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𝕻𝖗𝖊𝖘𝖆𝖘 𝖊 𝖘𝖆𝖓𝖌𝖚𝖊 🦖1
1 🍖🌴🤤bem vindo🤤🌴🍖
3550 palavras • 20013 caracteres • ⏱ 14 min 12 s

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Caçar era muito divertido, e eu amava isso mais do que qualquer coisa do mundo. 

Muitos dizem que “caçar animais inocentes é errado” e é, eu até concordava com essas pessoas, até um certo ponto. 

Eu concordava com todo meu ser que caçar um animal por pura diversão, tirar uma fotinha tosca e depois ir embora era algo muito feio.

O pobre animal foi usado apenas como entretenimento, e um troféu, seu corpo deixado ali jogado não seria respeitado, e ele apenas iria virar uma carniça, que foi largada como um “nada” pois era isso que esses animais eram pra esses “caçadores modinhas” nada, eles não entendiam de verdade o grande respeito que esses animais deveriam receber.

Caçar animais de forma séria não tinha nada a ver com isso, afinal, um verdadeiro caçador mata um animal da mesma forma, mas ele também respeita as regras do Kurupira. 

Com uma das regras mais básicas sendo nunca desperdiçar um único fio de pelo de um animal abatido, uma regra que eu amava seguir com todo meu coração.

Mas logo fui tirado de meus devaneios ao me lembrar onde eu estava, em uma ilha totalmente selvagem, cercado por todo o tipo de vegetação e animais diferentes.

Tudo acompanhado por uma gigantes escuridão, ja que ja estava tarde então tinha pouca luz pra muitas espécies enxergarem, eu, é claro, não era uma delas, pois eu conseguia ver o mundo escuro na minha frente, muito bem, a ponto onde eu tinha a ideia perfeita de onde eu estava indo.

O vento fazia as árvores balançarem e fazerem um som que me lembrava da chuva por algum motivo. E às vezes, as folhas faziam um som um pouquinho mais sombrio e mórbido, como se elas quisessem conversar comigo de alguma forma, mandando eu ir embora.

Um aviso que eu ignorei completamente e continuei entrando pela floresta ainda mais.

Quanto mais fundo eu ia pra floresta, mais uma certa coisa apareceu no meu campo de visão, ou melhor, coisas, em meio às sombras milhares de olhos de predadores da ilha me observavam, me viam desarmado, sem nenhuma arma de longo ou curto alcance pra me defender…

E depois de me analisarem por um bom tempo, todo o predador que me via, decidia ir embora logo depois, porque no fundo, eles sabiam que eu era perigoso demais pra eles.

Era bom que aqueles predadores eram tão inteligentes, já mostrava como eles sobreviveram até aquele ponto. 

E também foi muito bom pra mim, impedindo que eu desperdiçasse energia à toa, porque eu não vim aqui para caçar predadores pequenos, eu to atrás de um bicho muito maior…

Eu já vaguei por aquelas selvas, e as selvas de muitas outras ilhas por muito, mas muito tempo mesmo. Eu nunca carreguei nenhuma arma comigo, cada animal que eu matei e devorei, eu fiz isso com as minhas próprias mãos. E foi tão prazeroso quanto eu imaginei que seria.

Eu já tive minha época me escondendo dos predadores grandões, eu também tive minha época onde eu lutava pra pegar um único predador pequeno. Mas tudo isso já era passado, pois agora, eu não me escondia dos predadores, eles se escondiam de mim.

Ou, pelo menos, a maioria deles, pois mesmo com essa minha nova capacidade, onde os predadores médios e pequenos, normalmente fugiam de mim, os predadores grandes ainda tinham muita confiança pra tentarem a sorte comigo, era esse tipo exato de animal que eu estava procurando agora.

E depois de seguir o rastro de um Grande predador por um bom  tempo, eu cheguei na minha querida presa, um alce, mais especificamente, um alce que possuía chifres feito de ferro, a ponto que pareciam apenas facas com a lâmina mais sinistra e doida que alguém poderia imaginar, além deles possuírem um pelo ao redor dele, que era tão escorregadio, que era uma estranha armadura…

Eu tinha que tomar cuidado, se eu quisesse que ele fosse até mim, eu ia precisar ser mais esperto.

Ele não tinha sentido meu cheiro, já que eu tava contra o vento o meu cheiro não chegava no nariz dele, então pegando um apito do meu bolso, eu saí da moita enquanto eu o assoprava.

E quando eu fiz isso, o alce se virou pra mim, e começou a rugir pra eu cair fora, e o motivo de ele reagir dessa forma era bem simples, o apito que eu tava na boca, era um apito de chamado de alces, então. 

Mesmo que eu fosse bem diferente de um alce normal, para o grande alce cheio de lâminas na minha frente, eu era apenas mais um rival que ele precisava cortar em tiras pra demonstrar sua dominância, mesmo que meu corpo fosse muito diferente de qualquer alce que ele viu em toda a vida dele.

O alce parecia bem inteligente, mesmo com minha provocação, ele se segurou, percebendo que tinha algo de errado, até que eu o olhei da forma mais desrespeitosa do mundo, e assoprou o apito mais uma vez, fazendo o animal ficar furioso comigo.

Sério, se o bicho tivesse ficado só um pouco mais irritado comigo, ele só ia faltar falar.

O alce rugiu mais uma vez, arrastou os cascos no chão pra se preparar pro ataque, e foi direto até mim, e eu, só esperei, eu não tinha armas ali comigo, eu não precisava delas, tudo que eu precisava, era apenas das minhas mãos.

Hummm, qual arte marcial eu deveria usar com ele? Hummm, eu tava me sentindo ousado hoje, então decidi usar jiu-jitsu dessa vez.

O alce ficou a centímetros de mim antes de eu achar o ângulo certo. Encontrar o ponto de agarramento perfeito no meio daqueles chifres mega irregulares e afiados do Alce, foi difícil, mas beeeeeeem longe de ser impossível.

Então, eu afundei meus pés no chão, na posição perfeita de Jiu-Jitsu, e o agarrei, levou um tempo pra minha pegada realmente nao desligar, a ponto que, quando nos conectamos, mesmo em minha pose perfeita, o alce ainda me fez arrastar os pés pelo chão, até que eu parei usando uma pedra de apoio, e quando consegui o apoio certo, comecei a colocar um pouco mais de força no meu agarrão enquanto dava um sorriso sinistro pro alce.

As lâminas dos chifres dele tentaram cortar minha mão, mas foi inútil, as lâminas dele eram afiadas, afiadas ao ponto de decepar qualquer mão normal de uma pessoa.

Mas eu estava longe de ser normal, enquanto aquelas lâminas mega afiadas passavam pela minha mão, eu não sofria um único arranhão delas, porque as minhas mãos já haviam passado por um treino tão intenso, que até lâminas como as daquele alce, não conseguiam perfurar minha pele.

O meu aperto, depois de algum tempo, começou a trincar um pouco os chifres do alce, e o animal, vendo que escolheu errado o próprio oponente, tentou recuar e se reagrupar, mas já era tarde. A essa altura, ele nunca conseguiria escapar do meu agarrão.

E enquanto o animal tava desesperado, tentando escapar, eu parei de agarrar um dos chifres dele e pegando em um chifre mais abaixo, eu comecei a levantá-lo.

O alce balançou o corpo, a cabeça, e até jogou a gosma do próprio corpo pras minhas mãos para tentar escapar, mas foi tudo em vão. O meu aperto nos chifres dele não diminuiu nem por um milímetro.

E aplicando minha força sem problemas no Alce, eu coloquei ele em cima da minha própria cabeça, sempre mantendo o controle do meu aperto pra não acabar quebrando os chifres dele sem querer.

O animal se debateu acima de mim, tentando escapar, mas eu ignorei, apenas pensando como eu devia acabar o serviço. 

Esse tipo de cenário já era tão comum pra mim, que agora mesmo eu só pensava em: como eu podia matar o alce sem ser muito cruel? Pensando  sobre aquilo de uma forma tão casual que eu me sentia apenas escolhendo as roupas que eu ia vestir amanhã. 

Apenas pra mostrar quantas vezes eu já matei esses bichos.

No fim, decidi que empalar o bicho em um gravetos afiado, seria uma morte bem rápida, muitos animais tinham o horror de serem comidos ainda vivos na selva, então eu tava tentando fazer o favor de matá-lo com a menor quantidade de dor possível.

Eu viajei um pouco pela selva, com o Alce  ainda vivo e extremamente consciente. Ainda se debatendo bem em cima de mim tentando fugir. 

E quando eu encontrei um galho grande e afiado o suficiente, eu joguei o alce naquele galho com todas as minhas forças, o jogando bem no ponto onde o galho perfurou a garganta dele, e então, perfurou o cérebro, com o galho até atravessando o olho do alce de dentro pra fora…

Hehehe, podiam me chamar de sádico, mas esse tipo de morte era a mais tranquila de todas, o alce morreu rápido, sem dor, se eu tivesse o jogado no chão, o pobre do animal ainda ia conseguir sentir a dor de cada osso dele quebrando, isso sim seria cruel.

Ele sentiu muita dor quando aquele galho perfurou o cérebro dele, mas eu tinha certeza que ele só sofreu por alguns instantes…e vendo o animal caído no chão, eu fiz um sinal antigo com minha mão, um sinal que significava uma cruz pros Sapiens, mas pra “nós”, significava algo diferente, mas igualmente profundo. 

Toquei meu ombro esquerdo pra simbolizar a lua, o ombro direito pra simbolizar as estrelas, o topo da minha cabeça pra simbolizar o sol e o meu peito pra simbolizar a escuridão. 

Um ato simples, mas que seria o início da reverência que eu iria apresentar ao animal majestoso que eu acabei de matar.

Então, eu peguei o alce, e depois de garantir que ele estava morto, eu arranquei a cabeça dele do corpo, alonguei minhas presas, e suguei todo o sangue que tinha na cabeça dele.

Ah é, eu sou um vampiro, desculpa se esqueci de contar.

Eu suguei o sangue da cabeça dele até ele ficar seco, então, depois disso, comecei a trabalhar, tanto em coisas práticas, como em rituais um pouco mais exóticos de se trabalhar. 

Primeiro, eu fiz uma fogueira, tirei a pele do alce e comecei a gritar as partes que eu mais gostava de comer dos alces enguia.

O cheiro do alce acabou atirando predadores pra perto de mim, mas quando eles viram que era eu que estava fritando, lentamente eles voltaram para as sombras. 

Novamente, meu progresso naquele lugar se mostrou, eu não precisava mais me esconder, mesmo com uma refeição tão deliciosa a disposição deles, sem precisar repreender ninguém, todos já entendiam que não valia nem um pouco a pena tentar roubar essa carne de mim, e era assim que era bom mesmo.

E enquanto a minha comida esquentava, eu comecei a preparar todo o resto, tipo, tudo mesmo, eu guardei a pele pra transformá-la numa roupa minha depois, entalhei os ossos dele pra fazer totens e os levar pra cidade, e até os órgãos e intestinos dele, eu guardei pra conseguir vender depois pra pessoas que fariam melhor uso dessas partes dele do que eu, nada do animal seria desperdiçado.

É assim que se respeita o animal que você caçou, eu não estava fazendo aquilo pra me exibir, sim, eu estava fazendo aquilo pra satisfazer meus desejos mais primitivos, como meu profundo desejo de caçar, mas não ia deixar nada da minha caça pra trás, era o mínimo que um “sobrevivente” como aquele alce merecia.

Muitos diziam “ah, como você tem coragem de matar um animal?” E a minha resposta pra esse tipo de gente é “claro que tenho coragem, eu como pra sobreviver” desde o início da nossa espécie, nós sempre matamos e comemos animais pela nossa própria sobrevivência.

O problema é que nós acabamos terceirizando a matança, hoje em dia outras pessoas matavam os animais pra nós e nós recebemos apenas a carne, sem ver nenhum dos problemas que e pra conseguir ela. 

E eu até entendia porque isso existia, muitas pessoas não tinham coragem de tirar a vida de um animal e por isso pediam pra outra pessoa fazer isso…eu apenas tinha coragem de fazer o trabalho da matança eu mesmo.

E nem o pessoal vegano, que come só mato e vegetais escapa disso, porque, pra criar os incríveis vegetais e a belíssima soja deles, era necessário fazer grandes plantas, e matar qualquer “praga” que ousasse destruir essas belas plantações.

Não importa o que uma pessoa ingeria, se ela até mesmo bebesse um copo de água, qualquer pessoa que se alimentava já estava matando um animal, não importa o quão fofo, feio, pequeno ou grande ele e, ninguém tem as mãos limpas quando o assunto e comer animais. 

Qualquer pessoa que tenta pagar de superior dizendo que nunca matou um animal na vida ou e burro ou e um hipocrita ou e um mentiroso.

Muita gente não conseguia respeitar da forma certa a carne que chegava no próprio prato, e até um certo ponto na vida, eu não era muito diferente deles…

Até a algumas décadas atrás, quando eu saí de casa e comecei a viver por mim mesmo, e quando eu pensei em tudo isso, eu dei um sorrisinho infantil em pensar nas doideiras que fiz depois de sair de casa. Hehe, eu era livre, finalmente.

Aí aí, já tava ficando sentimental de novo, mas agora que comecei, eu não conseguia parar.

Animais como esses não eram animais normais, sobreviver na selva não era apenas questão de sorte, era questão de esperteza, determinação, e uma vontade inimaginável de continuar vivo.

Animais fantásticos que chegam a vida adulta, como o alce, não eram animais normais, eles eram animais que haviam sobrevivido ao próprio inferno em um mundo onde tudo, de presas até predadores, queriam apenas matá-los e nada mais.

Tudo até eles conseguirem ter filhotes e continuarem a própria espécie, isso era além de maneiro, era inacreditável, muitas pessoas conseguiriam passar por metade do que animais adultos como esse alce tem que aguentar todos os dias, e isso contando naqueles que conseguem se defender de algo no final…

E caçadores idiotas querem caçá-los apenas para fazer fotos bonitinhas, que desrespeito.

Ah, minha carne ficou pronta…assim que percebi isso, logo comecei a pegar os pedaços dela que eu ia comer, e sugar os pedaços de carne que eu ia beber, tudo enquanto eu devaneava um pouquinho mais.

Pra animais selvagens, ser devorado por quem te matou não era nada de especial, era apenas algo esperado do grande mundo selvagem onde eles vivem. 

Enquanto para os animais de fazenda, ser morto por quem te criou era algo muito comum, mas o tipo de traição que via quando isso acontecia, era algo que eu nunca mais poderia participar.

Pelo menos não com uma alternativa como a caça que eu fazia agora.

Os animais de fazenda tem vidas felizes, tranquilas e animadas, pensando que eles vivem num paraíso onde eles nunca serão machucados por nada, onde eles eram apenas alimentados e bem cuidadosos, não precisando se preocupar em nada em seus mundinhos perfeitos.

Isso até chegar o fatídico dia em que o mesmo fazendeiro que, cuidou deles, amou e os alimentou por muitos anos, finalmente decidiu que já estava na hora de matá-los e comê-los, e então, esses mesmos pobres animais eram destruídos pelas mesmas pessoas que cuidaram deles por toda a vida…

Aí cara, pensar nessas coisas me fazia agradecer por animais não serem tão inteligentes quanto humanos, porque, se eles pudessem sentir esse nível de traição, acho que as coisas não acabariam bem pra nós.

Pensar nessas coisas fazia eu sentir pena dos animais da fazenda, mas eu entendia porque eles existiam então não reclamava, eu apenas tentava ajudá-los não me envolvendo com nada que já foi morto pra mim. 

Não, desde que me tornei um adulto, eu fiz uma promessa para o grande Aram que todas as carnes que eu iria comer seriam de coisas que eu mesmo matei. 

Uma parte disso era apenas pela pena dos animais da fazenda, já a outra, era pelo respeito imenso que eu tinha pelos animais selvagens.

Pois esse cervo que eu acabei de matar por exemplo, como um animal selvagem, ele era muito forte, ele lutou até o final, ele não queria morrer, assim como qualquer ser vivo, mas pra ele, eu não estava o traindo, ou o enganando, como rola com animais de fazenda.

Não, pra ele, eu era apenas mais um predador, ele não se sentiu traído quando eu se aquele animal tivese capacidade de pensar palavras, na hora que eu o matei, ele só deve ter pensado algo no nível “ah, que pena, eu não consegui dessa vez”.

Eu não era superior a ele em nada ali, quando nós lutamos, mesmo com a diferença de força, no fim, nós dois éramos apenas dois animais lutando pela próxima refeição.

Eu lutei e ganhei, e como prêmio, o corpo do Alce era meu agora, e como vencedor, eu só podia tratar meu prêmio da melhor forma que podia.

E tinha uma beleza simbólica nesse pensamento tão grande pra mim, que eu estava mais que disposto a viver de caçadas assim por toda a minha vida, não importa o quão perigoso isso fosse.

E enquanto tive esse pensamento, percebi que tinha terminado a carne que eu separei pra comer, e com os ossos, órgãos, tecidos, e pedaços de carne (que eu nao omi) separados, decidem aprontar tudo na minha mochila pra dar um fora daquela ilha, na calmaria, mas eu já tava me preparando pra sair.

E assim quando eu entrei ali, quando eu tava no caminho pra saída, vários olhos curiosos já estavam me observando apenas tentando encontrar a oportunidade de acabarem comigo. 

Bom, que pena pra eles, pois eu não dei a eles nenhuma oportunidade de conseguirem fazer isso, eles tinham medo de mim, um medo bem profundo, um medo primitivo que predadores conseguiam sentir apenas na frente de um predador maior.

Um medo que predadores desenvolveram para manter sua sobrevivência. E eles sabiam, pro melhor e pro pior, que se eles ficassem no meu caminho, eles não iam sobreviver.

E acima das árvores, existiam olhos que não me olhavam com curiosidade, mas sim com observação super atenta, pois os carinhas que tavam ali em cima, eram meus compatriotas, eles vigiam tudo, só pra garantir que ninguém que visitasse ilhas como essa acabassem violando as regras.

Essa ilha podia ser um lugar onde a caça era liberada, mas até esse lugar tinham as próprias regras, regras que eu não tinha problema em cumprir, principalmente sabendo que tipo de punição rolaria se eu não as cumprisse.

E quando eu quase saí dali, eu fiquei cara a cara com um dos maiores predadores dali, um gigantesco gorila punhos de ouriço, ee é, essa era a visão que eu tava tendo na minha frente agora. 

Ele e eu éramos parecidos, ele era o tipo de animal que, quando entrava em um território da floresta, os outros animais que fugiam e se escondiam, e não ele.

Eu não tava planejando comer ele, mas eu tava mais do que pronto pra uma segunda refeição, se ele quisesse claro, e enquanto eu pensava isso, o Gorila me olhou nos olhos por muito tempo.

Normalmente não era uma boa ideia olhar nos olhos de um gorila, a menos que você conseguisse revidar, e eu conseguia, quase como um concurso de macheza, eu fiquei olhando pra ele por um bom tempo, até que o gorila recuou um pouco, como se tivesse decidindo que não valia a pena gastar a força dele comigo, e foi embora.

Dominância assegurada.

E então, mais alguns passos depois, eu cheguei no meu barquinho. E antes de entrar nele, tirei um tempinho só pra olhar o grande mar de magma puro bem na minha frente, um magma quase totalmente ressecado e escuro, já mostrando que já devia ser noite lá em cima. Hummmmm.

Então, sorrindo, eu subi no meu barquinho de ferro puro, e reme  no meio do magma por um tempo absurdo até que eu cheguei no pequeno porto que eu tinha partido, pensando como agora as coisas iam ficar complicadas pra mim.

Claro, passar por aquele mar de magma não era um problema pra mim, eu já tinha feito aquele tipo de coisa tantas vezes, que mesmo quando uma bolha de magma literalmente explodiu do meu lado, ela nem conseguiu me acertar.

E eu tinha controle o suficiente do meu remo pra não acabar trazendo atenção da vida dentro do magma pra perto de mim. Não, o que eu tinha medo de enfrentar era muito pior do que tudo isso…pessoas.

Entre os animais, entre os guerreiros, entre os monstros, eu era invencível, um rei que nunca teve seu trono ameaçado. Mas no momento em que eu não podia ser agressivo e tinha que interagir com outras pessoas, eu travava completamente, mesmo com pessoas que eu via todos os dias.

Quando eu cheguei no porto, eu vi o barqueiro que eu sempre alugava o barco tentando pescar alguma coisa naquele porto cheio de barcos.

Barqueiro: ah, ola Sansão, então, como foi a caçada?

Sansão: …

Eu sorri pra ele e dei um joinha, e não falei nada…eu nunca falava. E felizmente, o Barqueiro entendeu isso, sorriu, e falou.

Barqueiro: é, valeu a pena tentar.

Pois é

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