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Aí cara, muitas doideiras absurdas aconteceram no último mês, eu lutei na ilha Jurássica por muitos meses, eu lutei a ponto de que eu me tornei um viciado em carne e sangue de dinossauro.
E no fim do dia, eu ainda conseguia ser um vampiro bem cavaleiro, isso porque mesmo com toda aquela doideira e violência ao redor de mim, eu ainda tinha consciência o suficiente pra voltar pra casa, sempre tendo a chance de desistir e me reduzir apenas a um animal sem cérebro que apenas sobrevive.
Mas mantendo minha mente focada, sempre me lembrando que eu era um humano e sempre mantendo meu desejo de viver acima do meu desejo de apenas sobreviver, eu mantinha minha sanidade e me impedia de apenas ser mais uma besta no meio daquela ilha sombria.
"Nunca se esqueça, você não é apenas um animal, você é uma pessoa também, capaz de fazer coisas que muitos animais não conseguem".
Eu sempre falei isso bastante pra mim mesmo, mas desde que eu comecei a me fortalecer ainda mais, e comecei ficar mais tempo nas ilhas do que no Arquipélago Vampiro, eu tive que falar esse tipo de coisas pra mim de forma bem mais constante.
E o mais doido disso tudo, era que, se eu não tivesse a Zípora do meu lado era bem provável que eu já teria vendido minha casa e apenas começado a viver no meio dos Dinossauros...
Não, agora eu só tava exagerando, eu não chegaria a tal extremo, pois, apesar de eu não ficar tanto tempo assim na minha casa, eu ainda ficava lá tempo o suficiente pra que aquela casa ainda ser minha zona segura, então acho que eu tava só sendo dramático.
Eu tava na minha casa agora, afinal, e isso não era uma prova de que eu não desisti de ser humano?
Claro, eu não estava em casa apenas por puro conforto e nada mais, mas ficar em minha casa antes do "grande evento" acontecer me deixou com menos dúvidas sobre eu estar me perdendo na minha selvageria.
Foi muito pelo contrário, na verdade, me deixou até bem mais calmo sobre o grande teste.
E enquanto me arrumava, eu pensei um pouco em tudo que eu iria fazer hoje, esse com certeza não era a hora pra eu pensar sobre minha selvageria, afinal, hoje eu faria uma grande sessão de testes com os meus Mestres de Artes Marciais, um pequeno teste pra ver se eu estava no próximo nível de aprendizado.
Se eu passasse no teste, era provável que eu nunca mais visse nenhum deles, mas para chegar no próximo nível de poder e conhecimento, eu estava mais do que pronto para cuidar disso.
A minha forma física estava perfeita, mas a minha forma mental e espiritual ainda precisavam de um cuidado um pouco melhor. Afinal, se eu fiasse forte, mas sem uma mente boa pra lidar com essa força ai eu nao seria muito diferente de um animal.
E dessa mesma forma, eu terminei de me arrumar e saí de casa, e como sempre, o lugar estava tão barulhento que eu não estava disposto nem um pouco a passar por aquela multidão, então, mais uma vez, eu sai voando pelos céus usando minha Aura, e enquanto eu voava, eu fiquei olhando um bom tempo pras fendas de magma que eram os grandes rios de Magma do território.
Os rios de magma incandescente que conectam cada ilha do arquipélago em uma coisa só, criando algo até maior que o que existia no continente de mana, e tentando me manter calmo eu fiquei olhando para o mar vermelho por um bom tempo, apenas deixando aquela visão tranquila e cama do magma se movendo me acalmar.
Na minha frente, o magma mudava das cores amarelas pras vermelhas pras pretas, enquanto ele se movia tanto pelas formas do mar como também pelas formas dos grandes animais que viviam logo abaixo deles.
Eu fechei os olhos, e respirei fundo todos os gases tóxicos que o grande mar vermelho carregava, deixei meus pulmões queimarem com aquele ar tóxico que eu me acostumei a respirar desde que eu nasci e depois exalei com tudo com muita calma, e sorrindo, fiquei no clima pra conseguir ir treinar com o meu Mestre de Jiu Jitsu.
Esse seria o primeiro mestre que eu ia visitar hoje, o primeiro de uma sessão intensa de varios testes diferentes.
E ainda no ar, eu finalmente vi o dojo tradicional do meu Mestre de Jiu Jitsu, e mergulhei pra baixo em pleno ar, posando de forma perfeita frente ao dojo...e uma vez de frente ao dojo, meus instintos animais se afloraram de uma vez só, eu tive a sensação de uma gigantesca águia estava me observando nos mínimos detalhes, procurando a menor das aberturas pra conseguir me matar em um unico golpe.
Mas eu sabia que isso não era minha imaginação, o Jiu Jitsu sempre foi sobre encontrar as partes vulneráveis de um inimigo e fazê-lo sofrer por te-la. Meu Mestre já estava me testando antes mesmo de eu entrar lá.
E quando eu entrei finalmente lá dentro, eu vi um cenário normal, duas salas separadas separadas por uma grade reforçada, a sala menorzinha, onde eu estava agora, era cheia de armários pros alunos colocarem suas coisas e um bebedouro.
E a segunda sala, bem do outro lado da grande grade de proteção, era uma sala cheia de tatames, espelhos, e equipamentos separados em um canto para treinamento mais especializado. (coisas como sacos de pancada, pesos pra mãos e pés e luvas feitas pra receber socos ao invés de dar)
E no meio do tatame, meu Mestre me esperava lá, totalmente sozinho, sentado em cima das próprias pernas, e em um estado onde ele parecia estar meditando.
E sabendo como ele não gostava de ser interrompido quando tava assim, eu já estava indo pro banheiro me trocar, no mais profundo silêncio, mas antes de eu conseguir, o Mestre abriu os olhos, do nada, e gritou.
Mestre: PARE!
Fiz como foi ordenado, e apenas esperei, e então o Mestre disse, sem rodeios.
Mestre: aproxime-se, e sem colocar o uniforme.
Não entendendo onde o Mestre queria chegar, coloquei minha mochila no chão, tirei meus chinelos, abri a grade e entrei no tatame. Eu tava absurdamente amedrontado, não tendo ideia alguma de que tipo de teste do Mestre queria fazer comigo.
E quando eu cheguei perto o suficiente dele, o meu Mestre de Jiu Jitsu olhou pra mim por alguns segundos, indo dos meus pés ate minha cabeça, e cada vez que ele fez isso, eu imaginei que, nessa posiçao, ele poderia facilmente agarrar minhas pernas se eu nao ficasse atento.
E mesmo se eu desviasse, se eu desviasse errado, ele poderia me pegar pelos braços e me jogar no chão. E mesmo se eu desviasse disso também, ainda tinha a chance de ele conseguir avançar em mim, e me derrubar por eu estar desequilibrado dos meus desvios.
Porque isso era o Jiu Jitsu, onde até o menor dos erros podia fazer com que você quebrasse um osso, no mínimo.
Se eu quisesse passar nesse teste, eu iria precisar ficar com meu equilíbrio e focar totalmente no 100% desde o início.
E depois de olhar pra mim por mais um tempinho, o meu Mestre finalmente ficou em pé.
Na mesma hora, eu coloquei a minha guarda alta e esperei que ele fosse me atacar de algum jeito, respirei fundo, e o observei.
A guarda de jiu jitsu era bem diferente da de boxe, diferente do boxe, agora eu estava com a coluna curvada, com as mãos abertas bem na lateral do meu corpo e com meus joelhos dobrados, pra estapear qualquer mão que tentasse me agarrar, ao mesmo tempo que me permitia ter uma chance incrível de agarrar meu oponente.
E mesmo com o Mestre não ficando na guarda, eu não baixei minha guarda, e mesmo assim, o Mestre apenas ficou ali, sem guarda, parado, apenas me observando, até que ele se cansou de ficar parado e começou apenas a rondar meu corpo.
E desde o segundo em que o Mestre entrou na aura de ataque, eu tive muitas visões, visões de movimentos, eu podia ver, o Mestre pensou em saltar em mim e prender meu pescoço numa chave de braço, mas eu pensei no bloqueio perfeito pra esse golpe, fazendo um trabalho de mãos, onde eu transformaria a chave de braço dele na minha.
A segunda possibilidade era ele tentando segurar na minha perna, ele planejou fingir agarrar minha perna, e quando eu tentasse bloquear aquilo, ele iria segurar meu braço com as duas mãos e iria me jogar no chão com a falta de equilíbrio, mas eu vi além do fingimento dele antes dele sequer começar, e estava novamente pensando em um conjunto de bloqueios e de agarrões que fariam o Mestre ser dominado de novo.
E as coisas ficaram mais interessantes quando ele chegou nas minhas costas, meu Mestre pensou logo em um mata-leão clássico, algo quase impossível de se escapar, mas claro, apenas se não visse um chegando, e por eu imaginar de forma perfeita o mata leão dele vindo, eu pensei na mesma hora em me virar e bloqueá-lo.
O Mestre até pensou até em saltar em direção do meu braço e fazer uma imobilização de braço aérea e me derrubar no chão pondo um joelho no meu corpo um movimento bem complicado, mas que tava bem longe de ser complicado pro Mestre, mas ele ainda não fez esse movimento por saber muito bem que eu conseguiria bloquear até mesmo aquilo.
E quando o Mestre na minha frente de novo, uma última técnica foi pensada pelo Mestre um movimento simples, onde ele iria enlaçar os dedos dele com os meus e tentar me derrubar na força ao invés da técnica...
Nessa última eu nem precisei pensar em um contra-ataque, pois nós dois sabíamos que o Mestre não era mais forte que eu, em questão de pura força bruta, eu já tinha superado o Mestre a muito tempo...
Essa técnica do Mestre era algo impressionante pra mim, mesmo que eu não tivesse total certeza se eu poderia chamar aquilo de "técnica".
O Mestre possuía uma mente tão concentrada e equilibrada que ele era capaz de criar essas "ilusões" estranhas, onde a intenção mais sincera e pura dele era mostrada ao seu oponente, sem nenhuma sede de sangue ou ódio, apenas o mais profundo desejo de performar a técnica de forma perfeita.
Eu já tinha visto aquela técnica muitas vezes, e ao mesmo tempo, eu entendi como combatê-la já tem muitos anos.
E enquanto pensava nisso, o Mestre olhou pra mim, sorrindo, e falou.
Mestre: pois é, pra muitos, essa minha técnica é apenas uma ilusão, mas não passa de pura experiência concentrada em um ataque mental criado através da Aura. Eu cheguei em um nível de experiência onde eu consigo entender de forma perfeita os pontos fortes e fracos do meu inimigo e conseguir simular qual técnica funcionará melhor nele.
Depois de falar aquilo, o Mestre olhou pras próprias mãos e falou.
Mestre: claro que, a vida real, sempre possui variáveis que nem os guerreiros mais experientes conseguem prever, mas de todas as minhas técnicas, estou mais que feliz que essa foi a que você mais se aperfeiçoou.
Bom, não tinha muito pra onde fugir, afinal, eu não era apenas um lutador, eu era um caçador. E não existia nada mais precioso para um caçador do que entender quando uma presa era poderosa demais pra caçada valer a pena.
Mestre: talvez, mas você não é apenas um caçador de animais irracionais, agora você tem a capacidade de se defender de qualquer golpe que seja um golpe de frente. Eu te ataquei 5 vezes, e você bloqueou todas essas 5 vezes, você viu isso, Mestre Sansão?
Eu balancei a cabeça de forma positiva e dei um joinha pra ele. E antes de eu pensar em mais alguma coisa ele falou.
Mestre: eu Mestre George reconheço você como um igual e que seu aprendizado não pode mais ser orientado por mim. E após uma vida de mais de 120 anos juntos, tudo que posso lhe dizer é, "boa sorte".
E o Mestre George falou isso pra mim enquanto fez um cumprimento onde ele cobriu o punho fechado com uma mão aberta, um movimento que eu imitei, tendo uma calmaria que me impressionou muito.
Era engraçado isso, eu fiquei tanto tempo junto do Mestre George que eu pense que iria ficar todo emocionado quando chegasse o momento de nos separarmos, mas foi o oposto, eu tava realmente triste, mas ao invés da tristeza ficar no meu coração e ficar lá até eu me descontrolar e chorar, eu senti forte, muito forte, como se eu estivesse vestindo minha tristeza como uma armadura, uma espécie de sensação que eu nem sábias tinha um nome, mas eu entendi rápido demais que não era uma tristeza normal.
Eu fiquei triste, mas não havia lágrimas, eu fiquei com um rosto neutro, como um soldado preparado pra guerra, e mesmo sem falar nada, eu senti que eu tava transmitindo algo pro Mestre George nesse meu silêncio, mesmo que eu próprio não soubesse o que era.
Mestre: sei que fará coisas ainda mais grandiosas, Mestre Sansão, por isso estarei lhe observando.
E dando uma última saudação pro Mestre George, eu me virei e fui pra fora do dojo...eu realmente não entendia o que era aquele sentimento, era apenas o primeiro Mestre que eu visitava hoje, mas essa tristeza que estava sentindo agora era algo que eu não esperava.
Eu já estava planejando tirar o dia de folga depois de visitar todos os Mestres, pensando que eu ia estar muito deprimido e cansado pra fazer qualquer outra coisa quando visitasse o último Mestre...
Mas pra variar, eu estava enganado, mesmo que eu não soubesse que sentimento era esse, com certeza não era tristeza.
Tentando manter minha cabeça no lugar, eu passei a mão na minha testa e vi que eu tava suado...hummm, eu não fiz nada além da "batalha mental" com o Mestre George, e mesmo assim, eu já tava suando desse jeito, interessante.

