2076 palavras
A gente dormiu pra caramba junto, e quando acordamos, eu ajudei ela em casa, e passei a manhã com ela até ela ter que ir trabalhar, então eu fui pra minha casa…
Não sabia dizer se aquilo ainda era considerado um encontro, mas por quase 3 meses, eu fiquei no Arquipélago Vampiro, eu me alimentei das sobras de carne que eu consegui na Ilha Jurássica, e passei todos esses 3 meses junto com a Zípora.
Acho que, mesmo depois de eu ter me “recuperado” de todas as doideiras que eu fiz na ilha Jurássica, eu percebi que tava mais cansado do que queria admitir, aqueles Saurópodes realmente mexeram com a minha cabeça e com meu corpo.
Porque, isso que eu tava sentindo não era uma coisa que iria se curar tão fácil, eu já estava imaginando que essa dor dentro de mim não ia se curar nem depois de um mês.
E mesmo assim, eu consegui manter minha calma, porque enquanto a Loira ainda deixasse que eu ficasse perto dela durante meu tempo aqui, eu sentia que iria me recuperar um pouco melhor.
E eu ainda conseguia recuperar a energia da própria loira no processo, todo mundo ganhava.
A Zípora pareceu gostar bastante desse tempinho que eu fiquei na casa dela, o que fazia sentido já que o cansaço extremo dela não acabou com apenas um encontro, assim como o meu, levou mais algumas semanas antes dela se recuperar totalmente, assim como eu.
E quando ela recuperou aquela força gentil e brincalhona dela, eu tava lá, ajudando ela a lavar a louça, e num momento muito rápido e aleatório, onde eu nem mesmo tinha percebido que ela melhorou, a Loira perguntou.
Zípora: oi S, você vai participar do torneio deste mês?
Ah, e mesmo,ia ter um torneio no fim do mês…
Um torneio, você diz? Hummmmmm, já faz muito tempo que eu não participo de um saber…é, tem razão, eu devia fazer uma tentativa.
Zípora: só não fica triste se eu não for ver você, esses torneios não são muito bons com o horário, eu vou estar presa na cozinha assim que o primeiro round começar.
Não faz mal, desde que você apareça, eu já vou ficar feliz.
Zípora: sei disso, mas me fala, tem alguém que você tá ansioso pra ver lá? Já faz muito tempo, então, você deve ter alguém que queira rever.
E quando a Zípora falou aquilo, eu tive que me segurar muito pra não quebrar o prato que tava na minha mão.
E me controlando o máximo que eu conseguia, eu segurei o prato e coloquei ele num canto, e então, eu dei um sorriso maligno pra Loira.
Isso tudo porque nesses 3 meses que agente ficou só recuperando um ao outro, eu me transformei, eu estava totalmente recarregado, com o corpo recuperado e sem nenhuma marca depois de me deixar me reconstruir por tanto tempo.
Eu tava totalmente preparado pra guerra, e com a maior força que eu senti dentro de mim a muito tempo.
Eu estava preparado pra guerra, mas era mais que isso, eu sabia que o pessoal do torneio não ficou só parado enquanto eu me aprimorava, todos eles devem ter se fortalecido do próprio jeito deles, então isso não seria só um massacre unilateral, seria uma explosão de esforço, determinação e fúria entre os competidores.
O meu “treinamento” iria colidir com o treinamento deles, e iremos ver quem tinha se dedicado mais, ou melhor, quem era o mais forte, simples assim.
E além de tudo isso, tinham aqueles caras incríveis que eu iria rever, só pensar nisso me fez salivar de empolgação.
Sansao: hmhmhmhmhm, Laceram, a Rainha dos cortes, João, o Golden Hound, Ivan, a Fortaleza de Carne, Eket, a Colecionadora, Leslie Lápide. Tantas pessoas incríveis só para mim, esse com certeza vai ser um excelente torneio.
Zípora: hihihi, eu nunca vi você tão empolgado assim antes, o torneio é tão incrível assim?
E quando a Zípora falou aquilo, eu me acalmei um pouco e pensei por um tempinho, e pensando no quanto ela não devia entender o que eu sentia pelas lutas, me fez querer explicar isso pra ela.
Sansão: não e apenas as pessoas, são as lutas em si, elas são ótimas
Zípora: sério, ainda é estranho pra mim que você gosta tanto assim de lutar sendo que você é tão tímido pra falar
Sansão: mas é exatamente por eu ser tímido que eu gosto de lutar.
A Zípora ficou surpresa por alguns segundos pela minha resposta, e depois de raciocinar um pouquinho, então ela me perguntou.
Zípora: como assim?
Sansão: falar sempre foi um problema pra mim, por isso eu fiquei bom em me comunicar com mímica e com minhas expressões no rosto. Mas com o passar do tempo, eu descobri que eu posso conhecer uma pessoa melhor através das batalhas. Porque, quando duas pessoas querem se conhecer, uma troca de punhos do que qualquer conversa que eu poderia ter com palavras
Zípora: sem ofensas, S, mas você realmente acredita nisso?
Sansão: “uma imagem vale mais do que mil palavras”, não é isso que dizem por aí?
Zípora: agora eu pedi no argumento, continua.
Minha garganta já estava doendo depois de falar tanto, mas vendo o quão focada a Zípora estava olhando pra mim agora, eu simplesmente não podia parar.
Eu tava preparado pra ficar com uma dorzinha de garganta quando eu terminasse isso, mas por enquanto, eu ia continuar falando.
Sansão: eu tenho 10 irmãos, 8 tipos, 5 tias e 4 avós que amam brigar tanto quanto eu. E mesmo que eu consiga falar com eles melhor do que qualquer outra pessoa, e que eles entendam meus gostos melhor que qualquer um, eu ainda consigo entender muito melhor o que eles querem quando nós lutamos, e isso vale o contrário também.
Minha garganta doía, doía muito, mas eu não ligava, a Zípora percebia a dor que eu tava agora, mas também entendia que eu não ia parar, então ela não me parou, apenas continuou ouvindo e só rezou pra que eu terminasse de falar rápido.
Sansão: por isso eu uso esses torneios. E esse também é o motivo do porque eu gosto de considerar essas pessoas que eu vou enfrentar aqui no torneio como meus melhores amigos, porque, de todas as pessoas que eu conheci, eles são os únicos que eu posso “conversar” sem ter que me segurar…cof, cof…por isso…eu fico feliz com esse torneio…COF, COF, COF…porque…eu os conheço como meus colegas…e como, meus, amigos…COF, COF, COF, COF COF COF…
Que droga, minha resistência pra falar acabou.
Era realmente um saco que eu não conseguia falar tanto, mas considerando o tempo que eu fiquei sem falar enquanto eu tava na ilha Jurássica, a minha garganta ainda estava fraca assim não era pra menos também.
Eu ia ficar tossindo por mais alguns minutinhos antes de voltar totalmente ao normal. E enquanto eu tossia ainda mais, eu vi que a Zípora ir pra cozinha pegar um pouco de água pra mim.
Eu bebi água bem tranquilo, então a vampira falou.
Zípora: não precisa falar mais nada, eu já entendi. Aquele lugar e como se fosse seu santuário, não é? O lugar feliz que você vai pra se sentir especial, não é?
Eu não conseguia mais falar, eu apenas consegui balançar a cabeça de forma positiva, enquanto ela dava um sorriso e se sentava ao meu lado.
Fiquei impressionado que a Zípora entendeu de forma tão certa o que eu tava sentindo. Será que ela tinha um santuário também?
Zípora: (sorri) Sim, eu tenho, meu santuário e a cozinha. Comida, sangue e receitas especiais, isso sempre foi algo muito especial pra mim. Eu nunca consigo me cansar da alegria que eu vejo nos olhos das pessoas quando comem minhas refeições, não importa o quão simples ou o quão compiladas meus pratos sejam, conseguir alimentar alguém sempre me deu uma alegria incrível.
Eu não sabia o que dizer naquela hora, eu sentia que devia falar alguma coisa, mas aí eu comecei a pensar que eu “abri meu coração” primeiro, então, tava tudo bem, ne? Eu não precisava mais falar nada.
Mas eu ainda fiquei com aquela ansiedade no meu corpo. E enquanto eu mergulhava em uma espiral de pensamentos, a Zípora olhou pra mim, pegou meu rosto com cuidado e me levou pra um abraço…
Aaaah, era como ser abraçado por uma nuvem, era tão fofinho e reconfortante, fazia eu me sentir em casa.
Zípora: não precisa falar mais nada, tá tudo bem.
Aquelas palavras, alguma coisa naquelas palavras atingiu algo bem profundo em mim, eu tentei me segurar, tentei manter a compostura, e mesmo assim, quando eu dei conta, eu tava chorando no peito dela.
Eu consegui limpar minhas lágrimas antes de acabar molhando ela, mas agente ficou naquela posição por um bom tempo antes de eu falar.
Sansão: eu sempre irei agradecer ao Guaracy por você ser a fã que capturou meu coração
Zípora: e eu agradeço a Jacy por ter me dado a chance de conhecer você.
E quando agente desfez o abraço, agente começou a se preparar pra nos separarmos de novo.
Claro, antes de eu ir, eu me alimentei dela uma última vez antes do torneio, eu mordi o pescoço dela bem na carótida, ela foi a única vampira que eu tomei sangue, já tem séculos, e mesmo depois de tanto tempo, o sangue dela ainda era tão doce, gelado e cremoso quanto sempre.
De todas as coisas que me fizeram voltar pra essa ilha disparada, o maior motivo foi só pra eu conseguir sentir aquele sabor incrível de novo. A Zípora, sozinha, quase virou uma âncora pra eu conseguir voltar pro Arquipélago Vampiro.
E o melhor era que, mesmo tomando tanto sangue, eu não fiquei nem um pouco agitado ao bebe-lo, igual eu sempre ficava, acho que, depois de tanto tempo, meu lado mais selvagem realmente tava dormindo agora.
E isso valia para a Zípora também, porque a Vampira mordeu meu pescoço com uma gigantesca brutalidade, mas como meu pescoço era bem mais grosso que o dela, ela precisava ser bruta assim pra chegar na minha carótida.
E, quando ela sugou meu sangue, eu pude ler no rosto dela que meu sangue continuava tão doce pra ela quanto foi na primeira vez que ela o provou.
Com a maior diferença sendo que, ela não tentou nenhuma brincadeira comigo, ela só bebeu meu sangue e nada mais.
Eu gostei disso, mas agora que agente tava se separando, finalmente caiu a ficha que, agente não combinava nenhum pouco com esse tratamento mais delicado e gentil, principalmente depois que agente tava fazendo essa parte de carinho só depois de todas as “brincadeiras” já terem sido esgotadas do nosso estoque.
Sabia que, nem todo o casal funcionava da mesma forma, mas o jeito que o nosso relacionamento era estranho, era algo digno de rir mesmo, e pelo jeito, a Zípora percebeu isso também, porque ela olhou pra mim, eu olhei pra ela, e por algum motivo, agente apenas riu de forma boba, pela forma como agente mudou tanto em tão pouco tempo.
Zípora: hihihi, o que aconteceu com agente?
Sansão: acho que agente só percebeu que o que agente tem não é apenas uma saída, é algo um pouco mais sério
Zípora: um pouco?
Sansão: ta bom, algo bem mais sério. E nós dois percebemos isso
Ziora: (sorri) e, tem razão, tô ansiosa pra ver o que mais vamos descobrir, mas por enquanto, só vou te desejar boa sorte, S
Sansão: obrigado minha flor.
E antes de eu ir embora de vez, eu dei um último beijo na Zípora, um beijo só com um toque de lábios também, mas foi um beijo mais demorado, e um beijo bem mais carinhoso do que os intensos de antes.
Sansão: pra dar sorte.
E antes de alongar isso ainda mais, eu fui embora, pois senão eu não ia sair da casa dela nunca mais.
E algo me dizia que, depois de passar tanto tempo com a Zípora, acho que eu não ia falar por mais algum tempo, porque, com exceção da Zípora e da minha família, ninguém conseguia me fazer falar.
Mas considerando que estava indo para um torneio, acho que não tinha problema em eu ficar sem falar por muito tempo, pois naquele lugar, eu não ia precisar de palavras, por mais que eu soubesse que eu iria “falar” bastante lá dentro. Hahaha

