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Caminho da Vitória 🥊 2
🤯🤔razão e emoçao🤔🤯
2023 palavras • 11490 caracteres • ⏱ 8 min 06 s

🤯🤔razão e emoçao🤔🤯

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Em um quarto mais afastado da casa, longe do meu Avô e da Elena e apenas com a minha avó, tentei pensar nas pinturas que ainda teria que fazer, tantas pinturas, então, qual eu poderia fazer agora? 


Assim que pensei nisso, deixei minha imaginação voar um pouco, e tentei fazer uma árvore simples, mas quando eu olhei com cuidado pra árvore, eu não fiquei satisfeito e comecei a colocar varias outras coisas, coloquei quatro troncos nas grandes árvores, espalhei milhares de bolinhas que eram apenas de enfeite ali, e depois eu pintei o arbusto, bem mais do que verde, pintei cachos de uva, tanto como olhos como nariz, criei um sorriso de blueberries, mas no meio de tudo aquilo, eu ainda não tava satisfeito, ainda faltava algo…e no meio daquilo, decidi colocar um pouco de estrelas na árvore também.


Foi um dos desenhos mais doidos que eu já fiz, e eu sentia que aquele  desenho específico tinha uma força bem maior do que os vários outros que eu fiz, mesmo que eu ainda me orgulhasse daqueles outros desenhos também.


Ao meu lado, eu vi a Vovó olhando o desenho que eu fiz,ficando bem feliz, mesmo com a confusão estampada no rosto dela, não entendendo direito o que era aquilo.


Vovó: o que é isso João?


João: era pra ser uma árvore, mas no meio do caminho ela meio que…deixou de ser isso, hehe.


Não tinha muito o que falar além disso, mas quando a vovó andou um pouco até chegar mais perto de mim, ela falou.


Vovô: não fique tão inquieto João, o desenho está muito bom, só tô tentando entender o que você queria dizer com ele


João: jura? Bem vinda ao clube.


Eu também queria entender, muito mesmo, o que aquele desenho significava, mas quanto mais eu olhava o desenho, mais nítida a resposta aparecia na minha mente, mas eu parecia rejeitá-la, como se meu corpo me falasse o tempo todo apenas: não, não pode ser isso, agente passou por muita coisa para ser algo tão simples como isso. Mas depois do último teste que eu passei com a Deusa da Lua, eu conseguia me acalmar o bastante pra saber perfeitamente que eu precisava aceitar isso, ou apenas sofreria mais e apenas aceitaria depois de passar uma dor imensa.


João: ela demora menos pra eu pensar


Vovô: demora menos?


João: é, todas as pinturas que eu fiz até agora, parecem falsas, ou demoram um tempo absurdo pra acontecer, mas essa (aponta pra pintura) eu não precisei pensar, apenas sentir…(sorri) e eu gostei muito disso


Vovó: jura? Você quer tentar fazer isso de novo?


João: quero.


Pegando outro quadro branquo, comecei a pintar de novo, primeiro eu tentei criar uma flor, novamente uma coisa que na teoria deveria ser simples, mas quanto mais eu pintava, mais triângulos, mais quadrados e mais cores do que uma simples flor deveria ter. 


E quando meu trabalho estava finalizado, eu vi uma grande flor que nem parecia mais uma flor, mas não no sentido ruim, minha pequena criação parecia bem mais um amuleto de proteção, ou uma pintura de defesa, ou qualquer outra coisa que irradiava bem mais “proteção”, “amor”, “tranquilidade”, e até uma pequena fagulha de “fantasia” através do esqueleto do que já foi uma flor.


Eu fiquei bem satisfeito com aquela flor, mas não foi o bastante pra mim, eu fiz outra, e outra, e outra, cada uma de formas diferentes, e cada uma transmitindo sentimentos diferentes, outra pareciam talismãs de ataque, outras talismãs de cura, outras apreciam talismãs de cuidado, o que podia ser dito sem problema, era que, apesar de tudo, nada daquilo parecia nem um pouco como uma flor.


Vovó: o que acha de tentar dar vida a elas:


João: tem certeza? Não quero estragar isso criando algo perigoso sem querer


Vovó: não se preocupe, eu vou te proteger se o pior acontecer, vai.


E acreditando bem mais na minha avó do que em mim mesmo eu coloquei um pouco de Aura no primeiro quadro de flor que eu fiz, sendo pego de surpresa de novo pelo quão fácil foi de colocar Aura naquela flor. 


A alimentando, moldando até a trazer totalmente pra realidade, fazendo uma flor bidimensional ficar tridimensional, e ela não tinha o tamanho de uma florzinha normal, ela era tão grande que chegava a tocar no teto do lugar.


Olhando aquela flor, sentia uma confusão imensa por ela não parecer perigosa e nem gentil também, tinham tantos símbolos diferentes naquela flor, tantos cheiros contraditórios…e agora eu percebi o quão diferente ela estava se movendo na minha frente, e antes que eu perdesse minha cabeça de vez, a minha avó me chacoalhou pra me acordar.


Vovó: João, você ta bem:?


João: ah, sim, eu só percebi que fiz uma flor de confusão na primeira tentativa


Vovó: nossa, mas que coisa.


Aquele foi o “mais que coisa” mais sincero que eu já ouvi, e olhando pra minha mão, percebendo como eu nem senti uma única gota de Aura faltando, eu falei.


João: não custou nada…eu nem senti


Vovó: não é por que você ficou mais forte:?


João: não, isso é diferente, eu não fiquei mais forte, fazer desenhos e levá-lo pra realidade se tornou mais fácil…hehe, só quera ter entendido isso mais cedo


Vovó: cada um tem seu próprio estilo, não se culpe por demorar tanto pra achar o seu


João: humpf, até que não é tão ruim, mesmo não sendo meu estilo, me diverti muito fazendo as outras pinturas…


E com um sorriso divertido, eu olhei pra frente, pensando em que tipo de pinturas eu viveria agora, comecei ainda levando mais flores pra realidade, trazendo flores da alegria, flores de romance, flores de intimidação, eu me sentia uma pequena chama viva, acendendo vários fogos de artifício no meio de todo mundo.


E quanto mais empolgado eu ficava, minhas pinturas começaram a virar realidade comigo apenas pisando ao lado delas, mais Aura exalava de mim, em um brilho dourado, demonstrando a alegria extrema que eu estava sentindo naquele momento.


A vovó já tinha notado que algo estava acontecendo e abriu a janela, e assim como ela previu, várias das minhas flores começaram a se debater como pássaros e começar a voar, girar e bater em tudo ao redor delas como verdadeiros discos voadores super doidos e alucinantes.


Um por um, cada uma delas começou a voar pela janela em velocidades absurdas, até que tudo ficou bem calmo, de novo.


Vovô: já se sente melhor?


Joao: bastante, mas eu quero desenhar masi


Vovó: fica à vontade.


E saindo dos moldes de uma simples flor, comecei a fazer todo o tipo de doideira, milhares de misturas de bolas, retângulos, quadrados e várias outras formas geométricas, tão regulares quanto irregulares, apenas pra me divertir, e quando eu terminei, meio que fiquei um pouco tentado, a fazer uma coisa que eu não fazia ideia que iria fazer.


No meu próximo quadro, não fui no instinto, não, nesse eu tive um pouco mais de cuidado pro que eu queria apresentar, e quando eu pensei em representar uma grande aranha, decidi mostrar a pequena fofura que muitas aranhas eram, mas muitos aracnofóbicos não conseguiam ver.


Com muito cuidado e calma, comecei a pensar, eu fiquei muito tempo apenas olhando a pintura, eu achei que não estava com ideias no início, mas não, era apenas minha mente pensando, e demorando para fazer isso.


Vovó: tá tudo bem?


João: sim vó, eu só tô pensando


Vovó: quer ajuda?


João: não, eu quero me dar o meu próprio tempo pra pensar


Vovó: precisando, é só falar comigo.


Eu sabia disso, mesmo sem ela me dizer, mas ainda era bom ouvir dela, então eu olhei com cuidado pra tela, me dando o próprio tempo pra pensar no que eu queria apresentar da aranha, primeiro, eu decidi fazer uma aranha que existe e muitos tinham medo, uma aranha huntsman, que era conhecida por ser tão grande quanto dócil. 


Depois coloquei uma cartolina vermelha na cabeça dela, e coloquei um desenho com ela sapateando em cima de um chão cheio de manteiga, para ser engraçado, e terminei tudo mudando um pouquinho o rosto dela, a fazendo parecer toda preocupada, junto com gotinhas de suor ao redor dela, para dar o tom de desespero da coitada.


João: pronto, terminei.


E quando a vovó foi ver o desenho, ficou impressionada com o que eu fiz, e mesmo com a pintura bem fresca, ela tocou nela, e não vou mentir, eu fiquei impressionado também quando ela roçou levemente os próprios dedos na pintura, e ela fez o barulho de pedras sendo rodadas.


Vovó: a pintura tem relevo


João: eu aprendi a fazer isso depois de praticar muito tempo, mas ainda tá longe de ser algo que eu queira que saia da minha casa e da casa de vocês.


A vovó podia dizer muito bem que tanto a pintura quanto o próprio relevo tava lindo de milhares de formas diferentes, mas quando olhava meu desenho, mais eu sentia que ele estava “inacabado”. 


Não queria dizer perfeito, porque isso me deixaria em um ciclo interminável de imperfeições, não, o que eu sentia quando olhava essas pinturas, era que meus desenhos tavam em um grande ponto de transição, algo de nível “amador”...e quando comecei a pensar nisso, eu cheguei bem devagar pra perto da minha avó, a abracei e falei.


João: eu pensei que eu teria que parar de fazer isso sabe, parar se eu quisesse realmente ficar livre…mas eu meio que to gostando bastante de continuar essa jornada, one eu testo bem devagar o que realmente eu desejo, um desenho mais forte, mais profundo, algo não vindo do puro e descontrolado instinto, mas meu instinto criado orientado através da pura lógica, isso faz algum sentido pra você vovó?


Vovó: mais ou menos.


Mistura lógica pura e sentimento puro ao mesmo tempo, parecia algo tão contraditório, mas enquanto eu mexia um pouquinho no relevo que tava na minha pintura, senti que ela começou lentamente a sugar minha energia, não tentei lutar, só deixei fluir, curioso pra saber o tipo de doideira que poderia sair dali e mais empolgado do que eu jamais estive antes. E não me decepcionei.


A minha pequena aranha era exatamente como eu tinha sonhado, uma linda aranha que mesmo sendo assustadora, era toda bobinha e atrapalhada, e fazendo uma carinha que parecia algo saído direto de um  desenho animado, era lindo.


Fiquei com medo da vovó ter medo, afinal, aquela aranha tinha o tamanho de um cachorro pequeno, mas foi o contrário, a vovó começou a dançar com a aranha, e eu acompanhei os dois.


Até que a Vovó convidou a aranha para subir no corpo dela, e enquanto ainda dançava, a vovó festejou com a aranhinha, e depois de algum tempo, a aranha saltou pra mim pra dançar comigo.


Dancei com a aranhinha sentindo um puco de medo porque eu sou um hipócrita, achava aquela aranha levemente assustadora,


 Eu comecei a dançar com ela no meu corpo, sentindo calafrio todas as vezes que a aranha se mexia, mas ainda dançando bastante com ela, até que eu parei de sentir calafrios com as andanças da aranha depois de um tempo, isso até ela se desfazer em meu corpo, me deixando até tristinho que os trabalhos detalhados ainda não durava muito tempo.


E depois disso, eu fiquei tão feliz e empolgado que e deitei no chão e lembrei por um breve momento todas as coisas que eu fiz pra chegar até ali, a milhare de seções que eu tive com a Deusa da lua, os conselhos que deixaram minha alma mais calma do que pensei ser possível…e o Abismo, hohoho, é, aquilo foi algo bem sinistro no começo, mas quando aquele teste acabou, fiquei feliz de ter passado por ele.


Vovó: João, você ta bem?


João: claro que tô, vovó…eu só to com um pouco…(suspiro)...um pouco…


Minhas pálpebras ficaram pesadas, eu me enrolei em minhas próprias roupas como se fosse um cobertor, e assim que percebi, estava no mundo dos sonhos, me lembrando da última coisa que a Jaci me ensinou, e tava em alta definição, me fazendo rezar pra não acordar traumatizado daquele sonho.


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