Em um desses momentos, eles tentaram me oferecer bebidas, eu era maior de idade e legalmente já podia beber, mas não tomei uma gota de álcool a festa toda, e sempre que um cavaleiro me perguntava o por que, eu sempre falava a mesma coisa.
Antônio: não posso, eu tomo poções especiais
Guarda1: como assim?
Antônio: me avisaram que coisas ruins poderiam acontecer se eu misturasse o álcool com as opções
Guarda1: tipo o que?
Antônio: eles não deram detalhes, por que álcool, quando misturado com qualquer poção especial nunca acaba bem, e eu já passei coisas o bastante com a minha Singularidade pra não querer descobrir o que vai acontecer.
E de forma bem respeitosa, cada um dos cavaleiros deixou que eu bebesse os refrigerantes sem problema algum, e depois eu vi que o Brutus, e muitos outros cavaleiros também bebiam refrigerante, muitos deles bebiam por serem Singulares, ostentando colares de girassóis assim como eu e o lobinho, enquanto outros bebiam por que só preferiam o refri ao álcool. (Eu sabia por que eu perguntei pra eles). E mesmo que tivesse os bêbados e os não bêbados, todo mundo era tão doido, agitado e com "poucos limites" que todo mundo já parecia bêbado na festa.
Guarda4: eu amo muito você, e eu não sou de falar isso
Guarda5: eu sei disso, por isso te amo também.
Eu tinha quase certeza que aqueles dois cavaleiros não estavam bêbados, o que de certo modo deixava aquela cena mais maneira na minha cabeça por alguma razão.
A doideira da festa continuou, até que o Brutus gritou, parecendo mais doido e energético do que o normal, o seguinte.
Brutus: ESCUTA AQUI PESSOAL, ESSE CARA AQUI É MUITO FORTE, EU GARANTO QUE ELE CONSEGUE VENCER QUALQUER UM DE VOCÊS FRANGOTES NUMA BRIGA DE BRAÇO
Antônio: pra, eu não diria todos
Brutus: ANTÔNIO, COMO SEU MELHOR AMIGO, EU TE DESAFIO A TER UMA QUEDA DE BRAÇO COMIGO.
Hmhmhmhm, não sabia por que, mas ser desafiado pelo Brutus, seja por qualquer motivo, sempre ascendia uma chama de adrenalina em mim. E com um sorriso de desafio, que é uma mistura de ódio e felicidade, eu falei, quase como um predador.
Antônio: vamos pegar uma mesa.
Então os outros cavaleiros prepararam uma mesa, e com cuidado, eles colocaram muitos feitiços, e técnicas de resistência nela, pra impedir que ela quebrasse com a nossa força.
O Brutus desacoplou o metal do seu braço direito, mostrando um braço com um bíceps enormes, um ante-braço com veias saltando, e uma mão beeeem acostumada a segurar espadas por dias a fio, sem comer e dormir e ainda segurar a espada.
Para me colocar de igual pra igual com isso, enrolei o manto do meu braço, e de novo, todo mundo ficou impressionado com os músculos do meu braço. Claro que eles não eram gigantes como o do Brutus, mas eles eram definidos o suficiente para eu ouvir alguns da multidão questionarem se eu era realmente um mago. Essa confusão acontecia mais vezes do que eu pensava, e de certa forma, eu gostava bastante disso.
Eu agarrei sem nenhum problema a mão do Brutus, eu via nele olhos cheios de rancor e cheio de vontade de uma revanche, mesmo que eu lembre como ele me venceu na última vez, ou eu estaria lembrando errado?
Bom, ele venceu de mim em lutas, eu acho, mas em quedas de braço, acho que era a nossa primeira vez, e era até doido pensar nisso, eu sequer sabia se nós devíamos usar mana ou aura no concurso, mas quando o jogo começou, vi que ele estava indo só no físico e sem nenhum poder, e apesar de ser bem difícil, eu aceitei o desafio.
O Brutus foi bruto, ele me olhou nos olhos enquanto ele ganhou nos primeiros segundos, quase fazendo eu encostar minha mão na mesa fazendo minha palma estalar, mexendo a mão dele a ponto de me machucar, mas eu não desisti e continuei pondo força, e mais força.
Até que eu comecei a forçar meus dedos, forçar a ponto de eu apertar a mão dele e fazê-lo parar de machucar a minha e só focar em apertar, mas o aperto dele era bem mais fraco que o meu, pois o meu aperto estava acostumado a agarrar as rédeas de um cavalo por várias horas, aguentar os coices de recuo de feitiços potentes de um cajado e principalmente agarrar os meus pesos enquanto eu tenho treinos constantes.
O Brutus era forte, a ponto de que nós ficamos 29 minutos apenas trocando de lugar várias vezes, mas no fim, apostei tudo num movimento onde parei de respirar, e usei toda a minha força pra por a mão dele no chão. A minha cara ficou vermelha apenas pelo esforço, e por mais que o Brutus aguentasse, ele não podia manter a mão, e com muito esforço, eu coloquei a mão dele na mesa.
O rosto de pura descrença do Brutus foi algo que realmente me pegou, mas eu não me aguentei e gritei cheio de alegria, eufórico, e depois de uma apresentação dessa, todo mundo gritou comigo, começou a gritar meu nome, e começou a fazer ola.
O Brutus estava feliz comigo, mesmo quando eu soquei ele no ápice da minha alegria e euforia, ele não pareceu ligar. Tudo estava ótimo, até que um cavaleiro que eu tinha certeza ser bem mais fraco que o Brutus(um cavaleiro jovem, que tinha cara de ter entrado ali recentemente, assim como o Brutus) foi até mim e falou.
Guarda6: tá bom, é a minha vez.
Então eu passei o resto da festa apenas fazendo quedas de braço com todo mundo, e apesar do meu braço queimar pelo esforço, eu continuei fazendo isso, feliz demais para parar uma única vez, alguns outros cavaleiros eram fáceis, outros eram apenas um pouco mais fracos do que o Brutus, mas eu venci de todos, pelo menos até chegar a vez do capitão.
Ele não veio até mim na hora, depois que o último cavaleiro foi até mim, ele deixou eu relaxar, esfriar o braço, comer alguma coisa, conversar mais com o Brutus, até que meu braço ficou normal de novo, depois ele foi na hora até mim e me pediu um jogo.
Eu meio que já sabia o que ia acontecer, mas sabendo que nada de ruim ia acontecer comigo, aceitei mesmo assim. E assim como eu esperava, eu coloquei força, muita força, e cheguei até ficar com a cara vermelha de novo, mas mesmo assim, o Capitão sequer parecia estar colocando força em seu aperto, então, de forma bem tranquila, ele colocou uma força razoável no braço e levou meu braço lentamente até o meu lado da área, eu tentei resistir, eu sabia que ia perder, mas no meu maior desespero no momento, eu coloquei as duas mãos pra parar o Capitão nem no finalzinho, mas mesmo com a força de dois braços, não consegui fazer o Capitão usar sequer metade da força dele, ele sequer parecia estar se esforçando.
E de novo, todo mundo ficou animado e fez várias olas ao mesmo tempo, todos gritando pelo seu capitão.
Guarda7: esse é o nosso capitão.
O capitão olhou pra mim com muito carinho e perguntou.
Capitão: está chateado? Ouvi dizer que você se formou recentemente
Antônio: "sempre vai ter alguém melhor que você". Pessoas que não entendem isso não sobrevivem na maioria dos ramos
Capitão: gostei da sua atitude, não é atoa que meu braço direito tem tanta consideração por você, eu adoraria que você ficasse mais, mas, acho que terá que voltar logo pro seu posto, não é?
Antônio: eu ainda tenho um tempinho, um que eu queria poder passar com seu Vice capitão de novo, se não se importar
Capitão: pode levá-lo, como eu disse, está tudo nos conformes, pelo menos por enquanto.
O Capitão era um cara legal, então, pegando o Brutus, decidi levá-lo para um lugar tranquilo e mais afastado de todo mundo de novo, e dessa vez, com a lua minguante dando um ar misterioso ao céu cheio de estrelas no céu, decidi que iria falar aquilo pra ele agora.
Antônio: eu sou um idiota, e um completo babaca.
Deixei aquela fala ficar no ar, pra saber o que o Brutus realmente pensava, mas ele não parecia discordar nem afirmar aquilo, e com um olhar sereno, apenas perguntou.
Brutus: por que diz isso?
Antonio: porque eu fui um babaca completo, e joguei uma raiva imensa em cima do meu pai em algo que não foi culpa dele.
E novamente, silêncio, mas não um silêncio que julga, ou um que ignora, mas sim um silêncio de pensamento, o Brutus estava pensando com bastante cuidado no que eu disse pra me dar a melhor resposta, mas depois de pensar bastante, e entender que eu não tinha falado o bastante pra ele, ele falou.
Brutus: me conta em mais detalhes
Antônio: Brutus, você sabe que, apesar de tudo que meu pai fez, pra descobrir minhas maldições e me tratar, no fim de tudo, eles acabaram deixando passar algo muito importante, não é mesmo
Brutus: é, eles acharam tudo, menos a coisa mais importante
Antônio: os super sentidos não eram algo muito conhecido na época, era algo recente...mas quando eu descobri o que eu tinha...eu fiquei com muita raiva, raiva por tudo que eu passei e ninguém entendia, raiva por todas as vezes que eu fui repreendido e chamado de maluco, quando eu só precisava de ajuda, e raiva por todas as coisas que eu não precisava sofrer, mas sofri por que ninguém tinha um nome pro que eu tinha...uma raiva que apenas se apagou recentemente
Brutus: deixa eu adivinhar, essa raiva foi toda gasta no seu pai?
Antônio: depois de tudo que ele fez com a minha mãe, depois de todas as coisas que ele negou que eu era, e depois de todas as coisas ruins que ele fez em geral, era fácil odiar ele, então eu joguei todo o ódio de eu não saber que eu era um Singular nele...mas não era tão simples também, a minha raiva era tão intensa, que me fez anular quase tudo de bom que ele fez comigo, ela me fez lembrar apenas das vezes em que ele gritou e me repreendeu, não me lembrando direito de quase nada de bom. Além de...que parece que a raiva distorceu minha própria visão várias vezes, fazendo com que eu visse meu pai como um monstro, desde que eu descobri que eu era amaldiçoado, eu nem tenho mais certeza se o que eu lembro aconteceu de verdade ou não.
E novamente, silêncio, o Brutus apenas ouviu palavra por palavra o que eu falei, até ele responder.
Brutus: e o que aconteceu?
Antônio: a raiva passou...sempre que eu dizia pra alguém o quanto eu estava irritado com meu pai, elas diziam coisas como "você não pode ficar com raiva dele pra sempre, ele é seu pai" ou alguma variante disso, mas eu sabia perfeitamente bem desse detalhe, muuuuuito bem mesmo. Eu nunca quis ficar com raiva do meu pai pra sempre, pra sempre é muito tempo, mas eu também não queria apenas ignorar toda a raiva que eu tava sentindo, não seria justo com os meus sentimentos, nem comigo mesmo, então eu dei a mim mesmo o benefício de sentir tintim por tintim toda aquela raiva, e mesmo que eu tenha jogado a raiva na pessoa errada, não me arrependo do que eu fiz, eu estava mal, é algo pior podia acontecer se eu tivesse apenas guardado a raiva...e olha só, com a minha raiva totalmente vazia, consegui pensar o bastante pra saber de quem eu realmente estava com raiva, percebe como as coisas se facilitaram depois que deixei toda a raiva passar.
Então, um rosto de felicidade, contemplação e empatia surgiu no rosto de Brutus. Eu conhecia aquele sorriso, era o sorriso que ele dava sempre que eu dava a ele a peça faltando pra um quebra cabeça que ele não conseguia completar sozinho, ele quase chorou, mas conseguiu se controlar a tempo e falou.
Brutus: obrigado Antônio, agora eu sei que a raiva que eu ainda sinto pelas minhas irmãs mais novas não é algo que eu devo apenas ignorar, mesmo que o nosso relacionamento esteja muito melhor
Antônio: você tem certeza que a raiva é direcionada a elas?
Brutus: talvez seja mais como você disse, é muito mais uma raiva de toda a sociedade por demorarem tanto tempo pra descobrirem o que eu tinha, mas como você mesmo falou, descarregar minha raiva na sociedade inteira é bem mais difícil que descarregar a raiva em alguém que teve culpa de eu ter ficado assim
Antônio: não é meio covardia fazer isso com elas? Mesmo depois do que elas fizeram para você não acabar na casa de reabilitação logo que você se manifestou
Brutus: elas me ajudaram a me esconder, não foi nada além disso
Antônio: isso é o que você fala pra si mesmo em seus pensamentos mano, se você realmente pensa essas coisas então diga elas em voz alta, assim eu irei acreditar em você.
O Brutus parecia bem irritado, mas não comigo, era irritado e nervoso com suas próprias emoções, como se cada resquício daquelas memórias fossem dolorosas em um nível extremo. Mas mesmo assim, ele não via nenhum problema em contar da primeira vez que ele se manifestou, não pra mim pelo menos.
Brutus: meus pais tinham saído pra um encontro, e deixaram o Davi no comando da casa, minhas irmãs nunca foram sapecas, então elas não lhe deram trabalho, ele não fazia ideia, mas naquele dia, eu tinha reunido força o bastante para conseguir me manifestar pra fora, depois de anos onde ele me ignorou ao mesmo tempo que me alimentou com pura raiva, ódio e inveja das irmãs.
O Brutus fez uma pequena pausa, e só pelo rosto dele, era possível ver o quanto de sentimentos misturados, tanto positivos quanto negativos estavam naquela única lembrança.
Brutus: quando eu me manifestei pela primeira vez, eu dei um rugido tão profundo que as minhas irmãs foram imediatamente no meu quarto, sabe, pra ver o que tinha de errado, e quando elas me viram ali, transformado. Melina ficou com medo e até gritou, mas a Aline havia acalmado ela, e falado pra ela ficar lá fora enquanto conversava comigo...
Então o rosto dele mudou, de ódio e até alegria, pra puro terror.
Brutus: quando vi ela trancando a porta, e me deixando sozinho com ela, eu pensei que ela era muito ingênua, quando eu vi a luz pela primeira vez (olha as próprias mãos) nessa forma, de lobo (respira fundo) eu era apenas um poço de ódio, e eu descarreguei todo aquele ódio em uma criancinha que eu pensava nem saber por que eu estava com raiva dela.
Eu tentei focar no que o Brutus estava falando, mas não consegui, porque as lembranças que ele estava tendo eram tão intensas que a aura dele estava fazendo imagens do que aconteceu, mostrando ele e a Aline em terceira pessoa, em um quarto que, segundo a lembrança, estava queimando em uma aura do mais puro e simples ódio.
Brutus: AH, ENTÃO VOCÊ SE IMPORTA COMIGO AGORA!? PELO QUE EU LEMBRO VOCÊ SEMPRE GOSTOU DOS PRESENTES QUE EU TIVE QUE RALAR TANTO PRA CONSEGUIR
Aline: do que você tá falando maninho?
Brutus: VOCÊS SEMPRE FORAM AS FAVORITAS, ENQUANTO EU SENPRE TIVE QUE ESCALAR O INFERNO PRA CONSEGUIR O QUE EU QUERO, E ENQUANTO EU TÔ ME ESFORÇANDO COMO UM DOIDO, VOCÊS PODEM RIR E RELAXAR O QUANTO QUISEREM SEM NENHUM PROBLEMA NA VIDA
Aline: maninho, acho que você está exagerando.
É aquele foi o estopim pro Brutus atacar, a Aline era uma cavaleira, assim como o Davi na época, mas ela não revidou e nem defendeu os socos, ela apenas recebeu tudo, enquanto ouvia o Brutus falando.
Brutus: VOCÊS SEMPRE TIVERAM TUDO NUMA BANDEJA DE PRATA, ENQUANTO EU TIVE QUE CONSEGUIR TUDO EU MESMO
Aline: maninho, a mamãe e o papai se importavam com você sim, eles apenas pensavam que tava tudo bem com você, você sempre parecia bem
Brutus: EU AINDA SOU UMA CRIANÇA, UMA CRIANÇA SÓ 5 ANOS MAIS VELHA QUE VOCÊ! EU QUERO MEU DIREITO DE PERDER A CABEÇA TAMBÉM!
E mais uma vez, uma sequência de golpes começou, com a irmã não defendendo, sangrando e se machucando muito no processo, mas ainda se mantendo pacífica, enquanto o Brutus, que parecia cada vez mais distorcido em fúria, parou de parecer apenas irritado, na verdade, a cada golpe o ódio parecia diminuir, e ser preenchido por uma grande tristeza, algo que eu mesmo estava bem familiar, até ele parecer estar prestes a chorar, algo não surpreendente vindo de um garoto que estava deixando tudo que guardou sair de uma única vez, e que pelo próprio conhecimento, tinha acabado de nascer, ou "fugir" pra realidade.
Era engraçado, a Aline estava muito machucada e até sangrando, mas o Brutus parecia mais afetado do que ela em todos os sentidos.
Aline: você podia ter contado pra eles quando quisesse
Brutus: EU SEI!
E mais um estopim, mas não pra raiva, mas pra tristeza, depois daquele simples "EU SEI", os golpes pararam, os dois apenas se encararam por alguns segundos, até o Brutus perder a força nas pernas, e começar a chorar e se agarrar em sua irmã até ela se ajoelhar no chão, e fazer carinho nele, nem ligando que ele a machucou ou que ele tinha virado uma variação de lobisomem.
Aline: fica calmo maninho, eu tô aqui.
Uau, só, uau, aquela última parte mexeu bastante comigo, mas quando a manifestação de aura das lembranças se enfraqueceu, voltei a ouvir melhor a voz do Brutus.
Brutus: depois de um tempo, meus pais chegaram, quando eles nos viram, eu pensei que ele iriam me empurrar pra longe e cuidar apenas da Aline, mas não, meu pai cuidou dos ferimentos dela, enquanto minha mãe cuidou dos meus...eles cuidaram de mim, me deram voz pra conversar depois de tanto tempo, e depois de pensar por uma boa parte da minha vida que eu era apenas raiva e rancor enquanto eu ainda estava preso dentro do Davi, eu descobri através da aceitação da minha família que eu era apenas uma criança, uma criança que não teve lugar pra ser ela mesma até ela finalmente não aguentar os próprios sentimentos, e jogar eles pra fora...
Enquanto ele falava aquelas últimas frases, era quase como se ele tivesse entendido algo super importante, o que me deixou bem feliz.
Antônio: viu? Não te falei que falar em voz alta deixa as ideias melhores?
Brutus: sempre me ensinando coisas novas, mesmo velho desse jeito, você sempre me impressiona Tony
Antônio: não fala como se nós fossemos velhos Bro, nós somos jovens adultos, e pelo que eu sei, nossa jornada só está começando.
Eu falei isso enquanto olhava pro lado verde da muralha, onde tinham tantos animaizinhos pacíficos, tantos monstrinhos bem cuidados e tantos campos verdes, que foram capazes de se desenvolver graças a mãos experientes e velhas que mantiveram o lugar seguro.
Antônio: mas você esqueceu de falar algo beeeeeem importante nessa memória
Brutus: o que?
Antônio: que os seus pais te reconheceram, mesmo quando você tinha virado um lobo, eles tentaram te entender, e acima de tudo, eles entenderam que você precisava de ajuda
Brutus: pois é...diferente do Davi, que jogou a raiva nas irmãs, eu joguei a raiva em todo o mundo, toda a sociedade que decidiu que todas as coisas que me formaram, todos os sentimentos que me alimentaram, e cada parte que o Davi rejeitou e comprimiu até formarem "eu", eram ruins e tinham que ser descartados. O meu ódio foi tão intenso que eu fui pra casa de reabilitação 3 vezes antes de me acalmar de vez...mas sinceramente estou feliz que agora não tenho mais esse ódio, e nem recebo mais nenhum ódio do Davi, agora, ele é ele e eu sou eu
Antônio: do jeito que deveria ser
Brutus: é...do jeito que deveria ser
Antonio: me fala, ele já consegue te tirar do controle?
Brutus: não, só quando eu deixo, se eu quiser, ele vai ficar dormindo até eu deixar
Antônio: que doideira
Brutus: bom, isso por enquanto, eu nunca sei quando ele pode de repente, me por pra dormir, mas por enquanto isso não aconteceu
Antônio: pois é, o futuro é imprevisível não é...e é verdade que a Aline que vai liderar a casa?
Brutus: ela sempre falava isso, falava com tanta convicção quanto eu na época em que eu falava que queria se um cavaleiro na idade dela, mas depois do meu episódio onde ela me fez sentir com profundo cuidado cada parte de mim, além da raiva que tinha em mim, ficou bem mais claro que ela era mais madura que a Melina para manter a casa
Antônio: quando a garota está séria, eu nem questiono isso...ela vai ser uma boa matriarca
Brutus: ainda mais com dois irmãos mais velhos incríveis pra ajudá-la
Antônio: não podia dizer melhor.
E com um sorriso largo, apenas aproveitei o horizonte, havia pouco tempo antes de eu ter que voltar a ação, mas por enquanto estava tudo bem.
Antônio: você é o máximo mano
Brutus: você também.

