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Eu estava muito curioso pra entender esses sentimentos em volta de mim, mas pela quantidade de mestres que eu ainda iria ver, decidi não pensar muito nos meus sentimentos, e deixar pra pensar neles com mais calma quando eu visitasse o último Mestre.
Algo que ainda tava longe de acontecer.
E mesmo assim, tentei manter minha mente afiada e focada o máximo possível, afinal, alguém com a mente fragilizada e confusa não iria conseguir ter uma batalha boa contra um Mestre do Muay Thai.
E com minha mente bem mais focada agora, não demorou muito pra eu chegar no Dojo do Mestre de Muay Thai. E...nossa quando eu cheguei perto do prédio, eu fui pego pela "intensidade" do esporte antes de entrar lá, e amei pra caramba aquilo.
O Muay Thai não era uma arte marcial que possuía prédios tão antigos como a luta livre profissional, mas eles compensam a diferença de "idade" comparado às artes marciais mais antigas com a profunda intensidade de seus ensinamentos.
Por exemplo, mesmo com o Dojo de Muay Thai sendo muito parecido com muitos prédios em volta dele, ele possuía uma intensidade que fazia outros Vampiros recuarem ao chegarem perto demais dele.
O predio exalava uma agressividade tão grande que fazia vampiros próximos ate evitarem chegar muito perto do prédio, causando um "desvio" bem engraçadinho de ver na multidão de pessoas lá no chão. Como se eles tivessem medo que o prédio entrasse em erupção se eles se aproximassem demais dele.
Mas eu sabia a verdade, o prédio não ia explodir, era apenas um feito dele mesmo, e pra variar, assim que eu desci pro chão e cheguei perto de entrar no prédio, eu senti que uma agressividade muito maior do que a agressividade do prédio me atingiu.
Era o meu Mestre de Muay Thai, sozinho, o Mestre estava com uma intenção assassina tão potente que fez com que eu sentisse que um gigantesco exército pronto pra guerra estivesse esperando por mim lá dentro...
Essa sensação fez meu desejo de sangue aumentar ainda mais, então, dando um sorriso bem sinistro, eu entrei no dojo, me troquei no banheiro e fui na frente do meu Mestre.
O lugar não era muito diferente do Dojo de Judo, com a única diferença que o lugar tinha equipamentos de segurança um pouquinho menores, mas so um pouco mesmo.
E diferente de meus outros mestres que estavam me esperando pra acabar comigo, meu mestre de Muay Thai estava batendo de forma incessante um saco de pancadas feito de ferro puro, um saco de pancadas que, apesar da resistência imensa dele, estava cheio de amassados e marcas de mãos e pés do Mestre.
Eu pensei que levaria algum tempo até o Mestre me perceber, mas eu me enganei, no segundo em que eu entrei no tatame, o Mestre olhou pra mim no mesmo instante e foi na minha direção.
E antes de começarmos qualquer coisa, nos cumprimentamos, e então o Mestre falou.
Mestre: Sawadee Krap Sansão. Então, está preparado? Sei que está acostumado a fazer lutas sem luvas e caneleiras, mas é sempre bom garantir que está pronto, sabe, pra não dar problemas pra mim depois
Eu entendia o ponto dele sem problemas, afinal, mesmo em artes marciais, tem muitas pessoas que não estavam tão preparadas pra se machucar no combate quanto realmente imaginavam.
Mas eu não era uma dessas pessoas, eu tava mais que pronto pra me machucar, então eu fui bem claro em balançar a cabeça de forma positiva e levantei minha guarda logo depois.
Ainda preocupado e cético, o Mestre olhou pra mim e ainda perguntou.
Mestre: tem certeza? Não quer se alongar e nem se aquecer?
Eu balancei a cabeça em negação, bem devagar, e quando eu fiz isso, o Mestre entendeu, sorriu absurdamente empolgado, se colocou em guarda e falou.
Mestre: não recue, se recuar, não irei reconhecê-lo como igual.
Ah, eu não ia recuar de qualquer jeito, mas acho que com essa motivação do Mestre, eu iria ter muito mais motivação pra não recuar.
E depois de falar aquilo, o Mestre me deu um soco devastador, um soco que finalmente me acordou pro combate e me deixou todo alerta de novo.
E mesmo assim, o golpe dele ainda deu um impacto atrás de mim que quase me fez desfazer minha guarda, mas mesmo sendo bem sinistro e complicado, não passou do quase.
Então o Mestre ele continuou com um direto destruidor que me arrastou pra trás, seguido de um chute um chute mid kick nas costelas, e mais um Direto.
Na hora que o Mestre terminou o último golpe, eu avancei um pouquinho e dei uma sequência de 10 jabs, diretos nele. E quando terminei a minha sequência, o Mestre revidou recuando um pouco e me dando um chute low kick bem na parte interna da minha coxa.
Cara, eu defendi aquele por muito pouco, mas quando pensei muito no chute, quase fui acertado no rosto, por uma sequência sobre humana de Jab direto, 10 jabs diretos assim como eu.
E logo depois ele tentou me dar um chute frontal pra me afastar, mas ele não conseguiu, eu defendi o chute de forma perfeita, a ponto que ele não conseguia me mover um único milímetro...o Mestre insistiu no empurrão e eu insisti em resistir a ele...
E enquanto eu recebia cada um daqueles golpes, eu tive a sensação estranha de...estar lutando com um adolescente, enquanto eu era um adulto inteiro.
Sim, os golpes do Mestre doíam, e se eu abaixasse minha guarda eu poderia ser derrotado, mas enquanto eu estivesse em forma, e enquanto eu continuasse inteiro, o Mestre não conseguia mais me machucar.
Hummm, estranho, mas algo dentro de mim conseguia entender porque isso tava rolando sem problema nenhum.
Tentando não pensar muito nisso, eu vi bem o Mestre e percebi que a defesa dele tava mais lenta agora, então eu dei um Direto nele rápido demais pra ele defender.
O Mestre levou um único soco meu na cara e depois fechou a guarda novamente. E eu continuei dando um Chute frontal que o Mestre não conseguiu bloquear a tempo, E depois continuei com 3 diretos seguidos, junto de um chute Low Kick na cabeça, seguido por mais um frontal. E mais uma vez, ele não defendeu o frontal, mas o abdome do meu Mestre era tão forte, que mesmo recebendo um chute direto meu, ele não caiu.
Pois no fim, o Muay Thai, junto com muitas artes marciais, nao sao apenas haver com o quanto você bate mas o quanto você resiste, e o meu mestre conseguia resistir a bastante coisa por bastante tempo.
E mais uma vez o Mestre fez a sequência de Jab direto, Low Kick, jab direto, e quando eu tentei dar um soco direto nele, o Mestre deu novamente um chute low kick na minha coxa, alternando entre a parte interna e a parte externa dela.
Com muita determinação, eu defendi cada chute que ele fez, mas ainda doeu pra caramba resistir aquilo.
Como retaliação, eu usei a própria perna machucada pra acertar o Mestre bem na cabeça...a dor deveria deixar meu golpe mais fraco, mas já tinha passado um bom tempo que eu aprendi a transformar a dor em raiva, e, de tabela, transformar a raiva em força.
E comigo transbordando em ódio, eu dei um chute high kick bem na cabeça do Mestre, e mais uma vez, ele resistiu e devolveu com um Jab no meu rosto, um Jab que eu não desviei, eu aguentei ele na minha defesa e por um breve momento, eu já senti a tremedeira de cansaço bem na mão do Mestre.
Sim, o Mestre era bem mais resistente do que meus antigos oponentes, mas essa resistência toda não era sem consequências, exigia uma força e resistência absurda pra aguentar tanto tempo sem seus ossos quebrarem.
Claro, a resistência do meu Mestre era absurda, mas com a nova força que conquistei depois de todas as minhas caçadas de Dinossauros, toda a resistência que o meu Mestre ganhou ao longo dos anos pareceu, pequena.
Nós continuamos trocando golpes, e trocando, e trocando e trocando, o Mestre pareceu ficar mais cansado enquanto eu mal comecei a suar.
Quando uma força que não pode ser parada encontra um objeto que não pode ser movido, só existem dois resultados, ou o objeto imovel é movido, ou a força incontrolável é parada.
O irônico era que, nesse momento, eu e o Mestre éramos os dois, A cada golpe que eu recebia, eu sentia que meu objeto imovel estava sendo testado. Ao mesmo tempo, também sentia que a minha força imparável estava sendo testada a cada golpe que eu dava no Mestre.
Nos dois testamos a força um do outro de forma tao absurda que o tatame abaixo de nós rasgou, não existia Aura, estratégias, ou ataques surpresas nesse duelo, era apenas o combate entre dois artistas marciais que usavam a força a técnica e a vontade pura de vencer para conseguirem ver quem era o verdadeiro vencedor.
Os nossos pés se firmaram tanto no chão que depois de passarmos do tatame, nós rachamos no chão, trincamos as janelas próximas e até começamos a causar um pequeno terremoto só com a potência dos nossos golpes.
E só depois de tudo isso que eu ai sim comecei a suar, meu corpo começou queimar por causa da dor dos golpes, e meus punhos começaram a doer bem nos ossos, meus ossos quase quebraram muitas vezes, mas tendo suportado castigos bem maiores que isso, eles apenas chegaram no "quase", nenhum deles se quebrou de verdade.
Era engraçado isso, eu e o Mestre nos golpeamos por muito tempo, estávamos exaustos e ficamos cheios de suor, mas mesmo lutando sem luvas e caneleiras, nenhuma única gota de sangue foi derrubada de nós dois.
Além disso, nós também não recuamos, desde o início do combate, nós continuamos no mesmo lugar, nos movendo apenas quando um de nós arrastava o outro na pura força bruta, mas depois de um tempo, até isso deixou de acontecer.
Até que as mãos e pernas do mestre começaram a tremer, e no momento que eu percebi isso, eu dei um chute frontal bem no diafragma do mestre, pra tentar acabar com isso e uma vez, e funcionou, de um certo jeito.
O meu chute não impediu o mestre de respirar, mas conseguiu desequilibra-lo e tirá-lo da guarda o bastante pra eu encorajá-lo.
E na hora ,eu comecei a enchê-lo de Jab, direto, cruzado, aper, chutes, mid kick, Low kick e High kick, e muitos, mas muitos chutes frontais mesmo.
O Mestre tentou revidar, colocando a guarda de volta no lugar. Mas no fim, ele apenas conseguiu me parar e me desacelerar em alguns momentos, mas não parar minha investida totalmente.
Muitas vezes, quando eu quase o levava pra parede, o Mestre me dava um soco devastador que fazia meu avanço parar, e outras vezes, o Mestre fazia um movimento que tirava ele de perto das paredes e quase me jogava pras paredes.
E mais uma vez, foi apenas "quase" mesmo, porque mesmo depois de tudo isso, eu ainda possui resistência nos meus pés o suficiente pra conseguir manter minha guarda e não recuar um único centímetro.
Até que em uma sequência, o Mestre me deu um Chute lowkick que doeu tanto que eu quase cambaleei pra trás e quase perdi a consciência, mas então, eu mordi meu lábio inferior pra que a dor me mantivesse concentrado, e sentindo como eu tava quase desmaiando, eu o mordi com tanta força, mas tanta força, que eu rasguei meu lábio e o fiz sangrar.
A dor me manteve acordado e ligado o suficiente no jogo pra conseguir dar um último chute frontal bem na Barriga do mestre, dessa vez, ele conseguiu defender, mas a falta de força nele após aguentar tantos golpes meus foi tanta que ele não apenas cambaleou, esse último chute meu o fez cair.
O Mestre caiu de bunda no chão...mas não levantou, ele não estava inconsciente, mas ele não parecia querer mais lutar comigo, ele só ficou ali, sentado e ofegando por um bom tempo, enquanto eu tava mais que preparado pra bater nele se ele estivesse me enganando ou coisa parecida. Até que ele falou.
Mestre: o corpo resistente de uma montanha, punhos com a força de uma bala de canhão e chutes com a força de um aríete de guerra...magnifico...
Rindo um pouquinho, ele se levantou, levantou a mão pra me cumprimentar e continuou.
Mestre: com um corpo desses, sei que estará seguro, aonde quer que você se meta agora. Parabéns Mestre Sansão.
Após ouvir aquilo, eu sorri pra ele, desfiz minha guarda e apertei a mão dele, pensando que, eu até poderia estar mais forte, mas pro lugar que eu estou indo, ainda não era o suficiente.
Mestre: Isso não importa, nunca se esqueça Sansão, o Muay Thai é sobre resistência, tanto física quanto mental, o seu corpo pode desistir, cair e se despedaçar, mas enquanto a sua mente estiver resistindo, você ainda não perdeu.
Ah, ótimo, isso realmente era o que eu mais precisava agora, uma frase pra reafirmar Ana mais pra mim o quanto eu precisava de uma mente forte. Eu realmente esperava que isso pudesse me animar no futuro ou coisa parecida
E depois de falar aquilo, o Mestre fez o símbolo de mão aberta enrolando o punho fechado que eu vi o Mestre de Jiu Jitsu fazer e depois dizer.
Mestre: Essa é a minha última lição como seu Mestre. Eu queria poder te ensinar mais, mas sinto que você já tem uma ideia de que tipo de mestre poderá ensiná-lo melhor sobre os mistérios da mente humana.
Me enchendo de tristeza, eu balancei a cabeça de forma positiva, mostrando pro Mestre que ele estava certo.
Sim, existiam muitos Mestres novos que eu estava pensando em ir depois que eu terminasse com todos eles, mas eu precisava ser cuidadoso, eu não posso começar uma nova página da minha jornada sem antes terminar a antiga.
Mestre:sim sim, verdade, não podemos apenas nos focar nas coisas novas que aprendemos, mas focar apenas nas coisas velhas que já aprendemos é ruim também.
Entendendo aquilo como talvez a última lição do mestre de Muay Thai eu devolvi o comprimento que o Mestre me deu, enquanto eu pensava que ele estava certo,
E enquanto eu fui pro banheiro pra me trocar, novamente senti aquele sentimento estranho em mim, onde eu fiquei triste de novo, e mais uma vez eu senti que o meu corpo vestiu essa tristeza em minha frente como uma armadura.
Era peculiar sentir isso, eu sempre pensei que a tristeza era para enfraquecer ações e sentimentos, não fortalecer.
Mas eu podia deixar esses pensamentos pra depois, pois agora eu tinha mais dois mestres pra visitar, então eu não estava questionando a força que a tristeza estava me dando agora, eu só estava aceitando.

