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𝕻𝖗𝖊𝖘𝖆𝖘 𝖊 𝖘𝖆𝖓𝖌𝖚𝖊 🦖1
80🥊❤️‍🔥🧬evolução🧬❤️‍🔥🥊
2824 palavras • 16133 caracteres • ⏱ 11 min 18 s

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Ah, comer a carcaça foi bem difícil, porque, de todas as carcaças que eu já comi em toda a minha vida, aquela foi a que eu mais destruí, mas mesmo assim, ela parecia uma das carcaças com a carne mais dura que eu já tinha provado.


A minha fome continuava forte o bastante pra eu conseguir rasgar a carne, mas ainda foi algo bem difícil, e também tinha o pequeno detalhe que eu não desliguei meu Musth ainda.


Eu sabia que não ia ser nada bonito quando eu desligasse o Musth, então, era melhor eu apenas desligá-lo quando eu estivesse em um lugar completamente seguro.


E apesar do meu desespero pra me alimentar, eu consegui encontrar uma forma de beleza e cuidado quando eu comecei a comer o Torvossauro mais devagar e com um pouco mais de calma.


Primeiro, eu fiquei impressionado pelo quão dura era a carne dele, carne de predador era dura por natureza, mas a do Torvossauro ainda se destacava, em algumas mordidas, parecia até que eu estava comendo madeira.


E o mais doido era que minhas presas estavam tão longas, afiadas e desenvolvidas que a dureza da carne se tornou só um incômodo, e não uma dificuldade propriamente dita.


Já o sabor, talvez fosse o que mais se destacava ali, era parecido com o do Alossauro, só que bem mais forte. 


Ao invés de apenas ter o gosto de ferro puro, que era o que eu tava esperando, ele tinha um gosto único de um grande falcão, misturado com galinha, e misturado com bufalo, 3 carnes com 3 gostos extremamente diferentes.


E mesmo assim, o ferro parecia conseguir combinar esses 3 sabores de uma forma única que tornava aquele sabor ainda mais especial do que ele já era.


A carne do Torvossauro também tinha algo inacreditável, onde cada pedaço parecia ter um pouquinho da sensação que eu senti apenas no Tutano, pois o sabor me lembrava da grande sensação de preenchimento, eu me sentia cheio, recuperado, feliz e completo. E isso tudo apenas com a carne, essas sensações me deixaram curioso e animado pra saber qual sensação seria o sabor dos ossos.


E quando fui para o sangue, eu me impressionei com a “densidade” dele, porque, diferente do sangue comum, que era vermelho, o sangue do Torvossauro era mais escuro que o normal, como se tivesse mais testosterona que o normal.


Isso foi muito maneiro de descobrir, assim como também deixou o Torvossauro com o gosto de um super mega energético, algo que conseguiu me alimentar, fortalecer e ate reanimar por completo meu corpo. Em um nivel que, mesmo depois de todo o combate que eu passei até aquele momento, eu consegui acalmar um pouco a dor que eu tava sentindo.


E quando eu cheguei nos ossos? WOOOOOOHOHOHOHOHOOOOW, eu quase desmaiei de prazer, quando eu tomei os ossos daquele Torvossauro, eu me senti em uma viagem intensa de sabores e sensações dentro de mim.


O Tutano dos ossos dele literalmente me fez ter uma viagem, algo que apenas algumas músicas super específicas conseguiriam fazer. 


Eu fechei meus olhos e presenciei um grande paraíso cheio de ovinhos, depois eu vi uma grande floresta cheia de dinossauros adolescentes lutando pela sobrevivência, e depois eu vi a segurança de uma floresta densa, mas que agora, parecia bem mais familiar pra mim.


Eu ainda estava lidando muito com a fome, mesmo depois de comer aquele Torvossauro inteiro, mas existia algo naquela “viagem” que eu tive quando comi o Tutano do corpo dele que me ajudou a recuperar minha sanidade, não totalmente, mas o suficiente pra eu nao parecer um animal completo agora.


E depois de reduzir o Torvossauro inteiro apenas a ossos quebrados no chão, não deixando sequer a pele dele ficar pra trás, eu finalmente me senti bem o bastante pra encontrar um esconderijo.


E por mais cansado que eu estivesse, eu mesmo assim continuei andando me escondendo no meio da mata para garantir que nenhum predador iria aproveitar minha fraqueza.


E sempre sentindo a dor das mordidas nas costas de forma horripilante, a última mordida do Torvossauro, e o arranhão no peito, era horrivel pra mim que aquelas mordidas não paravam de sangrar, no fim, eu fiquei tão incomodado com aqueles ferimentos que não fechavam que, antes de entrar na caverna, eu peguei umas folhas, fiz algumas misturas e criei uma bandagem pra mim.


A dor continuou, mas eu pelo menos parei de sangrar.


E quando eu encontrei um esconderijo onde eu poderia descansar, eu entrei sem nem ver se já tinha alguém lá, e, ora quem diria, tinha alguém lá sim, era um Dilophosaurus solitário.


O Dinossauro era grande como o último Dilophosaurus que eu matei, eu tava cansado, muito cansado, mas eu nao tava pensando em fugir, todo o meu corpo me dizia que eu podia ganhar daquele Dilophosaurus, eu nao faria isso se não precisasse, mas se ele me atacasse, eu ia estar mais que disposto em matá-lo e devorá-lo também.


E pelo jeito, o Dilophosaurus pensou o mesmo que eu, pois ele andou até mim, manteve o contato visual comigo o tempo todo, parou quando ficou do meu lado, e olhou pra mim ainda mais, e depois passou direto por mim, não querendo puxar briga comigo.


Hehehe, finalmente consegui aquele nível de novo, o nível onde eu não era mais digno do risco pra certas espécies, não por ser fraco, bem ao contrário na verdade, mas sim porque eu era tão forte, que me caçar e me matar, não valia os danos da batalha.


Se um predador puder impedir uma batalha que ele não sabe se vai ganhar, é isso que ele iria fazer, e eu fiquei bem feliz em ver isso rolando de novo, hehehe, mas era melhor eu começar a cuidar da caverna antes de começar a devanear de novo.


E quando eu consegui aquela caverna só pra mim, eu comecei a sela-la, más eu não só coloquei pedras nela, eu coloquei terra, areia, musgo, e qualquer coisa que eu pudesse selar a caverna também, fazendo com que a caverna se tornasse indistinguível do resto da montanha.


Pro nível de surto que eu sentia que iria ter ali, eu sabia que iria precisar desse nível de isolação na caverna.


E quando eu terminei de selar a caverna por completo, e quando eu estava na mais profunda escuridão e segurança naquele mundo Jurássico absurdo, eu finalmente desliguei o Musth, e eu me arrependi disso na mesma hora que eu senti a dor sem filtro por inteiro.


Porque a dor que eu senti naquele momento não podia ser explicada com palavras humanas, eu senti tanta dor, que eu me contorci no chão daquela caverna como se eu tivesse passando por um exorcismo. 


Eu bati nas paredes daquela caverna a ponto de sangrar de novo, eu gritei de forma tão feia que meus gritos não pareciam humanos, nem mesmo de animais, mas sim gritos de algo que não pertencia mais a esse mundo.


Acho que, a única coisa boa no meio de tudo isso era que minha dor ficou tão unilateralmente ruim que a dor da mordida do Torvossauro desapareceu em meio a dor.


Isso porque, eu não estava apenas registrando a dor de suportar o Musth 10 vezes mais forte, mas eu também tava aguentando a dor de todas as vezes que eu morri naquela luta. 


108949 mortes, e essas foram apenas apenas as vezes que eu contei. E apenas contei elas como uma tentativa de não perder a cabeça no meio da briga...algo que, querendo ou não, funcionou, com algumas falhas aqui e ali, mas funcionou.


E quando a dor e os gritos finalmente pararam, eu fiquei caído no chão, cansado, suado, com sede, com fome, cansado, dolorido, desnutrido, estressado, cansado e cansado. Tudo isso de forma tão intensa que eu só conseguia lutar pra me manter respirando, porque eu já tinha desistido da minha própria consciência a essa altura.


Mais uma vez eu ia hibernar, mas eu sentia que podia nunca mais acordar dessa vez, então, antes de dormir de vez, eu fiz uma prece para a Deusa da Escuridão, usando a última gota de força que eu ainda tinha dentro de mim.


Sansão: Deusa da Escuridão, por favor, me permita ver a luz novamente.

\n

😴😴😴
\n

\n


\nEu não sei quanto tempo exatamente eu hibernei, mas meu relógio biológico já tava estragado demais pra ter certeza, então não pensei muito sobre isso, apenas tentei entender o quão diferente eu tava depois que eu acordei.


Era estranho, toda a dor, cansaço, fome e sede ainda estavam lá, mas o que veio junto com todas essas coisas, foi uma força que eu sabia vir da pura e simples necessidade.


Com meus ossos aparecendo pelo meu corpo, eu me levantei, mas não porque eu tinha forças, mas sim porque eu estava com fome e eu sabia mais do que nunca que, aqui, ninguém iria pegar comida pra mim, e com isso em mente, comecei a abrir a caverna pra ver qual dinossauro eu iria caçar agora.


A cada pedra que tirava do caminho, todo o meu corpo parecia se alinhar para me dizer algo especifico de novo, “Torvossauro nao”, e eu concordava com esse pensamento.


Eu podia até ter ganhado daquele Torvossauro, mas aquela “vitória” foi bem mais um lembrete pra mim que eu ainda tinha muito chão pela frente antes de conseguir enfrentar o Rei do Jurássico sem nenhum problema, então, agora, eu iria tentar lutar um pouco mais com outros Dinossauros ao invés de só o Torvossauro.


E quando eu olhei ao meu redor, a cor das folhas, a posição das árvores, e os animais rasteiros no chão, percebi que eu ainda estava na mesma estação do ano, então eu percebi de cara que tinha se passado 3, ou 4 meses de hibernação, no máximo…


Hehe, parece muito tempo, mas considerando que eu já tava pronto pra ficar 1 ano inteiro naquela caverna, eu acabei saindo bem cedo de lá, e com certeza a Zípora iria concordar comigo quando eu me encontrasse de novo com ela.


Nossa, se eu tivesse certo, essa foi a hibernação mais curta que eu já tive, será que meu corpo só se adaptou aqueles machucados pra eu não ficar dormindo por tanto tempo assim? Interessante.


Aceitando aquele fato como a verdade, eu estufei o peito e comecei a “trabalhar” na ilha, hihihi.


Apesar de não ter ideia de quanto tempo tinha se passado, eu tinha uma ideia básica de que não foi muito tempo, então eu me joguei por uma jornada incrível onde eu fiquei caçando Dinossauros por 3 meses.


E como resultado, eu cacei 50 Saurópodes diversos, 40 Estegossauros, 20 Bandos de Allosaurus, e 10 Torvossauros. 


E em todo esse tempo, não houve um único momento em que eu matei os Saurópodes ou os Torvossauros sem acabar quase morrendo de alguma forma. 


Mas mesmo com esse problema, a minha força pra controlar o Musth, junto com a minha força quando eu não estava usando o Musth cresceram bastante.


Tanto que, diferente das primeiras batalhas, eu aguentei continuar com a forma de 10 vezes mais testosterona, mesmo que só consegui usar ela de fato em uma luta e depois eu fiquei em coma de novo.


Por causa disso, em todo esse tempo, onde eu continuei lutando e caçando, eu apenas usei o “10 vezes mais testosterona” só uma vez, quando eu tentei lutar com o meu segundo Torvossauro, e fui lembrado de forma bem simples a verdadeira diferença de poder entre nós.


E mesmo assim, eu ainda consegui ganhar, foi super perigoso, mas não foi nem perto do nível de perigo do primeiro, então eu consegui dar um jeito de sair da briga sem cicatrizes permanentes. 


Demorou bastante, mas depois de todos os Dinossauros que eu cacei, eu consegui derrotar um grande número de Torvossauros sem ter que apelar para o “10 vezes mais testosterona”, mesmo que eu ainda sentisse que eu não tava no nivel de dizer que eu era igual ao Torvossauro.


Sim, quase ninguém além de outro Torvossauro tinha coragem de tocar em mim agora, seja comigo andando pelo território, ou quando eu comia sem ter uma proteção segura, ninguém além do Torvossauro tinha coragem de vir me atacar agora e essa coragem tinha motivo, um motivo claro como água.


E isso tudo contribui pra eu sentir que o Torvossauro continuava em um nível superior a mim em certas situações.


E nesses 3 meses que eu fiquei ativo na ilha de novo,  me fez entender uma coisa, eu não precisava me segurar quando fosse caçar esses caras, nem um pouquinho. 


Isso porque, eu não ia conseguir exterminá-los, nem se eu quisesse, e eu não falava apenas dos Torvossauros, os Allosaurus, os Saurópodes, os Estegossauros, os Dilophossauros, os Ceratossauro, os Ornigolesthes, os Camptossauros e todos os outros Dinossauros eram muito difíceis de matar.


Cada Dinossauro resistiu a coisas muito piores do que eu, esses bichos têm resistido nessa ilha sinistra com um clima bizarro e uma competição tão intensa que até seu irmão gêmeo podia ser um possível rival por comida.


E eles também sobreviveram a milhares de legiões de caçadores que existiam antes do Kurupira e a Caipora chegassem sequer a existir. 


Eles também sobrevivem a desastres naturais diversos, ataques de “animais fantásticos”, ataques mágicos e doenças modernas que o corpo deles não devia suportar.


Sim, muitas espécies inteligentes ajudaram, mas muitas espécies inteligentes atrapalharam a ponto que parecia até mesmo que elas queriam exterminar os Dinossauros.


E mesmo com tudo isso, eles continuaram resistindo, lutando e existindo por bilhões de anos, se mantendo em constante evolução.


Hehe, é, eu tava sendo arrogante demais em pensar que eu conseguiria exterminá-los sozinho…não, eu não conseguiria exterminar esses bichos nem se eu quisesse, eles eram teimosos demais pra isso.


Mas ainda consegui lutar o bastante pra conseguir pele de dinossauro pra fazer uma roupa nova pra mim, já que a minha antiga foi destruída, e eu ainda consegui fazer grandes mochilas e sacolas com a pele de Dinossauros que matei, conseguindo guardar várias carnes pra mim mesmo.


Eu fiz aquelas mochilas porque eu já tava me preparando pra voltar pra casa, e pra voltar, e eu sinto que iria precisar de muita carne quando voltasse, realmente muita carne.


E depois de toda a caçada que eu fiz, eu senti que meu relógio biológico se recuperou aos poucos, e quando estava preparado pra acabar essa caçada implacável pra eu conseguir me igualar ao Torvossauro e voltar pro Arquipélago, eu tive a leve impressão que eu fiquei 1 ano inteiro na ilha Jurássica. 


Eu podia estar errado, claro, mas era apenas um chute, nada demais, mas eu tinha a sensação que esse chute não tá tão fora da realidade assim.


E mesmo assim, algo se manteve constante, a dor da mordida de Torvossauro nas minhas costas, em muitos momentos, principalmente quando eu usava minha Aura, aquelas marcas de mordida sempre se abriam e voltavam a sangrar quando eu me mexia muito.


A ferida do meu peito também fazia isso, mas ela fazia isso de forma bem menor que a ferida nas costas.


Durante esses meus 3 meses ali, eu fui machucado, explodido e esmagado de várias formas, mas no fim, todas essas feridas se curavam, todas desapareciam e todas eram fechadas com o tempo.


Todas menos aquelas duas feridas, a mordida do Torvossauro, e o arranhão em meu peito, esses dois ferimentos foram os primeiros de muitos ferimentos permanentes que eu iria receber nessa jornada que eu estava trilhando.


E por mais difícil que fosse, eu estava disposto a marcar meu corpo com mais cicatrizes permanentes, sejam elas mentais ou físicas…eu ia aguentar a dor, não importa o quão difícil isso fosse, como…estava sendo agora.


Por dias e noites, a floresta foi preenchida pelos meus gritos, porque eu gritei com todos os meus pulmões pelo quanto aqueles ferimentos ardiam, a atadura primitiva que eu fiz em mim mesmo até ajudou, bastante, mas eu sabia que não podia deixar apenas com aquela atadura, eu precisava ir no centro Curandeiro pra dar uma olhada nisso melhor.


Aquela ferida, era muito mais que dor, ela lembrava dos traumas, da dor, e do desespero que eu passei a cada segundo enquanto eu tava enfrentando o meu primeiro Torvossauro. 


Eu queria falar sobre isso, eu queria gritar, eu queria poder dizer a alguém o quanto aquilo me deixou traumatizado, mas se eu quisesse fazer isso, não podia fazer isso aqui, eu precisava voltar pro Arquipélago Vampiro primeiro pra isso.


Primeiro, eu iria cuidar da ferida em um centro Curandeiro, e depois eu iria ter uma sessão super intensa com a Deusa da Escuridão, ela conseguiria ouvir e entender meu desespero numa boa.


E, quando eu cheguei no último dia que eu podia chamar do terceiro mês, eu decidi que já tava na hora de eu voltar pra casa, então eu me coloquei no caminho pra ir pra borda da ilha e chamar o barqueiro.

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