com uma local comigo, eu não sabia o que a fadinha tinha feito, mas eu achava muito legal como a Saytus ainda me contatou, mesmo depois de eu ficar tanto tempo sem falar com ela.
Saytus: você demorou bastante pra pedir pra ir na minha casa
Antonio: eu tive que fazer muita coisa ultimamente, você sabe que eu não falei com você só porque eu não gosto de você
Saytus: eu sei bobão, mas eu ainda tô chateada, me fala, o que foram essas coisas super importantes que você ficou fazendo?
E quase como a porta de um calabouço sendo aberta, eu falei por várias horas sobre todas as aventuras doidas que eu tive, e fiquei feliz que minha análise facial de fadas não tinha enferrujado, porque eu vi perfeitamente como ela ficava surpresa quanto mais eu contava mais aventuras pra ela.
Saytus: PERA, PERA, PERA, VOCÊ SUBIU AO MAR BRANCO SEM USAR A ESCADA!?
Antônio: não é impossível fazer isso, é apenas muito muito difícil
Saytus: booooom, sabendo que o lobinho conseguiu, talvez eu devesse tentar fazer isso
Antonio: por que você não me conta o que você fez desde que se formou?
Saytus: ah, deixa eu te apresentar a minha família primeiro, olha, nós chegamos.
E quando eu olhei pra frente, vi o reino das fadas modelo Diptera, era um lugar com grandes torres enormes, onde tinham milhares de coqueiros do tamanho de prédios de 5 andares, e eu fui levado com a Saytus para um ponto bem especial, pra dentro de uma das grandes árvores, onde ela bateu em um dos coqueiros, mas no lugar de uma porta aparecer, o coqueiro se levantou e revelou uma porta.
Eu entrei atrás dela e vi um grupinho de 5 crianças a abraçando, junto de uma mãe bem feliz, e um pai cheio de pedaços de mordida em seu corpo. Ah, é, eu ouvi dizer que muitas fadas fêmeas comiam os seus parceiros, e que os parceiros aceitavam isso, e os parceiros que conseguiam agradar uma fêmea o bastante pra continuarem vivos eram conhecidos por serem guerreiros implacáveis e formidáveis.
Estava indo ali me apresentar a eles, mas antes de eu chegar, uma das crianças veio até mim e falou.
Criança: você é o namorado da maninha?
A Saytus pareceu quase ter um ataque do coração depois da criança ter falado aquilo, mas com a maior tranquilidade do mundo, eu falei
Antonio: não, não sou o namorado da sua irma, eu já sou namorado de outra pessoa
Criança: se você não tivesse namorado, voce namoraria a irmazona?
Antonio: talvez, eu gosto muito dela, e ela gosta muito de mim, mas não posso dizer com 100% de certeza se nós namoramos, por que eu não sei se a Saytus aceitaria.
E antes da criança falar mais alguma coisa, a Saytus agarrou o garoto com os dois braços, enquanto seus outros dois braços livres, (uma lembrança que fadas do clã dela tinham 4 braços) e falou comigo da forma mais tranquila que conseguia.
Saytus: por favor, não falei com meus irmãos sem minha permissão.
Ela estava pedindo, mas eu senti um tom bem forte de ordem na voz dela, junto de uma complexa expressão no rosto de um sorriso tentando disfarçar a grande raiva que está abaixo dele.
Antonio: tá bom.
Meu rosto não mudou em nenhum momento, não sabia que vergonha era essa que a garota sentia, e tentando se acalmar, ela foi até a frente da própria família e me apresentou a eles.
Saytus: OI FAMÍLIA, esse é o meu AMIGO António, palavra chave, AMIGO, camarada, parceiro, colega, companheiro, e o meu AMIIIIIIIIIIGO, veio aqui participar da corrida de triceratops, então sejam gentis com ele.
E depois de ser tão enfática em dizer que nós éramos só amigos, as crianças se acalmaram, não querendo instigar a fúria da irmã, enquanto o pai dela se aproximou de mim quando ela estava focada no irmão, olhando com cuidado pra mim e falando.
Pai: uuuuh, esse garoto é bem grande e carnudo, você tem certeza que quer participar? Muitos estrangeiros morrem todos os anos, afinal é um evento pra fadas.
Não fiquei ofendido pelo que o pai da Saytus falou, as mortes da corrida de triceratops eram normalmente de visitantes que não entendiam as regras direito, as fadas em sua maioria corriam sem usar magia (mas era permitindo cavalos por alguma razão) e se falham na corrida, eram esmagados pelos triceratops, não tinha nenhuma medida de segurança, isso porque as fadas, mesmo sendo pisoteadas por uma horda grande de triceratops, ainda conseguiam sobreviver, mas muitas especies nao conseguiam sobreviver ao pisoteio, por isso eu vim preparado.
Antonio: eu sei senhor, mas eu vim preparado
Pai: bom, é o seu funeral.
Não queria ouvir isso de alguém com um pedaço do pescoço faltando em uma mordida, mas deixei essa passar, enquanto a Saytus me arrastava pela casa, até eu chegar no que deduzi ser o quarto dela, o que me surpreendeu já que ela morava no reino Sapien agora.
António: eles conservaram seu quarto?
Saytus: que nada, é só um quarto de visitas.
Ela falou aquilo, mas vendo os detalhes, como as grandes janelas, o cheiro de chocolate forte dali, e a cama, os quadros, e todos os equipamentos do reino Sapien, pensava como aquele seria o lugar perfeito para a garota.
Antonio: sem ofensas, mas esse lugar parece ser perfeito pra você
Saytus: esse lugar é normalmente usado para hospedar Sapiens visitantes, minha família é famosa por hospedar dois ou três participantes
Antonio: uuuuh, fui recebido por uma família tão famosa? Me sinto honrado
Saytus: me fala, você quer que eu desligue a luz?
Antônio: não, não precisa, o escuro é pra coisas íntimas e super secretas, e eu sinto que você quer que eu saiba em detalhes o que você sentiu nessas suas viagens.
A Saytus começou a sorrir depois de eu falar aquilo, então ela deitou na cama, que na teoria era minha, então começou a falar.
Saytus: bom, meus lugares de visita não foram tão doidos quanto o seus, na verdade, eles eram ironicamente bem normaizinhos, visitei o grande lago aquecido do distrito 6, claro que eu já tinha nadado bastante por diversão, mas como as asas molhadas de uma fada não voam direito, muitas pessoas do reino Fada não gostam de se divertir na água, e aquele calor bom me fez afundar tantas vezes que os salva vidas me tiraram dali antes de eu virar uma fada cozida
Antonio: deve ter sido muito engraçado
Saytus: também fui numa famosa competição chamado “concurso de dormir” um concurso bem interessante, onde os participantes acordaram cedo e comiam uma refeição pesada pra causar sono, e depois eram desafiados pra ver quem dormia por mais tempo
Antonio: isso foi no meu reino?
Saytus: foi sim
Antonio: hummm, desse eu não sabia
Saytus: ele era um tipo de coisa que só quem realmente está procurando por aquilo consegue encontrar, entende?
Antonio: entendo, que mais?
Saytus: eu também fui em muitos daqueles jogos de corridas de cavalo, claro que eu nunca apostei, mas eu achava muito maneiro em eu dizer que um cavalo iria vencer, mesmo se eu não apostasse, a emoção ainda era incrível, isso por que eu só falei dos circuitos normais, e os circuitos doidos onde os cavalos voavam pra cima, tinham uma pista de corrida completamente irregular e recheada de armadilhas, hahaha, aquilo era tão doido que tenham pessoas que iam ver aquelas corridas atenas pela emoção da corrida, sem apostar nada
Antônio: que absurdo
Saytus: pois é, e eu ainda consegui uma égua pro meu macho, uma egua que eu tenho certeza que ele vai gostar
Antonio: uma égua pra cavalos? Ouvi dizer que elas não sao baratas
Saytus: com o dindin que eu economizei, isso não era um problema
Eu sorri de forma orgulhosa pra ela, enquanto eu falei.
Antonio: se você tá tá dizendo né
Saytus: (bocejo), ok, vamos dormir, amanhã será um dia bem cheio
Antonio: acredito em você.
Eu já tinha passado por muitos momentos intensos em minha vida, mas eu sabia que amanhã seria um dos mais intensos de toda a minha vida, e eu dormi para me preparar pra isso.
Mas antes de eu dormir direito, ouvi alguém batendo na porta, e depois de não ter resposta, a pessoa entrou devagar na porta, a mãe de Saytus, ela era grande, bem maior que seu marido, (como a maioria das fadas fêmeas) eu conseguia ver a semelhança da Saytus nela, mas os olhos vermelhos, pele mais clara, e braços em formatos de garras ao invés de dedos, com certeza foi herdada de seu Pai. Não sabia o que a moça poderia querer comigo, mas então, ela se sentou no chão, sabendo que eu estava acordado, eu não sabia o que dizer, mas ele apenas falou algo simples.
Mãe: ah, não precisa ficar tão tenso, eu só vim agradecer, estava com medo da minha filhinha inocente conhecer a pessoa errada no intercâmbio dela e acabar tendo um odio mortal por Sapiens, já conheci muitas crianças que tiveram o sonho de se aventurar pelo mundo destruído por Sapiens idiotas que se acham os donos do mundo, sendo que eles sequer eram bons pra serem uma ameaça de verdade
Antonio: na verdade eu acabei salvando ela de pessoas assim
Mãe: é, fiquei sabendo, então, por mais trivial ou natural que tenha sido pra você fazer amizade com minha filha, como mãe, sou extremamente grata a você, Senhor Antonio Carvalho
Antonio: agradecimentos aceitos
Mãe: bom, não vou mais atrapalhar seu descanso, descanse e tenha bastante energia pra amanhã, você vai precisar
Antonio: senhora, sim senhora.
Não sei se a mãe da Saytus jogou algum feitiço em mim, mas depois daquela simples “conversa”, eu dormi bem mais fácil, como uma pedra de verdade.

