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Eu caminhei de forma bem calma pelo arquipélago, porque hoje era o dia em que eu enfrentaria o convidado do Continente da Mana, mas eu caminhava principalmente pelo arquipélago estar passando por um fenômeno raro, onde tinham poucas pessoas andando entre as ilhas, permitindo que até alguém tímido como eu conseguisse andar pelo Arquipélago sem precisar flutuar pelo ar a todo momento.
O conselho do arquipélago era algo interessante, como o Continente da mana era uma única ilha unida enorme, eles conseguiram criar uma democracia mais forte, onde, mesmo com as diferenças, eles conseguiram decidir reinos e reis diferentes, e numa hierarquia bem organizada, os reis do Continente da Mana tinham um sistema de reis que obedeciam a reis maiores, ate acabar no Imperador.
E como não tinham guerras constantes no lugar, dava pra se dizer que o sistema deles tava funcionando, do jeitinho deles, mas estava..
Mas pelo arquipélago ter muitas ilhas, muitos climas, muitas circunstâncias e muitas culturas diferentes demais, colocar todos em uma única bandeira não foi tão fácil quanto no continente da mana, então os meus ancestrais fizeram a segunda melhor coisa, eles criaram um conselho, mais especificamente, um conselho de líderes de cada ilha.
Cada ilha tinha um chefe da "família" e cada um desses chefes tinha o direito de participar do conselho com os outros chefes, com o conselho sempre tentando decidir ações que seriam melhores pro povo, pro Arquipélago em geral, ou por outros motivos diversos.
A consolidação dos lobisomens, as pontes de ferro, todo o sistema de torneios, todo o sistema onde todos os jovens problemáticos tinham a chance de participarem de uma arte marcial, os centros curandeiros e a conexão entre os Deuses. Todas essas coisas eram só alguns exemplos de tudo que o conselho era responsável de manter.
E enquanto eu olhei em volta de mim, eu vi que tinham pessoas cheias de alegria, esperança, barrigas cheias.
O Mar Vermelho era um lugar duro, perigoso e hostil, mas o conselho transformou esse lugar em um lar, tanto pra cascas grossas como eu quanto pra civis frágeis que nunca mataram nem um mosquito.
E o cabeça de todas essas operações era o seguro e confiável Presidente do conselho, o cara que tinha a palavra final em cada conselho.
Sim, em certas circunstâncias, o conselho podia bloquear a decisão do presidente, e até mesmo trocá-lo por outro, e a situação fosse séria. Mas esse tipo de situação nunca aconteceu com o presidente Samuel, porque ele era tão bom em seu trabalho, que nunca foi uma opção tirá-lo do cargo.
E no meio dos meus pensamentos, eu finalmente cheguei em uma arena bem diferente, era um coliseu feito em uma única ilha, liso, sem estátuas, pinturas ou talhados na pedra, e criado com uma pedra totalmente escura como a mais profunda noite sem lua.
Esse era o Coliseu de Una, criado especialmente pra lutas com convidados especiais, pois diferente das lutas mais tradicionais, lutas entre convidados, sejam de visitantes do Continente de Mana ou do misterioso território da Estamina, todos tinham o costume de sair do controle, no bom sentido, claro.
Assim que eu me aproximei da entrada, uma empregada apareceu na porta, sorrindo e muito feliz em me ver. Ela não pediu minha identificação, como se apenas me ver fosse uma prova perfeita sobre quem eu era.
Então, com calma, a empregada me guiou pelo grande coliseu até uma salinha pequena em meio aos corredores, onde tinha uma mesinha com duas cadeiras, uma com o presidente, e a outra estava o visitante.
Empregada: Sir Salomão, o Sir Sansão chegou.
Ah, ainda bem que ela me apresentou, séria bem vergonhoso se eu não falasse nada quando eles estivessem ali, mas, pra variar, eu tentei, tentei e tentei...e não saiu nada.
Tentando não pesar muito o clima, eu olhei um pouco pro presidente, só vendo como ele era, e vi que ele era muito claro, com cabelos lisos e pretos que brilhavam de tão bem cuidados que eles eram.
Um bigode igualmente preto e bem cheio, um rosto limpo e olhos rosas que se destacavam muito, principalmente com toda a seriedade que todo o resto do corpo dele.
Essa aparência dele tava me dando sentimentos misturados, mas acabei sendo tirado desses pensamentos, porque assim que o presidente me viu, ele se levantou, foi até mim e apertou minha mão.
Presidente: ola Sir Sansão, é um prazer conhecê-lo pessoalmente, esse é o Lorde Davi, um Cavaleiro de Aura criado no Continente da Mana, (sorri) ele estava muito animado para conhece-lo.
Após ouvir isso, eu olhei com cuidado para o visitante, e vi que ele tinha uma aparência muito "padrão" do Continente da mana.
Ele era claro, tipo, absurdamente claro, mais claro até que o Persistente. Tinha olhos azuis, um cabelo amarelo que até conseguia ofuscar o brilho do cabelo loiro da Zípora...
Mas o que mais se destacava nele era que, ele era muito pequeno...tipo, eu já sabia que o pessoal do continente da manhã era mais baixo que o do Arquipélago da Aura, e eu era um cara alto, mas o Lorde Davi parecia pequeno, até pros padrões de alguém do COntinente da Mana.
E quando eu pensei tudo isso, eu vi o Lorde Davi levantando a mão pra me cumprimentar.
Davi: é, eu sei, eu sou pequeno né?
Eu fiquei surpreso dele ter entendido o que eu falei, mas enquanto eu levantei devagar a minha mão, ele falou mais.
Davi: eu tenho a minha cota de amigos com "problemas de comunicação" então sei uma coisinha ou outra sobre conversar com pessoas com problemas como o seu.
Isso me deixou bem aliviado, me fazendo entender que eu não iria ter que me forçar muito, perto do visitante.
E quando eu o olhei com um pouco mais de cuidado, vi que o visitante não estava usando nenhum equipamento de respiração.
Por causa do Magma, a escassez de oxigênio, e toda a poeira do lugar, a atmosfera do Mar Vermelho era extremamente tóxica pra qualquer raca que não vivia aqui desde o nascimento.
E por causa disso, visitantes do Mar Azul e Branco, normalmente usavam equipamentos especiais pra conseguirem respirar sem problemas aqui.
Sim, era possível se adaptar e se tornar acostumado a respirar nesse ambiente tóxico e perigoso, mas esse era um treinamento quase inumano para a maioria das pessoas. Por isso, muitos visitantes tinham o costume de usar máscaras.
Davi: hmhmhm, Sir Sansão, sinto que você entende isso mais do que ninguém, mas pra pessoas como nós realizam coisas "inumanas" antes do café da manhã.
Ah sim, eu sabia disso muito bem, eu podia saber disso ainda melhor quando percebi que o Davi estava apertando minha mão extremamente forte, e entendendo o joguinho dele, eu apertei de volta, bem forte.
Nos dois apontamos com força a mão um do outro um bom tempo, e eu até senti uma pressão na mão, mas estava muito longe de ser algo que ia me machucar.
Já o visitante estava com o tranquilo, mas os olhos dele exalavam uma intensidade que logo fez meu sangue ferver.
E quando eu deixei um pouco da minha selvageria sair, o visitante deu um sorriso animado e alegre, quase como se tivesse ganhado na loteria ao me encontrar.
Davi: fico feliz que o seu desejo por batalhas é tão grande quanto me falaram. Quando me disseram que você não atendeu o chamado por estar caçando dinossauros numa ilha, eu duvidei, mas esse aperto, eu consigo sentir o poder capaz de matar dinossauros em você.
Nós dois não soltamos a mão um do outro, apenas apontamos mais forte, querendo ver qual de nós dois iria soltar primeiro.
Era apenas um aperto, mas foi mais do que o suficiente pra eu entender que ele tava certo, com apenas o poder do aperto dele, eu podia dizer que ele fazia coisas "inumanas" antes do café da manhã assim como eu, muitas vezes.
Davi: sou chamado muitas vezes como alguém que "não é humano" por meus colegas, e ver que você é alguém parecido, me enche de felicidade.
O olhar azul do Davi era intenso, mudou de um simples olhar de predador para o olhar de alguém que não via meu rosto, ele olhou direto pra minha alma e gostou do que viu.
Davi: eu quase consigo ver os tipos de monstros que ele derrotou até chegar aqui, e consigo ver de cara que ele nunca se contentou com inimigos fracos.
Nunca.
Eu pensei de forma boba, meio que desafiando o Davi a perceber isso, mas ele entendeu o que eu pensei, não demonstrou.
Ele apenas sorriu de uma forma animada, se levantou, continuou com aquela intensidade absurda no próprio olhar, ficou na minha frente e falou.
Davi: vamos lá pra arena.
Ele não estava perguntando, ele estava mandando, e não apenas isso, quando ele se levantou, eu senti que ele, do nada, ficou muito maior, mas isso era ilusão, aquilo era apenas o sentimento que esse poder gigantesco do visitante transmitia, um sentimento que até mesmo me lembrava dos meus oponentes Dinossauros, mas eu não sabia dizer qual era.
E sinceramente, eu não estava ligando nem um pouco pra isso, eu apenas sorri de forma predatória pra ele, e o Davi foi a primeira pessoa que viu meu sorriso sádico e ficou animado com isso.
Nossa, o pessoal do Continente da Mana não batia bem da cabeça não.
Davi: ai, isso é o sujo falando do mal lavado, agora vamos.
Não tinha contra-argumentos pro que ele falou, então eu só segui pra arena, em silencio.
Davi Lopes, um Singular do gêmeo animal. Por causa de problemas em casa, ele desenvolveu uma segunda personalidade através da magia que possui a aparência de um lobisomem.
Após se formar no centro de cavaleiros ele passou 30 anos guardando a muralha do norte de seu reino, depois ele foi colocado como o guardião do centro curandeiro, impedindo que assassinos, monstros e outras pessoas duvidosas tentassem pegar as pessoas doentes.
Um dos maiores feitos dele foi quando ele estava sozinho contra um exército de 500 magos bandidos, e com apenas uma espada, um escudo e um arco e flecha, ele dizimou o exército inteiro sem matar uma única pessoa, de propósito.
Ele tinha tanto poder e controle, que ele conseguia entrar numa batalha mortal sem matar o oponente, demonstrando a verdadeira força que aquele cavaleiro tinha guardado pra si próprio.
E além de tudo isso, assim como eu, o Davi participou de vários torneios do Continente da Mana, e por 5 anos segue invicto.
Davi: é, mas isso não é mérito totalmente meu, eu só sou invicto porque um amigo meu não tá participando dos mesmos torneios que eu, eu não passo de um covarde que não consegue enfrentar o próprio amigo.
Mesmo assim, ser invicto apenas por um amigo não participar de um torneio é um feito incrível. E sabendo que o "amigo" dele era, não era atoa que ele não estava ganhando quando ele participava.
E tudo isso apenas eram os feitos do Davi, se eu colocasse os feitos do Brutus, a segunda personalidade dele, então eu poderia ficar dias falando sobre ele.
Davi: semanas na verdade. Semanas...é sério, eu to tentando superar aquela bola de pelos a anos, mas ele sempre parece estar ficando mais forte, fazendo feitos cada vez mais incríveis, sempre me superando pra eu nunca conseguir ganhar dele. (suspiro) serio, as vezes eu sinto que só tô dividindo meu corpo com meu irmão mais velho, e não com uma personalidade minha.
Nossa, eu não consigo sequer imaginar como viver desse jeito deve ser, então não tentei imaginar isso e só tentei me preparar pra batalha, porque eu conseguia sentir, apenas pela energia que ele tava exalando, que não seria uma batalha fácil de jeito nenhum.
Davi: que bom que você sabe, porque eu não vou me segurar.
E com o Davi me impressionando novamente com a forma como ele parecia me entender, nós finalmente chegamos na arena onde iremos lutar.
E quando vi tudo ao redor de mim, eu fiquei levemente impressionado.
A arena que estávamos era enorme, com mais de 300 metros de diametro, parecia uma daquelas arena onde gigantes e dragões lutavam.
E essa não era a coisa mais impressionante, cada um dos tijolos do lugar era cheio de pinturas de resistência fortes o bastante para transformar essa arena em um lugar 20 vezes mais resistente do que ela já era.
E quando olhei pras arquibancadas, vi que tinha algumas pessoas em volta de nós, algumas gravadoras aqui e ali, mas principalmente especialistas, lutadores e Artistas Marciais como eu.
Pessoas que vieram aqui pra ver um duelo, não uma surra unilateral. Com tanto apoio na minha frente, eu não podia me permitir perder de forma humilhante.
E quando eu olhei de novo pro Lorde Davi, eu respirei fundo, e entrei em guarda, sabendo muito bem que eu poderia me soltar por completo naquele lugar sem medo de machucar ninguém.
E o Lorde Davi, parecendo compartilhar meu entusiasmo, desembainhou um cabo de espada do bolso, se colocou na guarda de "espada na esquerda e escudo a direita", e deixou a Aura dele sair do corpo.
E o que eu vi depois daquilo, foi algo que eu sabia bem até demais que era único.
O Davi respirou fundo e fez o ferro derretido sair da roupa dele, mas não era apenas um ferro derretido normal, era ferro derretido controlado pela Aura dele, e quando a armadura se solidificou totalmente no corpo dele, ele criou uma armadura completa, com brilho nas rachaduras de movimentos e uma cor azul ultra escura que fazia a aparência "mística" dele sair pra fora.
E além disso, vi ele usando esse ferro pra criar um escudo gigantesco de corpo inteiro, junto de uma espada curta, grande demais pra ser um canivete, curta demais pra ser uma espada longa, era uma espada feita perfeitamente pra combate corpo a corpo.
Cada uma delas em um azul brilhante, junto com o brilho vermelho nas rachaduras também.
E ainda fazendo meu sorriso sinistro, eu tirei minha camisa, fiquei só com meu short de batalha e fiquei frente a frente dele.
Davi: Sabe uma coisa, Sir Sansão? Eu aprendi algo quando eu viajei no mundo com meu amigo, você pode ouvir o que quiser sobre pessoas, mas em uma batalha de 10 minutos, você pode conhecer mais sobre alguém do que em 10 anos de boato. Eu ouvi sobre você, mas as minhas armas e eu ainda não te conheçemos de verdade, quando eu te cortar e você sangrar, saberei quem você realmente é.
Eu sorri de forma modesta quando o Lorde Davi falou aquilo,eu já tinha passado por minha cota de batalhas pra saber que dava pra entender mais sobre uma pessoa em uma luta do que em uma conversa.
E eu tava muito ansioso pra conhecer mais sobre o Lorde Davi, a "Anomalia" do Continente da Mana.

