2703 palavraa
depois de andar pela floresta mais um tempinho, a chuva parou, deixando que eu trasse minha jaqueta, e colocasse algo mais leve, mesmo que ainda tivesse que tomar cuidado com os mosquitos, eles podiam me matar bem mais cedo que os dinossauros se eu deixasse.
Mas depois de um tempinho, quando a chuva do lugar parou, tudo começou a ficar muito, mas muito mais quente, a ponto que eu precisei aumentar as pinturas de frio nas minhas roupas pra conseguir me manter fresco.
E enquanto eu andava pelo lugar, eu me encontrei com mais um guerreiro, dessa vez um Ogro, e olha só, ele estava caido, no chão, em mei a lama, e a beira da morte. A pele dele estava Roxa e inchada em mitos lugares, mesmo que a pel daquele ogro claramente fosse vermelha, alem de que ele tava com a garganta inchada e os olhos totalmente amarelos. Ai ai, mais um idiota que nao se preparou, pelo jeito ele conseguiu se esconder dos dinossauros, mas os mosquitos com doenças o derrubaram bem antes dos lagartoes.
Eu até poderia tentar ajudá-lo, mas ia ser inútil, eu não sabia o nome certo dessa doença, mas nesse estágio ele provavelmente ia morrer daqui a 10 minutos, não importa o que eu tentasse fazer pra ajudar.
Bom, a boa notícia seria que ele iria morrer antes de ser torturado por dinossauros famintos, então, podia se dizer que tava no lucro...
Ai ai, mas eu realmente senti pena desse Ogro, e ele parecia ser bem mais competente que o Vampiro por ter evitado os grandões ainda, mas acho que quando se foca demais nos monstros grandes, fica bem mais difícil de focar nos monstros pequenos.
Pensando nisso, cheguei minhas roupas pra ter certeza que não tinha nenhum pedacinho meu exposto pros mosquitos ou...pros outros bichos que poderiam me morder e picar sem eu ver, e continuei vagando.
Mas claro, antes disso eu fiz um pequeno sinal de cruz, e juntei as mãos uma vez, para que o Ogro conseguisse renascer em uma vida onde ele podia se preparar melhor.
Pois esse Ogro, se tivesse uma segunda chance, com certeza não iria subestimar os mosquitos de novo, mesmo que, infelizmente, ele não tivesse muito mais chance nessa vida agora, então só dei minhas condolências, e continuei meu caminho.
Eu sabia que não ia conseguir pegar os grandões ainda, mas com o cuidado certo, eu poderia no mínimo, pegar os médios, ja qu eos pequenos eram pequenos demais pra mim, mesmo agora.
E depois de mais algum tempo, eu encontrei um grupo mais moderado de dinossauros que eu podia caçar, um Driossauro, um dinossauro que parecia uma gazela misturada com um avestruz.
O Driossauro andava em duas pernas, tinha braços curtíssimos, duas pernas imensas, uma cabeça que tinha um bico na ponta, mas um bico que também possuía dentes, além dele ser coberto de penas, da cabeça até a ponta da cauda.
E eu realmente agradecia pela chuva ter parado, pois a aparência mais fofinha e inofensiva dos Dinossauros conseguiu me acalmar depois de todos os gigantescos super predadores que eu vi ate agora.
Ele não parecia tão perigoso quanto um super predador, e nem tão indefeso que ele não parecia valer a pena caçar.
A maior defesa daquele animal com certeza eram os seus números, pois eles eram presas tão fáceis que eles tinham que viver bem perto um do outro pro pior não acontecer.
Se eu quisesse sair dali com uma boa caça, iria ter que ser mais esperto. E mesmo pensando assim, eu subi nas árvores, apenas pensando que eles seriam uma boa caça.
Uma vez no topo das árvores, eu pulei e balancei nelas de galho em galho por um bom tempo, tudo enquanto observava tudo em volta, só pra ter certeza de que não tinha nenhum predador olhando a mesma caça que eu.
E depois de ter certeza que esse não era o caso, voltou a balançar no meio das árvores.
Eu balancei e me posicionei por aqueles galhos de árvores por um bom tempo, até que eu também olhei em volta e percebi um Driossauro retardatário.
Driossauros viviam em bando, eles não eram muito fortes, mas os números conseguiam assustar de verdade quando bem usados.
Mas sempre tinha um retardatário, um animal que ficava longe demais do grupo por diversos motivos e acabava não tão protegido quanto os que estavam mais próximos da proteção do bando.
E eu tava frente a frente com um desses Driossauros retardatários, mas o animal em si não tinha me visto, pois pra eu capturar de forma certa aquele bicho, eu maximizei toda a minha força na furtividade, onde pra ele, era como se eu nem estivesse ali.
Eu tava acima de uma árvore quando eu avistei o retardatário, mas antes de eu pular pro chão, eu alonguei minhas unhas, até elas se parecerem mais garras, e engrossei minhas presas, até elas se parecerem com as presas de um leão.
E então, quando minhas "aras" estavam completamente "desembainhadas" eu saltei na direção do Driossauro com a intenção de matar.
Eu agarrei o Driossauro bem pela garganta antes que ele tivesse chance de revidar, pois na caça, tudo se resumia a isso, no quão rápido você consegue matar sua presa, os melhores caçadores conseguiram matar suas presas antes mesmo delas perceberem que morreram.
Mas pros caçadores não tão bons assim, tudo se resumia ao quão rápido você conseguia matar sua presa antes que ela fugisse, antes que ele conseguisse bater em você e te jogar pra longe, ou antes que um outro predador viesse roubar sua caçada de você...
E felizmente, mesmo eu não sendo um ultrataçador, especialista em matar, eu tinha mais do que força o suficiente pra pegar um Driossauro como esse sem problemas.
Eu saltei e agarrei o pescoço do Driossauro com muita facilidade, e com uma mordida minha pra arrancar a cabeça do Driossauro e matá-lo, o pobrezinho mal teve a chance de sequer entender que estava sendo cacado.
Mas sem chance pra lamentos, eu peguei o corpo do Driossaur e o levei com cuidado a um tronco oco de uma árvore que eu descobri ser um lugar, "seguro" em meio a todo o caos em volta de nós.
Pois diferente das ilhas magicas, eu nao podia me dar o luxo de me alimentar em ceu berto, isso se eu quisesse fazer todos os "rituais" que eu amava tanto fazer.
O Driossauro foi o primeiro dinossauro que eu caçei com as minhas proprias mãos, eu tenho sonhado com esse momento, desde que eu descobri que os dinossauros ainda vagavam sobre a terra, mas que era necessario ser muito forte pra conseguir mata-los...
Eu nao sabia exatamente o que eu deveria estar sentindo naquela hora, mas no fim de tudo, eu senti um orgulho tão gigantesco dentro de mim, que eu cabei nao me aguentando, eu nao fiz nenhum sm, mas eu chorei, e mesmo com toda a doideira acontecendo em volta de mim, eu tirei m tempo pra juntar inha s maos, e fazer uma orçao a Jaci, agradecendo a ela por...por literalmente tudo que me levou a aquele moento.
Eu saba bem ate demais que aquele Driossaro, estava bem long de er o ultmo dinossauro que eu iria caçar, mas ele foi o primeiro, o primeiro que eu ia fazer totens, beber o sangue provar a carne. E o primeir gostinho de era pe historia que nao so meu corpo, mas minha ama e minha mente irim sentir com todo o gorsto.
Eu fiz uma oraçao bem demoada pra Jaci, mesmo estando alerta ao que tava na inha volta. Eu sabia que nao podia dar mole nesse territorio, mas esse ritual, junto com todos os outros rituais seriam importantes pra mim, pois eu sentia que, sem esses rituais, eu acabaria me tornando um animal bem mais perigoso que os dinossauros.
Quando eu comecei a pegar as coisas pra fazer meu desmembramento do Driossauro, vi que minhas garras enormes estavam me atrapalhando, então eu as retrai pra dentro e diminui os meus caninos, eu sinto que iria aumentar-las de novo em algum momento, mas eu sabia que esse momento não seria agora.
E depois disso, foi o procedimento padrão, eu tirei a pele do Driossauro, dividi as carnes dele nas que eu iria comer, nas que eu ia levar pra casa, e nas que eu ia beber o sangue.
E depois, comecei a entalhar-los depois, pois eu não ia entalhá-los antes de comer a carne, enquanto a carne estivesse fresca, as chances de eu atrair algum predador pra roubar o que eu consegui eram MUUUUUUITO ALTAS.
Eu queria muito detalhá-los agora, e agradecer pela refeição daquele animal ali, agora, mas eu não podia fazer isso, por um único e simples motivo...eu não tinha o mais direito de ser desleixado.
Eu já sabia disso, mas quando eu vi o guerreiro morrer pro ceratossauro, um predador que nem mesmo era um Apex do seu próprio tempo, eu confirmei uma coisa pra mim mesmo.
Eu podia até ser um predador, mas não o maior predador, se eu entrasse no caminho do predador errado ou do herbívoro errado, eu podia ter um destino até pior do que aquele Vampiro.
E nem precizava ser um dinossauro, se eu me descuiasse demais, ate mesmo um simples mosquito poderia me matar...
Eu não tava nem mesmo fritando a carne, o que eu ia comer ali ia ser todo cru, eu não queria passar nenhum risco de atrair um predador com um cheiro bom da carne, então eu ia comer sem fritar mesmo.
O lance de cozinhar a carne era bem mais estratégia do que algo como medo, pelo simples fato de que, animais sentem cheio de comida a quilômetros, no instante em que eu matei o Driossauro, qualquer predador próximo tava com certeza a vindo atrás de mim agora, então eu não podia demorar pra comer.
Primeiro eu bebi o sangue dos pedaços do animal que eu separei...e...e...

Era como energético, misturado com frutas e com um toque de sabor de ferro que parecia ligar o sabor de energético com o sabor de frutas de uma forma que nem eu mesmo conseguia compreender.

Então eu bebi cada pedaço com muita força, a ponto que eu usei metade dos pedaços que eu ia levar pra casa pra beber, é, eu com certeza iria me viciar nesse gosto rapidinho.
Mas aquele era apenas o começo, eu também mordi a carne crua, pra compensar o tempo que fiquei sem comer.

Era como frango, mas especificamente, e um frango super de luxo, que tinha uma carne fibrosa o bastante para parecer carne de boi, e com uma força o bastante no sabor pra parecer toda temperada, mesmo não possuindo tempero algum.
Eu fiquei tão feliz em sentir toda aquela carne pela primeira vez, que quando olhei pro lado, eu vi que as carnes do Driossauro que eu cacei já tinham acabado...
Mas eu ainda tava com muita fome, então eu fiz algo que eu nunca fiz antes, mas com meus instintos de caçador à flor da pele, eu fiz pelo mais puro impulso, eu peguei os ossos, e os destruí por completo com os meus caninos.
Não sei se um dia eu chegaria em um momento de insanidade maior que esse, mas eu sentia de forma super precisa como os meus dentes ficaram muito maiores, maiores o bastante pra eu conseguir quebrar aqueles ossos em várias casquinhas pequenas e os devorar com um cuidado sobrenatural.
Esse foi o momento mais faminto que eu passei em toda a minha vida, os ossos que eu quebrei fizeram um som de estalo macabro que vagou por toda a ilha, enquanto eu só tava me deliciando com aqueles ossos.
Mas enquanto eu saboreava aquelas lascas de ossos super perigosas, que ate rasgam e machucavam a minha gengiva, eu senti tinha alguma coisa dentro dos ossos que com um sabor peculiar, mas eu não conseguia sentir nada direito por causa da dor que as lascas de ossos provocavam na minha boca.
Mas já sentindo como essa coisa era tão saborosa que eu tava conseguindo aguentar a do das lascas "sem problemas" daquela forma, fiquei curioso pra entender esse novo sabor que eu senti, eu peguei um osso com um pouco mais de cuidado, parti ele ao meio, sem destruí-lo em lascas e tentei ver o que tinha no meio dele...e o que eu vi era impressionante, isso pra se dizer o mínimo.
No meio do osso, existia uma espécie de manteiga vermelha toda derretida, eu não sabia muito bem o que era aquilo, mas algo no cheiro daquela coisa...me fez perder o ar, e deixou minha mente toda tonta e confusa, no bom sentido, é claro.
Era difícil de colocar em palavras, mas algo no cheiro daquela coisa fez despertar por completo meus neurônios de predador, me deixando quase totalmente selvagem, tanto que, de forma inconsciente, minhas unhas das mãos e pés cresceram de novo, até se tornarem garras ainda maiores do que antes.
Mesmo sabendo que comer algo que eu não sabia o que era, principalmente comer isso cru, era uma péssima ideia, os meus instintos me disseram pra beber aquilo...
E mesmo depois de todo o trabalho que eu fiz em artes marciais por todos esses anos, quando meu cérebro pediu que eu bebesse aquela coisa, eu não consegui dizer "não".
Eu bebi aquilo beeeeeem devagar. E a primeira coisa que eu pensei foi, "isso é salgado, e super gorduroso, vou ter que beber água pra compensar isso depois". E a segunda coisa que eu pensei foi:

Aquela estranha gosma tinha um gosto divino, era um sabor delicioso daqueles que fazem você se sentir a boca toda cheia antes da comida realmente descer pra sua barriga.
Ele tinha uma consistência que realmente lembrava uma manteiga derretida, parecia algo perfeito pra botar em cima da carne, mas tava caro que tinha seu sabor capaz de conseguir fazer milhares na culinária de forma solitária.

O gosto em si: era de alguma espécie de carne de boi altamente forte e concentrado. Algo como se um boi tivesse se tornado carnívoro e a sua carne estivesse com tempero pra dar e vender.
Eu tomei aquela gororoba dos dois pedaços partidos do osso com muito cuidado, saboreando a delícia daquela carne pensando que aquela devia ser uma espécie de comida gourmet naquele mundo doido dos Dinossauros.
Eu sentia isso principalmente pelo meu cérebro estar me dando muitos sinais que eu não deveria parar por absolutamente nada nesse mundo todo de comer aquela carne divina.
Não sabia explicar o porquê, mas indo além do instinto natural, todo o meu corpo, alma e mente estavam alinhados, apenas pra dizer pra me dizer que essa comida é deliciosa e que eu não devia parar de comê-la nem por um segundo.
Eu senti uma estase muito grande enquanto eu saboreava aquela gosma dentro do osso, uma estase tão, mas tão grande, que eu quebrei os ossos restante do Driossauro que eu cacei e com eles um por um com muuuuuuuuita calma e cuidado, como se come aquela gosma fosse quase um ritual pra mim também a essa altura do campeonato...
E vendo como aquela coisa realmente mexia comigo, mesmo sem eu saber direito o motivo, considerar aquilo como um novo "ritual" das minhas caçadas não seria algo tão doido de pensar também.
Eu não sabia o que essa gosma preta era, mas eu esperava não passar mal me juntar ao Vampiro e ao Ogro mortos quando eu acordasse de manhã.
Pois, pois e, eu nao tava bem pra sair e caçar depois daquilo, seja lá o que aquela gosma marrom era, ela deixou minha barriga tão cheia que eu tive que acampar ali naquele toco de árvore oco, e recuperar as energias...e rezar pra que o amanhã fosse mais tranquilo que hoje.
No fim, eu acabei comendo o Driossauro inteiro, não sobrando nada, eu sinto que meu estômago iria protestar isso comigo amanhã, mas por enquanto, eu deveria apenas tentar digerir tudo que eu comi, e eu deveria começar apenas a pensar nas grandes cacas que eu faria amanhã.

