1737 palavras
Eu conversei com a Deusa da Lua por um bom tempo, até que eu cheguei a perguntar mentalmente pra ela se eu tava sendo um bom namorado, e ela me respondeu de forma simples.
Jacy: Pelo que eu vi até agora, não, você não tem, eu tenho observado a Lady Zípora a um tempo, e eu tenho certeza que ela nao e uma mulher que mente trai e finge que tá tudo bem, ela é o tipo de mulher que fala de cara quando se tem algum problema. Então apenas fique tranquilo, tente melhorar onde você acha que precisa, e tente pensar em algo que não é apenas a Zípora, porque, pelo que eu vejo ela fazendo, não é apenas em você que ela é focada.
Se é a Jacy, a grande Deusa do Amor que tá me dizendo isso, acho que eu não posso so ignorar, não é?
Jacy: exatamente, e como a Deusa do Amor, quero saber se você quer algumas dicas ou não?
Eu até quero, porque, eu não tenho uma ideia muito boa do que eu preciso mudar em mim.
Eu não sou um leigo completo do amor, eu sei que não existem pessoas totalmente perfeitas uma pra outra e que quando duas pessoas se amam, as duas precisam fazer mudanças.
Eu sabia que teria que abrir mão de algumas coisas quando eu namorasse ela...eu sempre tentei preparar meu coração pra quando ela quisesse que eu parasse de lutar com dinossauros...
E de forma irônica, eu nunca consegui me preparar totalmente pra isso, e não é porque eu não consigo parar de ir lá, é porque...é porque eu não quero parar.
Quando eu penso em parar de lutar com dinossauros, eu olho pras minhas mãos e apenas penso "eu não quero fazer isso, parar de lutar com dinossauros era como..."
Jacy: "...quebrar as minhas próprias garras por amor", não é?
Eu olhei pra Jacy por um bom tempo, com minha mente totalmente vazia, pelo que eu acabei de ouvir dela.
É, esse é o termo perfeito pro que eu to sentindo...onde você encontrou esse termo?
Eu tava com problemas pra encontrar uma boa metáfora pra eu escrever isso e você encontrou uma de forma rápida assim.
Jacy: você já ouviu a história do Leão e a fazendeira?
Não.
Jacy: essa história está em um pergaminho no templo do Aram, procure por ele depois.
Entendo...mais alguma dica pra mim?
Jacy: hummmmm, acho que eu só diria que você deveria tentar ter um pouco menos de paranoia, isso não vai fazer bem pra sua saúde.
Eu enfrento dinossauros por meses, um pouco de paranoia é o que me manteve vivo até agora.
Jacy: é, eu sei, mas nós não estamos falando de dinossauros aqui.
Eu também sei disso, mas é difícil ligar e desligar a paranoia.
Jacy: viu? Ta ai um ótimo lugar pra começar suas mudanças, por mais difícil que pareça, sinto que sua paranóia pode ser um ótimo lugar pra começar a mudar. E se eu não estiver errada, isso não tem a sensação de que você está quebrando suas próprias garras, não é?
Quando pensei nisso, eu não senti a resistência que eu sentia quando pensava em parar de caçar dinossauros, a Deusa da Lua tava certa.
Eu sorri pra Deusa da Lua quando ela falou aquilo.
Era muito doido quando ela fazia isso, a leitura mental da Deusa da Lua era algo inacreditavelmente preciso, mesmo ela sendo uma Deusa, eu conseguir "falar" de forma tão precisa com ela assim sempre me deixava feliz e impressionado.
Jacy: sei disso, sei disso, por isso que gosto de quando você vem me visitar...hmhmhm, e ai, ta mais calmo?
To sim.
Jacy: tem mais alguma coisa que você quer me falar?
Não.
Jacy: então até a próxima.
E depois de falar aquilo, a Jacy fez carinho na minha cabeça e deixou que eu voltasse pro plano mortal...eu falei tanto com a Jacy que eu fiquei bem pensativo enquanto eu saia do templo.
Pensei que eu tava indo pra casa, mas depois de andar pro lugar um pouquinho mais, eu percebi que eu tava caminhando pelo Arquipélago enquanto tava pensando.
Hummmmm. As coisas que eu precisava sacrificar pela Zípora, as coisas que eu não ia aguentar sacrificar, nem se tentasse. As coisas que a Zípora sacrificou por mim, as coisas que ela não podia aguentar sacrificar por mim.
E no fim, cada um daqueles pensamentos acabou se culminando em uma coisa, eu nao tinha feito muitos encontros desde que eu comecei a namorar a Zípora, a quanto tempo agente ta namorando? 8 anos(2 anos sapiens)? Não, 20 anos (5 anos sapiens), isso se considerar o tempo que nós ficamos "flertando".
Bom, pelo que eu conseguia ver, a Zípora não se importava de nos termos poucos encontros, principalmente pelo quanto eu "fazia valer" sempre que nós tínhamos encontros.
Mas depois de perceber isso, acabei de perceber que eu me importava, porque eu tive um desejo bem grande de ter outros encontros com ela, que na hora eu peguei meu grimório do bolso e comecei a escrever pra ela.
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(começo da transmissão)
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Sansão: oi Zipora
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Zípora: oi
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Sansão: e ai, eu queria saber, você tá afim de ir a algum lugar?
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Zípora: você não precisa se preparar pra lutar com o convidado?
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Sansão: me preparar? Que tipo de preparo eu posso fazer em 1 semana?
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Zípora: sei lá, treinar, saber sobre seu oponente, criar uma estratégia pra lutar com ele
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Sansão: eu ja fiz tudo isso, e também, de novo, que tipo de treino poderia me deixar mais forte em só uma semana? Não, as artes marciais não são tão simples assim.
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Sansão: por isso eu quero passar um tempo com você
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Zípora: porque esse interesse assim do nada?
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Sansão: ah, por nada, eu apenas parei pra refletir um pouco o quanto eu fui um péssimo namorado
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Zípora: você quase nunca tá aqui, quando você está aqui ou você tá morrendo de cansaço ou ta em um mega torneio, e o pouquíssimo tempo que você tem liberado, você passa comigo
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Zípora: tipo, você só se dá o privilégio de dormir, e logo em seguida você vem me ver, como se não tivesse nada mais interessante no arquipélago do que me encontrar
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Zípora: eu queria ter raiva de você, dizer que você é um péssimo namordo e que eu devia te deixar
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...
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Zípora: mas eu não consigo fazer isso, porque, e, você pode ser um desmiolado as vezes, mas você não é um mau namorado
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Sansão: nesse caso, como o namorado desmiolado que sou, eu ficar um tempinho com você, o que acha?
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Zípora: eu topo.
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(fim da transmissão)
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\nDepois daquela transmissão, nos próximos dias eu fui a todo o tipo de lugar com a Zípora, desde o Zoológico até o aquário (tanto o de monstros quanto o de animais fantásticos).
E pela teimosia dela, eu até fui pra um restaurante, mesmo que eu não tivesse comido muito, como eu pensei, depois de que eu comecei as minhas caçadas, eu tinha perdido todo o gosto por qualquer carne que não foi caçada por mim.
Não era que a comida era ruim ou coisa do tipo, era porque a comida simplesmente era algo que meu paladar não conseguia mais aceitar, o restaurante que a Zípora me levou era divino, um restaurante realmente muito bom...
Mas ainda era um restaurante normal, e infelizmente, meu paladar deixou de ser normal a muito tempo.
A Zípora até suspeitou que tinha algo errado comigo no restaurante, mas eu limpei o prato mesmo assim, então ela não suspeitou.
Porque, só tinha uma coisa que eu odiava mais do que caçadores, gente que jogava comida fora, e eu não ia me rebaixar a esse nível.
E o interessante era como, mesmo que a comida tivesse sido tão decepcionante quanto eu esperava, foi legal passar um tempinho no restaurante, legal de uma forma que eu não estava esperando.
A Zípora era a primeira pessoa, em muitos anos, que eu realmente me tornei próximo, eu tinha minha família e colegas de trabalho, mas de gente próxima, do tipo, REALMENTE PRÓXIMA, acho que só podia encaixar a Zípora nessa categoria.
Bom, ela e os Deuses, mas os Deuses eram Deuses, então eles não contam.
Eu tinha me acostumado tanto em só ficar sozinho que eu até tinha me esquecido como ficar próximo assim de uma pessoa podia ser algo legal.
Claro que eu me lembrei de forma muito melhor com os encontros que a gente teve em casa. Encontros que me cansaram bastante, mas no bom sentido.
E no meio desses encontros todos, eu descobri que a Zípora era a cozinheira chefe de um restaurante famoso (bom, isso explicava aquela cozinha absurda dela) nossa, eu tava namorando um peixe grande.
Já eu acabei não falando muito de mim mesmo pra ela, além do meu fascínio por dinossauros e meu fascínio por artes marciais, eu não tinha muito mais sobre o que dizer pra ela.
Apenas essas duas coisas foram o suficiente pra mim por tanto tempo que eu não conseguia pensar em uma terceira coisa.
Mas a Zípora parecia não ligar muito pra isso, na verdade, ela tava bem interessada em saber melhor sobre as artes marciais que eu praticava, e não querendo a desapontar, eu fiz muitos show de movimentos pra ela, só pra deixa-la feliz.
Às vezes, em nossos encontros onde agente ficava em casa, eu fazia movimentos simples enquanto explicava certas coisas pra ela, e ela parecia entender muito bem.
Nunca achei que veria uma mulher tão interessada em movimentos de artes marciais como a Zípora, mas sério, ela olhava pra cada movimento que eu fazia na frente dela como se estivesse hipnotizada por mim.
Bom, talvez o fato que eu fazia esses movimentos só com minha bermuda de lutas explicasse um pouco ela estava tão focada em mim.
E quando restou apenas um dia antes do duelo, a Zípora me deu um beijo bem carinhoso na boca.
Zípora: é pra dar sorte
Sansão: sorte: agradeço Zípora, mas acho que vou precisar mais do que sorte pra ganhar desse cara
Zípora: nesse caso, toma mais um.
E quando ela disse isso, ela me beijou mais uma vez na bochecha, e esse segundo beijo me encheu com energia o suficiente pra lutar contra meses com esse convidado, fazendo eu me sentir o ser mais poderoso do mundo.

