenas liberou os instáveis, os tranquilos e que se acumulavambem no meu interior pra criar minha sombra, esses apenas foram jogados pra fora quando eu senti a segurança e conforto do Pedro, uma segurança que me permitiu chorar, chorar de um jeito eu não sei se voltarei a chorar, mas aquela única vez estava em um bom tamanho também, a história que eu contei pro Pedro naquele dia, sobre minha própria vida, é algo que eu não sou capaz de fazer com mais ninguém, por que os sentimentos criados pra eu descrever em detalhes aquela história, agora estão tranquilos e satisfeitos….e mesmo assim, eu me lembro bem o que aconteceu quando eu terminei a história.


O rosto da Dandara era cheio de expectativas, como se tivéssemos chegado no clímax de uma grande história e para fazer jus aos sentimentos dela, eu comecei a falar como um grande narrador.


Antonio: eu não vi o rosto que ele fez quando eu terminei a história, mas não precisei ver, por que quando eu terminei a história, e voltei a chorar, ele me abraçou de uma forma tão gentil que eu quase dormi nos braços dele, mas eu fui despertado na hora também quando ele falou, “fica calmo Antonio, eu to aqui”.


A Dandara tava fazendo um rosto novo para mim, um rosto de pura e mais profunda pena, como se agora ela que estivesse me ajudando, e quando pensei que ela era a pessoa que eu confiei isso, uma pessoa que eu confiei esse segredo me deixou emocionado, e eu comecei a chorar, enquanto ela própria limpou as lágrimas anteriores, mas apesar das lágrimas, e com a voz falhando, continuei.


Antonio: (Funga e voz de choro) sempre que eu to no escuro, eu me lembro daquele momento, e eu me sinto como a pessoa mais forte do mundo, por que não importa o que acontecesse, o Pedro sempre estaria ao meu lado.


E dessa vez, eu estava chorando ainda mais, eu não conseguia mais falar, eu tava chorando tanto, que pensei que devia ter aceitado em ficar no escuro, por que eu não queria que ela me visse desse jeito. 


Quando me acalmei para ao menos olhar pra cima, vi que a Dandara se levantou, não achei que isso era possível, mas ela deu um rosto a expressão “cuidado”, era difícil de descrever em palavras, mas não parecia ter uma única emoção no rosto de Dandara além de todas as emoções que refletiam e criavam a sensação de “cuidado” quando a via, ela caminhou bem devagar até mim, com o mesmo olhar de pena que ela estava quando cheguei no clímax da história.


E por um segundo, tudo ficou silencioso, porque o meu corpo estava mais feliz do que nunca, porque ela me mostrou tudo que eu queria “reação”, diferente da indiferença extrema, ou a possível “repressão extrema de sentimentos” que meu pai me mostrou, a Dandara estava me mostrando tantos sentimentos, que eu senti que as coisas que eu passei valiam alguma coisa, eu sabia que elas valiam algo mais do que ninguém, mas quando alguém como ela, alguém que eu estava me preparando pra pedir em casamento, reagia assim, reagia de forma que meus sentimentos realmente importam, eu sentia como se o mundo inteiro fosse meu e dela, porque eu importava pra ela, e ela importava pra mim, e apesar de não sermos casados, naquele momento, eu entreguei meu coração a ela, e eu esperava muito não me arrepender disso depois.


Então, o tempo pareceu voltar a correr de forma normal, a Dandara agora estava na minha frente, e bem devagar, ela passou os braços no meu pescoço e me deu um abraço, sem truques, sem gracinhas, sem brincadeiras sujas, só um abraço, um abraço tão caloroso que eu pensei que iria dormir, mas nao aconteceu…eu tentei entender o que senti naquela hora, mas o que eu senti com aquele abraço não podia ser nomeado, era algo, inominável. E me abraçando com bastante força, ela falou.


Dandara: olha, não se preocupe com o dia, ta? Porque eu também estou aqui.


E bem devagar, enquanto eu tava transbordando daquele sentimento inominável, eu abracei a Dandara, pensando que, mesmo que eu ainda gostasse muito do escuro, talvez, apenas talvez aquela garota conseguisse me fazer gostar do sol, graças a ela.


Antonio: mal posso esperar pra voce se formar, eu tenho tantas coisas pra te ensinar


Dandara: eu também mal posso esperar para a formatura.


Tinha muito o que fazer ainda, mas seja lá o que eu ainda precisasse fazer, eu estava pronto.


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