2242 palavras
O próximo lugar que nós fomos era um grande tonel do tamanho de 50 piscinas olímpicas, e além da água, tinham milhares de rochas, corais, musgos, algas e outras coisas feitas pra imitar o ambiente do Dinossauro.
E era feita de forma tão bem feita, que se eu tapasse minha visão panorâmica do jeito certo, parecia ate que eu tava dentro de um lago profundo de uma ilha Cretácea.
É, eles capricharam nessa daqui.
Zípora: eles capricharam em todas, Sam, mas é, eu concordo com você.
Eu devia ficar com medo que a Zípora conseguia me entender tanto assim sem eu dizer uma única palavra, mas eu acho que tava impressionado demais com os dinossauros na minha frente pra ligar muito pra isso também.
Dentro daquele imenso tanque, tinha uma família imensa de 80 spinosaurus, a maioria deles tava dormindo juntinhos ou vagando pelo tanque, brincando se divertindo, ou posando pros visitantes.
Os visitantes sempre tiravam fotos, impressionante.
Nossa, ver tantos predadores gigantes assim deu um gelo genuíno na minha barriga, um medo ancestral que pareceu tirar todos os outros tipos de preocupações da minha cabeça.
Eles possuíam telas gigantescas nas costas, uma forma quadrúpede que lembrava mais as patas de um anfíbio que de um ser aquático, uma cauda que claramente servia mais pra nadar do que pra pegar, uma cabeça em forma de crocodilo, que mostrava que ele comia mais peixes do que dinossauros(mas claramente era capaz de comer humanos descuidados) e uma pele coberta de escamas, se assemelhando muito mais a um dragão super primitivo do que um pássaro.
É sério, pássaro ou lagarto? Será que esses dinossauros não se decidem não?
Zípora: não, eles não se decidem, e se bobear, nunca vao decidir definitivamente.
Com um rostinho mais frustrado, e respirando bem fundo, eu olhei pro Espinossauro mais perto do tanque pra olhar pra ele com mais cuidado, ele parecia um grande crocodilo que tentou crescer mais que deveria, e conseguiu, mesmo que tenha sido por um preço grande demais.
Apesar de ver milhares de predadores dormindo,alguns nadando pelo lago, alunos assustando crianças (e rindo ao ver que conseguiram assustar uma) e alguns mordendo um ao outro de brincadeira. Existia algo estranhamente passifico em ver todos aqueles espinhossauros juntos daquela forma, que eu não conseguia desvendar o que era.
Zípora: esse tipo de calmaria não faz sentido não é?
Eu nem questionei porque a Zípora entendeu o que eu pensei, a essa altura, eu já tinha aceitado que ela só conseguia fazer isso.
Zípora: eles são predadores mortais, super perigosos e super poderosos, mas eles parecem tão tranquilos lá dentro, tão pacíficos, tão bem cuidados...essa não é a casa natural deles, mas cada Espinossauro ali parece ter sido cuidado com tanto respeito que...me faz ter até um pouco de invejinha deles.
Eu amei o que a Zípora falou, dava pra ver direitinho o carinho que ela sentia muita compaixão por esses grandes animais escamosos
E acho que um dos espinossauros entendeu o que ela disse, porque um deles nadou pra bem perto de nós e olhou ela nos olhos por um bom tempo, até que a Zipora sorriu.
E depois de olhá-la um bom tempo, ele abriu os olhos e rugiu igual um jacaré carregado de esteróides, o que deu um susto tão forte na Zípora que ela pulou pra tras e caiu no chão.
Acho que ninguém riu dela apenas porque ela não foi a única que caiu com aquele rugido do espino. E enquanto eu usava toda a minha força e resistência pra não rir da Zípora, eu a ajudei a levantar, e a Vampira tava virada no ódio já.
E pra colocar mais gas no combustivel, quando vimos o Espinossauro indo embora pra mais dentro do tonel, eu tinha quase certeza que vi ele rindo.
Zípora: ELE RIU, ALI...ESPERA ESPERA OLHA, ALI! ELE TA RINDO
O espinossauro se virou, só pra mostrar que ele tava rindo mesmo...cara, esses bichos deveriam ser mais inteligentes do que aparentavam, isso era certeza.
A Zípora parecia estar a ponto de explodir, mas ela encontrou uma forma de ficar calma, porque ela não queria perder a calma por causa de um animal.
Não sabia como eu presumi isso, mas ela tava fazendo um rosto tão específico que eu só imagino que ela tava pensando isso.
Zípora: coisinha ruim.
Eu não aguentei, o jeito que ela falou isso fez eu rir bastante, sem som, mas eu ri, e enquanto eu ria, eu olhei o lugar em volta de nós, uma espécie de parque subterrâneo, onde estávamos na parte de dentro de uma grande caverna.
Tudo enquanto os espinossauros estavam na parte deles, nós estávamos protegidos por uma parede de vidro temperado com mais de 5 metros de espessura, nem uma cabeçada direta de um mosassauro conseguiria quebrar esse vidro.
Além de alguns controles de segurança extras, como um feitiço de congelamento embutido no lugar, caso o vidro, por algum milagre, quebrasse.
Alem de linhas de segurança pra impedir que pessoas chegassem muito perto do vidro. Porque tinham idiotas que não sabiam ler e ver que certos animais eram muito perigosos.
O parque era seguro pros dinossauros e para os visitantes, do jeito que deveria ser.
Zipora: do jeito que deveria ser.
Nessa aí eu nem estranhei, só aceitei mesmo, pois sem ela falar mais nada, eu vi que ela sentia o mesmo fascínio que eu por esses incríveis animais.
Acho que nós iríamos voltar pra la em algum momento, mas por enquanto, nós ficamos apenas no meio dos Espinossauros por um bom tempo.
Até que eu senti que, já tava na hora de nos irmos pra outro lugar, um lugar que com certeza deveria deixar a Zípora de queixo caído, claro, isso se ela não soubesse que tipo de coisas existiam na próxima atração.
Depois de ficarmos mais algum tempinho bem tranquilo e leve naquele lugar, eu toquei no ombro dela com os dedos e apontei pra uma placa, uma que ela não entendeu de cara o quão incrível teria nessa atração, então ela só falou.
Zípora: os anquilossauros? Hehehe, tá afim de ver o verdadeiro rei?
Eu ri um pouco com o que ela disse, e eu fiz um sinal com "não" com meus dedos e apontei pra uma placa diferente, mostrando o avizo de um Argentinossauro.
Zípora: ok, ok, eles eram os reis, mas entre os herbívoros, os Anquilossauros estavam em segundo lugar.
E quando ela falou aquilo, de novo eu disse que não com as mãos, e depois eu apontei pro triceratops, e mostrei com sinais com a mão que ele era o segundo lugar.
Zípora: ta bom, ta bom, o triceratops era o segundo lugar, vamos só ver os Anquilossauros e voce para de ser chato.
Gostei da ideia, então só acenei com a cabeça em positividade, dei um joinha pra ela e levei ela pronto onde os Anquilossauros estavam. O ponto dos Anquilossauros tinham paredes poderosas, e uma formação onde parecia que nós estávamos vendo eles dentro de um poço beeeeeeeeeeem profundo.
Só pra ter uma garantia que eles não iam fugir pra cima por qualquer motivo do mundo
Diferente de atrações mais famosas, os Anquilossauros não estavam tão lotados de visitantes como outras atrações, e isso, sem ironia, foi o suficiente pra eles ficarem mais tranquilos do que as outras atrações, que ou eram estressadinhas demais ou só brincalhonas demais.
E quando eu olhei eles com cuidado, eu me lembrei de cara o motivo dele ser o terceiro herbívoro mais forte do período cretáceo. Mas antes de eu começar a pensar em todas as peculiaridades daquele animal a Zípora começou a ler a tabelinha dele pra mim.
Zípora: "anquilossauro, apesar de ser muitas vezes representado como uma presa fácil, ele era muitas vezes considerado o animal mais difícil se se caçar, mesmo para os maiores predadores de sua época, possuindo uma armadura em suas costas que o torna um tanque de guerra vivo, a ponto de que até o Tiranossauro rex tinha dificuldades contra a grande armadura dele"
Zípora: "apesar da armadura não ser impenetrável, ela era mais que resistente o suficiente para o Anquilossauro poder se defender de todos os predadores de sua época. Mesmo que saísse ferido, era bem difícil que ele morresse por um ataque de um predador"
Zípora: "isso também, graças a sua segunda maior arma, uma clava com uma cartilagem tao dura que era capaz de quebrar até mesmo ossos de Argentinsossauros com apenas um golpe, permitindo que a caça dos Anquilossauros não valesse o risco de abate-los".
Eu amava o sorrisinho que a Zípora fez naquela hora, tão tranquilo, tão inocente, e eu já sabia muito bem que aquele riso não ia durar nem um pouquinho.
Agente tava num clima bem tranquilo e calminho vendo os anquilossauros, até que nós vimos um deles se aproximando de nós, e depois dele olhar pro rosto da Zípora por um tempinho, aquele Anquilossauro falou. e...não, você não ouviu errado, SIM, ELE FALOU!
Anquilossauro: bom dia.
A Zípora arregalou tanto os olhos naquela hora que eu tinha certeza que os olhos dela iriam saltar pra fora ou coisa do tipo, depois ela abriu a boca pra falar alguma coisa, mas não conseguiu dizer nada.
Anquilossauro: dinossauro, fofinho, você é fofinho
Zípora: ah, ah, ah, o quê, como, quando, onde COMO ISSO É POSSÍVEL!?
Eu ri um pouquinho da Zípora, pra ver se tinha alguma coisa que pudesse me ajudar a explicar pra ela o que acabou de acontecer, até que eu vi uma cabaninha com alguns panfletos, peguei um dos panfletos e entreguei pra ela.
E quando ela leu o que tava escrito nos panfletos, ela se acalmou, mesmo que só um pouquinho.
Zípora: "estudos recentes descobriram que anquilossauros possuem uma caixa sonora igual a papagaios, o que significa que eles conseguem imitar muitas vozes e até mesmo sons de pessoas se as ouvirem por tempo o suficiente..."
A Zípora ficou olhando o papel por um bom tempo, com o rosto mudando de incredibilidade pro mais profundo "nada", eu quase conseguia ouvir a mente dela processando aquela informação pra ela, até que a Vampira finalmente falou.
Zípora: nossa, eu...eu nem sei o que falar, bom, tirando o fato que eu to surpresa que nenhum desses anquilossauros ta falando palavrões. Porque, se algumas pessoas que eu conheço soubessem disso, eles com certeza iam ensinar palavrões aos bichos
Anquilossauro: ah, tentaram nos ensinar palavrões, mas não conseguiram. O Zoológico não deixou.
Hummmmm, eu não sabia direito o quão inteligentes eram os Dinossauros, principalmente comparados aos "humanos" ou as "raças inteligentes". Mas só por aquela frase, eu conseguia imaginar que o Anquilossauro era um daqueles que mais tava próximo de ser mais inteligente do que certas pessoas por aí.
Ao mesmo tempo que eu também conseguia perceber bem até demais como o Anquilossauro não parecia infeliz naquele espaço, sim, ele era muito inteligente...mas ele também parecia inteligente o bastante pra entender que o Zoológico era seguro, e a "casa" dele, na floresta não era.
Zípora: sinistro não é? Eles parecem entender que tão em um zoológico, mas não querem fugir.
Você está em uma salinha onde você tem um mordomo que vem te visitar e limpar todo o lugar pra voce, 3 refeições por dia, companhia com você que, com sorte, pode te virar romance no futuro, e ainda com um veterinário sempre a sua disposicao pra quando você passa mal.
E tudo que você tem que fazer é fazer um showzinho as vezes pra pagar por tudo isso.
Agora que eu pensei um pouquinho mais sobre isso, eu entendi um pouco mais o quanto aqueles anquilossauros deviam ser inteligentes pra entender tudo isso, a ponto que eu sentia que eu aceitaria esse acordo, junto com muitas pessoas que eu conheço também.
Quem iria querer desistir disso pelo "desconhecido" do mundo lá fora?
Zípora: eu acho que, doidos.
Anquilossauro: exato, Quilo, não doido.
Eu amei ver o rosto cheio de medo da Zípora enquanto ela continuava vendo os Anquilossauro falando sempre em um tom de voz diferente cada uma dessas palavras, mostrando que ele não imitava só a voz, mas o som também.
Além dele também imitando o som de câmeras, e imitaram várias frases que os visitantes falaram, várias, mas várias frases mesmo. E eles pareciam entender bem até demais o que essas frases significam, o que era maneiro pra caramba.
Isso me fez pensar que eu ia ter que tomar cuidado com o que eu ouvi nas ilhas cretáceas quando as visitassem, mesmo que eu soubesse bem até demais que o Anquilossauro fazia isso, saber e ver ele fazendo isso na minha frente eram duas coisas totalmente diferentes.
Eu queria muito ver um bichão como esse lutando com um dinossauro, mas eu sabia que esse zoológico não era esse tipo de apresentação, e se eu continuasse me tornando cada vez mais forte, não ia demorar muito para eu encontrar um Anquilossauro selvagem brigando com um predador, e aí ficaria interessante ver que tipo de sons um anquilossauro selvagem era capaz de fazer, hmhmhm.
E enquanto eu pensava em tudo isso, a Zípora puxou o meu braço, me chamando pra eu ver o Rei dos herbívoros, o Argentinossauro, o maior dino pescoçudo que já existiu em toda a história, e sabendo bem até demais a absoluta besta que eu tava prestes a ver, eu fiquei empolgado com as doideiras que eu iria ver ali.
Espinosaauro
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Anquilossauro
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