3900 palavras
Mais uma vez, eu andei pelas docas de uma das ilhas, as docas onde o grande conjunto de ilhas juntas onde eu morava, se desfazia e dava lugar a uma grande quantidade de ilhas afastadas do resto do arquipélago, sendo separadas de nós por milhares de quilômetros de magma.
Mas claro, não separado o suficiente para o meu fiel barquinho de metal não resistir…
E enquanto eu vagava pelo grande mar vermelho, olhei ao meu redor, vendo milhares de ilhas diferentes, algumas ilhas normais, outras ilhas completamente místicas e inacreditáveis e outras ilhas dominadas pela selva.
E depois de olhar pra cada uma por um bom tempo, acabei entrando em uma das ilhas místicas sem nem pensar duas vezes, mais especificamente, uma ilha vigiada pelo clã Curupira.
Mesmo dizendo que eu escolhi a ilha que o cla Curupira vigiava, no fim não era como se eu tivesse escolha, afinal, esse clã tava espalhado por todo o mundo, e qualquer coisa que envolvia animais tinha pelo menos um pouco do clã curupira envolvido, se eu queria ser um caçador legítimo, eu não podia fugir desses caras.
Mas como eu era inteligente e seguia as regras, eles não tinham problemas em deixar eu entrar pra floresta e cacar um pouco.
E também, o fato que eles tinham uma consideração grande, a ponto de me avisarem quando eu fazia algo errado, ajudava nisso também.
E pra variar, as presas e até predadores maiores começaram a fugir de mim de novo, não querendo sequer chegar perto de mim.
Eu tinha ido pra lá sem encher minha garrafa de água, então eu tive que ir pra um laguinho pra beber um pouco de água potável, e quem estava ali bebendo água também era um grande tigre arco-íris.
Aquele bichano era um dos maiores predadores do lugar, ênfase no “um dos”, mas até um predador do nível dele tinha medo quando eu me aproximava dele.
Claro, ele tinha uma fama a zelar, então ele não se encheu de medo quando fiquei ao lado dele e fugiu, o tigre manteve a pose, mas mesmo não sendo tão inteligentes quanto os Vampiros, predadores tinham um instinto primitivo em seus corpos, onde eles se recusam a lutar com uma “refeição” que vai deixar eles machucados demais pra conseguirem viver na selva.
Não existiam hospitais na selva, então se um predador pudesse evitar uma briga que iria deixá-lo muito machucado e o fizesse morrer por infecções, era isso que ele iria fazer.
E considerando que tinham presas bem mais fáceis de pegar do que eu ali, o tigre arco íris deu uma última rosnada pra mim, pra tentar se fazer mais intimidador, mesmo que só um pouquinho, e foi embora.
Eu até poderia provocá-lo e caí-lo, mas além disso ser proibido, não era ele que eu tava procurando, mais uma vez, o que eu queria era muito maior.
Depois de beber a água, eu andei um pouco mais pela selva…e comecei a achar meio chato que todos os bichos ficavam fugindo de mim, ilhas como aquelas já não eram mais pra mim, mas eu podia pensar naquilo depois, eu precisava resolver uma coisa de cada vez.
Com esse pensamento, eu andei até entrar em um ponto tão fundo da floresta, que mesmo com o brilho do magma entrando na floresta, as folhas eram tão densas que o brilho parecia fugir daquele ponto da floresta, deixando tudo ao meu redor tão escuro que mal dava pra ver as minhas próprias mãos.
E depois de vagar naquela escuridão da selva por um bom tempo, eu encontrei uma tamanduá com garras geladas.
E como o próprio nome sugere, ela era uma tamanduá com garras tendo permanente feitiços de gelo, tendo uma pelagem azul clara e 4 metros de altura, fazendo aquele grande animal, maior e bem mais letal que eu.
Um fato que já encheu meu coração de emoção, mas não ataquei imediatamente, eu respirei fundo e me preparei, só pra ter certeza que eu tava pronto pra aquela briga, pois, mesmo apenas o olhando, eu sabia que se, nós briguemos, a briga ia ser absurdamente difícil.
Fiquei chocado por alguns segundos em ver como a tamanduá não parecia ter grandes mudanças no próprio corpo, pois tamanduás não precisavam de tantas mudanças no próprio corpo, nem mesmo pra sobreviver em um mundo mágico doido como esse, sua força natural já era poderosa o bastante pra conseguir acabar comigo, se eu desse mole o suficiente.
E enquanto o medo subia na minha garganta, a felicidade também subiu, fazendo com que eu desse um sorriso sinistro que assustou a tamanduá.
E como eu já sabia que ia rolar, uma vez assustado, o Tamanduá se colocou em pé em duas patas e ficou em uma “postura de batalha” o que era o aviso final antes dele me atacar pra se defender.
Aquela batalha ia ser essa, a minha empolgação estava crescendo cada vez mais, eu sabia que esse tamanduá gigante devia ser delicioso, e eu até comecei a babar, apenas imaginando o gosto, até que eu senti alguma coisa tocar no meu ombro.
Eu não senti medo, porque, já que eu não tinha percebido aquele toque até ele encostar em mim, então eu já sabia que se tratava de um guardião dos animais.
E o peso da mão daquele Guardião demonstrou isso também e quando me virei lentamente na direção dele, olha quem diria, eu tava certo.
Guardião: essa ai ta prenha Sir Sansão, não pode caçá-la.
Ah, eu não tinha percebido, e mesmo sem falar nada, o Guardião já me conhecia, então eu apenas dei um joinha e balancei minha cabeça, demonstrando que eu entendi.
E vendo aquilo, o Guardião foi embora, me deixando continuar minhas cacas.
Haviam muitas regras no lugar, mas as mais comuns de se eram três, que eram bem intuitivas de lembrar: não se podia caçar animais grávidos, animais com filhotes ou animais doentes.
Existiam muitas outras, que eu não decorava muito bem, mas felizmente, existem esses nobres Guardiões sempre vigiando as florestas, e sempre por perto pra prender e expulsar caçadores que estão dispostos a quebrar as regras de propósito.
E também aqui pra avisarem caçadores como eu, que estavam prestes a quebrar uma regra sem querer, e nos impedir de fazer isso.
E como eu era o último caso, o Guardião me liberou só com um aviso.
Eu sorri e agradeci com dando leve reverência a ele, enquanto o Guardião voltava a furtividade da floresta, e eu apenas observei o Guardião saltando e balançando nas árvores, enquanto que a roupa toda camuflada e rosto pintado dele o faziam literalmente desaparecer em meio às árvores.
Bom, ainda com fome, e muito mais empolgado que antes, eu respirei um pouco e voltei a vagar pela floresta, e depois de vagar pouco mais na grande escuridão, eu encontrei um canguru dinamite, ah, esses aí eram traiçoeiros, precisaria ser um pouco esperto se eu quisesse vence-lo…ou só bem durão.
Quando o Canguru me viu, ele logo começou a se mostrar, porque, diferente do que muitos diziam, os cangurus eram beeeeeeem maiores e bem mais musculosos do que as pessoas achavam.
Eles tinham músculos pra dar e vender, garras grandes o bastante pra conseguir arrancar braços fora, e claro, pernas grandes o suficiente pra conseguirem derrubar árvores no chão com chutes, se assim quisessem. E por algum motivo, eles também tinham uma força de mordida comparável a um urso pardo por alguma razão.
E esse canguru em especial, ele tinha uma coisinha a mais, ele era muito alto, tendo 8 metros de altura. Hummm, eu ia ter que tomar muito cuidado pra conseguir aproveitar bem esse aí, então respirando fundo, eu me coloquei na posição de Muay Thai e comecei a deixar minha Aura sair um pouquinho.
E fechando os olhos, deixei minha imaginação agir com as mãos que moldaram minha Aura, até ela se tornar um grande avatar gigante meu, um avatar do exato tamanho do Canguru.
O Canguru não pareceu ameaçado o suficiente, então eu precisei rugir e fazer algumas poses pra ele ir na minha direção, e felizmente, aquilo foi mais que o bastante pra fazer o Canguru avançar em mim e me dar um chute bem na barriga, só pra começar.
Mas como o próprio nome dele já falava, aquele chute criou uma explosão imensa no momento em que tocou em mim, uma explosão que eu aguentei muito bem com minha guarda.
Mas logo depois, o Canguru veio na minha direção e começou a rasgar e arranhar meu rosto todo com aquelas garras imensas que ele tinha.
Eu defendi cada arranhão dele com os meus braços, não deixando nenhum chegar perto do meu rosto, e aguentando cada chute que ele deu na minha barriga sem problema algum, tendo recebido chutes ali o bastante pro animal não conseguir me machucar também.
E sempre no momento certo, eu dava socos e chutes, todos concentrados na cara do animal.
O canguru nunca recuava os ataques, então eu tive que esticar bastante meu braço pra conseguir acerta-lo no rosto, e mesmo assim, ainda dei uma sequência de 8 socos retos na cara do Canguru, conseguindo o deixa assustado na hora comigo.
Pois Cangurus, normalmente tendem a só ficar assustados depois de levar um soco forte no rosto, porque eles tinham a entender que se um soco de alguem ja era forte, então a força das pernas dessa pessoa devia ser muito maior.
O que, no meu caso, ele tava certo, mas na maioria do tempo, era apenas uma técnica de intimidação pra pessoas que só queriam tirar os Cangurus de perto deles
Mas eu não ia deixar ele ficar com medo de me enfrentar, então eu dei um chute na cara dele, no mesmo lugar que meu soco foi dado, já dando ele a noção completa da força do meu chute, e quando o Canguru não sentiu uma diferença tão forte na força dos meus braços pras minhas pernas, elecvoltou a me arranhar e chutar muito ore…E EU AMEI AQUILO DEMAIS.
A cada chute daquele canguru super sinistro, eu sentia que meus ossos tremem, tentando decidir se quebravam ou não, e eu sempre os fazia entender que eles deviam resistir com tudo o que tinham.
Eu defendi tudo que eu conseguia, o Canguru arranhou meus braços, até conseguindo rasgar fora a pele dele em alguns lugares específicos, além de queimar muito o meu peitoral com as explosões das pernas dele, a ponto dos meus músculos ficarem expostos pela quantidade de pele que eu perdi.
Doía demais, mas essa dor, ela fazia sentido pra mim, eu respirei fundo no meio das explosões do canguru, e dei um chute baixo que quebrou uma das pernas do grande animal, um feito que deixou ele com medo de mim de novo, mas já era tarde demais pra fugir.
Quando o osso do Canguru se quebrou, desesperado, o animal tentou pular pra longe de mim com uma perna, mas eu não deixei eu me mantive perto dele enquanto fazia uma sequência inacreditável de socos, até eu o encurrala-lo em uma árvore, usando nada além de meus punhos pra isso, sem usar a Aura.
E quando o coloquei contra a árvore, eu comecei a chutar o rosto dele, várias vezes, mas no meio do meu chute, o canguru pulou e me deu um chute na barriga, criando uma explosão que quebrar 5 costelas minhas…
Ai…aquilo doeu…AQUILO DOEU MUUUUUUUUITO….mas quando fui jogado pra trás, eu finquei meu pé no chão, me mantendo em pé mais pela profunda raiva do que para qualquer outra coisa, e me virei pro canguru, tudo pra eu ver o Canguru voltando a arranhar com tudo o meu rosto, servindo apenas pra eu ficar ainda mais carregado de raiva.
Pobre Canguru, ele tinha cavado o próprio túmulo e nem tinha percebido isso.
E novamente, eu mantive minha pose, e chutei de novo, e mais uma vez, o canguru chutou minhas costelas, mas dessa vez, a explosão sequer me fez sair do lugar, e em pleno ar, eu quebrei as costelas do Canguru com meu mais poderoso chute, usando toda a raiva acumulada em mim pra ser capaz disso, tendo resultados melhores até do que eu mesmo esperava, HAHA.
Quando pousei no chão, me equilibrei com apenas uma perna, e num movimento digno de uma bailarina, joguei minha segunda perna com tudo bem na cara do Canguru, até ele morder minha perna e arrancar ela fora, em um movimento que fez eu ficar muito mais em choque do que com dor.
Ah, mas que maravilha, o Canguru, além de todos esses poderes doidos que ele tinha, ele também tinha uma técnica de Aura no corpo todo, fazendo com que o meu avatar gigante ficassem ligados em nossos ferimentos.
Ou seja, quando meu avatar perdeu a própria perna, o meu corpo de verdade perdeu uma perna também, bom, ainda bem que eu era um vampiro, então eu conseguia me regenerar bem rápido.
Tanto que, sem nem me dar o privilégio de registrar a dor, eu recolhi minha perna e a regenerei tão rápido que, quando eu pisei no chão, meu pé novinho em folha já estava ali.
E com uma posição de pernas perfeita para colocar força de verdade em ataques, eu dei um direto no Canguru com toda a minha força, jogando meu punho baixo o suficiente só pra acertar o pescoço do animal.
Eu fiz tudo perfeito, minha respiração, meu movimento de quadril e ombros, e minha Aura fluindo, tudo foi perfeitamente calculado pra esse soco ser…mortal.
O Canguru tentou resistir, mas com meu punho o acertando na garganta dele, eu coloquei força o bastante naquele punho, pra arrancar a cabeça do animal fora, e a cabeça do Canguru voou pelos céus, pintando as folhas de vermelho.
Isso enquanto o corpo dele me acertou uma última vez, um leve movimento involuntário de um corpo que ainda estava tentando registrar que não tinha mais uma mente pra controlá-lo.
Ah, mas quando aquela perna foi na minha direção, eu entendia que não era apenas um movimento involuntário, era uma medida de proteção, o último mecanismo de defesa de proteção do Canguru contra um predador como eu.
Um mecanismo de defesa meio atrasado, mas tudo bem.
Quando o Canguru bateu a perna boa dele pra mim, as bombas na perna dele entraram numa sequência de autodestruição, com ele tentando explodir o corpo todo dele junto comigo.
Não querendo perder a carne que eu tive tanto trabalho pra conseguir, eu me agarrei na perna, e me encolhi com a bomba dentro de mim, tentando impedir que a explosão destruísse a carne.
E quando a bomba explodiu, meu peitoral e barriga estavam envoltos em uma bola de chamas intensas, que parecia até mesmo lava fervente jogada bem no meu peito.
O fogo da explosão foi tão grande que as chamas queimaram até chegar em meus ossos e quase fazer meus órgãos escaparem peas frrestras dela.
O impacto da explosão foi tanto, que meus ossos até quebraram e perfuraram as minhas costas…ah, é, isso era horrível…muito horrível, e dia mais do que eu podia descrever através de palavras normais.
Mesmo pra alguém com o poder de se regenerar, receber aquele dano foi algo que me machucou muito, tipo, muito mesmo.
Vampiros eram bem famosos por uma grande regeneração, e mesmo assim, ainda levou alguns minutinhos pros meus ossos serem cobertos por uma nova camada de carne, músculos e pele.
E ter um pedaço tão grande de você sendo regenerado de forma tão rápida, coçava muito…mas eu já tinha passado por aquilo tantas vezes que a coceira nem me incomodava mais, mas eu fiquei alguns segundinhos deitado ainda, como se eu ainda estivesse registrando o que rolou com meu corpo ainda.
Então, uma vez que eu processei toda a dor que eu passei eu estalei meu corpo todo de novo e usei o que ainda tinha da minha Aura pra consertar minha roupa.
Eu me levantei, ainda um pouco mal, e depois vi o prêmio que eu consegui salvar, legal, consegui deixar o corpo do Canguru seguro, tirando o pé onde a bomba explodiu, toda a carne que eu peguei tava sem dano nenhum, me fazendo dar um sorriso que eu sabia bem até demais que devia estar sinistro agora.
Mas não ligando muito pra como meu sorriso devia estar agora, eu comecei a preparar o que eu ia comer, o que eu ia beber, o que eu ia usar pra fazer roupas e o que eu ia usar pra fazer mais totens.
Guardião1: é sinistro como ele muda rápido a personalidade
Guardião2: nem tanto, ele não muda de personalidade garoto, ele só sabe muito bem o que ele é
Guardião1: ah, sim, ele é como nos
Guardiaao2: exatamente, e por causa disso, ele consegue entender certas coisas sobre, se sabe, a vida em si
Guardião1: por exemplo?
Guardião2: por exemplo, o fato de que nós somos animais, nós somos mais inteligentes e organizados que os outros, mas nós ainda somos animais. Muitas pessoas meio que não entendem, ou negam isso de todas as formas, já pessoas como o nosso querido amigo lá embaixo, entende bem até demais esse conceito, por isso as maos dele não tremem
Guardiao1: realmente, mas a mentalidade dele ainda nao ta perfeita
Guardiao2: e o que você queria? O jovem só tem 160 anos(40 anos de Sapien) ele e um bebe pra cascas grossas como nos de 320 anos(80 anos de Sapien)
Guardiao1: É MESMO NE?
Eles continuaram conversando enquanto eu sugava com toda a minha força vários pedaços do canguru, pois depois de desmembrá-lo, eu decidi beber mais sangue hoje, pra eu conseguir me recuperar mais rápido dos danos que eu me machuquei.
Pois, mesmo que eu tivesse totalmente inteiro, me regenerar tanto me deixou bem mais cansado, eu tinha realmente passado do limite nessa batalha, se eu tivesse que lutar com algum outro monstro agora, eu ia precisar de ajuda dos guardiões pra não acabar me machucando.
E deixando esses pensamentos um pouquinho de lado, mais uma vez, eu peguei minha carne e comecei a assar o que eu iria comer.
Hehe, tentei não danificar o couro, mas acho que, no fim, eu acabei exagerando em alguns golpes sem querer, o que sobreviveu viraria um bom chapéu, mas acho que o couro ia ser mais bem aproveitado se eu desse pra mãos mais habilidosas que a minhas.
E depois de colocar a carne pra assar, peguei minha faquinha, e comecei a entalhar os ossos dos Canguru, os ossos dele eram fortes, então eu conseguia criar facções de arremessos com ele e vender pra pessoas com mais afinidades com certas armas que eu.
E quando eu ainda tava fazendo as facas, eu vi algumas feras se aproximando de mim, atentadas pelo cheiro delicioso da carne que eu comia…
E depois de ver como elas se aproximaram demais, comecei a usar o método de intimidação que eu aperfeiçoei após muitas e muitas noites em ilhas selvagens como estas.
Mais uma vez, liberei minha aura, e com minha imaginação bem criativa agora, a névoa ganhou um formato certeiro e vivo até demais.
Mais precisamente, a Aura começou como uma névoa saindo do meu corpo e que foi lentamente pra cima da minha cabeça, até se transformar no rosto de um gigantesco gorila, que olhou de forma bem intimidadora para os predadores e os intimidou a avançar na minha direção.
Eu tava me arriscando bastante ali, se minha técnica de intimidação não funcionasse, eu ia provavelmente ter que fugir e abandonar minha caça ali...infelizmente.
Mas depois dos predadores testarem minha paciência por mais algum tempo, eles não tentaram a sorte e foram embora, sem tentar roubar minha caça de mim.
Humpf, meu mestre de Jiu-jitsu dizia que eu confiava demais em minhas intimidações, mas quando essa intimidação tinha uma importância tão grande.
A ponto de eu conseguir proteger minhas carnes sem precisar contar com a ajuda dos Guardiões, então fazia sentido eu cuidar um pouco mais de atenção na minha Aura dessa forma.
E enquanto pensava nisso, vi que minha carne estava pronta, e quando eu peguei um pedacinho pra mim, eu abri a boca e me deliciei com os sucos dentro da carne.
Meu deus, a consistência da carne daquele Canguru era divina, o gosto era divino, tudo naquela carne era divino.
Carne de predador tinha uma fama forte por ser horrível, mas a carne de predador não era ruim, ela apenas não era uma carne que qualquer um conseguia aguentar comer.
Carne de predador era forte, o tecido era mais difícil de mastigar, e além de que a dieta de predador dava um gosto poderoso demais na carne, pra quem não tava acostumado a ter um gostinho mais intenso como esse, o gosto ia ser super horrível mesmo.
Mas pra mim, essa intensidade era exatamente o tipo de coisa que fazia eu gostar de pegar minha própria carne do que pegá-la no mercado.
E então, respirando bem fundo, embalei as carnes que eu ia levar pra casa, o tecido que eu iria vender mais tarde, e as facas de arremesso feita com ossos de canguru que eu ia vender também e decidi voltar ao meu barquinho.
E enquanto eu ia pra casa, comecei a pensar um pouco em como muitas pessoas não entendiam como eu podia gostar tanto de caça, e como eu podia amar tanto caçar animais assim.
Mas no fim, eu só tava tentando ser totalmente independente, afinal, pros amantes de carne, nós nunca paramos de matar animais, a maioria das pessoas apenas se acostumou a conseguir o “produto finalizado” da morte dos animais, outros matam, fátima, processam e colocam embalados as carnes pros outros comprarem e commerce.
E considerando o que esses doidos que criam animais tem que passar pra carne ser boa e gostosa, é sinistro como a carne tem um preço justo, na maioria das vezes.
Eu ja tinha passado por essa fase de “receber a carne dos outros”, todos já passaram, ate os animais, mas no momento que eu descobri que, com o cuprimento de algumas regras, eu conseguia caçar minha própria carne, nunca mais deixei nenhuma carne caçada por terceiros entrar na minha casa.
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\nDentro da minha casa, não tinha muitas coisas, eu tinha só um sofá simples, uma pintura-televisão, uma cama, uma mesa que eu usava pra comer em casa, um prato e talheres apenas pra mim.
Eu não recebia visitas(mais por minha causa que por causa dos outros), então eu não tinha coisas pros outros.
Eu também tinha um forno, um baú de frio, que tinha apenas comidas que eu consegui com minhas próprias mãos, e uma caminha simples, ela eu consegui comprando mesmo, nesse caso, não tinha o que fazer.
Enquanto eu não tava na minha casa comendo, dormindo, ou tomando banho, eu tava quase sempre relaxando vendo algo na minha pintura-televisão, mas de novo, hoje era só banho e cama, pois ainda hoje, eu tinha um lugar pra ir.
Uma pessoa normal normalmente iria ficar com arrependimentos profundos por se machucar tanto antes de ir pra um treino de Muay Thai, mas como eu com certeza não era um Vampiro normal, claro que eu fiquei empolgado em saber que eu ia ser espancado mais ainda, ainda hoje.

