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O sangue nunca foi o motivo de eu ter ido pro templo, ele era só um bônus, eu tinha ido pra lá pra fazer outra coisa, e pra isso, eu voltei para o primeiro andar da Pirâmide, chegando novamente em um grande corredor cheio de portas diferentes.
E em meio a todas aquelas portas de água diferentes, eu encontrei um que estava vazio, então eu entrei nele.
O motivo verdadeiro de eu estar ali, era ter um contato direto com Jaci, a Deusa da Lua, a Deusa que, entre todos os outros Deuses do arquipélago, sempre pareceu ter um carinho maior pelos mortais.
Isso era representado principalmente pelo lugar onde era possível encontrar a Deusa.
O lugar era simples, não tinha grandes estátuas, pilares de sacrifício e nem nada do tipo, existia apenas algumas almofadas, e acima de mim, existia a única pedra em toda aquela pirâmide feita inteiramente de água.
Uma pedra que se assemelhava muito como uma rocha da lua pelo formato, posição e brilho que ela tinha, e enquanto eu pensava nisso, eu me posicionei sentado na posição de lótus, esperando que tudo começasse a acontecer.
Eu fechei os olhos, mas eu conseguia imaginar o que tava acontecendo, a pedra que estava bem acima de mim começou a brilhar, e logo, meu corpo começou a se encher de Aura, uma vez que meu corpo foi totalmente coberto pela Aura, e segundos depois desse ponto se completar, meu espírito se desconectou do corpo e minha alma começou a ser levada para cima.
Quando abri meus olhos, eu desfiz minha pose, é só deixei que o grande cenário a minha frente me entregasse um pouquinho.
Eu atravessei o teto da pirâmide de água, e tive alguns segundinhos pra admirar a minha casa, o Arquipélago Vermelho, também conhecido como o lar dos vampiros, e também o ninho dos dinossauros, e também "terra oca".
Um grande arquipélago com rochas resistentes ao magma fervente, tudo conectado por grandes pontes de ferro à prova de calor.
E depois disso, eu atravessei camadas duras e imensas de rochas até que eu cheguei na água, ou melhor, no Arquipélago azul, o primeiro mar que existia na superfície, e depois de atravessar a água por um bom tempo, eu cheguei na superfície e continuei subindo pra caramba.
E quando eu fiquei acima daquele arquipélago, eu só olhei pra baixo, pensando como tudo parecia tão passifico naquele mar azul.
Lá era o Lar de Sapiens e Ogros, mesmo que Lobisomens e zumbis viviam lá também, Ogros e Sapiens eram mais comuns lá tambem.
Até que eu olhei pra cima e vi que era dia, então parei de fantasiar sobre visitar o Mar Azul, afinal, pra visitar o mar Azul e o mar Branco sem ser um espírito, eu ia ter que testar se minha alma era pura o suficiente pro Guaraci não me queimar, algo que, considerando minhas ações mais recentes, me faziam sair dessa lista bem facilmente.
Porque, eu não achava que alguém que caçava animais como eu e espancava tantas pessoas todos os dias podia ser considerado alguém puro para o Guaracy, então eu com certeza ia ser queimado pelo sol se tentasse entrar com meu corpo, nesse caso, era melhor apenas não arriscar.
E depois de voar por alguns minutinhos, eu cheguei em camadas bem grandes de nuvens, que eu logo atravessei e cheguei em um dos lugares mais doidos de todo o mundo, o absurdo arquipélago do Mar Branco, um lugar com nuvens densas como água para criar o mar branco, e outras nuvens sólidas como rochas, a ponto de criarem grandes montanhas, montanhas grandes o suficiente para dragões enormes conseguirem morar naquele arquipélago.
Mas eu não fui pra nenhum desses lugares, nananananão, o lugar que eu estava indo, ia muito mais em cima do que qualquer lugar do arquipélago podia ser, era bem mais em cima do que qualquer lugar no planeta inteiro.
Pois quando eu comecei a subir até chegar nas nuvens, eu comecei a chegar no espaço, e logo, todo o meu redor começou a ser pintado de preto, com milhares de estrelinhas em volta de mim.
Depois disso, não demorou muito pra eu chegar na lua, apenas foi o suficiente pra eu ver o Guaracy, o grande Sol...
Nossa, não importa quantas vezes eu visse ele, eu sempre tomava um susto, ele era simplesmente enorme, maior do que a Lua, que a Terra, e qualquer um dos outros planetas que rodam ao redor dele, simplesmente único entre todos, aquele acima de todos nós.
Esse era o Guaracy, a única coisa que parecia ser maior que ele era a gigantesca escuridão de Una que parecia dominar todo o espaço, até as áreas onde o Guaracy estava, hmmmmm.
Quando pensava nisso, não virava uma surpresa tão grande que foi ele que decidiu julgar quem merecia ficar acima do sol e quem não e ficou a cargo de Una proteger aqueles que não eram dignos de ficar na presença do Guaracy, hummmm.
Mas logo pude parar de pensar nisso, pois eu cheguei na Lua, e assim que eu cheguei, eu acertei o chão do lugar com tudo, algo que me deu uma garantia absoluta que aquilo não era a verdadeira lua, pois em segundos, eu afundei na lua, como se eu tivesse entrado em um mar cheio de nuvens, e uma vez que emergi, e ri, enquanto eu ficava e barriga pra cima e apenas aproveitava desse momento de silêncio total do lugar antes da dona dali me ver.
Depois de relaxar só um pouquinho, eu levantei a cabeça só o suficiente pra conseguir ver como não existia nada ali, apenas um grande e infinito mar de nuvens, onde tinha apenas a escuridão do espaço, e os brilhos das milhares de constelações diferentes para lhe fazer companhia.
Existia uma calmaria no mundo da Deusa da Lua que chamava a atenção de todos os mortais do mundo, uma calmaria que fazia pessoas relaxarem, e se tranquilizarem de formas melhores até do que em sua próprias casas, e eu não era diferente, sem nem mesmo ver se a Jaci já tinha chegado, eu só fechei os olhos, e dormi.
E quando eu abri os olhos, eu vi que a Jaci estava na minha frente, bonita e elegante como sempre.
Ela era uma beldade, uma pele escura como a noite, pinturas tribais brancas espalhadas por toda a pele, um cabelo igualmente branco e olhos sem pupilas. Dando um ar sobrenatural e divino pra ela, ao mesmo tempo.
Tudo enquanto ainda usava um único e belíssimo vestido feito de pele de porcos espinhos, com os espinhos incluídos.
Jaci: ola Sansão, já faz um bom tempo, como você está?
Eu não respondi, eu queria responder, mas...de novo, não consegui me abrir, nem pra Deusa da Lua, minha boca abriu, mas nada saiu dela, nem um sussurro. E com um pouco de vergonha, eu fechei a boca e me virei pra longe dela.
Jaci: vai, nao fica assim, nao precisa falar nada, sabe que eu conheço seu coração muito bem, às vezes até melhor que você mesmo.
Eu sabia disso, e isso chegava a ser muito vergonhoso, saber que meu coração era tão fácil de acessar me assustava, mesmo se fosse alguém como a Deusa da Lua.
Jaci: vergonhoso por que? Porque permite que eu saiba que você tá lutando contra seu próprio amor, e que você não consegue imaginar um futuro onde você compartilha tudo que você conquistou com alguém além de você mesmo?
Exatamente. Eu passei pelo inferno e a terra, apenas pra conseguir ter um lugar onde não existiam pessoas pra encher minha paciência, um trabalho onde Eu decidia se ia trabalhar, e uma casa onde eu tinha tudo o que eu queria e precisava, sem precisar da ajuda de ninguém, e eu nao tava nem um pouco pronto pra compartilhar isso com alguém, nem de longe.
Jaci: você sabe que não vai ser tão rápido assim, não é? Vocês vão ter apenas um primeiro encontro, depois outro, e outro, ai depois você vai conhecer os pais delas, ela vai conhecer os seus, e depois de tudo isso, só então vocês vão começar a morar juntos. Você vai ter mais que tempo o suficiente pra conseguir aproveitar seu paraíso de solidão. Mesmo se você aceitar esse amor que você tem por ela.
É, eu sabia disso, eu, só tava bem assustado de gostar demais dela, a ideia de pensar que alguém realmente me entendia, apenas pra descobrir de novo que ninguém podia me entender, pelo menos não completamente,me assustava de forma profunda demais.
Eu tava com medo de deixar alguém entrar na minha casa, apenas pra descobrir que essa pessoa ia destruir tudo que eu demorei décadas pra construir.
Jaci: é, algo como isso acontecer seria horripilante, seria como se tudo que você construiu fosse queimado na sua frente sem remorso nenhum. Mas me diga Sansão, a mocinha que enlaçou seu coração parece esse tipo de pessoa?
Eu não pude me aguentar, e acabei sorrindo escutando o que ela falou.
Eu ja tinha conhecido todo o tipo de gente nessa trajetória doida que eu criei ao longo do tempo, e de todas as pessoas loucas que eu conheci, a Zípora parece ser uma daquelas raras pessoas que não me davam medo.
Eu tinha um medo absurdo de pessoas extrovertidas, a forma que certas pessoas falavam, que certas pessoas agiam, e principalmente a forma que muitas pessoas conseguiam ser tao livres e espontâneas que elas pareciam conhecer todo mundo no planeta terra...esse tipo de gente me dava muito medo.
E a Zípora não parecia ser esse tipo de pessoa...mas eu já tinha errado antes sobre as pessoas, o que garantia que eu não tava errado sobre ela também?
Jaci: não sei, talvez o fato de você continuar doando sangue dela, e apenas dela, seja uma espécie de garantia maior que você não errou, você não acha?
Ah, é, tinha isso também, já fazia um tempo que eu queria trocar de monge, várias vezes, mas sempre que eu entrava naquela sala, minhas pernas sempre faziam questão de me colocar frente a Zípora, não importa o quanto minha mente falasse pra eu ficar longe dela, meu coração e meu corpo não me obedeciam.
Isso aconteceu tantas vezes que eu até parei de tentar evitá-la. Por mais que eu ainda ficasse bem irritado sempre que ela abria a boca, por algum motivo.
Jaci: é mesmo não é? Eu já vi você perder a calma muitas vezes sempre que você vinha pra ca, mas a forma que você simplesmente perde a paciência sempre que a Zípora ta envolvida é algo que sempre me impressiona bastante.
É, eu sei bem disso...o meu corpo quer a Zípora, e eu tinha mais que certeza que a Zípora me queria também...mas eu estava pronto pra apostar o quanto eu podia resistir a Vampira antes de entregar por completo meu coração a ela. Afinal, Tinha que ter cuidado pra quem você entrega seu coração.
Jaci: do jeitinho que eu te ensinei, você sempre foi um bom aluno quando o assunto eram os sentimentos, me diz, quer me falar mais alguma coisa?
Ah, não, a Zipora basicamente é a única coisa que perturba minha mente.
Claro, daqui a alguns meses, eu vou tentar enfrentar dinossauros pela primeira vez.
Além de que, também tem um torneio onde gente grande vai participar, então tô um pouco empolgado, mas tirando isso, eu tô perfeito pra qualquer coisa diferente.
Jaci: hmhmhm, você sempre aceitou muito bem a violência que eu generosamente te dei junto com essa força, seus pais realmente não erraram em te chamar de Sansão.
Não podiam mesmo, pois desde bem cedo, eu entendi algo que as pessoas levam a vida inteira pra entender...A Jaci olhou pra mim, enquanto eu pensava nisso, e ela entendeu perfeitamente bem o que eu tava pensando.
O que eu entendi desde muito novo era simples, não dava pra destruir os instintos, assim como meu corpo desejava tomar sangue da "fonte" e não de sacolinhas, o meu corpo também queria ser violento, era parte de mim, parte do meu ser, minha natureza, e nao dava pra fugir da minha naturesa.
Também não podia destruir e nem ignorá-la, eu apenas podia entendê-la, senti-la, e libertá-la da forma que eu queria, escolhendo quando ela iria sair, ao invés de deixar que ela ficasse grande demais e conseguisse se libertar por conta própria.
Eu fazia isso com meu desejo de sangue, meu desejo de violência, eu só não satisfazia muito bem meu desejo de violência, mas considerando o "encontro" que eu iria ter daqui a alguns dias, esses desejos logo seriam realizados também.
Jaci: eu dei vocês iluminação em seus momentos mais sombrios, a minha luz, apesar de não ser tão forte quanto a de meu marido, ainda foi o bastante para levar muito de vocês para a luz.
É, às vezes eu fico me perguntando "o que seria dos Vampiros sem você?".
Jaci: ah, vocês iriam chegar aqui do mesmo jeito, a única diferença seria que, bom, acho que talvez vocês iriam demorar mais tempo pra chegarem onde estão agora, eu só dei um empurrãozinho pra vocês, que nem os Dragões.
Você nos dá crédito demais.
Jaci: é, deve ser porque vocês chamaram minha atenção, em um mundo só com caos, morte, e sem a minha presença ou a presença do meu marido. E vocês ainda resistiram, sem serem uma raça inteligente e sem a ajuda dos outros Humanos. Quando uma criatura consegue um feito como esse, não é estranho chamar a atenção de um Deus.
É, mas você demorou muito pra nos ajudar.
Jaci: bom, você não pode julgar uma Deusa por ser cautelosa, não é? A última coisa que esse mundo precisa agora é de uma raça perigosa sendo criada porque um deus foi descuidado e deu a iluminação pra espécie errada, você não acha?
Hehehe, você tem um bom ponto, mas acho que ja ta na hora de eu ir, eu vou ter um dia cheio amanhã, e se eu continuar aqui, talvez eu nem acordei direito amanhã.
Jaci: hihihi, realmente, melhor você descansar, mas não se esquece de vir me visitar de novo outro dia
Sim senhora.
E depois que eu pensei naquilo, minha mente começou a voltar um pouco mais ao normal.
Ah, essas sessões de "conversas" que eu tinha com a Deusa da Lua sempre eram inacreditáveis, porque não era que eu tinha medo de falar com a Deusa da Lua como os outros, era quase o contrário, na verdade.
Eu sabia bem até demais que a Deusa da Lua era muito boa em me entender, tão boa, mas tão boa que palavras não eram necessárias em nossos papos, nós tivemos uma mega conversa agora a pouco, e eu não disse uma única palavra, mas pra Jaci eu tinha falado ate demais.
E enquanto eu pensava em tudo isso, eu olhei pra Jaci e vi ela sorrindo de forma bem doce, pra mim.
Jaci: conforto é o que eu mais me preocupo quando recebo convidados aqui, então fico feliz quando você pensa assim, espero que a Zípora consiga te dar um alívio tão grande quanto o meu um dia.
Um alívio tão grande quanto o de uma Deusa? Eu sabia que a Jaci estava brincando, mas enquanto eu era puxado de forma bem delicada até o meu corpo novamente, eu não podia parar de pensar no quanto eu tinha muitas coisas me esperando lá embaixo, então eu precisava me preparar.
Passar por todos aqueles cenários inacreditáveis nunca parava de ser épico pra mim, não importa quantas vezes eu visse. E quando eu voltei pra terra, ou melhor, voltei pro meu corpo, eu sorri, instalei um pouco meu corpo e sorri, pensando que a Jaci podia estar certa.
Mas se ela estivesse certa, eu ia esperar um pouco mais pra confirmar isso, porque eu tinha coisas bem diferentes e muito mais empolgantes para
me focar ao invés da Zípora, como o grande torneio que iria rolar daqui a alguns dias, o meu "trabalho" e eu iria ser o campẽao, de novo, hehehehe.

