Dandara, Dandara, Dandara, Dandara, Dandara. Essa foi a forma que minha mente acordou naquele dia, e eu estava certo, eu estava com muita dor naquele dia, mas com meu amor me alimentando, eu não senti dor nenhuma, eu fiquei o dia inteiro pensando que o tempo estava indo absurdamente devagar, por que eu queria ir pra ela, eu apenas consegui me distrair apenas pensando em fazer o melhor trabalho que eu conseguia, e isso fez o dia passar bem rápido.
Eu nem mesmo lembrava direito dos tipos de contratos que eu fiz naquele dia, me sentia totalmente no piloto automático, eu só me lembrava de chegar em casa e começar a me arrumar para visitar a garota, eu falei com meu pai, falei com minha mãe, e os dois falaram comigo que eu não precisava me importar em voltar pra casa. Eu sabia que eles estavam entendendo errado alguma coisa, mas eu tava tão pilhado que eu nem me importei em tentar explicar.
Eu peguei o Zorro, e cavalguei com a maior velocidade que eu conseguia, eu nem sabia bem onde isso iria acabar, mas eu apenas corri até a casa da minha amada. Até que, um sentimento ainda mais forte se apegou em mim, medo. Eu percebi que a rua estava silenciosa, silenciosa demais, não tinha ninguém ali, eu normalmente ia gostar muito daquilo, mas eu percebi na hora, por que não tinha ninguém, que tinha alguma coisa errada. E diferente do resto, aquele sentimento conseguiu me afastar bastante do meu amor da Dandara, isso porque a raiva que eu sentia agora parecia destruir até o meu bom senso na hora.
Não querendo envolver meu cavalinho nisso, sai de cima dele e dei uns tapinhas na bunda dele pra ele correr, e me deixar ali.
E quando o Zorro foi embora, uma sede de sangue imensa foi colocada em mim, eu não fazia ideia se iria conseguir vencer, mas tava tudo bem, eu tinha me preparado pra situações como essas, acho que só poderia agradecer a minha paranóia por isso, mas antes, queria entender com quem eu estava lidando.
Antônio: chega de esconde-esconde, aparece.
E atrás de mim, uma flecha foi disparada, mas eu nem a bloqueei, por que o meu simples poder mágico liberado tinha uma intensidade tão forte que a flecha do sujeito foi despedaçada sem eu nem fazer um feitiço direto nela, era uma flecha forte, uma flecha de aura digna de um guerreiro que se formou na academia de cavaleiros, mas eu já não estava no nível de alguém que acabou de se formar, não mais.
Eu sabia quem era só de ver o poder, mas eu ainda me dei o trabalho de olhar pra ele, não ficando surpreso com o que eu vi, o cabelo ruivo e cortado curto, a barba por fazer, a armadura completa, até os olhos azuis, que estavam cobertos de ódio demonstravam o pai de Dandara, o pai biológico.
Antônio: você…
Pai: HA, TÁ SURPRESO DE ME VER DEPOIS DE TER ACABADO COM A MINHA VIDA!? O MUNDO DÁ VOLTAS GAROTO, E AGORA EU…
Antônio: não é páreo contra mim.
Falei aquilo enquanto tirava umas uvas do meu manto e comia na maior naturalidade do mundo.
Antônio: você não conseguirá me derrotar nem mesmo se você usar seu querido item de anti-magia, isso é o quão patético você é.
O pai da Dandara ficou abalado, tava estampado na cara dele, mas ele ainda tentou bancar o durão, ele caminhou até mim, com a espada desembainhada, e com um grande show de aura, ele mostrou pra mim algo que eu estava bem curioso, a história daquele pai horrível.
Pai: ANTI-MAGIA!? NÃO PRECISO DISSO PRA VENCER UM PIRRALHO COMO VOCÊ.
O pai de Dandara falou isso enquanto ele dava um simples corte vertical, o corte era belo, e com muitas memórias, lembranças e sentimentos, mas ironicamente, o golpe era totalmente vazio.
As lembranças dele eram muito vagas, dele se formando na escola, dele ganhando prêmios, dele sendo elogiado e tendo o ego massageado por puxa sacos, dele apenas seguindo o fluxo e só fazendo o que todo mundo tava fazendo já, dele se casando, dele tendo filhos que se orgulhava, dele fazendo besteira e os pais não o repreendendo, na verdade, os pais do Pai do meu amor sequer pareciam ligar pra ele, que pena, parece que ele não conseguiu quebrar o ciclo.
Usando um Golem resistente, consegui bloquear o golpe sem problema, e a grande aura que o pai da Dandara estava tão orgulhoso, desapareceu em instantes, e num único golpe, ele foi jogado pra trás com tanto poder que ele teve a armadura destruía por completo, deixando apenas as roupas que estavam por baixo dela no lugar, era engraçado, porque eu nem tinha atacado ele direito ainda, eu apenas defendi o ataque.
Antonio: pera ai, não me diz que você não aguentou o coice do seu próprio golpe?
Ele não respondeu, mas ele expressou tudo o que sentia no rosto, medo, ele não conseguia sequer segurar a espada dele da maneira certa, ele era patético, de milhares de formas diferentes, e sem mudar a minha expressão em nenhum momento, andei devagar até ele, enquanto o Golem ainda segurava a espada dele, até que o aperto do meu Golem ficou tão forte que ele a partiu no meio, eu nem tinha posto força a mais ou coisa do tipo, a espada apenas era frágil demais por não ter um mestre decente mesmo.
Antônio: se você veio aqui esperando o poder que mostrei no dia da minha formatura, eu só posso dizer que tenho muita pena de você.
Falei aquilo enquanto eu invoquei muitos golens, golens demais, um exército de golens, preparados pra espancar até a morte aquele cara, e olha só, ele ficou medroso e frágil assim que notou que não tinha como sobreviver, ele tentou se aproximar de mim, e até implorar pela vida, mas eu nem ouvi o que ele estava falando, eu fiz um dos meus golens pegar a boca dele, e eu estava realmente considerando cometer assassinato.
E esse pensamento me fez acordar, então eu notei que eu tava sentindo um ódio bem absurdo, eu já tinha sentido aquela raiva antes, uma raiva intensa, intensa o suficiente pra me fazer ficar calmo ao invés de explosivo. Esse era o nível de ódio que eu tinha desse cara, enquanto eu tinha esse sentimento, meus golens quebraram os dois braços, e as duas pernas dele, e depois de eu usar meu cajado como um porrete para arrancar muitos dentes dele fora, olhei pra ele, e eu tinha certeza que eu devia estar com o olhar mais frio da história, e falei.
Antônio: não, você ainda não tá tão feio por fora como é por dentro, preciso te quebrar mais.
O meu ódio parecia sem limites, eu já não estava pensando direito, não tava pensando sequer nas consequências de acabar matando ele sem querer, e novamente, perdi o controle das minhas emoções, mas antes do pior acontecer, alguém segurou o meu ombro, era um Cavaleiro, e ele parecia bem calmo com aquela situação toda.
Cavaleiro: obrigado pela ajuda campeão, mas deixa que eu assumo daqui, eu quero levar esse senhor aqui sob custódia
Pai: PFEUNEO NFWKJWOJ, WNKDM LDKKJIENS(sem dentes, ele falou “por favor, me leva”)
Antônio: ah, claro.
Eu então me afastei do Pai biologico da Dandara, mas demorou um bom tempo para os golens soltarem o pai dela, mas o Cavaleiro foi paciente e deixou eu me dar o tempo de solta-lo, e mesmo com aquele encontro, a raiva foi substituída pelo amor incondicional que eu sentia pela garota, de novo, então sabendo que o Cavaleiro iria fazer um bom trabalho, só decidi continuar meu caminho, chamando o Zorro com um assovio e o cavalo foi até mim.
Mas antes de eu subir em cima dele, ouvi o Cavaleiro me chamando.
Cavaleiro: você parece um bom garoto, então vou te dar uma dica, não jogue seu futuro fora por pessoas assim
Antônio: eu sei, eu só queria me defender, mas acho que exagerei, irei tomar conta disso, não se preocupe
Cavaleiro: bom saber, tenha uma boa noite rapaz.
Ha, eu achava engraçado ser chamado de rapaz, ainda mais depois de todas as coisas que eu aprendi sobre mim mesmo, e mesmo assim, eu continuei andando, pensando que eu teria uma conversa muito longa com a Dandara, eu não ligava se eu iria mudar a visão dela, ou se eu iria contaminar os pensamentos delas, começando a sentir que tudo aquilo não passava de uma desculpa para eu não falar com ela direito.

