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E depois de sair do Dojo do Muay Thai, novamente, eu voei pra cima, evitando todas as multidões abaixo de mim.
Além dos prédios, e das pessoas andando, também tinha muitas pessoas simplesmente passando pelas pontes, o que tornava extremamente difícil de ver qualquer caminho onde não era possível interagir com as pessoas .
E depois de um bom tempo só flutuando pela cidade, eu cheguei no dojo de Kickboxe, que assim como o dojo de Muay Thai, ele era em um prédio bem mais moderno do que as artes mais antigas como o judo ou o Karatê.
Mas quando cheguei perto do dojo, o que eu senti não foi um gigantesco calor e cheio de energia de pessoas treinando. Não, hoje eu estava sentindo apenas um intenso sentimento gelado, que parecia uma gigantesca Aura assassina, mirada exatamente em mim e mais ninguém.
E dava pra perceber isso vendo como eu parecia ser o único que tava vendo aquela Aura sinistra aparecendo no dojo de Kickboxe
Apesar dessa Aura ser bem diferente dos outros dojos, eu não senti medo, eu apenas respirei fundo e andei pra dentro do dojo.
E assim que entrei, toda minha atenção foi colocada nma cena que assustou muitas pessoas, mas que estava bem longe de me assustar.
Na minha frente, eu vi o meu Mestre de Kickboxer, sozinho no dojo, fazendo boxe sombra, com ninguém além dele ali. E ele estava fazendo um aquecimento bem intenso.
Tentando não atrapalhá-lo, eu entrei no banheiro e me troquei, eu já tinha me aquecido e me alongado antes de vir pra cá, então eu apena precisei me trocar pro uniforme que levei na minha mochila...
E no fim, meu Mestre não tardou muito para me perceber, pois da mesma forma que ele estava exalando uma Aura fria e assassina, eu estava exalando a mesma Aura fria na direção dele, agente era farinha do mesmo saco.
Nós dois não nos vimos ali para brincar, e quando ele me percebeu, ele sorriu, como se já esperasse que aquilo iria acontecer.
Mestre: olha só, você chegou, então, vamos começar.
Ele falou aquilo como uma afirmação, não uma pergunta, então me chamou pra ficar em guarda na frente dele, algo que eu fiz na mesma hora...
Ao redor de nós, não existiam juízes, nem árbitros e nem alunos. O que nós faríamos ali era algo que iria decidir se eu ia ficar ainda no treino, ou se eu iria tentar algo mais intenso e mais levado as lutas do ponto "roxo" do mar Vermelho, então nós estávamos sem luvas também.
O Mestre entendia aquilo muito bem, então ele preparou todo o poder na frente dele, e esperou eu chegar perto.
Nós dois andamos um ao outro por um bom tempo tentando encontrar o ponto exato onde poderia atacar o outro, às vezes, nos dávamos jabs no ar, para conseguirmos ver se um de nós estava no alcance um do outro, mas no início nenhum de nós atacou de primeira.
Até que o mestre entrou na minha Área de ataque com um Jab bem no meu rosto, mas eu desviei pra esquerda na mesma hora e dei meu proprio jab nele.
Mas o Mestre deu um tapa na minha mão e no segundo em que minha guarda ficou aberta, ele tentou me dar um chute frontal bem no peito.
Mas eu consegui desviar pra direita em segundos, enquanto eu dei um tapa na perna dele que jogou a perna dele e para longe, e enquanto ele estava desequilibrado, eu dei um chute faca na barriga dele também .
Mas o Mestre na mesma hora deu um salto pra trás pra desviar do ataque e voltou com um soco voador, eu tentei chutá-lo pra longe com um chute frontal, mas ele foi tão rápido que eu não consegui ângulo o bastante do chute pra por força no meu empurrão.
Depois que o meu frontal falhou, me manter equilibrado ficou complicado, ainda mais depois que eu recebi um Jab poderoso do Mestre.
Mas me permitindo ir um pouco pra trás, de propósito, eu consegui ficar com a guarda no lugar antes do mestre me dar um chute peito do pé poderoso na lateral da cabeça, seguido de uma sequência de jab, direto, e cobertura.
Mas na cobertura dele, eu entrei na defesa dele com uma defesa de cobertura, e fiz uma sequência de cruzados e uques, onde eu fiquei colado nele como um chiclete, o impedindo de alongar os bracos e me dar socos realmente fortes.
Em vários momentos, o Mestre me deu cruzados, e chutes curtíssimos a ponto que ele chegou ate a me desequilibrar e quase escapou de mim, mas no momento em que agente se afastou um pouco, eu consegui dar um chute frontal nele extremamente bem encaixado, a ponto de que eu consegui lançá-lo para a parede.
Sem me dar sequer mesmo o tempo de respirar, eu encurralei o meu Mestre, mesmo com todo o conhecimento que eu ganhei ao longo do caminho antes de eu chegar aqui, encurralar o mestre daquele jeito foi impressionante pra mim.
Uma vez na frente dele, eu pintei um soco cruzado na frente do Mestre, e na hora, vi o Mestre se abaixando, e na hora eu dei um chute peito pra acertar a cabeça dele bem na direção onde ele tentou desviar.
Logo depois disso eu ainda consegui mantê-lo na parede, claro que, em meio a tudo isso, ele me at atingiu várias vezes, mas quando o primeiro direto bem encaixado dele atingiu meu rosto, eu me senti estranho, mas não em forma de tontura, mas sim de uma forma beeeeem diferente.
Sim, o soco do Mestre ainda era absurdamente forte, mas ele estava bem longe de ser do nível dos grandes seres bestiais e monstruosos que já me acostumei a combater.
Então, eu olhei muito bem pro Mestre, e fintei um chute cobertura, e quando o Mestre tentou defender a cobertura, no mesmo instante, mudei o chute em pleno ar pra um chute frontal.
E naquela hora, eu percebi o quanto de experiência o Mestre tinha, pois em segundos, ele também trocou a defesa dele e estapeou meu pé em pleno ar de forma tão rápida que eu quase perdi o equilíbrio.
Mas eu ainda consegui manter minha guarda alta, porque eu já tava muito acostumado a reagir até em tempos bem menores que esse. Claro, eu levei um chute cruzado bem pesado na barriga, mas eu ainda consegui manter minha guarda, enquanto o mestre foi na minha direção.
Eu defendi com tudo quando ele chegou numa sequência inumana de jabs, cruzados, facas, coberturas e uras.
Até muito recentemente, o Mestre do kickboxe era sempre aquele que eu tinha mais problemas, pelo simples fato dele ser quase impossível de ve-lo com cuidado, quase todos os golpes dele eram sempre tão rápidos que muitos momentos, as mãos do mestre literalmente desapareceram da minha vista.
Mas agora, eu conseguia vê-los de forma tão nítida que eu conseguia criar estratégias inteiras em meio aos movimentos dele.
Uma das estratégias mais claras era me impedir de ir pra parede.
O Mestre tentou me fazer ir pra parede várias vezes, até mesmo dando chutes peito do pé pra me arremessar até as paredes, mas sempre que ele tentava isso, eu defendia a perna dele e usava o impacto da perna dele pra jogar ele na direção das paredes no lugar disso.
E em um desses momentos, no segundo em que eu tentei dar um direto, o Mestre tentou me dar um chute giratorio ura na costela...e na mesma hora, eu joguei meu corpo na direção daquela perna e a agarrei.
Eu precisei acertar o tempo de forma perfeita pra conseguir agarrar a perna dele, e depois de todas as vezes que eu fiz isso antigamente, eu consegui agarrá-lo de forma perfeita em pleno ar.
O impacto que eu aguentei com aquele chute ia ser o bastante pra quebrar muitas costelas, mas eu já tinha aguentado tantos golpes de herbívoros e carnívoros, que minhas costelas ficaram inteirinhas depois daquele ataque.
E seguindo as regras do Boxe, eu mantive a perna do mestre agarrada apenas por alguns segundos antes de dar o Jab mais poderoso que aquela posição me permitia e jogar o Mestre pra mais perto da parede.
E mais uma vez, o Mestre tentou sair de perto da parede, mas quando ele tentou isso, eu virei meu corpo, e numa velocidade inumana, eu dei um chute giratório ura, um dos chutes mais fortes do Kickboxer, onde se dava um giro absurdo e jogava o calcanhar até onde a perna conseguia se esticar. Fosse na barriga, no ombro ou na cabeça.
O mestre defendeu o meu chute, mas no momento que ele fez isso, um som de estalo foi ecoado por todo o dojo vazio. Um som que paralisou nós dois sem nenhuma duvida.
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Apesar do som horrível dado naquele momento, a minha perna continuou o caminho, onde o meu Mestre não teve escolha além de recuar pra mesma direção da perna pra diminuir o dano ja gigantesco do impacto.
Com ele conseguindo desviar pra esquerda, e novamente, bem longe da parede.
Depois daquele movimento, nós ficamos parados por um tempinho, e quando eu olhei pro braço que eu acertei, entendi porque o Mestre parou, mas antes de eu processar o que eu fiz, meu Mestre falou.
Mestre: fascinante, a sua técnica, tanto na defesa, quanto no ataque foi aplicada de forma perfeita, algo que ja se tornou bem padrao em seu caso, hmhmhm
Mestre: eu também pude ver em seus movimentos uma técnica e fluidez que não pode ser conquistada apenas em treinos normais, mas sim algo criado através de sua experiência em torneios e em suas "caçadas matinais" não estou certo?
Não respondi o mestre, apenas balancei minha cabeça de forma positiva. Mas eu não sorri, meu rosto estava completamente sério, pra entender até o final a seriedade das palavras que ele estava falando agora.
Mestre: como a Aura não é minha especialidade, não posso lhe dizer o quão boa ela está agora, mas o que posso dizer é como sua força está...
Suando frio, e demonstrando um controle absurdo pra não acabar gritando de profunda dor, o Mestre me mostrou o Braço dele, e eu tive uma visão bem nítida do que foi que eu fiz.
O meu chute tinha partido o braço do Mestre em dois, era possível ver os músculos rasgados, as veias rompidas e esguichando muito sangue, e até mesmo os nervos verdes desfiados e balançando no braço dele.
E os ossos do antebraço expostos estavam beeeeeeem centralizados, eram dois ossos diferentes com uma quebra que lembrava muito as lascas de um vidro quebrado por uma pancada, isso pela quantidade de lascas espalhadas em meio a carne exposta...
Junto também da medula óssea aparecendo no meio dos ossos, cara, eu fiz um estrago gigantesco nele mesmo, Deus.
Mestre: ...mesmo sem usar suas formas de lava, você conseguiu quebrar o meu braço a um nível onde minha regeneração não se ativa. E eu sou treinado a um nível onde eu consigo literalmente nadar no magma do mar vermelho e sair sem nenhum arranhão.
Meus olhos se arregalaram quando ele falou aquilo, eu nunca tinha tentado aquilo porque eu não era louco, mas algo em saber que o meu Mestre conseguia nadar na lava, me fez ficar na dúvida se eu conseguiria fazer algo parecido.
Mas antes desses pensamentos tomarem ainda mais a minha cabeça, eu olhei com atenção pro mestre, pois sabia que as próximas palavras dele talvez fossem as mais importantes da minha vida.
E olha só, ao invés de tentar curar o braço, ou expulsar minha Aura do braço dele, o Mestre arrancou fora o antebraço e toda a área afetada pelo meu golpe, e regenerou um antebraço novinho pra ele, só que sem o efeito do machucado que eu fiz nele.
Mestre: não existe mais nada que eu possa ensinar pra você agora. A orientação que você busca agora não pode ser ensinada por mim.
E fazendo um sinal com as mãos, onde ele enrolava com a mão aberta e um punho fechado, ele ficou de frente a mim e se curvou levemente na minha frente.
E eu apenas copiei o gesto, me curvando uma última vez ao meu mestre antes de tentar um novo tipo de treinamento depois.
Mas antes de ir embora, eu olhei pro Mestre por um bom tempo, eu tenho muitas lembranças daquele lugar, eu aprendi e ensinei muitas coisas ali, e me encontrei com muitas pessoas que, mesmo não sendo tão próximas de mim, ainda eram pessoas que eu sabia que iria me lembrar com muito carinho enquanto eu continuasse nessa jornada de ficar mais forte.
Mestre: é, eu sei, será difícil no início, mas sei que não se esquecerá de nós. Eu, a Ártemis, o João, o Luca, todos estaremos com você. Cada soco que você der estará carregado com os sentimentos, os ensinamentos e as disciplinas que você aprendeu com todos aqui e fora daqui também. Lembre-se, enquanto você se lembrar da grande história que compartilhamos em sua busca por poder, você nunca estará totalmente sozinho.
E mais uma vez, aquela tristeza diferente se apoderou de meu coro enquanto eu olhava com muita determinação pro meu Mestre. E pelo jeito, o Mestre conseguiu decifrar o que aquela tristesa estranha significava, ou pelo menos descobriu algo de forma superficial.
Mestre: não precisa agradecer, foi você que veio ao meu dojo buscando aprender, eu só fiz o meu trabalho e nada mais. Lamento não poder acompanhá-lo mas em sua jornada, agora, sinto que posso apenas lhe desejar boa sorte.
E quando eu ouvi aquilo, eu firmei meu olhar, com o meu coração se enchendo de determinação, e quando eu consertei minha postura, vi que meu mestre entendeu mais alguma coisa nesse meu olhar.
Mestre: "eu vou dar o meu melhor", é, eu sei que vai, mas mesmo assim, lhe desejo sorte.
Então essa tristeza era uma forma do meu corpo dizer pra eu "dar o meu melhor" mas não de forma imprevisível e frenética como a alegria ou a empolgação? Hummm, até que fazia sentido, até um certo nível.
Com aquela visão nova sobre esse novo tipo de "determinação" que eu descobri, eu sai do dojo, e sai voando para o próximo lugar, agora mais determinado do que nunca em ir visitar os últimos Mestres.
Enquanto voava, eu dei uma olhada no Mar de magma e vi que o Magma do mar vermelho já estava começando a secar, e pela forma que a secagem parecia só estar começando devia já ser algo pelas 5 da tarde, por aí.
É, acho que, no fim, eu subestimei muito o tempo que eu ia gastar nos testes que eu faria nos Dojos, mas eu até fiquei feliz que estivesse anoitecendo, pois o ultimo lugar pra onde eu iria era um lugar que era muito mais bonito de visitar quando estava de noite.
Mas quando pensei quem seria o próximo mestre que eu iria visitar fiquei extremamente animado, com a tristeza abandonando meu corpo quase completamente, porque essa próxima arte marcial que eu iria participar meio que não tinha muito jeito de ficar triste quando praticava ela.
Apenas pensando nas alegrias e doideiras que eu iria passar ali, eu sorri como um predador enquanto eu flutuava bem rápido até o ponto mais barulhento, agitado e caótico de todo o Arquipélago.
E talvez tenha sido meu sorriso, mas quando eu voei em cima de certas pessoas no meio da multidão, as pessoas saíram do meu caminho, como se eu fosse uma espécie de meteoro que exterminaria eles se eles chegassem perto demais.
Mas eu nem mesmo liguei pro medo deles e só continuei meu caminho.

