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Bom, depois de passar por aquele episódio super desconfortável no Templo de Una, eu andei um pouco mais pelo Arquipélago Vampiro, procurando uma certa coisa, até que eu acabei em um outro templo, mas mesmo sendo uma pirâmide de lava também, a intensidade daquele templo era um milhão de vezes maior do que a da Una, e eu sabia bem o porquê.
Aquele templo era dedicado a Aram, o Deus do Brilho, e a personificação de toda a luz do universo, em poucas palavras, ele era o oposto de Una. E ironicamente, isso não o fazia um deus maligno ou algo do tipo, são um Deus diferente.
Eu entrei no templo da Lava fervente enquanto tentava me lembrar de todos os títulos de Aram, ele era conhecido por muitos nomes, O Deus do Brilho, sendo o mais famoso, mas também, o Deus das Respostas. Pois enquanto a Deusa Una era mais conhecida por guardar segredos, o Deus Aram era mais conhecido por registrar e guardar cada coisa que acontecia no mundo em uma gigantes biblioteca...
Uma biblioteca que infelizmente eu só era possível visitar no grande domínio brilhante dele...mas tava tudo bem, pois o grande sábio Miguel, junto com muitos vampiros ancestrais corajosos registraram o que eles viram no grande reino de ram e colocaram tudo que conseguiram no terceiro andar do templo de Aram, uma biblioteca que era exatamente pra onde eu estava indo agora.
Uma vez que cheguei no terceiro andar, eu fui pego por uma grande onda de choque, onde eu fui cercado por uma quantidade sobre-humana de vários pergaminhos diferentes.
Eu podia estar muito longe de chegar no limite da minha força, mas se eu quisesse realmente ser "o mais forte" eu não podia me focar apenas em força. Eu tinha que olhar com muito cuidado minha técnica, experiência e muito mais, eu queria tudo, e como eu já alimentei minha força o bastante, eu iria treinar minha técnica agora.
Mas antes de treinar minha técnica, eu procurei algo um pouquinho diferente. Primeiro, eu peguei um pergaminho totalmente preto e com palavras brancas que tinha logo na entrada, era um pergaminho simples, que dizia onde todos os outros pergaminhos estavam, e depois de olhá-lo por um tempo, eu andei um pouco pelo lugar, subi numa escada, e peguei o pergaminho que eu queria.
Uma vez que eu cheguei no chão, eu abri o pergaminho e comecei a olhar as receitas sobre ossos. E olha só, a gosma vermelha que tinha dentro dos ossos de dinossauro que eu comi, era a medula óssea, a parte do osso que produz sangue pro corpo, pelo jeito todos os animais tem isso, mas apenas os grandões como os dinossauros tinham o bastante pra transformar em uma refeição.
Hmmmm, ela também possuía um nome um pouco mais chamativo também, o Tutano.
Existiam muitas receitas boas sobre esses ossos...receitas tão interessantes que eu não me aguentei, então eu peguei o pergaminho, sentei numa mesinha e fiquei lendo o pergaminho até que eu perdi a noção do tempo.
Eu decorei muitas receitas bem doidas sobre Tutano, receitas que me fizeram ficar bem empolgado com a possibilidade de eu testá-las eu mesmo.
Eu ainda tava muito longe de preparar o Tutano nas ilhas jurássicas, mas entender como preparar aqueles pratos realmente me deixou com água na boca, hmhmhm.
Mas depois que eu entendi direitinho como preparar o Tutano, eu guardei o pergaminho aonde eu peguei e depois comecei a andar um pouco mais fundo nos grandes corredores de pergaminhos. Em busca de algo um pouco maior.
O pergaminho que eu encontrei era diferente dos outros, enquanto os pergaminhos de outras seções em branco aquele pergaminho em específico era vermelho, e tinha um histórico muito bom pra ele ser dessa cor.
Esse pergaminho era a biografia de Miguel, o primeiro a receber contato com a Deusa da Escuridão, algo muuuuito importante pro nosso povo, e que me fazia sentir feliz por ter a oportunidade de lê-lo agora.
Segundo o pergaminho, demorou muito tempo para os Vampiros se adaptarem ao mar vermelho, passando por muitos problemas, mas talvez o principal problema sendo...a calmaria depois da tempestade.
Os Vampiros se acostumaram ao tempo caótico, conhecido como "a grande morte" por muitos historiadores, onde a nossa espécie surgiu, aquela época eram tempos com poucos recursos onde era necessário ser implacável com os seus inimigos, sempre estar alerta e nunca se permitindo ficar sozinho, pois na "grade morte", ficar sozinho significava "morte".
E quando a terra começou a se tornar mais doce, e o sol "expulsou" os vampiros da superfície, nós descemos para o Mar Vermelho, um lugar duro e hostil como a superfície, mas que os vampiros se acostumaram bem rapido.
Com o tempo, toda a experiência que a minha espécie conseguiu sobrevivendo a grande morte foi usada pra nos instalarmos no Mar Vermelho, e mesmo com nossa espécie se tornando muito boa em sobreviver, no fim, nosso sucesso em conseguirmos uma nova casa criou um novo problema...um problema que era, sem sombra de dúvidas, um milhão de vezes mais perigoso que o original.
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O Vazio.
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\nNão o vazio existencial, isso sempre existiu, mas sim o vazio dos instintos, cada Vampiro que sobreviveu a Grande Morte e a migração ao Mar Vermelho tinham um grande legado vindo direto dos nossos ancestrais, um legado que muitos diziam ser maravilhoso, enquanto outros diziam ser terrível, que eram os instintos sinistros herdados de nossos antepassados.
Instintos esses que não se encaixavam no novo conforto criados por eles próprios.
Vampiros com instintos de caçar a própria comida, agora recebiam comida sem precisar caçar.
Vampiros com instintos de dominar o parceiro agora precisavam se preocupar com consentimento da outra parte.
Vampiros que antes podiam se alimentar de qualquer coisa, agora precisavam tomar cuidado com quem eles se alimentavam.
Existiam muitas regras novas, facilidades novas e limites novos. Coisas que a mente dos Vampiros até tentou se adaptar, mas as mudanças que estavam rolando eram rápidas demais.
Afinal, não dava pra se livrar de milhões de anos de instintos tão rápido, principalmente quando alguns deles ainda eram muito úteis ainda.
Muitos Vampiros tentavam controlar seus impulsos apenas lutando contra eles quando eram inapropriados, aguentar o desejo deles por sangue quando não tinha sangue por perto, aguentar o desejo por violencia quando a raiva parecia transbordar pra fora, e manter os instintos de "dominaçao" sob controle perto do sexo oposto.
Mas é claro que aquilo não estava funcionando, os Vampiros podiam ter mentes fortes, mas certos instintos eram mais fortes do que qualquer força mental, mas muitos Vampiros continuam usando essa estratégia, pois eles não sabiam como fazer nada melhor.
E foi nesse momento de vazio de propósito que a raça Vampira parou de ser totalmente reativa, e começaram o caminho pra chegarem no controle dos próprios corpos, instintos e desejos.
Não entendendo como cuidar do próprio corpo, muitos grupos de Vampiros começaram a procurar várias estratégias diferentes e no fim, a diversificação extrema deles, acabou criando muitos clãs diferentes.
Alguns vampiros tentaram encontrar alívio em medicinas experimentais, que no curto prazo até funcionam, mas a longo prazo, muitos acabam piorando em controlar os instintos ruins do que melhorando.
Mas ainda era melhor do que outros Vampiros estavam fazendo, como eles estavam ainda no ponto de descoberta onde o pensamento era "não existe ideia errada", muitas coisas malucas e antiéticas foram feitas.
A ponto que, mesmo eles estando no início, as ideias que se mostraram como "erradas" começaram a se destacar mais fácil do que as certas.
Um exemplo disso foram os vampiros que tentaram encontrar o alívio através da lobotomização, que era uma "cura" onde os curandeiros destruíram os nervos que conectam as emoções e os nervos capazes de raciocínio do resto do cérebro de forma permanente.
Era um procedimento sinistro, cruel e inumano. Onde, depois da cirurgia, os Vampiros se tornaram "cadáveres que respiram" como muitos parentes descreveram depois da "cura", porque eles não se tornavam mais capazes de sentir nada, a dita "cura" para os instintos ruins não ajudou aqueles pobres Vampiros, mas sim os destruiu.
A Lobotomização era tão, mas tão ruim, que após um período curtíssimo de vida, menos de 10 anos após ser criada, toda a raça entrou em consenso que esse método precisava ser banido, algo que foi facilmente feito.
E então, o método foi banido e teve todos os registros que davam a chance de recriá-lo sendo destruído, e com a cirurgia sendo conhecida como um "método bárbaro criado por loucos que desejavam controle dos fracos e nada mais".
Com a única lembrança desse método inumano sendo das pobres vítimas do caso, que ficaram permanentemente naquele estado, para mostrar a todos os Vampiros ali que, mesmo com as melhores intenções, existiam limites nesse mundo que não podiam ser ultrapassados...
Eu respirei um pouco pra acalmar meu coração, mas mesmo respirando fundo, eu tive que parar de ler um pouco e olhar pro nada por alguns segundos pra me manter calma.
Sério, apenas pensar que, se eu tivesse nascido na época errada, eu poderia facilmente ter passado por uma cirurgia como essa me dava muito medo.
Porque, o que essa cirurgia fazia...era algo pior que a morte, quando você morre, de pelo menos o alívio que acabou, diferente disso, isso era algo que condenava você a uma vida sem nenhuma emoção, eu não sabia se o inferno existia, mas eu tinha certeza que deveria ter uma punição como essa lá em algum lugar.
Eu tentei me motivar a ler um pouco mais pensando que agora a história ia ficar mais leve, então eu podia me acalmar agora, então, quando voltei a ler, descobri que, depois da condenação das práticas de
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"tentar mudar o corpo a força" , os Vampiros começaram a tentar métodos de controle dos instintos um pouquinho "menos radicais".
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\nE apesar desse momento da Lobotomia tivesse sido horrível, precisei me lembrar que meus ancestrais não tiveram culpa nisso, eles estavam desesperados, sem ajuda e sem fazer ideia de onde eles deveriam começar pra controlar os instintos mais agressivos que eles carregavam, eu mesmo tinha problemas de controlar esses instintos no presente, eu nem consigo imaginar como era 100 milhões de anos atrás.
E tentando manter minha mente calma, eu continuei lendo, vendo como, pelo que parece, os Vampiros se dividiram em dois grupos, no meio desses novos testes sobre controle.
Os Vampiros que encontravam um pouco de alívio através dos remédios e os outros que encontravam uma espécie de equilíbrio em negação perpétua.
Mas no segundo grupo, um dos negadores iria passar por uma epifania que mudaria a história por completo.
Miguel, um nome que nunca seria esquecido, ele era um Negador, devoto até demais ao ensinamento do seu próprio clã, que era o ensinamento que, ele não deveria deixar os próprios instintos saírem em nenhuma hipótese
E para atingir esse resultado, o Miguel precisava fortalecer a própria força de vontade a ponto de que ele pudesse impedir que até mesmo os instintos mais básicos, como água e comida fossem instintos que ele seria capaz de suprimir.
Até que, em um dos seus maiores momentos de negação e fraqueza da sua vida, ele recebeu uma visita da Deusa da Escuridão. Em um dos dias de profundo ensinamento do clã dele, ele ficou um ano inteiro dentro de uma caverna, sem comida, sem água e sem sangue...
Cada instinto dele gritava que ele precisava se alimentar, s satisfazer, mas ele foi teimoso, e apenas quando ele ficou apenas 1 mês de completar um ano que ele perdeu o próprio controle e se transformou num animal...
Mas de forma irônica, quando perdeu por completo o controle, o Miguel não conseguiu sair da caverna, ele não fez nada nesses 11 meses onde ele ficou na caverna, apenas meditou e cuidou dos próprios instintos, o problema é que o Miguel ficou tanto tempo apenas se controlando que não restou energia pra fazer mais nada.
Ele não tinha força nem pra gritar de frustração, isso foi o quão fraco o corpo dele ficou...mas foi exatamente nesse ponto onde ele conseguiu sair da caverna em uma saida diferente, com um único pensamento em sua cabeça.
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"eu quero uma coxinha de frango"
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\nMiguel ficou surpreso que o primeiro desejo que ele sentiu quando deixou seus instintos finalmente saírem, não foi um instinto destrutivo ou ultra detalhado ou sofisticado, mas sim um simples e básico desejo.
O simples desejo de seu corpo fez o Miguel questionar muitas coisas sobre si próprio, sobre a própria fé, e o que ele estava fazendo naquela caverna.
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"Eu não entendo, ficar nessa caverna realmente vai me ajudar a me controlar?
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"Mas, o que eu vou fazer quando eu finalmente estiver no controle? Bom, eu só vou viver, não é?"
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"Não é o motivo de eu estar aqui? Pra conseguir viver de forma normal como todo mundo?"
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"E é por isso que a Lobotomia era um ato tão bárbaro, só um louco chamaria o que pessoas lobotomizadas tem de "vida"..."
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"mas isso não vale pra mim também: Ter tanto controle dos meus instintos pode ser chamado de "vida"?"
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"Sim, pode sim, porque, por mais que não estejamos totalmente certos, sei que estamos em um caminho bom"
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"Mas e os Vampiros dos remédios? Eles estão errados e nós estamos certos?"
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"Não, isso também não parece certo, eles encontraram uma resposta diferente da nossa."
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"Essa pergunta que todos os Vampiros parecem fazer pra si próprios parece ser dona de muitas respostas diferentes. Muitas respostas, mas nenhuma errada...e realmente possivel isso:"
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"uma pergunta, varias respostas, e nenhuma esta errada"
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\nEsse trecho foi apenas um dos grandes debates consigo mesmo que o Vampiro Miguel teve naquele único mês que ele ficou na caverna.
Após 11 meses da negação de seus instintos, em apenas um mês o Miguel começou a pensar em mais coisas além de apenas se controlar.
Pra começar, ele começou a explorar de cabo a rabo a caverna que ele foi posto pra meditar, e como consequência, ele encontrou várias outras saídas da caverna.
E assim que ele começou a entrar outros caminhos pra sair da caverna, ele parou de seguir a ordem dos Negadores, mesmo que ainda não tivesse se "desfeito" deles totalmente, pelo menos não ainda.
O Grande Miguel ficou muito tempo apenas tentando se controlar que não havia espaço pra ele pensar ou fazer mais nada, e quando ele saiu da caverna e começou a experimentar de pouquinho em pouquinho deixar certos instintos saírem, muita coisa mudou pra ele.
A fome e sede que ele sentiu por tanto tempo fez com que a comida, água e sangue que ele provou depois de tanto tempo em abstinência, se tornasse ainda mais saborosa.
Ele conhecia esse efeito muito bem, pelas vezes que ele mesmo sentiu esse efeito enquanto estava junto dos Negadores, mas ele começou a testar muito mais coisas do que apenas comer.
Claro, que pra fazer esse teste, ele precisou de mais tempo na caverna, então quando o treino de um ano dele na caverna acabou, o Miguel pediu aos seus Mestres que ele ficasse lá por mais tempo, algo que seus Mestres, mesmo sem entender por completo o motivo, aceitaram na hora.
E uma vez que estava sozinho de novo, o Miguel começou a fazer experimentos bem mais ousados que apenas ouvir o que os outros diziam pra ele.
Com seu grande treinamento, Miguel caçou um animal sozinho pela primeira vez, e se sentiu maravilhado com a alegria que aquilo deu a ele.
Carne e sangue sempre tiveram gostos parecidos, mas quando ele comeu a carne de um animal que ele mesmo criou, ele não sentiu como um animal se entregando pros seus próprios desejos, ele se sentiu, completo, como uma engrenagem que ficava feliz de estar ajudando na grande máquina que ele estava incluido.
Tanto que naquele dia, quando ele voltou para a caverna, ele falou pra Escuridão pela primeira vez.
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"Eu matei um animal hoje, foi apenas uma galinha, mas mesmo assim eu matei um ser vivo..."
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"Isso não deveria me deixar feliz, mas me deixa, porque isso é o que eu sou, eu sou um animal e sinto prazer quando consigo matar e me alimentar de um ser vivo"
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"Isso é algo que eu posso tentar enterrar em mim até que ele explodisse, ou tentar entender porque ele existe porque se ele existe...
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"afinal, depois de décadas em mim, tem que ter um motivo dele não ter sido apagado do meu DNA".
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\nO Miguel ficou semanas apenas pensando em todas as possibilidades possíveis pra conseguir entender porque muitos instintos sobreviveram à seleção natural por tanto tempo, e ele encontrou muitas respostas.
Mas o irônico era que a maioria dessas respostas não vieram de seus pensamentos na caverna, mas de experiências reais, onde ele viajava pelas ruas com um rosto e um nome falsos, mas que eram verdadeiros o suficiente para que ele tivesse as próprias perguntas respondidas.
E quando ele completou o segundo ano naquela caverna, o Miguel saiu de lá completamente diferente. Em seu último mês, ele ficou apenas na caverna, pra conseguir ficar magro o bastante pra nao deixar claro que ele havia fugido, mas no fim, não adiantou de muita coisa já que ele ainda estava gordo o suficiente pra alguém que "na teoria" ficou 2 anos em uma caverna sem nada pra comer ou beber.
Mas quando o Miguel foi pego, ele não tentou se defender ou explicar o que rolou, ele apenas admitiu que enganou a todos e se expulsou do Clã dos Negadores antes mesmo que eles pudessem expulsá-lo.
E quando o Miguel estava indo embora apenas com os uniformes rasgados do corpo, o Mestre do Miguel lhe perguntou
Mestre: Miguel espera, pode pelo menos me dizer o que você aprendeu ali? Pra você nos abandonar, deve ter sido algo muito bom
Miguel: pior que não, não é
Mestre: então porque está indo embora?
Miguel: bom, eu apenas percebi que...sim, existem Vampiros que estão tendo idéias muito ruins sobre como nós devemos nos controlar, mas também tem vampiros que estão certos, e por causa disso pensam que os outros estão errados...e eu fiquei naquela caverna tempo o bastante pra entender que esse não é o caso, então eu estou indo pra tentar fazer todos entenderem que pode ter mais de uma resposta certa pra essa pergunta que todo mundo parece estar fazendo em nossa época
Mestre: acho que, como seu mestre, só posso desejar que você saiba o que está fazendo
Miguel: eu também, Mestre, eu também.
E depois daquele dia, o Miguel abandonou os Negadores, e entrou em cada Clã, aprendendo, entendendo, e construindo.
O Miguel virou um Mestre em cada Clã ele entrou, ele também entendeu os clãs que se entregaram aos instintos e vivem no "automático" da vida, os clãs Negadores ele já conhecia muito bem, mas ele acabou se encontrando com um Clã bem peculiar no meio dos dois.
Era um Clã que usava os sentimentos como um combustível apenas pra deixar os seus golpes ainda mais poderosos.
E depois de sentir o que cada Clã tinha para oferecer, era registrado que o Grande Miguel se sentou em uma nova caverna, um lugar escuro, onde ele tinha certeza que não existia ninguém pra atrapalhá-lo e então, falou em voz alta, pra Escuridão.
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"Eu entendi agora, não é bom viver apenas através das próprias emoções e instintos, pois apenas animais vivem assim, animais nao pensam, pelo menos não como nos."
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"Toda a existência de um animal pode ser resumida a seguir instintos, sejam eles bons ou ruins, sem um único questionamento crítico, eles só fazem o que seus instintos mandam."
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"Mas ao mesmo tempo, não é bom reprimir as emoções e instintos ao maximo possivel, senao, uma pessoa não se torna diferente de uma máquina"
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"E máquinas, diferentes de pessoas, não sentem dor, não possuem um unico direito humano e quando nao sao mais uteis, elas sao simplesmente descartadas"
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"E com esse simples fato, acho que ninguém quer se tornar uma máquina, pelo menos não 100%"
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"O segredo do verdadeiro controle é entender que a vida não vem de extremo controle ou extrema liberdade, mas sim do meio termo, algo difícil de alcançar, mas que com certeza vale a pena no final".
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"Afinal, o ser humano não é um animal e nem uma máquina, nós somos os dois, e ao mesmo tempo, nenhum dos dois".
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"Nós temos o controle de nossos próprios instintos pra conseguirmos ser algo muito maior que qualquer animal."
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"Ao mesmo tempo que nós somos movidos aos nossos próprios desejos, a ponto que até a ação mais fria e sem coração nossa tenha uma origem sentimental"
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"O ser humano pleno não é uma máquina e nem um animal, mas sim a combinação desses dois extremos com as melhores partes de cada um, e sem as partes ruins...mas quais seriam as partes boas e quais seriam as ruins?"
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\nEssa fala foi o início de mais uma gigantesca jornada pessoal do Grande Miguel, onde ele tentou encontrar esse pequeno equilíbrio entre as coisas boas e coisas ruins entre ser um animal e ser uma máquina.
Tudo enquanto também tentava misturar todos os conceitos de todos os clãs em um único Clã...
Claro que de início, os Clãs não gostaram disso nem um pouco, mas o Miguel nunca, em nenhum momento, negou que aquelas ideias eram dos clãs originais, na verdade, ele sempre deixou bem claro como ele acreditava que todos estavam certos, mas eles estavam errados em pensar que o outro estava errado, e declarações como essas deixam os clãs mais calmos e não desejarem retalha-lo.
Usando os medicamentos do clã medicinal, os ensinamentos agressivos e "sem controle" dos clãs que abandonaram controle dos próprios instintos, junto das restrições sinistramente rígidas do clã Negador onde ele se originou e muito mais.
E depois de um tempo gigantesco de preparação, o Grande Miguel criou a primeira arte marcial, a primeira tentativa primitiva de um Vampiro para colocar toda a violência e instintos primitivos dentro de si em uma forma que poderia ser canalizada de forma menos destrutiva.
Aquela arte marcial foi a primeira tentativa do Miguel de mostrar até para os Vampiros mais cínicos do Arquipélago, que ainda era possível sim conseguir algo legal através da combinação do que todos tinham a oferecer.
A arte marcial em si era bruta, pois a primeira arte marcial que existiu foi a Luta livre simples e não refinada.
Na Arte Marcial os Vampiros se jogavam um no outro, se agarravam e arremessavam um ao outro no chão com uma violência que para Vampiros modernos, podia ser até bárbaro ainda, mas para os Vampiros daquela época, foi revolucionário.
E foi muito mais do que apenas uma nova forma de liberar os proprios instintos, quanto mais tempo os Vampiros praticavam aquela arte marcial, eles perceberam que, no momento em que eles aplicavam o golpe e deixavam a selvageria deles sair, eles conseguiam liberar muito mais forca do que conseguiriam penas com socos normais.
Algo que para certas pessoas não faria diferença, mas para Vampiros que desejavam apenas encontrar formas melhores de liberar sua raiva, realmente foi revolucionário.
O Miguel mostrou a todos como, na teoria, todos estavam certos, mas errados em dizer que o outro estava errado.
E ao finalmente conseguir isso, os Vampiros também entenderam como eles não conseguiram chegar muito mais longe, pelo menos não sozinhos.
A primeira arte marcial criada pelos Vampiros foi o suficiente para muitos clãs se juntarem e tentarem se fortalecer e criarem a própria arte marcial, mesmo que todo mundo tivesse demorado um pouco para criar a própria Arte Marcial.
Claro que teve muitos cabeças duras que, mesmo depois de verem todo o progresso feito ao unir os clãs, ainda preferiram se manter fiéis aos seus clãs e não deixaram que segredos mais antigos fossem revelados.
Mas o Miguel não se importou com isso, ele ficou satisfeito com os membros mais novos de cada clã entrando para o clã dele, e conseguindo aprender muito mais sobre o controle de si próprios ali do que com o controle dos clãs ainda separados.
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\nEu queria continuar lendo o pergaminho, mas segundo o meu relógio biológico, já tava tarde e eu devia ir pra casa antes que ficasse totalmente de noite, mas antes eu li o último parágrafo, pra ter uma ideia de onde eu tinha parado de ler.
Segundo o pergaminho, o Miguel ficou muito feliz em ver como, depois de muita orientação, muitos alunos voltaram para seus clãs, pra conseguirem ajudar criar novas artes marciais.
Porque o Miguel não se importava de deixar seus alunos irem, pra ele, apenas saber que os Vampiros já estavam aprendendo como controlar a si próprios, era uma vitória gigantesca pra ele.
E acho que aquele último parágrafo me fez entender que aquilo era uma biografia pois então o pergaminho falou como o Miguel contou cada uma daquelas coisas para a Escuridão, pensando que estava sozinho, mas no fundo, a Una ouviu cada palavra dele.
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"Na época, eu não conhecia a deusa da Escuridão, mas desde a primeira vez que eu desabafei meus sentimentos no escuro, eu senti que ela estava ali, me vigiando, me protegendo, cuidando de mim."
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"E talvez, apenas talvez, tenha sido esse carinho da Deusa da Escuridão que me fez realmente enxergar todos esses pensamentos."
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\nEra uma cota bem linda para se guardar a página, mas depois de ler até aquele ponto, eu enrolei o pergaminho o mais rápido que consegui, coloquei ele no mesmo lugar, e depois fui pra casa.
Eu queria muito ler aquela história até o final, mas amanhã, era o dia em que eu ia experimentar carne de um grande carnívoro pela primeira vez, eu não podia me permitir ter um dia de sono ruim.

