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Caminho da Vitória 🥊 2
🥊😤desejo primitivo😤🥊
2510 palavras • 13763 caracteres • ⏱ 10 min 02 s

🥊😤desejo primitivo😤🥊

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No fim, escolhi algo básico, uma bermuda bem soltinha, junto com uma blusa com liberdade de movimentos enormes. 


E depois de alguns minutos, ficou decidido que eu ficaria com a minha avó, tentando fazer algumas pinturas enquanto a Elena iria ver algum filme cheio de ação e violência na sala. 


Mas antes da gente sequer agente começar a fazer nossas coisas, alguém bateu na porta.


João: deixa que eu atendo.


O meu avô veio comigo, provavelmente porque sabia o que iria acontecer.


E quando abri a porta, lá estava ele, um ogro com chifres grandes, uma pele vermelho sangue, mas com uma linguagem corporal que mostrava que ele era um lobisomem também. 


Ivan, um lobisomem e boxeador que tanto eu quanto a mídia consideravam como meu grande rival, ele já me fez ter a minha cota de bronzes e pratas, e já dei a ele a cota de bronzes e patas também, era eu, ele e um zumbi doido que estava na liderança até agora.


Na nossa última luta eu o derrotei com um soco que o desmaiou, não consegui o ouro, mas o derrotei, mesmo não combinando nada, pelo olhar cheio de uma raiva que não era virada pra mim, pensei que ele queria brigar um pouco para se desfazer dessa raiva, e eu tava bem disposto a aceitar isso.


Ivan: ola João


João: Ivan


Ivan: quer lutar comigo:


João: se coubesse a mim, eu diria sim sem problemas, mas eu estou meio ocupado agora


Vovô: AI MENINAS, VOCÊS QUEREM VER O JOÃO LUTANDO COM O IVAN:


E depois de ouvir aquilo, a Elena e a Vovó foram correndo pra ver o que tava rolando, e quando viram quem era, ficaram impressionadas quando viram o Ivan ali.


ELena: AI MEU DEUS, AI MEU DEUS AI MEU DEUS, VOCÊ É IVAN MURALHA, (tosse) desculpe, é que eu sou uma grande fã sua, eu to bem investida na rivalidade que você tem com meu namoado, e sabe aquela mensagem que foi jogada nos jornais que vocês sofreram um “ódio à primeira vista” quando lutaram no exame de faixa: foi eu que publiquei.


Não vou mentir, ver o rosto do Ivan se contorcendo de surpresa e um pouco de medo foi engraçado pra caramba, e notando o quão psicótica ela estava soando, a Elena recuou um pouco e falou.


Elena: ah, desculpa, eu não sou psicótica nem nada, mas é que você é alguém tão interessante, um lobisomem desde os 7 anos depois de contrair a doença das gotas cerebrais, e como você ficou isolado por ter poucos lobisomens crianças na sua época, e como você ganhou seu lugar nos campos de batalha, onde você era igual a todos, e como o João foi uma das primeira pessoas da sua idade que você realmente pensou ser seu amigo. Eu queria parar de falar porque eu to vendo o quão sinistro isso ta parecendo mas eu to muito nervosa sabe.


E depois daquilo, o rosto do Ivan ficou tão surpreso que eu senti que os olhos dele iria saltar pra fora do rosto dele se ele os arregalasse um pouco mais.


Ivan: bom João, o que acha de vir comigo antes de sua namorada falar que tem uma mecha do meu cabelo no quarto dela?


Eu tinha certeza que aquilo era pra ser uma piada, mas o medo genuíno na voz dele traiu a intenção da piada.


João: sim sim, vamos.


Eu aprendi da última vez, a minha barriga estava quase vazia, de forma perfeita pra eu nao acabar sendo debilitado por estar cheio demais, não tentei entender porque o Ivan queria brigar, porque eu sabia que era bem irrelevante naquele momento, a briga em si era o que realmente importa agora.


Levamos menos de 5 minutos para chegar ao dojo que eu e o Ivan tivemos uma luta não oficial desde a última vez. 


O lugar não mudou muita coisa, mas no olhar do Ivan, eu conseguia sentir o quanto aquele lugar era especial pra ele, realmente como a “primeira casa” que ele teve desde que perdeu a dele quando se tornou um lobisomem, e quando pensei nisso, me senti bem especial por ser levado pra um lugar tão legal.


Tinha bem menos gente lá dessa vez, então não foi muito difícil encontrar um lugar pra lutarmos. Eu entrei na minha guarda e o Ivan na dele, e logo começamos a saltitar. Saltitar era algo simples, uma gingada onde jogava o corpo para esquerda e para frente, deixando mais fácil quando precisava desviar.


No primeiro momento, nós apenas trocamos jabs, calculando com cuidado a distância de cada soco, eu cresci bastante de lá para cá, mas eu ainda precisava tomar cuidado pelo lobisomem ser bem maior que eu.


Nós medimos, medimos e medimos. Ateeeee, que eu pintei um chute, o Ivan defendeu, mas foi um erro, eu avancei na hora preparando um soco, mas na hora ele tentou me dar um frontal, eu defendi e empurrei meu corpo na direção da perna dele, quase fazendo ele ser empurrado pra tras no meu lugar.


Estando tão perto dele, consegui dar uma sequência de aper, cruzado, lowkick e chute peito na cabeça com a mesma perna, depois mais um cruzado, mais um aper, jab embaixo, peito e terminado com um faca que o jogou pra longe, comigo tentado fugir, mas como sempre, ele foi atrás de mim assim que eu terminei minha sequência.


O Ivan me atacou, Jab, Direto, cruzado, peito, faca, frontal. Dei tapa nos golpes retos, e nos chutes eu me agachei, recuei e até dei um passo pra frente no meio do golpe, pra diminuir o alcance dele. 


Claro, ele entendia o que eu fazia, e fazia armadilhas também, como quando ele me deu um soco cruzado com a mão de trás, logo em seguida dando um chute peito perna de trás, eu defendi, mas fui jogado pra trás quando recebi esse golpe.


Mas ele não era o único que conseguia fazer isso, eu não apenas fintava, eu começava com um chute faca pra fazê-lo defender em baixo, e sacrificando minha defesa eu dei um soco jab, quase na mesma hora do meu chute, uma diferença pequena, que me dava mais chance de acerta-lo, mas ele era difícil o machucar, já que ele defendia tão bem quanto eu.


Nós tentamos, fintando, enganando, as vezes só partindo pra brutalidade, mas nessa grande gama de quase 300 golpes que eu troquei junto com ele, tanto eu quanto ele apenas acertamos no máximo 12 golpes um no outro.


Mas isso não importava, mesmo não acertando perfeitamente, dava pra sentir os impactos, a ponto de meus punhos doerem sempre que eu o atingia, eu tava queimando, tonto, mesmo sem sangue ou me machucados, e eu amava muito aquilo.


Eu apertei meus dentes o mais forte que conseguia, porque sem protetor de boca, se eu não fechasse os dentes, meus dentes iriam trincar um ao outro pelo impacto deles. 


No meio dos meus devaneios, levei um soco na cara, seguido  por uma poderosa sequência do Ivan, que me forçou a ficar totalmente em guarda. Queria fazer alguma coisa, mas a sequência de golpes e socos do Ivan eram implacáveis, tentei achar uma saída, mas ele me bloqueou por completo, eu apenas podia aguentar com tudo que tinha e rezar para acabar logo, não importa o quão forte ele fosse, ele iria se cansa alguma hora.


Ele diminuiu o ritmo um pouco, mas eu esperei um pouco mais, o meu corpo doía muito, senti meu corpo sangrando por dentro, criando grandes roxos no meu corpo, às vezes ele me acertava nesses roxos, os estourando e  deixando o sangue escorrer, me fazendo sentir a ardência que era o sangue ser liberado em um corte. 


E já sentindo o quão psicótico isso soava, fiquei feliz pelo meu sangue conseguir escorrer pra fora assim.


E quando Ivan se cansou, eu senti uma fúria descomunal, e comecei com o movimento mais difícil que eu conhecia, quando ele se afastou, eu dei um Jab saltado nele o enchi de cruzados, e apers. Terminando com um ura giratório, girando todo o meu corpo com tanta força, que quando o atingi nas costelas, o derrubei com tudo que tinha.


Mas o ivan se recuperou em segundos, não me dando tempo nem de aceitá-lo direto, ele voltou e me deu uma outra sequência de socos, mas eu estapeei a mão dele de novo, e na confusão dele encaixei um aper no queixo dele, e logo ele encaixou um lowkik com tanta força em minha perna que eu me agachei, e logo ele me deu um cruzado na minha cara que me derrubou.


Eu rolei e me recuperei na hora em que ele tentou me dar um jab, eu desviei e tentei dar um jab embaixo na barriga dele, ele tentou defender com o cotovelo, mas eu passei pela defesa dele, e o acertei bem na barriga.


Ele tentou trincar o abdomen, mas foi em vão, e naquele momento, mais uma sequência de cruzados, e um uque , at que eu terminei dando um direto que jogou o Ivan pra trás, e quando eu tentei ir atrás dele, minha guarda tava baixa e ele quase me atingiu na barriga, mas eu consegui saltar pra trás antes dele fazer isso.


Ele logo foi atrás de mim, eu tentei desviar, mas quando eu desviei do Jab dele, ele quase me pegou com o chute peito dele, logo ele tentou me dar um cruzado, e novamente eu desviei, apenas pra quase levar um chute faca na cara dele. 


E numa sequência de golpes onde ele me encurralou de novo, vi uma abertura, onde por instinto, dei uma rasteira na perna da frente dele em um dos chutes perna de trás, e antes da minha perna cair, dei um chute faca bem na barriga dele. 


Em pleno ar, o Ivan rolou por alguns segundos…e eu esperava muito que ele não levantasse, porque apesar de querer manter a pose de durão, eu tinha certeza que não ia aguentar por muito mais tempo…


O Lobo levantou, ogros já eram durões, mas um ogro lobisomem era mais insano e absurdo ainda…ele olhou pra mim, se colocando em guarda novamente…e por alguns segundos, nós só olhamos um pro outro, cansados, ofegantes, suando e com sangue que não deveria estar escorrendo com todo o equipamento que estávamos usando.


Nós ousamos, tentando ver qual de nós que iria dar o primeiro golpe…ou quem era o mais teimoso pra ser o último a abaixar a guarda, e nenhum de nós cedeu…e em mais uma investida, o Ivan foi até mim, e no pânico que eu senti, quase usei a Aura, mas assim que ele iria me acertar, parei a técnica, mesmo recebendo um jab na cara, e mesmo sendo jogado no chão não senti vergonha de cair.


Eu e o Ivan caímos ao mesmo tempo…e enquanto eu estava no chão, ofegante, e com muita dor, me levantei bem devagar, e levemente impressionado comigo mesmo por todos aqueles golpes não serem o bastante pra me nocautear. 


Minhas pernas estavam bambas, meu corpo inteiro queimava, tanto pelo esforço quanto pelos roxos espalhados por todo o meu corpo…mas eu ainda tinha força pra ficar de pé…eu não queria nem saber como o meu rosto tava naquele momento, porque com certeza ele tava com uma aparência péssima.


Então eu apenas andei bem devagar até o Ivan, pra ver se ele tinha desmaiado ou não, mas não, ele ainda estava acordado, só não conseguia levantar.


João: você quer que eu chame o curandeiro?


Curandeiro: não precisa, eu já to aqui.


A velocidade que o curandeiro chegou ali me impressionou, mas não questionei, apenas deixei o homem fazer o trabalho dele, algo que tava nítido que ele tinha muita experiência. 


E quando o curandeiro saiu dali com o Ivan, vi que os “juízes” da luta se aproximaram de mim, A Elena me abraçou com muita força, nem se importando que o vestidinho “novo” dela ficou manchado de sangue.


Elena: VOCÊ FOI INCRÍVEL LÁ QUERIDO, ELE TAVA NA PALMA DA SUA MÃO O TEMPO TODO


João: jura? Eu meio que senti que tava sendo espancado a luta toda


Elena: ah, nada, você só tava com uma visão pessimista ra lutar melhor, é algo bem útil em lutadores pra falar a verdade


João: e você tem essa visão quando luta capoeira também?


E sorrindo, com um orgulho imenso, ela falou, enquanto colocava a mão na cabeça.


Elena: carrego o realismo pessimista aqui, mas o positivismo da liberdade do esporte aqui.


E ela falou, colocando a mão no coração.


Vovô: por favor, esperem pra paquerarem quando chegarmos em casa


João: ninguém mais fala “paquerar” vovô


Vovô: eu falo “paquerar”, e consigo pensar nuns 20 amigos que falam “paquerar” também, só de cabeça


Vovó: ah não, olha só.


A Vovó falou aquilo enquanto se aproximava devagar da Elena, vendo o vestidinho dela todo cheio de sangue.


Elena: desculpa por manchar o vestidinho novo


Vovô: não se preocupe, ele só tava acumulando poeira antes, tô feliz dele ta sendo usado por uma boa moça como você


Elena: (sorri) obrigada.


Nossa, esse deve ter sido o sorriso mais doce que eu já vi a morena fazer, e como o vestido já tava sujo, nem me importei de sujá-lo um pouco mais, e eu a abracei bem forte por trás.


Ivan: ufa, cavaleiro, obrigado por isso.


Todos nós nos viramos no mesmo instante, impressionados como o Ivan não tava com mais nenhum arranhão.


João: como você já tá inteiro?


Ivan: ah, aqueles arranhões? Aquilo não era nada pro curandeiro


Joao: legal…deixa eu adivinha? Dia ruim?


E como se apenas falar desse assunto desperta uma memória milenarmente sinistra nele, o Ivan falou.


Ivan: nada demais, só uma discussão com minha femea


João: vocês terminaram?


Ivan: que nada, se nós dois não estamos brigando então algo tá errado, mas tem dias que ela realmente me torna um vulcão em erupção.


“Cada um com seu cada um”, pensei, eu nunca iria conseguir viver com alguém assim, seria dor de cabeça demais pra mim, mas…


João: …se funciona pra você então tá tudo bem


Ivan: (estala dedos e aponta) exatamente (da tapinha no ombro) agora estamos quites de novo, se você estiver tendo um dia ruim e visitar o lugar, é só me chamar.


Não soube exatamente quando, mas nós acabamos decidindo que nós iríamos ajudar um ao outro se “por coincidência” nos encontrassemos um ao outro enquanto estivessemos em um dia ruim, e como meu avô e meu tio moravam aqui, isso era mais comum que eu podia dizer que víamos “pseudo amigos” faças a isso.


E depois de toda essa loucura, eu voltei a casa dos meus avós, pra tentar finalmente fazer o que queríamos.


Elena: cara, voce tem um amigo muito esquisito


João: posso chamá-lo de amigo? Eu nem sei dizer


Elena: humpf (dá de ombros) também não sei, vocês homens conseguem fazer amizade com qualquer um


João: vou entender isso como um elogio.


E sorrindo, a morena se enrolou no meu braço, até nós chegarmos na casa dos meus avós.


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