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No dia seguinte, eu andei por um lugar que me fazia ficar com o coração na mão sempre que eu entrava lá, o grande arquipélago de magma que eu vivia, mais especificamente, o lado de fora da minha casa.
Eu vivia em um grande arquipélago cheio de pequenas ilhas conectadas por pontes mega resistentes, com o magma sendo a principal coisa que mantém todas essas ilhas juntas.
Claro, além disso, também tinham as casas feias de puras estalagmites ao redor de nós, outras casas feitas de ferro puro e super afiados, e as mais ricas e protegidas até eram feitas de puro cristal.
O chão era tão quente, que era preciso usar chinelos super acolchoados pra não queimarmos os nossos pés, o ar ali era tão tóxico que apenas as pessoas acostumadas a vagar por aquele lugar conseguiam respirar sem nenhum feitiço especial.
O lugar era tão quente, mas tão quente, que todos, sem exceções, usavam roupas que tinham feitiços de frio dentro delas pra não acabarem superaquecendo com o calor.
Mas o motivo de eu ter problemas de vagar por aquele lugar, não era nenhuma dessas coisas, era pelo mesmo motivo de antes: pessoas.
As ilhas mais “normais” do arquipélago normalmente eram bem movimentadas e cheias de pessoas.
Um fato que sempre me motivava a ir pelo caminho mais facil, usar meus poderes pra ir voando até os campos de treinamento que eu participava.
Hehe, to indo rápido demais? Sinto que eu estou, foi mal, é que eu não consigo pensar muito sobre as ruas abaixo de mim, eu apenas conseguia pensar em quem eu iria enfrentar hoje? Será que seria o Warrin, ou o Huon? Ele saiu bem revoltado desde a última vez que eu o venci, hihihihi.
E enquanto pensava nisso, vi que eu tinha chegado no lugar onde eu queria, o grande dojô de Jiu-Jitsu, e mais uma vez, eu aproveitei a grande anomalia que era aquele lugar.
Aquele templo era feito totalmente de papel, mas mesmo assim, ele ainda conseguia se manter inteiro, e não queimar, mesmo estando tao perto da lava como naquele momento.
O dojo parecia simbolizar bem até demais o que as Artes Marciais eram, elas eram muitas coisas, mas uma das formas dela era se fazer capas de coisas que, na teoria, são impossíveis.
Todos que vissem esse dojo, mesmo no nosso mundo doido, diriam que isso era impossível, mas os praticantes de Artes marciais já pararam de aceitar que algo era impossível a muito tempo.
Eu sorri enquanto eu entrei lá, me troquei no banheiro pra por meu uniforme e cumprimentei o mestre.
Mestre: ah, finalmente você apareceu, vem, nós já vamos começar.
E assim que o Mestre falou aquilo, nos organizamos, com as faixas mais avançadas ficando mais na frente e as faixas menos avançadas ficando mais atrás. E como eu era um faixa preta, eu estava na frente de todo mundo.
Depois que nós organizamos, todos nós nos cumprimentamos, e começamos o alongamento, era coisa simples, alongamento de mão, alongamento de perna, alongamento de coluna.
E depois um aquecimento simples, onde nós demos um pequeno polichinelo e fizemos uma corrida bem simples, e então, começamos nosso treinamento.
E hoje, pelo que parece, o treinamento ia ser simples, nós íamos apenas praticar pegadas e agarrões, mas, diferente do que eu esperava, foi o mestre que virou minha dupla dessa vez, e não o Huon, e eu fui usado de interpretação para a técnica de hoje.
O Mestre, antes de nos liberar pra conseguirmos fazer lutas simuladas, ele me usou como uma forma de demonstrar vários golpes, na maioria do tempo, eu tava praticamente imovel, apenas me movendo de verdade quando o Mestre pedia pra eu me mover, eu fui jogado no chão, e quase tive meus ossos quebrados e deslocados várias vezes, mas isso nunca aconteceu.
Isso porque o mestre era quem mais tinha controle dos próprios movimentos do que todos ali, ele tinha a noção perfeita de quanta força ele podia usar em mim antes que eu quebrasse, e quando nos estavamos na demonstração, ele usava sem problema todo esse conhecimento que conseguiu após tantos anos sendo um mestre pra demonstrar as técnicas sem me machucar.
E depois que a demonstração acabou, eu e o mestre fomos pro nosso canto de treino e começamos nossa própria sessão de treinamento, e no momento que fizemos isso, o mestre parou de se segurar.
Assim que os momentos de combate sério começaram, o Mestre tentou pegar meu braço, mas agora que eu tava lutando a sério, minhas duas mãos bloquearam as investidas dele.
Eu olhei pro Mestre muito atentamente, diferente de mim, ele era um Sapien, e para um Sapien conseguir sobreviver tanto tempo assim no mar vermelho, ele precisava ser bem casca grossa também.
Ele quase pegou meu braço 10 vezes, mas eu bloqueei todas, e quando avancei pra contra atacar tudo, o mestre bloqueou todas as minhas investidas.
Eu tentei focar muito nos braços, e quando ele não percebesse, eu iria tentar agarrar o joelho dele.
Mas ele não caiu na armadilha, assim que eu tentei esse movimento, o Mestre estapeou meu braço pra longe, e na hora, conseguiu agarrar meu colarinho e me arremessar pro chão.
O Mestre não tinha apenas puxado meu corpo, não, meu mestre deu uma rasteira em meu pé, fez o meu corpo basicamente ir pro ar e me arremessou no ar como se eu fosse um boneco de pano.
Naquela hora, eu agradeci pelo chão do lugar ser estufado, porque, mesmo com toda a resistência extra que eu tinha, bater no chão duro daquela forma com certeza ia me fazer quebrar alguns ossos no processo.
Uma vez no chão, o Mestre tentou me segurar com mais força e me colocar em uma imobilização, e na hora eu tentei fugir amolecendo meu braço, foi difícil, muito difícil, mas eu consegui escapar da pegada do Mestre.
E enquanto estávamos no chão, o Mestre tentou enrolar as pernas na minha barriga, mas antes dele conseguir, eu escapei da tesoura de perna dele.
Como retaliação, tentei agarrar o braço dele, mas ele escorregou pelo meu braço ao amolecer o próprio corpo, e tentou me agarrar pelos pulsos e me prender usando minhas próprias articulações pra me imobilizar, mas então, eu forcei nos dois a rolarmos pra frente, fazendo ele soltar o meu braço no meio do rolamento.
E logo depois, tentei usar a mesma imobilização de perna nele, mas ele logo desviou daquilo também, e tentou ir pra trás de mim.
Mestre: não se esqueça quem te ensinou a escapar de imobilizações.
Eu sorri quando ele falou isso, e logo me virei, e novamente voltei a competir com o mestre, a procura de controle na intensa batalha agarrada que nos estavamos tendo.
Nós ficamos agarrando e segurando um no outro por muito tempo, no entanto imobilizar as articulações um do outro, quebrar os ossos, e até imobilizar um ao outro usando o peso um do outro muitas vezes.
Tudo combinado com muitos rolamentos pra desestabilizar um ao outro, como se fossemos duas cobras se contorcendo uma na outra, desesperadamente tentando morder a cabeça da outra cobra.
Muitos confundiam Jiu-Jitsu com Judo, mas acho que a forma mais fácil de diferenciar um do outro era simples.
No judô, você usa roupas pra imobilizar seu oponente, como muitos gostavam de dizer, judô era a arte de “dobrar uma roupa com as pessoas ainda às vestindo”.
Mas o Jiu-jitsu, era a arte de quebrar, mobilizar e torcer o corpo humano, não usávamos roupas como base, a base para nossas imobilizações eram os pontos fracos do corpo humano e nada mais, é no fundo, acho que era isso que me fazia gostar do Jiu-Jitsu muito mais do que o Judô.
Até mesmo agora, quando eu consegui chegar pra trás do mestre, eu segurei ele pelo braço, o segurando de uma forma que ele não conseguia usar direito a própria força, e lentamente, comecei a colocar força naquela imobilização.
Eu não usei nenhuma roupa pra completar aquela imobilização, agora mesmo, meu agarrão não usava nada além das juntas do meu Mestre pra imobilizá-lo, e pela forma que o Mestre tava sorrindo pra mim, eu sabia que ele tava muito feliz pelo que eu fiz, realmente muito feliz, mesmo que ele estivesse quase tendo o braço quebrado por mim agora.
O Mestre tentou fugir da imobilização, mas era inútil, ele me ensinou muito bem, tão bem que nem ele podia fugir dessa imobilização, e agora eu testava, pra ver até quão longe ele iria ser teimoso antes de eu quebrar o braço dele.
O mestre foi bem teimoso, ele aguentou por um bom tempo, ate que o osso dele estalou, ele não quebrou, mas entendendo um som como um aviso, o Mestre bateu a mão no chão em desistência, entendendo que havia perdido, então eu o soltei.
Mestre: bom, muito bom, você melhorou muito.
Eu sabia disso, nunca faltei um dia de treinamento, e meus treinos “práticos” tem um mérito nisso também, mas ainda era legal ver o Mestre me falando isso.
Mestre: um treino “prático normal não faria isso” você é forte, Sansão.
Eu sorri pro mestre, pra ele ver que eu sabia disso também.
Mestre: ok, vai beber água, ainda estamos longe de acabar.
É claro que não havia acabado ali, aquele era apenas o primeiro round.
Assim que me afastei do mestre, e consegui um pouco de água, eu respirei um pouco pra recuperar minhas energias, e uma vez recuperado, de novo me preparei pra ir atrás do Mestre.
No segundo round, o Mestre foi mais intenso, com ele apertando meu braço com mais força, e novamente tentando me fazer cair no chão, mas eu também aumentei muito a minha força. Até que eu comecei a deixar a minha Aura sair.
E em segundos, o meu braço começou a se petrificar, com um montão de garras e pedaços de pedra sendo criados em cima pele, tudo enquanto a parte mais funda do meu corpo se convertia em lava pura.
O mestre sorriu pra mim, satisfeito com o que eu conseguia fazer agora e satisfeito por eu estar transformando aquele duelo simples em um duelo de Aura daquela forma.
Tudo enquanto o Mestre continuou apertando meu braço com força, a ponto de destruir todos os espinhos de pedra que estavam tentando perfurar a mão dele.
Eu sabia que isso não funcionava nele, mas deixando de brincar, eu desconectei minha mão do meu corpo, e através da lava que eu virei, eu criei outra não e tentei agarrá-lo bem no rosto.
Mas quando eu tentei fazer isso, o Mestre se abaixou até as minhas pernas, e tentou uma queda.
Na mesma hora, eu desviei pra esquerda, como um toureiro, fui pra pras costas do Mestre e tentei segurá-lo por trás.
Mas o Mestre não era um touro, ele tava bem longe de ser um touro, então ele pisou no chão, com uma fluidez nos pés digna de uma bailarina, virou o corpo em um movimento tão fluido que ele até pareceu mais rápido que qualquer reação minha.
E antes de eu conseguir me defender, o Mestre agarrou meu braço, eu tentei resistir, mas o meu avanço me fez ficar na posição errada, e eu nao consegui colocar força nas minhas pernas o bastante pra manter minha guarda.
E com isso, mais uma vez, meu Mestre me levantou, como se eu fosse um bonequinho de pano, e me jogou no chão com toda a força que ele tinha
E apesar de ainda estar com minha armadura de Lava, eu agradeci novamente que o chão do tatame era macio, pois aquela queria ia ter doido muito se fosse no chão frio e duro que tivesse amortecido minha queda.
E mesmo com o chão macio, o impacto ainda doeu pra caramba, me fazendo ter um medo genuíno de ver o que iria acontecer se eu caísse no chão duro, sem a proteção do treino, hummmmm.
Uma vez no chão, o Mestre prendeu meu pescoço numa imobilização, e me fez lentamente perder o ar.
Droga, eu fui ingênuo, eu tentei resistir, mas quanto mais força eu usava, mais ar eu pedia.
Como um último esforço, eu joguei o máximo de calor e espinhos de pedra pra tentar afetar o Mestre o máximo que eu conseguia, mas a pele do Mestre nem ficou queimada, ele era um homem de ferro, que não parava, nem quando a lava literalmente tentava derreter a pele dele.
Toda a resistência que eu criei para lutar com animais fantásticos, o Mestre já tinha chegado no meu nível de resistência e até mesmo ultrapassado aquele nível a muito tempo atrás, fazendo qualquer tentativa minha de machucá-lo, sem que fosse através do Jiu-jitsu, totalmente inútil.
Eu não quis me render, até que minha boca começou a espumar, e minha visão começou a borrar pela falta de ar, droga, eu tinha perdido, não tinha o que fazer.
Antes de eu quase apagar, eu bati no tatame muitas vezes, admitindo minha derrota. E quando o mestre me soltou, eu fiquei com as mãos no chão e comecei a fazer a maior quantidade de voz que eu fazia nesses treinos doidos, engasgar, respirar e fazer um barulho bem pesado de respiração me esforçando ao máximo pra conseguir o ar.
Mestre: hehe, a sua técnica tá perfeita, como o habitual, mas essa sua confiança na sua Aura, ela ainda tá sendo seu ponto fraco.
Eu confio demais na minha Aura? Bom, eu acho que isso é normal, considerando o tipo de monstros que eu quero caçar, mas como meu Mestre, eu era obrigado a escutá-lo ainda.
Olhei pro meu Mestre com um tom desafiador, e me olhando por alguns segundos, o Mestre disse.
Mestre: idai se só seus Mestres conseguem te machucar de verdade? Isso não é desculpa pra você perder pra mim.
O Mestre me ajudou a levantar, enquanto eu ainda respirava pesado, e olhando ele com uma mistura de raiva e alegria, ele novamente entendeu o que eu não disse.
Mestre: relaxa campeão, ainda tem mais 3 lutas pra voce me dar o troco.
Cara, eu amava muito aqueles momentos, o mestre de Jiu-jitsu era apenas mais um de vários Mestres, mas isso não o fazia menos especial ou o menos importante, muito pelo contrário, eu ainda o reverenciava e o respeitava de forma igual eu fazia com todos os outros mestres.
Enquanto eu fui pegar minha água de novo, pensei como eu sempre vi os meus mestres como meus amigos, e o fato de que apenas eles, e alguns alunos bem específicos conseguiam “conversar” comigo assim, devia ser parte do motivo também.
E quando voltei até ele, pro nosso terceiro round, com a motivação nas alturas, ele riu e falou.
Mestre: e aí, vai usar seus brinquedinhos de novo em mim?
Eu apenas dei os ombros, e então me preparei pra próxima batalha, e esse sinal pareceu ser o suficiente pra deixar o Mestre animado.
E enquanto me preparado pra mais uma batalha de agarrões, eu apenas conseguia pensar como, o Jiu-Jitsu podia ter muitas regras, muitos movimentos específicos, mas no fim, a coisa real era bem mais sobre “o quanto você entende sobre a luta agarrada na prática” do que “o que você sabe sobre os movimentos em si.”
Sim, fazer a técnica do jeito perfeito, pode ajudar, e muito, mas no fim, era a experiência que faria tudo mudar.
Por esse fato, o Mestre deveria ganhar de mim, não é?
Bom, acontece que eu tinha muita experiência em agarrar presas e outros guerreiros veteranos em agarrões. Então, mesmo pra um veterano como meu Mestre, se ele desse mole, eu iria prendê-lo, assim como eu tava fazendo agora.
Em nossa nova luta de agarrões, eu consegui colocar uma imobilização nele onde eu consegui colocar minhas pernas em volta da cintura dele, conseguindo tirar a respiração dele novamente, mais uma vez, conseguindo uma vitória contra o Mestre.
Foi uma vitória que eu só consegui depois dele ser teimoso até demais pra aceitar a derrota, mas ainda foi uma vitória.
Mas claro que não ia ficar apenas por isso, pois na próxima partida, depois de nós enrolamos um no outro igual a duas cobras por muito, mas muito tempo mesmo, o Mestre conseguiu me por em uma imobilização impossível de escapar, onde ele pegou as minhas pernas jogou minha cintura pra trás do meu corpo, e começou a ir pra trás de mim, como se tivesse tentando fazer meus pés tocarem nos meus joelhos a força.
Ah, se eu me lembro bem, o nome desse movimento é Stak Pass, ele era uum movimento muuuuuuuito perigoso e quase impossível de escapar, claro, se fosse só por métodos normais, mas com minha Aura, eu consegui deslizar pra fora…mesmo que ainda estivesse com sequelas de dor por causa daquele golpe
Bom, isso foi o que eu pensei, até que o Mestre agarrou meus calcanhares com ainda mais força, até que a Aura dele impediu que a minha se manifestasse, me forçando a ficar na minha forma sólida.
Então o mestre colocou ainda mais força no agarrão, até a minha espinha começar a doer, muito e eu acabar batendo no tatame, pela dor que passei.
Eu queria resistir um pouco mais, mas aquela imobilização, aquilo era algo que não dava pra lutar ou resistir, mesmo pra alguém forte e experiente como eu.
E mais uma vez, tive que respirar um bom tempo, só pra conseguir não desmaiar por aquela dor. E mesmo um pouco chateado de não ter aguentado, o Mestre deixou eu ficar deitado no chão, respirando, entendendo o quanto ele próprio tinha exagerado no movimento também.
Então o mestre olhou pra mim, comigo não conseguindo mostrar nenhum outro rosto além do rosto de profundo cansaço em minha frente, e depois ele falou.
Mestre: viu? Eu falei que você confia muito nos seus truques.
Ele esticou a mão pra me levantar de novo, mas eu tava com tanta raiva dele que eu olhei pra baixo, bufei de raiva e levantei sozinho.
Mestre: não me veja assim, você é um bom faixa preta, só não melhor que eu.
Mesmo ainda estando irritado, eu dei uma risada bem sincera quando o Mestre falou aquilo, o Mestre tinha aquele dom de conseguir me fazer rir, mesmo em situações como essa, hehe.
E enquanto os outros ainda faziam técnicas ao redor de nós, eu devo ter feito um rosto estranho, pois o Mestre olhou pra mim e falou.
Mestre: é, você tem sorte que eu não participo desses torneios mesmo.
Eu não tinha pensado nisso, mas eu tava falando isso pelas minhas expressões, eu ainda tinha problemas pra entender como eles faziam isso, mas os Mestres, meus pais, e uns amigos próximos meus, tinham essa estranha “magia” onde eles conseguiram ler minhas expressões de forma excelente.
E depois de todos os treinos que eu passei, eu instalei um pouco o corpo, só pra garantir que não tava com nada quebrado, e então eu me coloquei na posição de despedida, pois a aula tinha acabado e o Mestre ja tava reunindo tudo pra fazer o comprimento final.
E enquanto todo mundo estava se preparando pra fazer a reverencia de despedida, eu ouvi eles sussurrando um pouco sobre mim.
Aluno1: ai, você viu aquilo? O Mestre usou a Skat Pass no Sansão
Aluno2: o Sansão sempre parece o único que consegue puxar o mestre ao limite, as vezes nao sei se sinto pena ou inveja dele
Aluno1: acho que depende de que ângulo você tá vendo a vida dele
Aluno2: hummm, ótimo ponto, ótimo ponto mesmo.
Eu sorri um pouco enquanto eles falavam aquilo, enquanto eles mesmos não sabiam se sentiam pena ou inveja de mim, eu só sentia orgulho por poder causar esse tipo de reação nas pessoas, não importa se eram nesses dois extremos doidos.
E então, começou, nós entramos em formação e cumprimentamos não o Mestre primeiro, mas sim uma pequena tabela de estátuas, cada uma representando um Deus. Lua, Sol, Escuridão e Brilho(ou luz, pros mais chatos) bem atrás de nós, então o mestre falou.
Mestre: DIANTE OS DEUSES, CURVE-SE.
Então, o Mestre girou pra ficar na frente de nós, e gritou.
Mestre: DIANTE DE SEU MESTRE, CURVES-E.
E assim nós fizemos, nos curvamos frente ao mestre, e todos, menos eu, gritaram ao mesmo tempo.
Todos: OBRIGADO PELO TREINO.
E numa revoada de aplausos dos próprios alunos, todo mundo se dispersou, todo mundo começou a arrumar as próprias coisas pra ir embora enquanto conversavam.
E como eu mesmo não conseguia conversar de forma normal com ninguém agora, então eu apenas sorri pra todos, peguei minhas coisas, me arrumei no banheiro, e fui embora, eu gostava de ficar lá, gostava mesmo, mas eu também entendia quando já estava na hora de eu ir.
E mais uma vez, saí do grande dojo e dei de cara com o grande inferno pessoal pra mim, que era ter que interagir com tantas pessoas por tanto tempo como agora.
E felizmente pra mim, eu deixei minha Aura sair de novo, e comecei a voar de novo, impedindo um ataque de estresse pra mim e pra eles também.
A Aura, quando eu não colocava nenhuma forma pra ela, ela apenas ganhava a forma de uma grande fumaça vermelha, o que me dava bem mais que liberdade pra conseguir voar pelos céus, e me afastar de toda a confusão bem abaixo de mim.
E enquanto eu voava cada vez mais pra cima, eu olhei pra baixo, e contemplei um pouco mais o grande arquipélago de magma pura que eu vivia, ou “Arquipélago Vampiro”, como ele era mais conhecido.
E então, eu virei de costas, e olhei pra cima, eu sorri e deixei meus olhos fechados por alguns minutinhos, até que eu abri e dei de cara com o grande paredão de rochas infinitas que tinha no lugar do céu azul que tinha no Mar Azul.
Hehe, eu ainda achava doido como, alguns vampiros conseguiam andar no sol e outros não. Tinha todo um lance simbólico nisso, mas pra garantir que ninguém iria acabar se queimando por acidente, a muito tempo atrás, “o conselho” decidiu que nós devíamos ficar abaixo da terra.
Um lugar cheio de gases tóxicos, leis da física próprias, monstros, criaturas loucas, e outros perigos que nos deram o título de “o mais perigoso dos 3 mares”.
Mas era um lugar seguro, pois não tínhamos que nos preocupar com o sol, e pra muitos, incluindo eu, era só isso que importava.
E depois de voar pelos céus por um bom tempo, eu cheguei em casa, mais do que pronto pra descansar e me preparar pra mais uma excelente refeição que eu teria amanhã.

