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𝕻𝖗𝖊𝖘𝖆𝖘 𝖊 𝖘𝖆𝖓𝖌𝖚𝖊 🦖1
55🤕🫩😖cansaço da alma😖🫩🤕
2927 palavras • 16370 caracteres • ⏱ 11 min 42 s

55🤕🫩😖cansaço da alma😖🫩🤕

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Bom, depois de ter sobrevivido ao primeiro Diplodoco e de ter fugido do bando de Allosaurus, eu fui pra um dos esconderijos mais seguros que eu tinha, ou pelo menos, um dos esconderijos que não estavam ocupados por algum Dinossauro.


Dessa vez, o esconderijo desocupado era o número 3, uma grande uma árvore oca. Eu não fazia ideia porque tinham tantas árvores ocas na ilha, mas seja lá quem, ou o que estava fazendo elas, eu só podia dizer "obrigado".


E quando eu finalmente encontrei um lugar seguro pra ficar, eu me permiti agonizar em profunda dor por algum tempinho.


Não tinham palavras pra descrever a dor que eu senti dos golpes daquela Diplodoco, mas eu tentei chegar perto de tentar descrever aquela dor com gritos super altos, esganiçados e que faziam a minha garganta sangrar, de tão altos que ele estavam.


Eu tinha certeza que meus gritos estavam espantando dinossauros, porque eram gritos mais próximos de uma banshee ou de uma alma penada do que de um Vampiro.


Eu castiguei muito a minha garganta quando eu fiz aquilo, mas eu pelo menos fiquei mais aliviado, e naquele momento, alívio era tudo que eu tava buscando e nada mais.


Essa dor, essa dor profunda onde parecia que eu ia morrer, mas meu corpo não deixava.


Essa era uma dor que eu conhecia bem até demais e também era uma dor que, apesar de todos os problemas que eu passei com ela, eu era muito grato.


Esse era o "fardo" da raça vampiro, nós éramos conhecidos como "a raça condenada a viver" pois, até mesmo um civil que nunca treinou na vida conseguia ser queimado vivo por 20 horas seguidas e depois voltar como se nada tivesse acontecido, sem ficar nem mesmo quente depois de ser queimado por tanto tempo.


Fadas se regeneram como nós, mas a nossa regeneração era tão absurda e tão superior a das fadas que nada além de um golpe que nos reduziu a cinzas conseguia nos matar...MAS AGENTE AINDA SENTIA A DOR DE CADA GOLPE...


E depois de pensar nisso, e depois que os espasmos de dor começaram a diminuir eu comecei a pensar em como cheguei nessa situação miserável.


Vamos ver, eu tinha procurado briga com o Diplodoco, eu enfrentei um dinossauro que era muito mais forte que eu, eu continuei a briga, mesmo depois de ver que eu podia morrer se fizesse algo errado.


Eu cometi muitos erros em uma única batalha, mas eu ainda tava vivo, então eu podia consertar tudo no futuro.


E quando eu pensei um pouco mais nisso, até fiquei grato pela dor que eu tava sentindo agora, porque isso iria me fazer ser menos imprudente na próxima batalha.


E quanto mais a dor diminuía, mais eu conseguia sentir minha mente mudando, a dor lentamente se transformou em ódio, e logo, o ódio mudou para sede de sangue.


É diferente da sede de sangue com fome, essa sede de sangue era movida completamente por vingança, e acho que, por isso, ela era muito mais forte que a normal.


Já não importava se eles eram mais fortes que eu, ou que eu teria que "quase morrer" várias vezes pra conseguir enfrentá-los de igual pra igual, eu iria fazer tudo que estivesse no meu alcance pra fazer uma mega caçada de Diplodocos, eu iria quase morrer? Sim. Iria doer pra caramba? Também sim.


Eu ia me arrepender disso? Não, porque, apesar de estar sendo movido por puro ódio agora, o meu juízo estava perfeito, e eu não iria parar até que esses Diplodocos sentissem uma fração do que eu senti com esses golpes doidos dele.


Não ia condenar uma raça inteira pela dor de um indivíduo, eu só ia caçar com um pouco mais afinco os Diplodocos. Antes eu pensava que não precisava superar meus limites com eles, mas pra variar, eu estava errado, de novo.


CARA, QUAL É O MEU PROBLEMA!? PORQUE EU TAVA ERRANDO TANTO ULTIMAMENTE!?


Mas eu parei de pensar tanto nisso e só saí de novo na floresta, preparado pra fazer uma caca mas fixada nos Diplodocos agora. Eu vaguei pelo lugar por uns 4 meses, e com isso, eu enfrentei uns 40 Diplodocus, todos de bandos diferentes, todos adultos selvagens, ferozes e que sabiam se defender bem.


E no total, eu fui morto umas 80 vezes, e sempre que eu morria e "renascia", eu sentia que tinha alguma coisa se perdendo dentro de mim, mas eu deixei pra pensar sobre isso quando eu voltasse pra casa, porque, no meio daquela floresta doida nao dava mesmo.


Eu acho que eu nunca senti um desespero tão grande na minha vida, mas eu tinha conseguido sobreviver, não por sorte, mas por treino, a cada Diplodoco, eu ficava maior, mais forte, mais perigoso, e muito mais predatório do que antes.


E de todos esses Diplodocos que eu caçei, eu nunca os comi por completo, eu sempre tinha minha carcaça roubada pelo bando de Allosaurus, e quando eu olhei com mais atenção, eu percebi que era o mesmo bando de Allosaurus toda vez.


Cara, eles realmente começaram a me seguir por toda a ilha só pra pegarem minhas carnes, isso que era ser oportunista.


Mas pra deixá-los irritados, eu sempre comia e bebia o sangue tão rápido, que eu não deixava quase nada pra eles, mas mesmo assim, aqueles Allosaurus pareciam gostar das minhas sobras.


Bom, acho que, quando você está num ambiente onde é "comer ou ser comido" não dava pra se ter o privilégio de ser seletivo com as comidas.


E algo que sempre me deixava meio nervoso nesses roubos deles era como o Alfa sempre olhava pra mim.


Sempre com o mesmo olhar analitico, sempre me analizando dos pés a cabeça, e sempre calculando as chances de me matar, mas nunca avançando, apenas observando.


Mas mesmo com aquele bando de Allosaurus me seguindo, eu me tornei muito mais forte, eu conseguia ver isso pela forma como conseguia controlar o Musth agora.


Eu cheguei nos 70% fixo, e nos meus maiores pontos de desespero, eu chegava em 80%, uma força que não foi criada através de uma única batalha, foi algo que eu criei e desenvolvi através de várias situações de vida ou morte, onde eu quebrei e reconstruí meu corpo, alma e mente em uma precisão que meu corpo se tornou uma máquina de matar da natureza quase perfeita.


Tao perfeita, que até matar Diplodocos se tornou algo fácil pra mim.


Mas acho que, no fim de tudo, eu era só um predador "quase" perfeito, porque ainda faltavam 30% pra eu conseguir dominar o Musth por completo, e esses 30% eram o que faltava pra eu conseguir matar um Alossauro, e um Torvossauro, mesmo que algo dentro de mim ainda falasse que 2x mais testosterona não ia ser o bastante pro Torvossauro, e nem pros dinossauros maiores como o Braquiossauro.


Bom, eu nao ia parar no 2x mais testosterona, então isso não importa muito, se eu me lembrava bem, o Musth conseguia ir até 100x mais testosterona em certos indivíduos.


Então se eu me dedicasse o bastante, fortalecesse o meu corpo da maneira certa, e conseguisse manter minha cabeça no lugar, logo esse 2x que eu estava quase conseguindo ia ser uma piada comparada a força que eu vou ganhar no futuro.


E enquanto eu pensava tudo isso, eu fui em mais u m frenesi de comida e comi mais 10 Diplodocus, e dessa vez, não morri nem uma única vez, pois agora eu dominava por completo os 70%.


Eu estava com um pouco de medo de estar usando o Musth como uma bengala nas minhas lutas, mas considerando que eu já conseguia vencer dos Dilophosaurus sem o Musth, eu acabei me convencendo que só tava "usando os recursos que eu tinha" e não os usando como bengalas.


E eu esperava muito que eu não estivesse mentindo pra mim mesmo.


E mesmo assim, eu ainda tava me sentindo péssimo, mas não era uma dor corporal simples, e nem uma dor mental, era algo mais profundo que isso, era um cansaço totalmente espiritual.


Eu tinha ficado naquela ilha o bastante pra ter perdido totalmente minha noção de tempo, mas eu conseguia sentir que minha própria alma estava exausta, eu queria voltar pra casa, eu já tinha visto o suficiente da ilha Jurássica por algum tempo...então, é, eu ia pra casa agora.


E eu também tava com uma pequena necessidade no meu corpo, uma necessidade um pouco mais íntima do que eu esperava...mas ironicamente, não era uma necessidade tão faminta e desesperada quanto eu tava acostumado, mas eu podia deixar isso pra depois.


Depois de decidir ir pra casa, eu usei toda a força que eu ainda tinha no meu corpo pra conseguir pegar alguns dinossauros e pegar algumas carnes.


Eu peguei muitas, mas muitas carnes mesmo, desde Ornitholestes até os Dilophosaurus, porque eu sabia muito bem que eu não ia querer voltar pra ilha Jurássica por um tempo, então precisava estar abastecido em casa.


Eu só esperava ter pego o suficiente pra não voltar.


E quando fui na direção da praia de novo, eu chamei o barqueiro através de uma joia de chamada que nós tínhamos e apenas fiquei ali, na margem, esperando ele aparecer, enquanto continuava sentindo aquela dor constante por causa de todas as doideiras exageradas que eu fiz dessa vez.


Sério, eu sempre exagerava quando eu vinha pra ilha Jurássica, mas eu acho que peguei pesado hoje até pra mim...


Aaaaaaai, eu tava me sentindo péssimo, meu corpo, minha mente, até minha própria alma chegaram num limite físico onde eu estava no limite de desmaiar, mas eu não podia esmagar aqui.


O barqueiro levou o mesmo tempo de sempre pra chegar, mas quando ele me viu, ele ficou com um rosto mega assustado e isso não me surpreendeu, eu sempre ficava com uma aparência digna de homem das cavernas sinistra quando eu voltava da ilha Jurássica, então eu não devia estar muito "galan" pra ele agora, mas dava pra ver no rosto dele que eu tava bem pior do que o normal.


Nossa, isso me deixou curioso pra ver como eu estava, então eu olhei pros meus próprios braços, e...nossa, eu ainda tava coberto de sangue, lama e das folhas de camuflagem que eu usei.


Mas não era só isso, meus músculos estavam diferentes, eles pareciam atrofiados, e mais duros, como se eu tivesse emagrecido, e ao mesmo tempo, endurecido ainda mais meus músculos.


E eu também tava coberto de mordidas, tapas do chicote das caudas dos animais, e arranhões. Marcas que nem toda a minha camuflagem conseguiu tampar.


Além do nítido cansaço no meu olhar, mostrando que, seja lá quem fez essas marcas em mim, realmente me marcou bem mais profundamente que apenas com o meu corpo.


Mas como eu não queria assustar ainda mais o barqueiro, eu arranquei as minhas camuflagens do meu corpo, e subi no barco, mas o Barqueiro deu um sobressalto, como se o que tivesse abaixo da camuflagem fosse mais assustador do que a camuflagem em si.


O Barqueiro continuou me olhando daquela forma assustada ate que ele finalmente começou a nos levar de volta pro Arquipélago Vampiro, e no meio do caminho, ele finalmente encontrou coragem pra perguntar algo.


Barqueiro: mano, você tá horrível...mais do que o normal, o que foi que você caçou?


Eu não consegui falar, mas eu não falei bem mais por causa do cansaço do que por não conseguir falar com ele, porque eu tava sentindo que eu conseguia falar com o barqueiro agora, mas também, depois da gente conviver nessa relação por tanto tempo assim, ia ser estranho se eu não conseguisse falar com ele.


Mas pra dar a ele um pouco de contexto com o que eu passei, eu fiz um pouco de mímica, onde eu tentei imitar o Diplodoco que eu peguei.


Barqueiro: um pescoçudo? Cara, você é maluco, você podia ter morrido.


E sorrindo de uma forma orgulhosa e envergonhada ao mesmo tempo, eu apenas balancei a cabeça positivamente, entendendo aquele fato, eu também tentei fazer uma mímica pra expressar um "eu sei, mas eu não morri" e pelo jeito, eu consegui.


Barqueiro: mesmo assim, você podia ter morrido, você deu sorte.


A mímica que eu fiz pra fazer essas próximas palavras foi difícil, mas acho que eu consegui, eu expressei o seguinte: Ah, sorte não tem nada haver com isso, uma pessoa não sobrevive naquela ilha apenas de sorte.


Barqueiro: então você admite que teve sorte?


A próxima música foi bem mais fácil de fazer, muito, mas muito mais fácil mesmo: Ok, eu admito, talvez tenha tido um pouquinho de sorte lá mesmo, mas esse não é o ponto aqui, eu venci os Diplodocos, e isso é tudo que importa, e agora, eu irei recompensar a mim mesmo por isso apenas respirando fundo e relaxando pelo resto do dia.


Barqueiro: sim, é uma boa ideia, divirta-se.


Eu irei.


Eu fiquei bem feliz que o barqueiro e eu tínhamos chegado nesse nível de conhecimento um pelo outro, ter mais uma pessoa que me entendia nesse mundo "mudo" que eu vivia era sempre algo bem vindo.


Mas assim que nós chegamos no cais, eu já me despedi dele, porque eu tinha um lugar pra ir, e isso era algo que o barqueiro entendia muito bem também.


E uma vez no arquipélago de novo, ao invés de ir pra casa, eu senti uma dor no meu peito tão profunda, que eu sabia que precisava de um pouquinho do contato direto com os deuses pra me acalmar.


Então eu fui direto pro templo de Una, porque se tinha um lugar que podia me fazer melhorar, era a dimensão da Deusa da Escuridão.


Então, eu voei pelo ar por algum tempo usando minha Aura e cheguei em um dos milhares de templos de Una que tinha no território.


E quando eu fiquei de frente pro templo, depois de ter ficado na ilha Jurássica por tantos anos, eu senti uma purificação no meu corpo que me fez ser paralizado.


Hehehe, eu havia ficado muito tempo sem ir naquele templo, então eu quase tinha me esquecido daquele carinho, calmaria e conforto materno que tudo envolvendo a Deusa Una exalavam.


E quando eu me lembrei desse carinho, eu parei frente ao templo, respirei fundo, e olhei o templo em toda a sua glória por algum tempinho.


E sendo criado como uma gigantesca pirâmide de lava pura, com estátuas grandes de dragões, vampiros e de serpentes gigantescas com vários olhos entalhadas na lava.


Era uma visão inacreditável, e uma sensação física que só podia ser comparada a algo divino mesmo, mas eu sabia bem que a melhor parte estava dentro do templo.


Isso começou desde que eu pisei no barco do barqueiro, mas o meu corpo pareceu ficar mais pesado a cada passo, minhas força e determinação pareciam estar me abandonando, e eu estava a segundos de desmaiar bem ali, no chão do templo.


Mas antes disso acontecer, algo pareceu me segurar por baixo do braço, e quando olhei pra esquerda pra tentar ver o que era, eu vi que era uma nuvem de escuridão me segurando, e depois vieram outras, e muitas outras, me ajudando a ir pra sala certa.


E quando eu cheguei na sala das almofadas, eu usei o último resquício de resistência do meu corpo pra conseguir me colocar na posição de lótus.


Normalmente, eu gostava da sensação que eu tinha quando eu entrava na dimensão de Una, mas eu tava com o corpo tão sensível que até aquilo tava doendo em mim.


E quando eu entrei por completo na dimensão de Una, eu não tive tempo pra ficar fascinado com o lugar, apenas encarei aquela grande vastidão escura, e desejei uma grande banheira de hidromassagem, porque, com a concentração certa, tudo era possível no reino de Una.


Não dava pra ver nada, mas dava pra criar tudo.


E quando eu percebi, eu tinha caído dentro de uma banheira de hidromassagem gigante, exatamente como eu imaginei e desejei...como eu era uma alma, eu não precisava respirar, então eu fiquei com o corpo todo dentro da banheira, fazendo o máximo possível pra me acalmar.


E ali eu fiquei, deixando que aquelas bolhas conseguissem acalmar a grande dor, cansaço e medo dentro da minha alma...eu fiquei muito tempo naquela posição, muito, mas muito tempo, mas sabendo que eu tinha todo o tempo do mundo ali, eu fiquei lá até ter certeza que minha dor e medo fossem curados.


Mas quando eu saí daquela banheira, respirei fundo e estalei meu corpo inteiro, eu ainda sentia um cansaço profundo na alma. Não era um cansaço de sono, nem de um cansaço de stress, era carência, sim, depois de me vangloriar tanto que eu conseguia viver sozinho nesse território, meu corpo agora estava implorando por um pouco de carinho de minha Vampira.


E não era meu lado "selvagem" faminto e violento que estava pedindo isso, era a minha parte mais "civilizada" gentil e controlava quem pedia isso. Eu estava querendo um pouco de carinho.


Hummmmmmmm, eu não pensei que iria precisar fazer isso algum dia, mas eu tava feliz que eu tinha descoberto isso ali. Mas antes de sair da dimensão de Una, eu olhei algum tempinho pra grande extensão de escuridão por um tempo...


Não havia nada na minha frente, apenas uma escuridão tão profunda que eu não conseguiria diferenciar se eu tava com os olhos abertos ou fechados.


E ainda existia algo terapêutico em olhar para aquilo por tanto tempo, e quando eu finalmente me senti bem novamente, eu saí da dimensão da Una.

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