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Ah, foi uma boa festinha, mas para nos prepararmos pras loucuras de amanhã, agora tava na hora de descansar.
Apresentadora: MUITO BEM MEUS QUERIDOS, ESPERO QUE TENHAM GOSTADO DA BATALHA E HOJE, POIS AS SEMIFINAIS E FINAIS IRÃO COMEÇAR AMANHÃ, ENTÃO, LUTADORES, ESTEJAM PREPARADOS PARA AS DOIDEIRAS QUE TERÃO NO DIA SEGUINTE, MAS POR ENQUANTO, E APENAS TENTEM SE PREPARAR FRENTE A GRANDE TEMPESTADE QUE CHEGARA PRA TODOS VOCÊS.
E depois daquela grande apresentação, a plateia começou a ir embora, enquanto os lutadores voltaram para a área de cozinha.
Eu iria pegar minha carninha depois, mas eu dei um pouquinho do meu tempo pra ir pro refeitório do coliseu para ver como todo mundo tava.
A Eket tava bebendo litros, litros e mais Litros de sangue e comendo por 50 vampiros, com certeza se preparando pra nossa batalha amanhã.
O Romontiun parecia estar comendo um conjunto de carnes que eu nem conseguia diferenciar, mas deviam ser bem raras pra eu não conseguir perceber.
Enquanto o João parecia o único comendo comida normal.
Algo em meu interior dizia pra eu ir diretamente pra uma ilha Jurássica e pegar um grande conjunto de Allosaurus, mas como eu não tinha tempo pra abater e nem comer uma galeria de allosaurus, eu me controlei, fui pra ilha Jurássica e matei uma pequena horda de 5 Camptossauros.
Dinossauros que eu já tava acostumado de pegar, então tava tudo bem.
Às vezes eu me perguntava se eu não estava causando um desastre ecológico com toda essa matança de dinos, mas eu acho que se estivesse fazendo isso, o Kurupira já teria me avisado, aquele cara tinha o costume de ser bem claro quando pessoas passavam do limite.
E deixando de pensar tanto nisso, eu comecei a preparar meus pratinhos de novo, e dessa vez, os cozinheiros não ficaram com medo, eles apenas me olharam atentamente com bloquinhos de nota e anotaram tudo que eles podiam aprender.
E comigo constantemente imaginando que eu tava em uma floresta, eu consegui fazer aqueles pratos de comida sem ficar nervoso que alguém tava me assistindo.
E de novo, o prato não era nada muito diferente do que eu fazia na selva, sim, eu usei os talheres e o fogo de cozinha, mas no fim de tudo, eu fiz exatamente o que eu fazia quando não tinha nenhum equipamento comigo.
E quando tudo estava pronto, eu peguei todos os meus pratos usando a Aura, e coloquei eles em uma mesinha do refeitório.
E quando eu fiz isso, os competidores se aglomeraram ao redor de mim e começaram a comer a comida que eu preparei.
E…mesmo que eu tivesse feito aquilo tudo pra mim, ver as pessoas comendo a comida que eu fiz me dava uma satisfação maior que comer a comida. De uma forma bem estranha, que era difícil pra mim de entender.
A Lacerant e o Nikolai ficaram do meu lado por um bom tempo, mas depois de comerem um pouquinho, eu vi que alguém tinha ido pra lá falar comigo, era o João.
João: com licença, posso sentar no seu lugar?
E nesses pequenos segundos, o Nikolai e o João entraram numa espécie de batalha mental que eu não vi, então, o Nikolai falou.
Nikolai: por mim tudo bem.
E pelo jeito, o Ogro perdeu pro Sapien mentalmente dessa vez, que tristeza.
Parando de pensar tanto sobre isso, eu apenas fiquei olhando pro João por um tempo…ele…deveria ter quantos anos agora? 50 anos? 60 anos?
João: 80 na verdade.
Arregalei um pouco meus olhos quando ele falou aquilo, ele não parecia ter essa idade.
João: tô bem conservado, né?
Eu balancei a cabeça em concordância ao ouvir aquilo, e depois comecei a pensar um pouco sobre o filho do João, qual era o nome dele mesmo:
João: “Mateus”, o nome dele é Mateus. E você tá um pouco atrasado sobre perguntar isso, já faz um tempo bom tempo que ele saiu de casa e começou a cuidar da própria vida, mesmo que ainda esteja bem longe de me dar um neto.
Você fala como se quisesse que ele tenha um filho logo.
João: claro que não, bom, sim, eu quero ser avô, mas sei como ter um filho é complicado, por isso tento me impedir de falar essas coisas perto dele, pra ele não se sentir pressionado a ter um filho logo.
Você acha que ele se sente pressionado?
João: e quem não está agora hoje em dia? Todo mundo quer ver a maior felicidade do mundo, quer ver casais subindo pro próximo nível, e quando eles chegam nesse próximo nível, os outros querem que elas vão além, alem, até não ter mais nenhum lugar pra ir.
Não sei porque, mas isso tá me atingindo muito mais do que deveria.
João: e claro que isso tá te afetando, isso não é algo exclusivo dos Sapiens, todo o ser vivo inteligente passa por isso em algum grau. Todo mundo quer ver alguém namorando, e quando começam a namorar, elas falam, “porque não casam?”, e depois de casarem eles falam “ah, que legal, então porque você não tem filhos ainda?”
Aquilo tava me dando lembranças que eu não queria lembrar nem um pouco, e me fez começar a tremer, mas eu não sabia dizer se era de raiva ou de medo.
E não levando muito em consideração meu estado mental que eu tava, o João continuou.
João: tem pessoas que, nada o que você faz vai ser o suficiente, elas só querem que você avance mais, mais e mais, até você chegar em um ponto onde você olha pra trás e pensa. “espera, porque eu to fazendo isso mesmo?” E chegar nesse ponto na vida, é algo que sempre assusta as pessoas.
E, mas é sempre melhor perceber tarde do que nunca perceber
João: PFHAHAHHA, É, VERDADE!
Você passou por algo parecido?
João: não, foi o oposto, eu tirei o tempo máximo que eu podia usar pra conseguir aproveitar cada momento da minha vida, o namoro, o casal, os filhos. A vida é preciosa demais pra você vive-lá correndo, sim, tem momentos na vida que você precisa correr atrás do que você quer as vezes, mas tem momentos em que você tem que aproveitar onde você chegou e tentar cheirar as flores no meio do caminho.
Muita gene demora muito tempo pra entender isso, não entende isso até que seja tarde demais.
João: nunca é tarde demais pra fazer o que é certo. Sim, fazer o que é certo tarde vai te dar bem menos tempo pra aproveitar a bondade que você faz, mas ainda iria dar pra aproveitá-la.
Sempre com uma resposta na ponta da língua, você é incrível mesmo João.
João: que nada, eu só passo muito tempo com os Deuses.
Mas eu entendo o que você quis dizer antes, eu levei tanto tempo pra finalmente conseguir caçar dinossauros que eu mal acreditei quando eu consegui na primeira vez, mas eu aproveitei cada pequena vitória que consegui no meio do caminho.
João: é, eu sei, você parece o tipo de cara que sabe aproveitar bem a vida.
Hmhmhm, é que eu tive uma boa família.
João: uma boa família não garante que você vai bater bem da cabeça.
É, mas ajuda bastante no processo, eu aprendi muita coisa graças a minha família…e ao meu pai também, eu sou apenas o homem que eu sou hoje graças a ele.
João: tem muita gente por aí que pode dizer isso do próprio pai, mas não de uma maneira tão positiva e alegre quanto a sua.
Você é um deles?
João: não, se eu falar do meu pai pra você, provavelmente vou soar tao feliz quanto você está soando agora. Só to te avisando pra tomar cuidado quando falar isso perto de alguém.
Vou manter isso em mente.
E enquanto eu continuava comendo, eu continuei “conversando” com o João, isso enquanto todo mundo ficou olhando pra nós com um rosto muito confuso como se nós estivéssemos fazendo um número de circo ou coisa parecida, mas pra pessoas de fora, devia parecer meio sinistro mesmo a forma que eu tava falando com o João.
O João sempre foi alguém que me entendia muito bem, mas mesmo conhecendo ele a muito tempo, eu nunca pensei que chegaria um dia onde ele conseguiria falar comigo igual eu falava com o Deuses, era simplesmente fascinante de seu certo jeito.
E no meio das minhas contemplações, eu ouvi a Eket falando.
Eket: eles, estão usando algum tipo de telepatia?
Jofiel: não, não parece ser isso
Lacerant: não, não é leitura mental, é leitura de expressões.
Os dois olharam com um rosto muito preocupado pra Lacerant quando ela falou aquilo, e quando a dragoa viu que eles queriam que ela “alongasse” a resposta dela, então a dragoa continuou.
Lacerant: é uma mistura de convivência, aprender a ler expressões faciais das pessoas e principalmente conviver com alguém tão expressivo como o Sir Sansão. E depois de passar por isso por muito tempo, dá pra entender o que pessoas estao dizendo apenas com expressões
Eket: cara, ta muito difícil de assimilar tudo isso
Jofiel: ma-ma-ma-mas, quanto treino alguém tem que fazer pra aprender a fazer isso do jeito que o Sir João faz? Porque, acho que nem você consegue falar com o Sir Sansão assim
Lacerat: (suspiro) eu não sei, sinceramente, o Sir João é um Sapien muito misterioso até pra mim, não importa quantas vezes ele me explique como ele faz isso, eu não consigo entender, é quase como se ele tivesse falado uma outra língua pra mim
João: bom, as vezes eu acabo me perdendo nos detalhes mesmo, tem vezes que eu só não percebo quão difícil ta de entender minhas palavras.
E depois de ouvirem tudo isso, os dois novatos ficaram olhando pra mim e o João comendo.
E sabendo bem o motivo deles fazerem aqueles olhares, agente não ficou nem um pouco incomodado e só continuamos comendo.
E depois de nos olharem por 10 segundos, os novatos decidiram que não valia a pena tentar entender o que o João fazia e só comeram a carne na frente deles.
E assim continuou, depois que todo mundo terminou de comer, eles foram pros quarto pra se preparar pras doideira que teriam amanhã.
Já eu, não consegui dormir, a primeira luta amanhã seria a minha, e a minha empolgação não me deixou dormir, então eu decidi andar pelo coliseu enquanto não tinha ninguém lá.
E quando eu vi o navio no meio da arena, eu dei um único salto no ar e pousou bem no meio do navio-arena.
Com a arena estando fechada, a água estava extremamente calma agora, sem nenhuma onda.
Aquela calmaria do navio me fez sentir uma tranquilidade que me fez sentar em posição de lótus ali por alguns segundos, só pra ver se eu conseguiria calma o suficiente pra dormir.
Amanhã, essa arena seria o centro de um duelo mortal, mas por hoje, ela seria o ponto de descanso pra mim.
???: não consegue dormir também?
Eu olhei pra trás, e me dei de cara com o Romontiun, e no momento que senti ele, eu senti como se um gigantesco Estegossauro estivesse na minha frente.
WOW, ele estava muito mais forte do que antes, mas agora, eu sentia que conseguiria vencê-lo se usasse minhas cartas da forma certa, interessante.
O Romontiun não queria brigar e nem conversar, pelo jeito ele só queria relaxar um pouco naquele navio calminho, só pra esfriar a cabeça e tentar dormir, assim como eu.
Nós dois sentamos em bordas opostas do barco e ficamos olhando nossos reflexos na água por um bom tempo, não falamos nada um pro outro porque claramente agente tava tendo um papo interno bem melhor com nós mesmos do que um com o outro.
E quando eu comecei a ficar calmo o bastante pra dormir, o Romontiun começou a falar de novo.
Romontiun: o mar me deixa muito mais calmo, sou grato por essa calmaria, pois aí conseguirei descansar, mas eu espero que essa calmaria não me deixe disperso demais amanhã.
É, eu também esperava, o Romontiun poderia controlar a Aura da radiação, mas considerando o poder que o João tinha, era o Romontiun que tava em desvantagem aqui.
Eu olhei pra esquerda, pra ver se o Romontiun tinha entendido o que eu pensei, mas pelo jeito, eu fui muito otimista, ele não entendeu minhas expressões e nem o que eu disse.
Mas tava tudo bem, esse pensamento agora não era algo que ia fazer diferença caso ele ouvisse ou não.
E em mais uma tentativa infrutífera, eu tentei falar com o Romontiun, mas como se a minha voz estivesse selada na minha garganta, nada saiu, mas tinha algo a mais agora, que era uma porta na minha consciência.
Aquela porta guardava todos os problemas, traumas e pessoas irritantes que eu encontrei ao longo da vida por causa dessa minha incapacidade de falar direito.
O meu cofre mental
Eu sabia que, se quisesse voltar a falar, eu ia precisar destrancar o cofre, mas quando olhei pro Romontiun e vi que ele sequer percebeu que eu tinha tentado falar algo, acabei decidindo que era melhor eu não tentar abri esse cofre mental agora, pelo menos agora.
Se eu lutasse com o Romontiun amanhã, eu esperava poder me comunicar melhor com ele através dos meus punhos.
Porque, no fim do dia, meu rosto e meu corpo sempre foram o melhor jeito que eu me comunicava com os outros.
Seja com meus amigos ou com os valentões.

