Eu não sabia exatamente quanto era eu e quanto era eu apenas sendo teimoso, mas eu estava ainda saída constantemente, muitas vezes eu pensava se eu deveria descansar mais, mas minha ansiedade, minha alegria e a minha animação não me deixava ficar em casa, o mês passado foi uma exceção, mas quando eu estava relaxado e cheio de energia de novo, eu não conseguia ficar em casa, não quando tinha um mundo tão intenso e incrível lá fora, um mundo que agora eu tinha poder e permissão pra sair, nem morto que eu iria desperdiçar isso.
E pensando nisso, quando cheguei do trabalho e relaxei por duas horas, saí de casa de novo logo depois, carregando um equipamento bem forte. Meus pais nem tentaram me perguntar pra onde eu iria por eu ja ter saido de casa tantas vezes o mes inteiro.
Quando cheguei na rua, toda a cidade estava barulhenta como sempre, mas eu nem ligava mais pra isso, eu ativei o fone só pra impedir pequenos deslizes de stress, mas de forma geral, eu estava beeeeeem tranquilo mesmo. Eu cavalguei de forma tranquila, e quando fui aos céus, consegui ir muito pra cima, chegando além do ponto do ar onde eu tinha passado com a Saytus outras vezes.
E quando sai de perto de todo mundo olhei pra cima, vendo como o céu estava limpo, não parecia ter sequer uma mancha das grandes nuvens diferentes que pareciam formar o mar branco, mas se os livros que eu pesquisei realmente estiverem sérios, eu encontraria um caminho mais fácil no mar branco, eu só precisava seguir tudo à risca.
Fechando os olhos, eu respirei fundo e apertei as correias para fazer o Zorro correr com tudo, a velocidade dele ficou tão grande que um impacto de ar foi feito(e foi por isso que eu me afastei de todo mundo antes de aumentar a velocidade) eu sabia que o animal aguentaria, mas quanto mais eu subia, quanto mais rarefeito o ar ficava, e quanto mais eu conseguia ver algo transparente no céu, mais eu comecei a duvidar se o que eu vi naqueles livros estava certo ou nao.
Quanto mais eu voava, eu comecei a perceber que tinha uma espécie de teto transparente no topo, mas pelos registros, aquilo não era um teto, aquilo não iria doer, fiquei repetindo aquilo muitas vezes pra mim mesmo, mas começou a parecer que não tava funcionando, eu estava cheio de medo, mas eu não parei. Eu continuei cavalgando com tudo pra cima, até que o teto transparente ficou branco quando cheguei na metade do caminho, eu respirei fundo, e bati com tudo no teto do mar branco.
A consistência do mar banco estava estranha como sempre, ele parecia ser de água, mas por dentro ele tinha uma densidade tão baixa que parecia até que eu estava nadando em óleo de cozinha, eu fiquei 5 minutos imerso na água, se eu não tivesse feito o Zoro correr na maior velocidade possível, eu teria me afogado, mas pra minha sorte, meu fiel animal me levou pra fora do mar branco, e quando olhei em volta, vi que estava no reino dos gigantes, ou melhor, no mar branco sem estar no templo.
Pousei no mar com o Zorro, e depois de treinamentos constantes, e de toda a evolução do Zorro, eu agora conseguia cavalgar com ele naquele grande mar, usando feitiços simples nos cascos dele, eu conseguia fazer ele cavalgar no mar, como se ele estivesse cavalgando no concreto mesmo.
Isso me fez pensar como antes, eu tinha que fazer um grande esforço pra sequer colocar esses feitiços num chão de lama, mas depois de um treinamento mais pesado no clube da escola, coisas como aquela eram tão simples como respirar pra mim, e isso valia pro Zorro também, ele estava tão tranquilo que ele sequer parecia estar fazendo um feitiço, era apenas em arrancadas intensas que o animal sentia algo agora, e eu amava isso.
E serei sincero, eu passei muito tempo planejando isso, olhando as rotas, encontrando os pontos perigosos e encontrando todos os lugares perigosos que eu deveria evitar a todo custo, e mesmo com tudo isso, estava bem nervoso, olhando o grande horizonte do mar branco, vendo como ondas pequenas, grandes e imensas passavam por todo o lado, ventanias poderosas tentaram me derrubar e vários pássaros e peixes imensos e corajosos tentavam me pegar. Enquanto eu apenas tinha um cavalo super fiel, mas não podia pensar nisso agora, tudo deu certo até ali, se eu apenas seguisse meu plano eu ficaria bem.
Antônio: é, é, tudo vai ficar tranquilo desde que eu siga o plano.
Falando isso, peguei o mapa que criei para aquela ocasião, e olhei ao meu redor, a minha direita estava um gêiser infinito, que nunca parecia parar, na minha frente estava um grande cais feito inteiramente de madeira, e segundo minhas duas referências, eu deveria ir pra esquerda, depois pra direita, depois pra frente e depois esquerda de novo, assim eu iria evitar piratas, monstros marinhos e ciclones, seria complicado, mas eu já tinha feito coisa mais complicada.
E mais uma vez, eu sinalizei para o Zorro caminhar, queria dar a ele um pouquinho de descanso, e ele iria precisar de energia quando chegássemos no lugar certo. E como pensei, tinham muitos monstros marinhos perto das rotas que eu passei, e muitos piratas, mas nenhum deles me notou.
E nesse meio tempo, eu pensei como eu amava aquele cavalo lindo, e como meu amor era mostrado através da magia que eu compartilhei aos poucos com ele, eu o amava, e ele me amava...e isso ironicamente me fez lembrar como tinha sido meu pai que me deu o Zorro, por que ele tinha me dado ele mesmo?
Ah é, ele me deu o Zorro quando eu passei em um curso de cavaleiros muito famoso, eu lembrei bem no dia que ele me levou aos estábulos, e eu encontrei o Zorro, um potrinho ainda, que nem mesmo conseguia ficar em pé sozinho ainda...eu olhei pra ele, ele olhou pra mim, foi amor à primeira vista...e eu joguei minha raiva que eu acumulei do mundo na pessoa que me deu o animal que eu mais amava no mundo, isso me deixou mal, muito mal mesmo.
Antonio: meu deus, eu sou um péssimo filho.
E naquela mesma hora, a voz otimista da minha cabeça, me confortou, dizendo que eu não era um filho ruim, eu só estava com raiva. Mas com aquelas lembranças, minha voz pessimista ganhou força e começou a discutir junto da voz otimista.
E antes que tudo virasse uma bagunça em minha cabeça, olhei pra frente e vi como tinha chegado no lugar certo, por que ali tinham ondas absurdamente violentas, ondas imensas, perfeitas pra surfar. Eu tentei encontrar o ponto perfeito para chegar, mas foi naquele ponto que notei como, pra gigantes, ondas de verdade eram como desastres naturais para Sapiens.
Quando me aproximei da ilha, vi uma onda se formando atrás de mim, e vi como ela começou a aumentar cada vez mais, eu corri com tudo com o Zorro, e eu agradeci a mim mesmo por ter feito o cavalo descansar, por que a onda branca virou rapidamente um grande maremoto, eu não podia deixar aquela coisa me engolir, então eu usei toda a velocidade do Zorro, e eu disparei como um foguete, conseguindo escapar do grande maremoto, que para os gigantes era uma onda perfeita, tinha até outros alunos gigantes nadando nela.
Quando cheguei à ilha, o Zorro desabou no chão pelo imenso esforço, e eu não o culpava, eu mesmo estava tentando me manter tranquilo depois de me esforçar tanto, mas como foi meu amigo fiel que correu, eu apenas fiz carinho na cabeça dele, o dei uma cenourinha e falei.
Antonio: Muito beeeem Zorro, você mereceu tirar sonecas pelo resto do dia.
E quando comecei a olhar ao redor da ilha, vi que era uma ilha simples, com um grande bosque de árvores e uma areia preta que rodeava tudo, não tendo nenhum resquício de terra em lugar nenhum.
Quando virei para a água de novo, vi um bando grande de gigantes, cheios de shorts e camisas de praia. Olhei um pouco mais longe, mais precisamente para as ondas, e vi como tinham muitos gigantes já nas ondas, e já surfando, era bem engraçado ver os gigantes que já entendiam melhor os truques e conseguiam surfar, e os gigantes que não conseguiam aguentar por muito tempo e acabavam caindo no mar branco e tinham que ser salvos pelos professores. Sabia que não devia rir daquilo, porque eu provavelmente iria pior que eles já que seria a minha primeira vez, principalmente encarando um maremoto como uma primeira onda, mas respirando fundo, eu estava disposto a encarar aquilo e fui pra cima.
Fui um pouco mais fundo na floresta, até achar um banheiro e um provador, e troquei minha roupa, colocando um short simples e saindo com uma prancha especial que era boa apenas pro mar branco, olhando todos aqueles gigantes praianos, não demorei muito pra achar o gigante certo, por que segundo os registros, dizia que ele sempre usava uma blusa de flores aberta pra mostrar seus músculos, e nunca a abotoava nem mesmo pra surfar, e olha quem diria, só um gigante usava uma blusa de praia desse jeito. Pensei que andar ate ele seria facil, mas vendo como aquilo iria demorar uma eternidade, decidi apenas levitar com minha magia até ele, que ainda levou uns 5 minutos só pra eu chegar na cabeça dele.
E novamente, aqueles gigantes estavam em seu tamanho normal de 30 metros, eu tinha começado a ver muitos Gigantes em seu tamanho normal, e sabendo que eles só se encolhiam pra não acabarem machucando ou pisando em outras raças sem querer, eu me sentia poderoso de conseguir vê-los de forma natural. O professor me notou quando fiquei bem ao lado dele, mostrei a ele a minha prancha e falei.
Antonio: hi, i am Antonio, i came here to learn how to surf
Professor: oh, yes, I heard that you are coming, Mr.Antonio, you can start in that group over here.
O Professor falou isso enquanto apontava para um grupo de novatos, muitos deles eram de raças diferentes como eu, mas eu não estava ali pra me enturmar com ninguém, eu tava apenas para aprender a surfar, e considerando o que eu tinha que fazer, eu precisava me esforçar muito para conseguir conquistar aquela onda.
Minhas primeiras aulas foram bem tranquilas, além de todo mundo ser bem legal e tranquilo, primeiro eu apenas aprendi sobre as poses, como me equilibrar na prancha, e depois que eu aprendi a me equilibrar, comecei a diferenciar as ondas, ondas perfeitas, nem grandes nem pequenas demais. Demorou um bom tempo pra eu conseguir acertar o tempo pra pegar as ondas.
E nesse meio tempo, tentei aperfeiçoar mais minhas habilidades pra chegar na ilha, por que com todas as corridas que eu fazia com o zorro, o cavalo ficava cansado bem rápido, mas com o passar das semanas, e mesmo apenas visitando aquele lugar só algumas vezes, o Zorro começou a ficar muito mais poderoso, e logo, parou de se cansar sempre que nós chegavamos la e tínhamos que correr de alguma onda, e na verdade, chegou até a correr o trajeto todo, sem se cansar em nenhum ponto, e eu achava aquilo muito maneiro.
E o Zorro não foi o único que melhorou, assim que eu finalmente tive a chance de entrar numa onda de verdade, eu entendi que o verdadeiro teste começou, e eu entendi na hora que me equilibrar nas ondas imensas e me equilibrar na areia preta do mar branco eram totalmente diferentes, mas ainda era irado pra caramba, eu perdi a conta de quantas vezes eu cai, e era naquelas horas que eu agradecia por ter um professor gigante, por que ele conseguia me pegar antes que eu caísse do mar branco. Também fiquei melhor com o tempo, principalmente graças aos outros gigantes professores que faziam questão de entrar na onda comigo e me instruir.
Professora: the tip of your board was too far inside the wave, try taking further out
Antonio: I AM TRYING!
Claro, que por eu não estar muito acostumado em falar a língua dos gigantes, eu levei mais tempo para entender as dicas, mas com o passar dos meses, comecei a fazer tudo do jeito certo, a cada aula demorava cada vez mais pra eu cair da prancha, e logo, os meus colegas de surfe começaram a falar comigo.
Surfista1: woah, bro, you rock, what is our secret
Antonio: there is no secret, it is just effort and dedication
Surfista 2: it is, Abanete, effort and dedication, something you should experience
Surfista1: OH, SHUT UP JAOREM
Sentia que eu nunca mais iria me encontrar com aqueles surfistas quando conseguisse o que eu queria, mas era bem bacana conversar com eles ainda sim.
E depois de algumas aperfeiçoações, quando eu me equilibrei numa onda pela primeira vez, nem eu mesmo acreditei no que eu fiz, eu tava surfando tão rápido em uma onda digna de um desastre natural, e o melhor de tudo era que eu não tava usando magia, tudo que eu tava fazendo era natural.
Professora: very good, new we just need to improve some things
E os próximos dias eu passei apenas me aperfeiçoando e melhorando em surfar, com o tempo, meus colegas começaram a fazer isso tambem, ate que um dia, nós estávamos num grande maremoto extenso, uma onda que poderia ser dita como "perfeita" para gigantes, e infelizmente, nenhum dos meus colegas gigantes conseguiu me acompanhar, e até a professora pareceu entender o que estava acontecendo e decidiu recuar pra não atrapalhar meu momento.
Em um instante, eu estava dentro do túnel da onda, um lugar especial, onde parece que você está enrolado pelo mar, segundos antes da onda desabar em cima de você, eu já me sentia incrível lá dentro, parecia que eu estava dentro de um tornado de ventos, e eu podia escapar quando quisesse, mas vendo como estava começando, parar e sair era a última coisa que eu queria naquele momento.
A imagem que eu apenas conseguia imaginar durante as minhas pesquisas foi criada na minha frente, enquanto parecia que eu estava dentro de um tornado de nuvens, tudo ao meu redor havia ficado transparente, transparente o suficiente pro grande sol do território brilhar em mim, criando uma grande aparência angelical ao meu redor, e logo abaixo de mim, tudo que eu conseguia ver era não apenas o meu Reino, nem o Reino das fadas, mas os dois reinos, junto com os grandes rios que cruzam pelos dois reinos, as montanhas que eram nascentes de água perto do Reino das fadas, e até o único rio imenso de uma nascente perto de outra floresta passando pelo grande reino sapien.
Os passarinhos estavam voando abaixo de mim, e ao meu redor, grandes peixes bolhas (habitantes do mar branco) começaram a saltar perto de mim, a ponto de atraírem os tubarões bolhas, o que eu achei incrível, eu não sabia quando aquilo iria acabar, mas eu aproveitei cada momento daquilo.
Então, a segunda coisa que acontecia depois de ficar muito tempo num túnel, começou a acontecer, raios começaram a se formar na minha prancha, até eles serem absorvidos e disparados por trás pela minha prancha, e quase como se eu tivesse sido cuspido, os raios propulsionaram a minha prancha e eu fui lançado pra fora da onda, eu fiquei tão rápido que eu consegui ultrapassar a onda e ir direto para a areia de novo, mesmo depois de tudo que eu aprendi, fiquei impressionado como no fim, eu realmente tinha conseguido fazer aquilo de primeira.
Estando de novo na ilha, os Gigantes começaram a bater palmas pra mim, com o professor indo até mim, me colocando na mão dele e falando.
Professor: you were amazing there, you want to try again?
Antonio: you bet it does.
E eu continuei indo lá com o Zorro, até eu não ter mais nada a aprender com o Gigante, e não foi nem arrogância, ele mesmo falou que não podia me ensinar mais nada e me liberou, então eu passei uma boa parte dos meus dias visitando ilhas cheias de ondas brancas, e me arriscando nelas, eu quase cai no mar azul várias vezes, mas pra minha alegria, existiam muitos gigantes salva vidas naquelas ilhas, então eu nunca passei por um perigo extremo, hmhmhmhmhm, HAHAHAHAHAHA, mas eu me sentia incrível de ter conseguido isso, e por enquanto eu só iria chamar o meu querido amigo especial pra um outro lugar muito especial.

