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𝕻𝖗𝖊𝖘𝖆𝖘 𝖊 𝖘𝖆𝖓𝖌𝖚𝖊 🦖1
15🙂‍↕️😤😌eu estou no controle😌😤🙂‍↕️
2688 palavras • 15178 caracteres • ⏱ 10 min 45 s

15🙂‍↕️😤😌eu estou no controle😌😤🙂‍↕️

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Hehehe, eu queria dar um tapinha nas costas do meu "eu" do passado, por ele ter feito o favor de ter caçado tantos animais de uma vez só, porque, mesmo com a semana quase acabando, tinha carne recém caçada na geladeira insuficiente pra eu conseguisse ficar sem caçar, pelo menos por hoje.


Eu não vi nenhum documentário, apenas tomei uma das sacolinhas de sangue e decidi ir direto para um templo diferente do território.


A Deusa da Lua foi a Segunda Deusa que a raça vampiro se aproximou, a primeira, é claro, era uma Deusa que sempre esteve com todos, até antes do nascimento de um ser vivo...


Podia se dizer até mesmo que essa Deusa sempre esteve entre todos os seres vivos, apenas não estando presente quando sua contra-parte estava presente: Una, a Deusa da Escuridão.


Diferente do templo de Jaci, que era um templo feito totalmente de lava, um templo igualmente gigante igual ao templo da Jacy, com a diferença da Deusa da Escuridão sendo uma pirâmide totalmente de lava.


E diferente do que o titulo dela falava, ou do que o templo super sinistro e perigoso transparecia, ela era a Deusa mais calma e gentil de todo o panteão.


Então, respirando fundo, eu entrei no templo e sorri. E como sempre, a Lava não me queimou, ela sequer conseguiu me esquentar, era tranquilo e fresquinho ali dentro. Só isso já era o bastante pra eu me lembrar o quão gentil a Deusa realmente é, mas tinha mais, tinha muito mais mesmo.


E depois de andar um pouco naquele lugar, eu subi pro segundo andar do lugar e cheguei num corredor cheio de portas igual o outro.


E entrando em uma das salinhas que tinham a porta aberta, eu entrei na sala de meditação do lugar, mais especificamente, uma salinha de meditação que não conectava as pessoas a Una.


Fiquei feliz em encontrar aquela sala, pois, por mais que eu gostasse de conversar com a Una, eu estava no templo dela hoje apenas como um monge em busca de meditação.


Mais uma vez, eu fiquei com as pernas cruzadas em cima de uma almofada, e...nada aconteceu, e não era pra nada acontecer mesmo, pois esse momento que eu tinha em minhas mãos agora era onde eu colocava um dos ensinamentos mais primordiais de todas as artes marciais: o controle dos nossos extintos.


Muitas pessoas entendiam apenas as artes marciais apenas como um conjunto de técnicas que tinham o único propósito de "chutar mais forte", "socar mais forte", "ser mais resistente", "ser mais rápido" e "causar ainda mais dor".


E mesmo que tudo isso seja verdade, as artes marciais nasceram por dois motivos bem diferentes do que muitos imaginam.


Primeiro, elas surgiram como uma resposta a todos os seres naturalmente fortes, como uma forma onde até mesmo o vampiro mais fraco conseguiria vencer de um ser naturalmente mais forte que ele.


E por segundo, mas não menos importante, eles surgiram como uma forma de "armamento das emoções".


Muitos artistas marciais famosos, como o grande Sábio Miguel, sempre diziam que: as artes marciais, em seu âmago mais profundo, foram criadas para controlar partes do próprio instinto humano que, pra animais incapazes de raciocínio e controle, são incontroláveis.


Praticar grandes jejuns de sangue, pra conseguir lutar de forma ainda mais intensa e conquistar uma grande iluminação espiritual.


Praticar a paciência, ensinando ao seu corpo que ele irá se alimentar quando você desejar e não quando ele desejar.


Suprimir a sua ansiedade ao máximo, a ponto que você apenas ataque no momento perfeito.


Acumular toda a sua raiva e violência dentro de si próprio, para conseguir liberá-la de forma devastadora no momento de seu ataque.


Mas talvez a prática mais famosa entre os Vampiros é o seu celibato.


A muito tempo atrás, quando ainda estávamos "engatinhando" em nossa evolução, o consentimento não era algo muito importante naquela época.


Mas pro alívio de muitos, nós conseguimos mudar isso, mas esse instinto de "dominância pela força" ainda estava bem no fundo de nós, e por isso, um dos treinos de calmaria mais famosos entre os Vampiros, era o de jovens vampiros que tentavam ao máximo possível manter suas mentes no controle, e não os seus desejos e instintos.


Pra alguns, essa é considerada uma tarefa fácil como muitos treinamentos como as flexões, enquanto pra outros, é uma tarefa difícil a ponto de ser pior do que treino de prancha.


As artes marciais, no ponto mais central de seu corpo, é uma luta constante da mente humana com as reações naturais do corpo.


Quando a areia cai no olho de uma pessoa, ela fecha de forma instintiva, mais lutadores de boxe experientes podem treinar em um nível em que eles nem piscam ao serem atingidos.


Quando um corpo chega ao limite físico, a mente manda diversos sinais para o corpo parar de se mover e descansar, mas em qualquer arte marcial, esse mesmo sinal é ignorado milhares de vezes até o ponto do cansaço nos fazer desmaiar.


E a reação mais famosa de todas, a reação de controlar a própria violência dentro de si próprios, quando uma pessoa sem nenhum treino está em perigo ou ameaçada, a primeira reação dela é atacar, mas pra um lutador de artes marciais, lutar nunca é a primeira opção.


Pois diferente do que muitos acham, lutadores de artes marciais não treinam pesado todos os dias pra brigar na rua, eles treinam todo o dia pra não terem medo quando forem ameaçados por outras pessoas, e pra muitos casos, apenas não ter medo e manter a postura funciona bem até demais.


Enquanto continuava nesse gigantesco, longo e complexo monólogo comigo mesmo, comecei a pensar um pouco sobre o tipo de vida que acabei escolhendo.


Pois até mesmo com toda essa complexidade das artes marciais e simbolismo das artes marciais sob controle sobre a própria selvageria, existiam 2 tipos diferentes de caminhos que um vampiro podia passar quando ele se aprofundava de verdade nas artes marciais.


O caminho da Lua, que era o caminho onde o lado mais selvagem e primitivo onde uma pessoa acabava sendo colocada pra descansar na presença da lua.


Vampiros que escolhiam o caminho da Lua eram famosos por serem totalmente tranquilos e doceis. Mesmo que esses Vampiros fossem fortes, a natureza deles era pacífica demais pra eles sequer pensarem em lutar em qualquer circunstância.


E de forma irônica, vampiros do caminho da Lua eram famosos também por visitar os templos solares com mais frequência, já que, como eles não tinham onde descarregar os instintos primitivos deles, eles acabam visitando esses exemplos pra descarregarem suas selvagerias na presença do Guaraci, o grande Deus do Sol.


E também existia o oposto, os vampiros Solares, como eu, vampiros que não apenas abraçaram seus lados mais selvagens, mas amavam e seguiam os seus instintos mais selvagens os dominarem.

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"tenho que caçar"
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"tenho que comer"
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"tenho que beber sangue"
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"tenho que me reproduzir"
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\nVampiros Solares eram famosos por ter o tipo de vida mais agitada do mundo, tanto que não existia um único tipo de vida que um vampiro Solar podia ter.


A minha vida, por exemplo, eu era um mestre das artes marciais poderoso, caçava animais selvagens com minhas próprias mãos e me alimentava de carne e sangue que eu mesmo caçei na maioria das vezes era apenas um exemplo das vidas loucas que vampiros Solares possuíam.


E de forma irônica também, Vampiros Solares eram famosos por estarem sempre em templos da Deusa da Lua e a Deusa da Escuridão. Pois quando se tem uma vida tão agitada quanto a vida de um Vampiro Solar, tudo que vampiros solares queriam era ter um momento tranquilo entre os Deuses é tudo que precisávamos.


O meu coração estava desejando muito lutar com um dinossauro, mas enquanto eu queria satisfazer esse desejo do meu corpo, eu também sentia um cansaço gigantesco dentro de mim, um cansaço que não era apenas físico, era um cansaço espiritual onde eu precisava descansar, mesmo que fosse apenas por um dia, pra conseguir fazer as grandes doideiras de amanhã.


Meus instintos não gostavam disso, mas meu corpo mega cansado ia me agradecer, e não ia deixar que eu desmaiasse no meio de uma luta intensa com um predador. Um cenário que eu queria evitar a todo custo.


???: nossa, você pensou bonito agora.


Eu abri os olhos com muito medo quando eu ouvi aquilo, e o que eu vi quase me fez quebrar meu voto de silêncio de novo. E eu tava bem mais que preparado pra quebrar, mas eu me segurei.


A Zipora tava na minha frente e...SANTO DEUS, O QUE ELA TAVA FAZENDO AQUI!?


Zipora: como assim "o que eu to fazendo aqui"? Na última vez que eu chequei, você não é dono desse templo.


TOUCHE GAROTA, TOUCHE.


Eu não sabia o que a Zipora tava planejando, então eu só observei ela se sentando na minha frente, e falando.


Zipora: olha, não sei se você vai acreditar em mim, mas isso foi uma completa coincidência, pode ser impressionante perceber isso, mas você não é o único que tem uma vida difícil nesse Mar Vermelho. Eu só vim aqui pra relaxar e acabei te encontrando, (junta as mãos em uma oração) por favor, acredita em mim.


Depois de ver a Zipora daquele jeito, eu me acalmei um pouco, eu não tinha conversado tanto assim com ela, mas se tem algo que eu entendi bem rápido, é que ela não era uma vampira que mente.


Mas eu já errei antes, então eu precisava tomar cuidado em quem eu depositava minha confiança.


E se a Zipora entendeu o que eu pensei naquela hora, ela não demonstrou, ela só ficou sentada na minha frente, e depois de olhar pra mim por algum tempo, ela falou.


Zipora: me fala, você tem algum passatempo? Sai pra algum lugar?


Quando ela falou aquilo, a minha sede de sangue voltou com tudo, e eu dei um sorriso muito sinistro, um sorriso que eu apenas dava para as minhas presas, e pra pessoas que aguentavam lutar comigo.


O que era estranho eu querer sorrir assim, pois eu tinha certeza que a Zipora não se encaixava em nenhuma dessas categorias, eu fiquei impressionado.


E eu sabia que tava fazendo esse sorriso pelo rosto de espanto que a Zipora tava fazendo pra mim, mas o que ela entendeu com meu sorriso sinistro me impressionou muito mais.


Zipora: uuuuuui, você é um caçador Solar? Nós somos almas gêmeas mesmo, apesar de eu ser uma pescadora Solar e não uma caçadora.


Hummmm, uma pescadora Solar, mas se ela fosse realmente uma pescadora, então ficaria ainda mais fácil pra eu ir pra um outro ponto do templo com ela.


Depois de ficar ali, meditando por um tempão, eu me coloquei em pé e levantei minha mão para a Zipora.


Nos dois não falamos nada, apenas ficamos felizes que agente estava de mãos dadas e fomos no topo do Templo, o último andar daquela grande pirâmide.


Pra mim era normal não falar nada (mesmo que isso mudasse quando a Zipora tava envolvida), mas se a Zipora não estava falando, é porque ela entendia bem até demais que o lugar onde estávamos indo merecia um respeito um pouquinho maior.


No último andar daquela grande pirâmide, existia apenas um pequeno sótão que assim que se entrava nele, você via apenas uma sala vazia com um pequeno pedestal onde se ajoelhava e fazia orações.


Eu já tinha me encontrado com a Deusa da Escuridão pessoalmente várias vezes, mas em momentos como hoje, onde eu não estava com energia pra encontrá-la pessoalmente, eu gostava de fazer uma oração pra ela de forma tradicional.


Mas antes de me ajoelhar, assim que eu cheguei perto o suficiente daquele altar, fiquei um pouco fascinado por ele.


Muitas vezes, eu ainda ficava surpreso com o quanto que as artes marciais e nossa religião estavam interligadas, eles estavam tão conectados um ao outro que conseguia tirar meu foco muitas, mas muitas vezes mesmo apenas pra imaginar onde essa conexão com as duas coisas começou.


E quando olhei pro meu lado, vi que pelo jeito a Zipora me encontrar aqui foi uma coincidência mesmo, pois ela se ajoelhou ao seu lado, e começou uma oração, como se, por alguns segundos, eu tivesse sumido do campo de visão dela, o que me deixou aliviado e surpreso ao mesmo tempo.


E eu só não fiquei ofendido com isso pois eu sabia como aquele altarzinho, por mais simples que fosse, podia mesmo tirar a atenção de alguém pra tudo à sua volta.


Depois de olhar o pequeno altar por um tempo, eu me ajoelhei e também comecei a orar, por coisa simples, eu agradeci por estar vivo, agradeci por ter defendido meu título de campeão.


E, de forma estranha pra mim, agradeci por ter a Zipora na minha vida, pois eu tava começando a entender um pouco mais porque ela era um grande presente na minha vida.


E eu orei pedindo que eu fosse um presente na vida dela tanto quanto ela é um presente pra mim.


Eu sabia que agente não ia se casar logo no primeiro encontro, mas eu já tava me preparando mentalmente pra quando eu fosse dividir minha casa com ela.


Zipora: ta pensando nisso muito cedo amor.


Eu sabia disso, mas considerando o quanto de tempo eu levei pra ter um lugar como assim, era normal eu estar prestando tanta resistência e cuidado sobre isso.


Zipora: nossa, você pensa de uma forma que você não teve paz um único dia da sua vida.


E não tive...eu quase falei em voz alta aquilo, mas eu consegui me controlar e só dei um olhar cheio de raiva pra Zipora...eu tinha 10 irmaos, mais velhos e mais novos...e por mais que eu os amasse, viver numa casa com 15 pessoas(contando meus pais e tios e eu) nao era facil, ainda mais com minha dificuldade.


E o pior era que minha casa era realmente segura comparado aos problemas que eu tinha na escola por não conseguir falar direito. Mesmo com ajuda dos meus colegas da época, que eram bem compreensivos comigo, a escola ainda foi uma época bem difícil e sombria pra mim.


Eu passei por poucas e boas pra ter um lugar calmo como a minha casa...e eu não queria que essa calmaria fosse invadida tão cedo assim, mesmo que eu já tivesse sozinho naquela casa já faz um bom tempo.


Eu não sabia o quanto desse meu diálogo interno a Zipora tinha entendido apenas olhando pra mim.


Sei que ela conseguia me entender, mesmo sem que eu falasse nada, de uma forma que nem meus amigos mais próximos conseguiam fazer, mas espero que ela tenha entendido o suficiente.


E pela carinha de pena que ela deu pra mim quando terminamos nossa oração, pelo jeito ela entendeu sim.


Zipora: eu não sei o que você tá imaginando o que eu vou fazer no seu "lugar seguro", mas garanto que não vai ser o pesadelo que você tá imaginando.


A minha mente já havia entendido isso a muito tempo, mas meu corpo era alguém que precisava de muito mais tempo pra entender que eu tava realmente seguro, e que ninguém ia tentar me "ajudar" a falar, mesmo que a Zipora conseguia me fazer falar sem nem precisar tentar.


Mas depois de pensar um pouquinho mais nisso, eu olhei para a Zipora, e fiquei um pouco curioso pra saber o que foi que ela pediu a Una, e pelo jeito, pensamentos básicos assim ela conseguia entender.


Zipora: ah, se sabe, coisas normais, agradeci que eu acordei, agradeci que eu consegui comer...


E no meio da frase dela, ela ficou bem quietinha e olhou pra mão, tentando se manter focada no que tava na frente dela e então, continuou.


Zipora: ...além de que eu pedi uma ajuda em uns projetinhos meus.


Hmhmhm, pra certos projetos, pedir a ajuda dos Deuses era a única opção, e enquanto saímos do templo da Deusa da Escuridão, eu pensei como agora eu já estaria pronto pra fazer minha primeira caçada de dinossauros, hahaha.

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