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O tempo que eu passei no hospital fui bem curto, os médicos ficaram impressionados com a minha recuperação, pelos meus ferimentos, eu devia ter ficado 3 meses na cama, mas eu tinha "treinado" minha regeneração de uma forma tão pesada que eu só precisei de uma semana de completo repouso pra estar totalmente recuperado.
Mas ainda não fui ver a Alfa Valentina, porque enquanto meu corpo e minha mente estavam bem, a minha Alma estava em frangalhos, eu realmente abusei demais do meu corpo dessa vez, e agora eu precisava de tempo para me recuperar.
E pensando nisso, quando eu fui liberado, eu instalei meu corpo em vários lugares, e voei direto para o templo de Lava da Deusa da Escuridão. O voo foi simples, eu levei segundos pra chegar lá, assim como eu levei segundos pra encontrar o lugar certo.
Quando eu cheguei na sala, eu me sentei na posição de Lótus, alinhei minhas mãos na posição do Dragão, e comecei a respirar bem fundo.
Aquela não era uma das almofadas em que eu poderia encontrar a Deusa da Escuridão, aquela era uma das almofadas que eram separadas pra ser possível meditar e respirar.
Enquanto eu respirava, eu sentia tudo com muito cuidado, meus músculos doíam, tanto que se eu me esforçasse demais eu sentia que iria ficar com câimbra em certos lugares.
Os meus ossos estavam roncando dentro do meu corpo, como se eu fosse uma máquina que precisasse de óleo urgentemente, isso era o quão travado eu estava depois daquela batalha.
Eu podia sentir o sangue fluindo no meu corpo todo, se esquentando, expandindo minhas veias e me fazendo sentir que meu corpo todo tava inchando e depois se esvaziando ao mesmo tempo.
E esse eram apenas alguns exemplos do quanto eu estava dolorido e com o corpo sensível depois daquele combate.
E mesmo assim, fiquei ali, naquela almofada, meditando, apenas me levantando pra ir ao banheiro.
Eu deveria estar morrendo de fome agora, mas eu não comi nada, não, porque agora eu entendi que eu havia aprendido uma técnica bem doida do estilo da Aura, uma técnica capaz de transformar a Aura de uma pessoa em nutrientes e água.
Ou seja, eu, na teoria, não precisava mais comer ou beber água.
Ênfase em "na teoria" pois, mesmo que eu não precisasse mais comer, e mesmo que eu não precisasse mais de nutrientes, o meu estômago roncou e implora por comida e por sangue. Porque mesmo que eu não precisasse comer, eu ainda gostava muito de comer.
E mais uma vez, eu me coloquei em abstinência, eu nao sai do templo naquele dia, nem no dia seguinte, com exceção das pausas pro banheiro, eu continuei meditando na posição de borboleta, e com minhas mãos na postura do Dragão, com esforço e muita dedicação.
E enquanto meu corpo desejava comida e sangue, eu aprendi a concentrar Aura em meu coração e espalhá-la por todo meu corpo, não como um remédio ou como uma arma, mas como um tratamento, cada pulsação cheia de Aura que meu coração dava, parecia fazer a dor do meu corpo diminuir, mesmo que só um pouquinho.
E mais uma vez, um mês se passou comigo ali, tentando diminuir a dor gigantesca em meu corpo. Uma vez que eu consegui finalmente parar a dor, eu na mesma hora estalei meu corpo de novo, e fui pra outra salinha do templo de Una.
Uma salinha que tinha as paredes totalmente pretas, e uma almofada branca que levava para a Deusa da Escuridão, e respirando fundo, eu entrei no mundo da Escuridão.
E enquanto meu corpo ficava cada vez mais coberto por Aura, mais eu percebia que o mundo à minha volta se enchia cada vez mais de escuridão.
Uma vez que tudo se transformou em pura escuridão, eu desfiz a minha postura de borboleta, e depois imaginei que eu estava pisando em um chão sólido, assim dito, assim foi feito.
E assim como eu me lembrava, aquele lugar continuava sendo um grande abismo de pura escuridão, onde não era possível sequer ver minhas próprias mãos.
Ao mesmo tempo que ele ainda parecia ser o lugar onde o limite do que eu podia criar era a minha imaginação, porque aqui, sem a limitação do plano mortal, eu comecei a imaginar a maior floresta de pilares de ferro da história.
Os pilares estavam invisíveis, mas depois de tear o escuro em busca da "floresta" que eu criei através da minha imaginação, eu encontrei o primeiro pilar, é assim que eu o encontrei, eu dei um soco poderosíssimo no pilar, colocando força o suficiente pra eu conseguir quebrá-lo...
E no fim eu apenas quebrei meu próprio punho, é, com uma resistência assim os pilares devem estar fortes o bastante pra aguentarem eu liberar o Musth por completo, eu tinha ido pra lá assim que eu saí do Centro Curandeiro, então eu não tive muito tempo pra pesquisar sobre o que ele era...
Mas eu não queria pesquisar sobre o Musth, pelo menos não ainda, por mais imprudente que aquilo fosse, eu nao queria aprender o Musth através do que outras pessoas descobriram, apenas pela descrição do Davi sobre o quao raro é um lutador chegar nesse estado, eu senti que eu podia colocar uma nota muito mais pessoal minha nesse estado do que apenas tentar fazer o que outras pessoas fizeram.
Una: interessante, então você quer aprender tudo por conta propria? Você não tem medo que acabe só reinventando a roda?
Ah, a Una, ela apareceu antes de eu ativar por completo a testosterona, então ela finalmente decidiu aparecer...
Una: não é como se eu não tivesse aparecido antes, mas você nunca quis conversar, tudo que você quis sempre foi dormir, e não eu só respeitei isso, mas agora que você não quer apenas dormir, notei que podíamos conversar um pouco.
Eu olhei ao redor de mim, tentando encontrar a origem da voz, masfoi inútil, porque não existia um "lugar" de onde a voz estava indo, ela estava vindo de todos os lugares.
Mas eu sabia onde a Una estava, ou melhor, onde ela queria que eu visse onde ela estava, porque em meio a toda aquela escuridão, existiam dois gigantescos olhos brancos olhando pra mim. Olhos que pareciam apenas um desenho branco de meia lua desenhado por uma criança.
E eu não sei o que era, mas algo na aparência da Deusa da Escuridão me deixava absurdamente relaxado, por algum motivo.
Una: mas me fala, é por isso mesmo que você quer treinar o Must comigo? O Aram seria ótimo em te ajudar a desenvolver a própria técnica da forma certa.
É sério?
Una: é, porque você tá certo, não existe uma forma geral pra sobre como lidar com o Musth, apesar dele ser um fato biológico, os poucos que conseguem usá-lo tem uma forma única de usar e manipular o Musth...mas algo me diz que não é sobre isso que você está aqui, não é?
Ah, é mesmo, a Deusa Una também era a Deusa dos Segredos...é claro que ela iria perceber minhas verdadeiras intenções...e enquanto eu pensei naquilo, eu abri minha boa, e falei.
Sansão: é...você tá certa.
Era estranho falar com as minhas próprias palavras ao invés de apenas deixar que as pessoas interpretassem o que eu tava pensando, mas tinha alguma coisa na Deusa Una que me deixava bem mais confortável pra conversar do que com as outras pessoas.
Mas ela era A DEUSA, a mais antiga do panteão, a professora dos outros deuses, e a entidade mais bondosa conhecida por todo o mundo, e claro que eu me sentiria confortável falando com ela.
Una: hummm, interessante, e qual seria o outro motivo?
Sansão: simples, eu não quero passar vergonha atoa, eu queria pedir ajuda pra Jaci ou pra Guaraci, mas eu entendi bem rápido que esse tal de "Musth" é algo que precisa de um toque de vocês, a Escuridão e o Brilho. Deuses que possuem mais experiência que o Sol e a Lua.
Ai cara, era tão estranho ouvir minha própria voz, tipo, estranho pra caramba.
Una: entendo
Sansão: e o motivo de eu não ter pedido a ajuda do Aram, é que eu queria que o mínimo possível de pessoas descobrisse o que eu consegui...porque eu tenho medo do que eu posso fazer se eu ativar o Must sem cuidado perto dele.
Era muito estranho ouvir minha própria voz, ainda mais agora que a Zípora tinha entendido tão bem minhas próprias emoções que agora eu só precisava falar quando eu queria ter certeza que ela não entendesse errado o que eu disse.
Mas ao mesmo tempo, eu fiquei bem feliz em falar aquelas coisas para a Deusa Una, de uma forma que fazia o desconforto em meu corpo por falar ser anulado quase completamente.
Una: e o que voce pensa que vai acontecer?
Sansão: hehe, mesmo não sabendo muita coisa sobre o Musth em seres inteligentes, algumas pessoasme contaram um pouco sobre o que o Musth faz com elefantes, pelo jeito, o Musth nos elefantes os torna extremamente agressivos, imunes a dor e capazes de matar qualquer animal que entre no caminho deles, urinarem o tempo todo sem controle. Além deles abusarem de elefantes, outros animais e até objetos, pelo qual descontrolados esses animais ficam quando a testosterona passa de certos limites.
Ainda bem que eu vim pra la com um chapéu, porque quando eu falei isso pra ela, eu escondi meu rosto, e desejei da forma mais pura do mundo só desaparecer pra a Una não me ver e mais uma vez, a dimensão de Una atendeu ao meu pedido, me fazendo desaparecer no meio de toda a curião, longe dos olhos dela.
Uma ação que me deu mais coragem de continuar falando do que deveria.
Sansão: eu não faço ideia quais desses efeitos também valem pros Vampiros, mas se apenas um desses efeitos valer pra mim, o último Deus que eu quero que esteja perto de mim quando eu estiver "fora da minha mente normal" é o infame "Aram", o Deus do Brilho, o Deus das respostas, e o Deus enxerido.
Eu não podia ver o rosto da Deusa Una, mas algo me dizia que ela estava sorrindo quando eu falei isso, eu apenas não conseguia provar, já que tudo que eu via eram aqueles olhos gigantescos dela.
Sansão: o que eu preciso é de alguém discreto, alguém capaz de levar segredos até o túmulo...alguém como você, Deusa da Escuridão...
Eu não fiz isso de forma consciente, mas depois que eu falei aquilo, meu corpo começou a sair do meio da sombra e ficou um pouco mais visível naquele mar de trevas.
E então, eu vi a Deusa Una olhando pra mim, tudo enquanto eu via os olhos dela mudando, e virando olhos mais gentis e fofinhos, com ele virando uma meia lua pra baixo, mostrando que ela tava sorrindo.
Una: bom, ok, eu só queria ter certeza, então onde você quer começar?
Sansão: eu quero testar o Limite do Musth, ver até onde esse estado estranho do meu corpo pode ir...você pode me trazer de volta se eu perder o controle?
Una: não vou precisar, você mesmo vai voltar ao controle quando o efeito do Musth acabar, mas não se preocupe, com o tempo você vai entender como ele funciona em detalhes específicos até demais.
Eu não entendi por completo o que ela quis dizer com aquilo, mas eu tentei não pensar muito nisso, e apenas tentei ligar o Musth, pensando que eu vou entender tudo melhor quando eu sentir na pele o que ele faz comigo.
E quando eu deixei o Must tomar conta de mim, eu tentei entender o quanto de testosterona tava fluindo no meu corpo...claro que eu não consegui fazer isso de primeira, eu apenas senti meu corpo aumentando, crescendo, e com minha agressividade ficando cada vez maior...
Até que eu comecei a perder a consciência, até parecer que eu tinha apagado de vez...ou pelo menos, só perdi a minha consciência pra selvageria dentro do meu próprio corpo...e mais uma vez, meu último pensamento foi de alívio, alívio por eu ter escolhido a Deusa Una pra me ajudar nesse momento delicado do meu próprio corpo.
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🫠🫠🫠
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Eu senti tintim por tintim como o meu corpo se estilhaçou, rasgou a si próprio e remodelou a si próprio enquanto eu atacava com tudo o vazio ao redor de mim apenas sentindo um absurdo êxtase enquanto mas ataques eu mandava pras construções invisíveis que estavam ao redor de mim.
Eu não me lembrei de quase nada do que eu fiz quando eu estava no estado de Musth, apenas as pancadas que eu dei nos objetos de sombra "invisíveis" no meio do lugar que eu criei.
Uma vez que o processo de Musth acabou, eu caí no chão, com falta de ar, mesmo não precisando respirar, com os músculos doendo, mesmo eu sendo um espírito, e suando, mesmo ali sendo o lugar mais frio que eu já entrei em muito tempo.
Depois de eu respirar por um bom tempo, eu procurei tudo ao meu redor, tentando encontrar a Deusa Una, até que ela abriu os olhos, e me mostrou o brilhante olhar em meio a toda a escuridão infinita do lugar.
Sansão: (arfa, arfa, arfa) por quanto tempo eu fiquei nesse estado:
Una: 2 anos, basicamente 2 horas no mundo real.
Depois de ouvir aquilo, eu fiquei um bom tempo arfando e só respirando de forma muito forte, eu estava tentando conseguir ar de lugares que eu nem sabia se eu ainda tinha ou não.
E depois de me recuperar um pouco, eu perguntei para a Deusa Una.
Sansão: então, foi tão feio quanto eu imaginei que seria?
Una: foi pior. Você criou todo o tipo de objeto ao redor de você, você destruiu todos os pilares de ferro que criou, se urinou sem controle, e até criou animais, pessoas e outras coisas através das sombras, só pra destruí-las, mordê-las...ou fazer coisa pior.
Eu ouvi tudo o que ela falou, me deitei por um tempo em uma cma que eu criei abaixo de mim e fiquei apenas observando o vazio enquanto assimilava tudo que ela disse...ai, que vergonha.
Ainda bem que eu não testei a sorte e tentei aprimorar o Musth na dimensão do Deus do Brilho, o tipo de coisas que eu fiz ali, ficou claro bem rápido que eu não podia deixar ninguém além da Deusa da Escuridão saber desses meus treinamentos.
Sansão: hmhmhm, acho que pra uma primeira tentativa, já é mais do que o bastante.
Os olhos da Deusa Una mudaram de novo, agora só pareciam olhos cheios de tranquilidade e calmaria.
Una: bom, nos vemos amanhã então.
E depois dela falar aquilo, eu comecei a voltar pro mundo real e também pra posição que o meu corpo estava no mundo real. Mas antes de sair, eu falei pra Deusa da Escuridão o seguinte.
Sansão: ah, e Una, todas essas coisas que eu falei aqui isso pode ser colocado em segredo também?
Una: tudo bem, o seu segredo está seguro comigo.
Serio, essa dimensão era incrível, por eu ser um espírito, eu não sentia dor na minha garganta, e por ser a Deusa da Escuridão, eu conseguia falar de forma que eu não conseguia falar com mais ninguém.
E por esses dois fatos, eu quis deixar isso só entre mim e a Deusa Una e aproveitar esse mundinho só meu e dela onde eu conseguia falar de forma tão fácil assim com alguém.
E depois daquilo, voltei a minha rotina normal, na medida do possível, claro, porque, mesmo comigo ainda indo nos treinos das artes marciais que e ainda não havia dominado, em meio a toda aquela confusão, eu ainda dava um pouco de tempo pra mim mesmo para conseguir ir ao templo da Deusa da Escuridão.
Eu fiquei mais de 1 semana indo naquele templo, tentando dominar o Musth, mas depois de ir pra dimensão de Una por uma semana inteira, eu logo entendi que o Musth não seria algo fácil de dominar.
E em meio a esses meus pensamentos sobre controlar o Must, eu me lembrei que eu ainda tinha alguém para ver, a grande Loba Valentina que solicitou um duelo comigo.
E quando pensei nisso, logo pensei em matar dois pássaros com uma pedra só e chamei um certo alguém pra ver a luta, mesmo que eu não tivesse certeza se esse alguém conseguiria sair no sol ou não.

