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𝕻𝖗𝖊𝖘𝖆𝖘 𝖊 𝖘𝖆𝖓𝖌𝖚𝖊 🦖1
6🌕🗻🩸na casa da Deusa🩸🗻🌕
2542 palavras • 14402 caracteres • ⏱ 10 min 10 s

6🌕🗻🩸na casa da Deusa🩸🗻🌕

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O próximo dia foi tão tranquilo quanto um dia de recuperação poderia ser, mas depois de acordar e comer eu senti sede, não sede de água, era sede de sangue mesmo, uma sede de uma forma que, eu sabia que o sangue em bolsas podia ajudar. 


E sabendo que tinha um lugar com o sangue um pouco mais "fresco" do que nas bolsas de sangue, eu respirei fundo, me arrumei, coloquei um terno e uma gravata, e comecei a me preparar pra visitar "aquele lugar".


Eles não faziam questão que eu fosse tão arrumado, mas considerando o lugar que eu estava visitando, ser um pouquinho mais formal era o mínimo que eu podia fazer, afinal, eu não ia visitar um lugar qualquer, nem de longe.


Me olhando no espelho antes de sair, contemplei um pouco o quanto um pouco eu mesmo era bonito. Minha pele era brilhante, e lisa, com um tom preto em um escuro bem forte.


Minhas mãos eram extremamente calejadas pelos meus próprios treinamentos, tanto minhas palmas quanto minhas juntas, eu também tinha garras, que eram bem mais armas de agarrar do que pra cortar mesmo.


O meu rosto, ele não era as mil maravilhas, eu tinha uma boca e nariz pequenos, e grandes olhos vermelhos, eram comuns pra minha espécie, mas eu ainda amava eles.


E eu também tinha uma bela e esvoaçante juba vermelha, que se destacava em qualquer lugar que eu ia. Afinal, meu nome era "Sansão", é claro que o meu cabelo devia ser cuidado. 


E pensando nesse fato, antes de sair, eu o apertei pra trás, pois não queria que meu cabelo fosse muito selvagem "naquele lugar". Pois quando eu ia pra lá, eu queria parecer o mais respeitoso e apresentável possível.


Já a minha roupa, não era algo muito chamativo, era um simples terno e corpo todo, gravata, camisa azul, um paletó e uma calça, ambos na cor "vinho quase escuro". Completo com uma cartola que eu sentia completar meu look.


E depois de estar todo arrumado, e de ter certeza que eu estava em um dia de folga, eu comecei a caminhar pelo arquipélago de forma bem calma. 


Eu fiquei um bom tempo ocupado em tentar me manter calmo e impedir que minha sede de sangue se tornasse um problema, então não restou muito tempo pra que eu ficasse irritado ou assustado com as pessoas na multidão. 


Não com uma voz desejando constantemente que eu mordesse e sugasse por completo o sangue inteiro da pessoa mais próxima de mim, e eu tendo que brigar constantemente com ela e dizer "não" pra ela várias vezes.


Eu passei no meio da multidão, e não me senti mal, pois aquele seria o dia em que eu iria visitar a pessoa mais importante de toda a minha vida, a pessoa que deixou mais simples lidar com a minha própria Singularidade, e a pessoa que eu guardava um amor, carinho e fé que eu não reservava para mais ninguém.


E o tipo de paz que visitar essa pessoa me causava era tao grande, mas tão grande, que mesmo lidar com pessoas, algo que eu sempre tive dificuldade, se torna algo simples e calmo novamente.


Afinal, visitar a casa de Deus deveria causar essa paz, não é? Ou eu devia dizer: Deusa? 


Bom, eu podia deixar esse questionamento pra depois, pois enquanto eu olhava ao meu redor, eu vi que finalmente cheguei no lugar certo. 


Eu fiquei frente a algo que, na teoria, deveria ser impossível de existir, mesmo em um mundo doido como o meu: era uma gigantesca pirâmide feita totalmente de água


Uma pirâmide tão grande que dominava uma das ilhas do arquipélago, e mesmo que fosse uma ilha pequena, isso não significava que a pirâmide era pequena também.


E aquela nem era a coisa mais inacreditável daquela Pirâmide, também tinha um poder especial naquela pirâmide, que fazia com que o magma em todo o mar não conseguisse evapora-la. 


Quando visitava o templo, eu sempre gostava de parar um pouco e admirar aquela pirâmide, porque eu sabia muito bem que esse tipo de construção precisava ser admirada com o respeito que ela merecia antes de entrar totalmente nela.


Eu olhei um bom tempo cada cascada perfeita, cada estátua de sereia e tritão feita de água modelada. E depois eu fechei os olhos, e senti de forma bem lenta a paz que apenas olhar para o lugar causava, eu entrei.


Quando eu entrei, passei minha mão na parede de água, e dei uma risadinha ao ver que minha mão não molhou quando toquei na água. Mesmo aparecendo água, a consistência dela lembrava bem mais tijolos.


Eu nunca entendi bem como isso funcionava, mas como eu não estava no templo pra entender como ele funcionava, eu só continuei meu caminho..


O corredor principal tinha muitas portas que pareciam ir a várias salas diferentes, mas o que eu queria não estava naquele andar, então eu fui pro segundo andar, depois o terceiro, e quando cheguei no terceiro andar, cheguei numa sala bem única, uma sala que me fazia sorrir de forma bobinha sempre que a visitava, mesmo que eu ano entendesse muito bem o motivo ainda.


A sala, era "vazia", não existia nada ali além de 100 vampiros com robes budistas que cobriam o corpo todo deles e possuíam gigantescas mangas pros braços, provavelmente pra esconder os furinhos que existiam em cada um deles.


Além dos Vampiros, existiam apenas 200 almofadas ali, 100 para os Vampiros se sentarem e as outras 100 para os visitantes como eu.


Muitos deles meditavam, tentando encontrar o nível mais alto da grande "iluminação" algo que que o grande Miguel conseguiu, todos eles ainda estavam fazendo seu segundo trabalho, servir de alimento para Vampiros solteiros.


Além de encontrar a Iluminação, cada vampiro estava ali pois eles ofereceram seus corpos a Vampiros Solitários como eu, em busca de manter os instintos dos próprios irmãos sobre controle.


Pois é, mesmo depois de quase 66 bilhões de anos, existiam muitos desejos primitivos dentro dos Vampiros, desejos que não podiam ser simplesmente ignorados, bom, isso se ainda quiséssemos ser considerados Humanos.


O desejo de sangue era o mais simples de entender, e também o mais fácil de resolver, mesmo que fosse ruim pra certas pessoas também. 


Muitos vampiros conseguiram se cuidar com o problema do sangue apenas tomando sangue de seu parceiro, o que era o método mais fácil de conseguir em..."momentos de crise", mas para os solteiroes como eu, isso não era uma opção. 


Então por isso foi criado esse pequeno grupo de nobres compatriotas, que por vontade própria, decidiram doar o próprio sangue pra impedir que vampiros solitários entrassem em frenesi de fome.


Água, comida, tudo isso era substituível, pois um vampiro sedento por sangue não era muito diferente de um animal.


E apenas pensando no nível de catástrofes que aqueles honrados cavaleiros e cavaleiras impediram, eu me senti muito agradecido por eles.


Eu andei entre os vampiros, e vi que existiam homens e mulheres aqui, mas existia uma delas que se destacava de todas as outras, a Vampira que eu sempre bebia quando visitava esse lugar, um pouco por preferência, e um pouco porque eu apenas conseguia beber no braço dessa vampira, por motivos que eu desconhecia ainda.


Dava pra beber sangue em sacolas, mas beber o sangue de forma "direta" era algo instintivo de nossa espécie, e quando você ignora ou reprime um instinto, ele tendia a dominar o corpo em momentos aleatórios.


Então, eu apenas pensava que, se meus instintos iriam tomar controle de mim alguma hora, então eu iria decidir quando eles me controlariam.


E enquanto eu pensava dessa forma, eu me sentei na almofada vazia e fiquei frente a frente com a Vampira certa, mais precisamente, eu fiquei frente a frente com a Zípora, uma vampira com uma pele brilhante como a minha, mas numa cor cinza, um controle de Aura bem maior que o meu, cabelos loiros dourados, olhos escuros como carvão, e um par de presas belíssimas que sempre chamam minha atenção mais do que eu desejava.


Zípora: ah, Lorde Sansão, ola, vai ser o mesmo de sempre?


Eu apenas balancei a cabeça quando ela perguntou aquilo, e ela entendeu o braco e arregaçando a manga enorme de seu uniforme...


Eu fiquei muito aliviado ao ver que ela não tinha outra mordida nela, sei que era falta de educação olhar, mas ao redor de nós, dava pra ver muitos monges ali, quando arregaçando as mangas, e nos braços deles tinham milhares de mordidas diferentes.


Ai que pena, existiam muitos ali que doavam até demais de si próprios para a felicidade de seus irmãos, e considerando que sangues diferentes tinham gostos diferentes, alguns doadores virarem os favoritos de certos Vampiros era comum te demais...


Mas um doador acabar ficando íntimo demais de um Vampiro Solitário, e começarem uma relação a partir daí era até também era comum até demais...tão comum que me dava um pouco de medo às vezes também.


Às vezes, pensava que esse foi o plano da Jaci o tempo todo quando ela criou os XXX, mas eu não tinha como provar, nem perguntar isso pra ela.


Mas isso não seria o meu caso, porque eu não queria ter um relacionamento sério, relacionamentos eram complicados, traiçoeiros, e muito difíceis de manter, por isso eu vivia sozinho. 


E o mais importante, ele precisava que eu interagisse com pessoas pra isso, e não dava pra fazer isso no meu caso.


Eu pensava tudo isso enquanto eu olhava pro braço da Zipora, e eu sentia um alívio imenso em ver que só minha mordida estava lá, e eu encaixei minha mordida no mesmo lugar que eu sempre a mordia, e comecei a sugar o sangue, aquilo não era pessoal, nem um pouco.


Isso era o que eu dizia pra mim mesmo, tudo enquanto ela falou.


Zipora: ora ora, se você continuar me mordendo no mesmo lugar assim, daqui a pouco minha ferida não vai fechar mais.


Sem tirar minhas presas do braço dela, eu a olhei, de forma ameaçadora, porque ela sempre falava essas gracinhas quando eu me alimentava dela, e por algum motivo, eu só permitia que ela fizesse isso, novamente por motivos que eu não conseguia entender ainda.


Zípora: eu sei que sou uma Vampira também, mas eu sou tao pequena e frágil, você é o Sansão, o vampiro cujo o nome retém o conceito de força, não acho surpreendente que eu tenha medo de me machucar perto de você.


Era uma piada, não sabia realmente como, mas eu tinha certeza que ela contou uma piada. Mas enquanto ainda mordia ela, eu respirei bem fundo, ficando bem mais calmo em ver que só tinha o meu cheiro e o dela ali, ninguém tinha...


Zípora: olha, não precisa ficar procurando pelo cheiro de outros caras no meu braço, só você que se alimentou de mim esse mês, de novo.


Co-co-, como ela sabia que eu tava fazendo isso? Ah não, eu fiquei íntimo demais, já era...não, não, eu não podia fazer isso, não podia me entregar a ela, não depois de finalmente finalizar o paraíso perfeito e sem pessoas que eu chamo de "casa".


E enquanto pensava nisso, eu respirei fundo, tirei minha boca do braço dela, e enquanto limpava minha boca com um paninho, ela falou.


Zípora: ai, quer sair comigo qualquer dia desses?


Ainda bem que eu não falava, porque, se eu falasse agora, eu com certeza ia ficar sem nenhuma voz agora. 


Milhares de coisas estavam passando na minha cabeça quando ela falou aquilo, mas todas elas eram ligadas a um único tema: "ela está se infiltrando na minha vida".


Zípora: fica tranquilo, tá bom? É só um encontro, não um pedido de casamento, olha, se depois desse encontro, você ainda considerar que não vale a pena eu fazer parte de sua vida, então a gente só fingi que todos esses flertes que estamos fazendo agora nunca aconteceram, nunca tentei me aproximar de você e nós dois seguimos em frente com nossa vida, entendendo que não funcionou pra gente, mas vamos tentar primeiro, ta bom?


A minha mente entrou em um branco absoluto quando ela perguntou aquilo, eu não consegui pensar numa resposta, mas pelo jeito, meu coração tinha uma resposta pronta pra aquilo, pois de forma inconsciente, eu balancei minha cabeça pra cima e pra baixo bem devagar...


Zípora: bom, e quando você tá livre? Na quarta?


Eu balancei minha cabeça, negaivamente.


Zípora: quinta?


Eu continuei negando de novo e de novo cada um dos dias que ela me deu, até chegar na segunda.


Zípora: férias na segunda? Você é um vampiro bem esquisitinho mesmo, deve ser por isso que eu to afim de você. Ok, me encontre na hamburgueria Super Bovinos as 14 horas.


E eu apenas acenei a cabeça, em concordância, não conseguindo pensar em nada além de aceitar tudo que aquela Vampira dizia pra mim...de tudo que ela percebeu em mim, eu realmente esperava que ela não tivesse percebido o quanto de controle ela tinha sobre mim.


Zípora: devia escutar mais seu corpo, ele parece querer o seu melhor


Sansão: EU ESCUTO ELE, QUANDO NÃO ENVOLVE VOCÊ!?


Quando eu gritei aquilo, todos os outros monges se viraram pra mim, parcialmente foi porque eu quebrei meu juramento, mas também era pelo fato de eu ter falado EM SI.


O meu nome era muito bem conhecido por todo o arquipélago, os 3 arquipélagos, "Sansão, o ceifador vermelho", eu tinha uma fama bem grande, pela minha força e pela quantidade de pessoas e animais que eu já derrotei...mas a minha fama mais bem conhecida era que...eu nunca falava, poucos conseguiram ouvir minha voz.


Mas existia algo naquela vampira que fazia o bloqueio que eu tinha com todas as outras pessoas, simplesmente desaparecer, e ela sabia disso, porque agora, ela tava dando um sorrisinho satisfeito, que dizia "eu venci".


Zípora: jura? Você escuta seu corpo quando não envolve a mim? Nossa, não é uma surpresa que você fique tão perdido quanto fica perto de mim então.


Eu não tentei pensar em mais nada, pensar mais podia fazer com que eu gritasse de novo, e isso era algo que eu não queria fazer nem um pouco, gritar de novo ia ser só admitir o verdadeiro poder que ela tinha sobre mim. 


Então eu só respirei fundo, tentando me acalmar, apontei pra ela em sinal de aviso, e fui embora, me lembrando mais uma vez porque estava aqui pra começar, sim, me alimentar da Zípora era um dos motivos, mas tinha mais alguém que eu queria ver ali, alguém muito mais importante que a Vampira.


Zípora: por favor, fale bem pra mim pra Deusa da Lua, eu já sei qual plano ela tem pra mim, e você?


Eu não me virei, se eu me virasse, eu ia responder a ela, e eu não queria isso nem um pouquinho, eu precisava só me concentrar no que importava agora.


E o que importava nessa hora era literalmente divino.


Nota do autor


Oi gente, iai. Então, vocês devem ter notado que o grupo especial da pirâmide, não tem um nome.


Bom, é porque eu não sou bom em dar nomes pra grupos assim entaaaaaaao, se qualquer um de vocês tiver uma sugestão, eu tô aceitando. Podem ser criativos a vontade.


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