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Depois da noite que eu tive com Zípora, eu fiquei muito cansado, tipo, muito cansado mesmo, a ponto que no próximo dia, eu fui até o templo da Deusa da Escuridão, e dormi lá, apenas pra me recuperar.
Pela distorção de tempo que existia no domínio da Una, eu dormi o equivalente a 5 anos em apenas alguns dias lá dentro.
E mesmo depois de dormir por tanto tempo, existia alguma coisa dentro de mim que me perturbava, me perturbava demais pra eu simplesmente deixar pra depois.
Tanto que, no segundo em que eu me recuperei, eu fui direto para o templo da Deusa da Lua, para conseguir colocar esses "pensamentos perigosos" em ordem.
Hummmm, era sempre interessante eu ver a grande pirâmide de água pura que era o templo da Jacy, ela tinha uma aparência bem mais gentil que o templo da escuridão e do brilho, e graças a isso, eu ainda sentia uma calmaria gentil e bem familiar, não importa quantas vezes eu fosse pra lá.
Quando eu cheguei em uma das salas de sincronização, eu me sentei em posição de lótus e me concentrei como eu sempre fiz...só que dessa vez, a minha alma novamente foi bem pra cima, indo diretamente pra lua.
Mais uma vez eu passei pelo teto do templo, passei pelas camadas imensas de pedra que separava o Mar Vermelho do Azul, depois passe pela quantidade gigantesca de água que criava o Mar Azul, e depois passei pelas grandes camadas de nuvens que criavam o mar branco, e depois eu comecei a ir pro espaço.
E quando eu olhei bem pro espaço, mais uma vez eu fiquei levemente impressionado com a diferença entre a Jacy e o Guaracy. Era sempre impressionante pra mim o quanto o sol era maior do que a lua, não importa quantas vezes eu visse isso.
E quando eu aterrissei na lua, mais uma vez fui pego por uma grande quantidade de nuvens que pareciam um grande travesseiro feitos de puro amor e carinho.
Mas como eu já tinha descansado na presença de Una, eu olhei ao redor, procurando a Jacy.
???: aqui atrás.
Quando me virei, eu vi a Deusa da Lua, usando agora uma saia de samambaias que ia até o joelho, um corpete feito de cactos, e um chapéu de palha que parecia ser de pele de hipopótamo.
Cara, eu sempre ficava fascinado com o tipo de roupas que a Deusa da Lua tinha, era impressionante.
Jacy: ah, eu gosto de ficar estilosa pros meus seguidores, não me julguei por isso.
Nunca.
Jacy: sim sim, foi meio bobo, sei que você não é alguém que julga.
Ai cara, voce não tem ideia das coisa que aconteceram comigo essa semana, eu lutei contra Ceratossauro, eu ganhei de uma horda de Ictiossauros, e eu tive minha primeira vez com a Zípora, e agora eu me sinto o homem mais forte do mundo.
Eu apenas pensei nisso, mas pelo rosto da Jacy, ela tinha ouvido bem até demais o que eu tinha falado.
E muito além disso, ela parece ter dado mais atenção em uma das minhas declarações do que as outras, e em certo ponto, eu até entendia o porque ela tinha feito isso.
Jacy: a sensação é incrível, não é? Não foi apenas a sua virgindade, ficar íntimo de uma pessoa dessa forma é uma promessa, mesmo que sua mente não perceba, o seu corpo entendeu algo com o que você fez: essa mulher é especial.
Eu sorri quando ela falou isso, porque, mesmo sendo com outras palavras, era isso que eu tava sentindo o dia inteiro.
Jacy: Agora você deve se sentir mais forte que o normal, isso porque a sua força que antes era distribuída de forma igual pra todo mundo está agora focada proteção de uma única pessoa
Jacy: existem pessoas que conseguem se tornar verdadeiras lendas quando abandonam tudo pelas artes marciais, mas existe um certo limite de até aonde uma pessoa pode ir lutando apenas por si própria
Jacy: vampiros, dragões, ogros, sapiens. E qualquer outra raça que possa ser dita como "Humana" é uma raça social, não fomos feitos pra lutarmos por nós mesmos e nada mais, a verdadeira força de uma pessoa vem quando ela está lutando por algo além de si própria.
É uma forma muito linda de pensar Jacy, realmente muito linda.
E o mais doido nisso tudo é que eu nem conheço essa "mulher especial" tão bem assim, eu fiquei mais de um ano sem ver ela, eu quase nunca tô no Arquipélago...
E mesmo assim, no segundo que eu voltei, ali está ela, cheia de raiva, mas ainda disposta a me esperar, sempre com medo que eu acabe morrendo em uma das minhas expedições, preparadas sempre pra ouvir a notícia que eu morri em uma das minhas caças...
Ai, sempre que eu penso um pouco sobre isso eu fico muito fascinado com o quanto que a Zípora realmente é paciente comigo, a ponto que eu sinto que to sendo muito injusto com ela...
Mas ao mesmo tempo eu não consigo parar, não consigo me fazer parar, esse desejo por caça e por carne agora é parte de mim, se eu tentar parar isso, eu vou ser "punido" pela selvageria que eu passei tantos anos pra aprender a lidar.
Eu to com medo, não sei o que fazer.
Jacy: bom, é só uma ideia minha, mas porque você não apenas pergunta pra ela o que mais ela quer que você faça? Tenho certeza que depois de dormir com ela, ela não deve ter muitas exigências pra você, mas caso você ache que ela deseje ainda mais coisas de você, eu apenas te digo pra ouvi-la.
Hummmmmm, sério, as vezes eu sentia que a Zípora entrou na minha vida por causa da Deusa da Lua, ela é tão perfeita pra mim que eu não consigo imaginar que algo assim poderia acontecer sem intervenção divina.
E quando pensei assim, eu vi a Jacy sorrindo pra im, como se olhasse uma criança que não entendia as regras do mundo ainda.
Jacy: sei que Deuses possuem a fama de interferir no plano terreno quando é necessário, e é por isso que você pode ficar tranquilo, pois em relação a você e a Zípora, não foi necessário uma intervenção direta nossa.
Direta?
Jacy: pois e, porque, apesar de nos conseguirmos usar o plano terreno pra conversar com vocês, nós não queremos ser usados como bengalas pra todos os problemas que os mortais tinham, por isso nós não realizamos milagres com frequência, mas sim ensinamos certos truques para os mortais conseguirem fazer milagres eles mesmos, assim como o Lorde Miguel. Um aluno famoso entre os Vampiros.
Eu até entendo isso, até certo ponto, mas isso é mesmo necessário?
Jacy: bom, e claro que ser chamado pra resolver todos os problemas dos mortais não seria um problema pra mim, mas eu estou viva muito antes de sua raça existir, vi muitos começos e também já vi muitos fins. E eu aprendi uma coisa nesse tempo
E o que é?
Jacy: quando um deus interfere demais no mundo mortal, os mortais se tornam dependentes demais, exigentes demais, mandões demais, e controladores demais. A ponto que o grande Deus salvador deles não se torna nada além de um escravo, ou um ser tão cruel e desprezível que mal pode ser chamado de Deus.
"Um ser tão cruel que nem pode mais ser chamado de Deus?" Nossa, me deu arrepio na alma só de imaginar.
Jacy: ao mesmo tempo que, quando um Deus não interfere em nada no mundo mortal, as pessoas começam a duvidar de seu poder, ou até que ele sequer existiu, e com o tempo, esse deus é esquecido pelos próprios fiéis, ate ficar incapaz de se mostrar pra eles em geral.
Já essa comparação me deixou bem triste. Eu tinha uma imaginação muito pobre, então não conseguia imaginar um Deus ignorando seus fiéis e sendo lentamente esquecido por todos, mas eu tinha certeza que deveria ser algo indescritível por palavras mortais.
Jacy: indescritível por palavras mortais, você diz? E, ironicamente, isso tá até bem próximo do que a sensação é. Porque a dor que eu ouvi daquele pobre Deus realmente não pode ser compreendida por algo que não fosse um Deus...
A Deusa da Lua ficou bem quieta e cabisbaixa quando falou aquilo, mas antes de eu ter tempo pra perguntar o que ela estava pensando, ela continuou a conversa.
Jacy: (tosse) bom, nosso trabalho como Deuses é garantir que os mortais estejam no caminho certo, e depois de séculos existindo, cada um de nós entendeu uma forma perfeita de fazer isso. Através dos ensinamentos, quando nós ensinamos algo para os mortais e fazemos eles criarem os próprios milagres, eles ainda tem fé em nós, mas não nos usam como muletas pra tudo, apenas como apoio
Jacy: olha você, por exemplo, você lutou contra dinossauros, ficou mega forte, está lutando todos os dias para conseguir controlar sua Singularidade, e tudo isso, você pede ajuda dos 4 deuses não como uma bengala, mas sim como um apoio, algo pra segurar suas costas, e te dizer "não precisa parar, você está no caminho certo, apenas aguente mais um pouco e tudo vai dar certo"
Jacy: o Arquipélago e até fora do arquipélago existem milhares de mortais como você, mortais que foram inspirados pelos nossos profetas, que aprenderam a viver as próprias vidas e andar com as próprias pernas, mas no fim do dia, quando precisam de proteção, carinho ou simplesmente algo pra acreditar, vocês voltam pra nós, ao com exigência e impaciência, como se fossemos escravos, mas com calmaria e admiração, sabendo que nós podemos ajudá-lo nas coisas que não conseguem.
Dessa vez, a minha mente ficou em um branco completo, como se minha mente tivesse tentando registrar em detalhes vívidos tudo que ela falou. Até que um pensamento acabou entrando na minha mente quase sem controle.
Mas vocês ainda fazem milagres, quando é necessário.
Jacy: bom, eu não vou ser hipócrita aqui, apesar de tudo que eu falei, eu tenho que admitir, existem coisas que os mortais, mesmo com todos os nossos ensinamentos são incapazes de realizar, e em situações como essa, são o único momento que eu diria que nós interferimos diretamente no reino mortal.
Como quando ocorrem desastres naturais, como grandes tsunamis, e erupções vulcânicas.
Jacy: exatamente...sabe, eu sabia que os mortais eram incríveis, mas eu os outros 3 ficaram muito impressionados quando vocês mantiveram os dinossauros vivos, tipo, a gente teve o maior trabalho pra tentar exterminá-los e vocês os mantiveram vivos?
Ai, não coloca a conta toda no colo só dos Vampiros, os Dragões, os trolls, todo mundo ajudou.
Jacy: eu sei, agente achou que vocês não iam querer salvá-los, mas cara, cada vez que eu olho pra baixo, e vejo o que os mortais fazem, eu fico impressionada até demais com vocês, vocês têm vidas tão curtas, mas conseguem vivê-las como se elas fossem a coisa mais importante do mundo.
Eu não deveria pensar isso de uma deusa, mas quando a Deusa da Lua olhou pra baixo, ela deu um sorriso tão fofinho que eu podia até chamar de algo "humano" demais.
Ela não parecia uma deusa inalcançável, inabalável e indestrutível. Ela parecia apenas uma mulher, curiosa para entender tudo o que a minha raça passava. Hummmm, mas então eu pensei algo.
Nós não somos tão inacreditáveis assim, se algum dia, você soubesse que um dia iria morrer, você iria fazer cada segundo de sua vida valer a pena bem mais do que antes.
Jacy: e, talvez, mas como uma Deusa, eu não poderia fazer isso, pelo menos não se quisesse fazer meu trabalho direito. Eu tenho um dever desde o momento que eu nasci, e como a mais nova dos 4 eu tenho o dever de fazer meu trabalho de forma perfeita.
Eu sempre me surpreendia como a Jacy, a Deusa mas visitada do arquipélago, era a mais nova dos 4 grandes. Ela conseguia ter conversas tão boas com as pessoas que era até estranho que ela fosse considerada a "caçula" dos deuses.
Jacy: não me subestime Sansão, posso ser a mais nova, mas ainda sou uma Deusa, eu sou mais velha do que toda a sua linhagem combinada.
Depois de saber aquele fato interessante da Deusa, continuei "conversando" com ela, tanto que eu quase perdi a noção do tempo, quase.

