Então, o fim de semana realmente chegou, nos meus primeiros dias trabalhando, os fins de semana pareciam tão distantes que eu nem pensava que algum dia eles iriam chegar até mim, mas agora era o contrário, agora que eu estava acostumado, os fins de semana tem chegado bem rápido, apesar de todos os momentos que o tempo parecia mais devagar, eu sentia como os dias sempre ficavam mais rápidos quando eu estava fazendo tudo da forma certa.
E esse fim de semana, estava indo numa expedição solo com o Zorro, eu saí do reino Sapien pela primeira vez, e cavalguei bastante, percebendo como o mundo parecia maior, mais perigoso e muito mais brutal que o mundinho perfeito, tranquilo e bem cuidado dentro das três muralhas de XXX. Eu estava muito mal acostumado em falar o nome do meu reino, isso era o quão incomum era de eu sair dali, mas tentei não pensar muito nisso enquanto minhas cavalgadas continuavam.
(LEMBRETE, CRIAR UM NOME PRO REINO SAPIEN)
Eu olhei ao meu redor, vendo como, fora das muralhas, tinham muitos monstros perigosos, sapiens muito primitivos (homocavernosos, homoerectus, homoneandertalences) que não eram considerados humanos, tigres, leões, elefantes de presas carmesim, mas não me preocupei com nenhum, por apenas dois motivos, "blefe e poder de verdade".
Muitas vezes, os animais olhavam pra mim, me viam com bastante tempo, e depois pensavam "perigoso demais, não vale a pena". Muitos deles eram tão fortes e até mais fortes do que eu, mas seria uma luta equilibrada, e como não tinha médicos na selva, eles não queriam gastar a própria energia lutando com algo que eles não sabiam que podiam vencer.
Eu detectei e olhei cada predador que tentou me pegar de surpresa, e depois de ver como a emboscada dele falhou, o predador recuava. Ainda não precisei blefar, tentando ficar grande ou parecer bem mais poderoso do que eu era de verdade, por que até agora, nenhum deles era poderoso ou desesperado o bastante pra tentar me atacar.
E quando cheguei nas fronteiras do reino das fadas, me dei um tempo pra mim mesmo para me deliciar com a visão linda na minha frente. Cada tronco de árvore tinha todas as cores que já existissem no mundo, folhas pretas como a noite, fazendo a cor dos caules ficarem ainda mais fortes. E todos aqueles troncos eram todos decorados e entalhados com rostos, às vezes assustadores e às vezes com desenhos de animais e de borboletas.
Eu levei tanto tempo pra chegar lá, mas agora eu estava finalmente ali. Mas eu me controlei, não podia perder a calma ainda, aquilo era apenas a entrada, e com muita calma, eu entrei na floresta, e a umidade física e a mágica daquele lugar me impressionou.
Quando entrei lá, era como se eu tivesse entrado dentro de uma espécie de lago, eu me sentia molhado, mas eu estava seco, minha magia estava ficando mais potente, eu me sentia com mais energia do que única, meus sentimentos estavam a flor da pele, e a evolução do Zorro parecia estar aumentando apenas com o ambiente que estávamos.
E no caminho, vi uma estrada feita de terra, bem longe das plantas e árvores, que até pareciam estar vivas, mas pro lugar onde eu iria, não precisava me preocupar com isso.
Eu caminhei com bastante cuidado, no meio do caminho, alguns mosquitos vieram até mim, mas com a minha pomada, eles não conseguiram me pegar, depois, uma barata do tamanho de um cachorro veio até mim, mas uma bola de fogo foi o bastante pra jogar ela pra bem longe de mim, e quando um rolante(um grande barril de pelos com o rosto de um monstro) foi até mim, ele me evitou e só foi embora.
Até que eu vi uma mariposa absurdamente linda, mas que conseguia disparar raios laser pelas asas.
Mas o auge foi quando eu vi uma grande aranha passeando por aí com grandes lobos a protegendo, quase como se fossem pets, foi absurdo.
Também vi monstros feitos de gás que conseguiam se mover usando pedaços de madeira pra criarem bonequinhos.
Outros eram coisas mais simples, como cachorros enormes que tinham duas cabeças.
E os mais doidos eram os grandes monstros, como elefantes, ursos, rinocerontes, todos pulando no meio de árvores como se fossem macacos.
Eu queria poder ver a grande atração do reino das fadas logo de cara, mas pro que eu iria fazer hoje, não iria dar.
Então eu finalmente cheguei lá, era uma grande árvore, uma árvore que podia ser dita anciã, ela era tão enorme que as raízes dela estavam expandidas por quase 5 quilômetros, as suas raízes eram tão findas que ela tinha se afundado na terra, e o mais irônico era que a porta do lugar que eu queria entrar estava afundada a ponto de precisar de uma escada extensa pra entrar, então eu respirei fundo e decidi abrir a porta sem problema.
Quando abri a porta do lugar, me dei de cara com milhares de olhos me observando, tinha um Sapien ou um gigante aqui e ali, mas a maioria eram fadas.
O lugar era um bar de madeira e terra simples, onde todos pararam o que estavam fazendo só pra me olhar, mas eu olhei cada um de volta, ou melhor, eu decidi não olhá-los, estudei o peito, levantei a cabeça, e andei devagar até o ponto do bar.
Na direita, eu vi várias fadas brincando de jogo da faca, na esquerda, vi algumas fadas fazendo tatuagens através de magias, olhando a direita de novo, vi um cara já nocauteado pela bebida que ele pediu, e pra esquerda mais uma vez, eu vi uma fada em específico fazendo um jogo de círculo quebra cabeça (uma versão de cubo quebra cabeça com tantos lados que ele virou uma esfera), mas ele parou o jogo só pra me olhar, e cuspir numa tigela estranha lá perto, onde todo mundo parecia cuspir.
Eu era carne nova pra eles, minhas próprias ações iriam mostrar pra eles se eu era uma presa ou um predador, se eles iriam me zoar até se cansarem de mim e me expulsarem, ou se iriam perceber que eu era como eles e iriam me deixar ficar ali.
Depois que eu me sentei no balcão, talvez na caminhada mais longa da minha vida, chamei a atenção da fada barman com uma tosse, tirei um saco de moedas certinhas pro que eu iria pedir.
Antônio: eu quero um delírio de verão por favor.
Então, silêncio, mas sem risada, só simples olhares de aprovação, passei no primeiro teste, e depois do barman ver a sacola e ver que tava tudo ali, ele foi preparar minha bebida, uma bebida sem álcool, pra ajudar minha Singularidade e minhas poções especiais a ficarem bem reguladas.
Até que meu segundo teste começou, um dos clientes foi até mim, e se eu não jogasse as cartas certas, iria começar uma briga de bar, e o pior era que, eu nem sabia se queria evitar isso também.
Cliente: bebida sem álcool? Ninguem te ensinou que ficar doidão é a melhor coisa da bebida
Antônio: talvez eu esteja afim de estar com minha cabeça no lugar parceiro, você deveria experimentar, parece que você perdeu a sua.
Um desafio, não tava a fim de conversa, mas eu iria responder se alguém me respondesse, o cliente me encarou, testando se eu iria recuar ou não, e assim como um animal, que não iria entrar numa briga que não podia ganhar, se levantou e falou.
Cliente: tem gente aqui que não sabe se divertir mesmo.
Muita coragem pra alguém que saiu com o rabinho entre as pernas, e com o barulho do lugar voltando, eu liguei minha magia de música, baixa o bastante pra eu ouvir o meu redor, caso alguém falasse comigo, algo útil quando o barman voltou e eu ouvi de forma abafada o que ele falou.
Barman: aqui seu delírio de verão, e bem vindo a árvore de halloween.
O meu copo não era nada fora da curva, era um copo colocado em uma flor de Roza, com um copo de gelo dentro dela. O líquido dentro do copo era um azul lindo enquanto tinha um limão no centro em forma de um sol de desenho.
Antes de dar o primeiro gole naquela belezura, decidi olhar em volta o lugar, era um clássico bar de madeira, com algumas fotos de fadas famosas em certos lugares, uma jóia incrustada com um feitiço de música em um canto, um estranho jogo de dardos em outro canto e até uma mesa de sinuca em outro lugar, era um bar completo.
Além das mesas de madeira pra todo lado, clientes cada um em sua doideira e grandes luzes, que davam uma alegria naquele lugar que fazia parecer o lugar perfeito pra começar uma aventura, mas eu só estava ali pra relaxar e curtir um pouco, e quem sabe, entender melhor algumas coisas, mas antes de eu falar qualquer coisa pro barista, uma voz doce e desconhecida falou comigo.
???: ola, eu conheço você?
Eu me virei em direção da voz, apenas para ver uma Sapien que parecia ter a idade do meu irmão mais velho, no máximo, ela estava toda maquiada, usando uma roupa bem curta e todo o resto dela indicava que ela era uma...garota da noite, era assim que se falava? Eu não sabia. Com esses pensamentos na cabeça, não sabia se ela realmente queria saber se me conhecia ou se ela estava fazendo algum dos jogos de contrato dela, de qualquer forma, eu apenas falei pra ela.
Antônio: ah, não, você deve estar me confundindo com outra pessoa.
E a moça apenas foi embora, parece que ela não estava de serviço, ela só pensou que me conhecia mesmo, sozinho com o Barman de novo, eu perguntei.
Antônio: então, ouviu algum rumor recentemente?
Barman: fiquei sabendo que a corrida de triceratops irá acontecer em breve
Antônio: o que é isso?
Barman: é uma ocasião onde milhares de pessoas do mundo se reúnem, enquanto vários triceratops são postos pra correr em uma grande estrada, e o objetivo das pessoas que participam dela devem fugir dos triceratops até a linha de chegada sem magia
Antônio: tem um prêmio pro primeiro lugar?
Barman: o primeiro lugar, normalmente recebe um ovo de um dinossauro aleatório, e o segundo lugar recebe um ingrediente de ferraria raro, o terceiro lugar recebe um ingrediente de poçoes e por aí vai
Antônio: que maneiro, é só isso?
Barman: claro que não, também tem o grande concerto animalesco no setor 9. E não, não é um concerto que animais tocam, è um concerto onde nós tocamos para animais
Antônio: isso é uma tradição ou algo do tipo?
Barman: as fadas locais dizem que a música melhora o leite, os ovos e as outras coisas dos animais, pois eles parecem gostar muito de música por algum motivo, e como tem muitos turistas que gostam disso, eles começaram um evento disso
Antônio: por falar em evento, você sabe se vai ter algum grande feriado em algum momento?
Barman: claro, vai ter o grande festival dos gafanhotos, onde vemos o desastre natural que é uma grande horda de gafanhotos do tamanho de porcos tentar devorar por inteiro nossa floresta, e falhando
Antônio: por que eles falham?
Barman: aí você vai ter que ir no festival pra ver, não quero estragar a surpresa
Antônio: ah, é, e também, eu ouvi dizer que por aqui existe um gêiser que suga a água ao invés de expulsá-la, ele existe mesmo?
Barman: ele existe sim, mas sugiro você não ir lá agora, nessa época o lugar tá sempre cheio, espera até o ano que vem
Antônio: anhan, claro.
Passei o resto do tempo conversando com o barman, também fiquei um tempo só tomando minha bebida, ela era simples, mas bem gostosa em sua simplicidade, ela era doce, um pouquinho amarga e com um toque de morango misturado com tangerina. Não fazia ideia que esses sabores podiam se misturar tão bem, mas quando terminei meu primeiro copo, eu já queria outro.
Mas então, outro cliente chegou, e novamente era carne nova chegando, ele era bem medroso, eu o olhei junto com os outros, e ele estava tremendo, olhando pra baixo, e parecia que só queria um lugar pra ficar. Só o olhando, podia ver que ele não tinha experiência naquilo.
Cliente2: (tosse) pode me ver um copo de água?
Eita, já era, os outros clientes já estavam indo pra perto dele, e eu não me meti naquilo, o que o garoto passou foi inevitável, os clientes o jogaram com perguntas, o jogaram em um canto, até que ele fugiu...estava triste por aquele garoto, mas com a forma que ele entrou e se comportou, aquilo era inevitável, um dia, talvez ele conseguisse entrar ali, mas por enquanto, ele era apenas uma criança.
Antônio: tem gente que quer crescer rápido demais
Barman: pois é, ainda bem que temos senhores tão gentis aqui em dizer que aqui não é lugar pra criança
Antônio: um brinde a isso.
E depois de mais 4 copos, me senti satisfeito pra voltar pra casa e apesar daquele não ser o melhor lugar do mundo, era um lugar bem legalzinho pra passar o tempo, e também bancar uma de durão (algo que eu gostava mais do que queria admitir) e voltei pra casa.
Eu me acostumei com a umidade mágica do reino das fadas mais cedo do que eu imaginei, a ponto de que, quando eu voltei a secura dupla das terras vastas, eu fiquei com sede um quase de forma instantânea, mas me segurei.
Fiquei tranquilo em ver que já tava de noite, e pra muitos, a noite era perigosa por que tanto predadores e animais mais perigosos apareciam nessas horas, mas com tranquilidade em mim, eu permitia que meus olhos se enchessem de mana, e começassem a brilhar no escuro, por que no momento em que ficava mais difícil pras pessoas me verem, eu me sentia mais solto pra liberar meu poder, e os animais que antes me evitavam, agora começaram a me evitar como se eu fosse perigoso, e no fim, talvez eu fosse mesmo.
Eu estava com fome, algo naquela bebida, mesmo sem o álcool, me deixou cheio de energia, eu queria caçar alguma coisa.
E no meio da escuridão, eu vi, um grande tigre com listras brancas e com garras feitas de fogo. O animal me desafiou com os olhos por bastante tempo, até ele não aguentar mais e saltar em cima de mim, com toda a ferocidade do mundo.
Eu não desviei meus olhos dele por um segundo, em um minuto, o tigre estava na minha frente, e no outro, ele estava com a cabeça voando, por que o Alex, meu Golem mais poderoso, e com a jóia de alma mais desenvolvida que já pus as mãos até agora, foi montado em um segundo e cortou a cabeça dele com sua espada, antes do animal sequer saber o que aconteceu.
Mas foi além disso, ele além disso cortou os ossos do animal, arrancou os pedaços ruins (como o intestino e os rins) pra não contaminarem a carne, e terminou tudo deixando toda a carne comestivel num canto, e toda a carne descartável que iria ficar pra outros predadores, ali.
Alef: algo neutralizado senhor
Antônio: muito bem Alef, agora me proteja enquanto eu como.
E com a maior tranquilidade do mundo, chamei mais 9 golens para Alef liderar, fiz fogo e comecei a fritar a carne, mais animais chegaram, pensando em roubar minha caça de mim, mas depois de verem o que aconteceu com o tigre, eles fugiam, os mais corajosos apenas conseguiam se alimentar do resto de carne que eu decidi não fritar.
Carne de predador era dura, fedida e tinha um gosto horrível, mas por algum motivo, eu não conseguia parar de comer aquilo, assim como os peixes que eu pescava com o Brutus às vezes, comer algo que você conseguiu por conta própria, tinha um gosto especial, era mais pelo sentimento que pelo sabor.
Quando terminei minha refeição, deixei o resto da comida ali para os predadores, e fui pra casa. E quando cheguei no reino dos Sapiens novamente, as coisas ficaram ainda mais fáceis, porque bandidos, na maioria das vezes, só miravam em presas fáceis, e vendo como minha roupa ainda tava suja com o sangue do tigre que eu matei (coisa que me fez ser parado por um guarda, mas depois que eu expliquei o que aconteceu, ele me deixou ir) eles sabiam que eu não podia só ser derrotado de forma fácil assim, então me deixaram em paz.
Quando cheguei em casa, todo mundo me recebeu muito bem, e minha mãe foi falar comigo.
Mãe: oi filho, ainda bem que chegou, a comida tá quase pronta
Antônio: ah, tá tudo bem mãe, eu tô cheio, eu comi um tigre enorme do caminho pra cá
Mãe: você comeu um tigre!? E ele era bom?
Antônio: na verdade não, mas eu tinha matado ele, não dava pra desperdiçar
Mãe: (estala língua três vezes) onde é que você tá se metendo garoto?
Antônio: em lugares que eu sei que eu dou conta, e tudo graças a isso aqui.
Falei pra minha mãe enquanto eu tirava meu cajado do modo colar e o transformava de novo em um cajado cheio de raízes dos pés a cabeça.
Mãe: hmhmhm, meu menininho já virou um homenzinho
Antônio: é...quem sabe.
Acabou, podia não ser ideal, podia não ser perfeito, mas eu me sentia um adulto, um adulto de verdades e depois de tudo que passei com meu pai, do que eu resolvi com ele, e o que eu descobri ainda mais de mim mesmo, eu estava tão calmo e feliz, que não tinha dúvidas, eu era um adulto, e não podia estar mais feliz com isso, e agora eu iria compartilhar minha felicidade com alguém bem especial amanhã.

